segunda-feira, 30 de abril de 2012

Apresentação Geral de Novos Cursilhistas

No próximo dia 01 de Maio de 2012, decorrerá no Salão Paroquial Grande, da Paróquia de Grândola, a Ultreia de Apresentação Geral dos participantes no 51º Cursilho de Cristandade de Homens da Diocese de Beja e do 40º Cursilho de Cristandade de Mulheres da Diocese de Beja.



sexta-feira, 27 de abril de 2012

Crise, criatividade e solidariedade

Apesar das diferentes visões, abordagens e propostas de solução, parece haver alguma convergência na aceitação da realidade dura e crua da crise que atravessa a sociedade portuguesa (e não só, mas também) e que afecta, em particular, os mais fragilizados, ameaçando deixar sulcos profundos no tecido humano, social e económico, de consequências ainda imprevisíveis, e sem que a solução se vislumbre com clareza.

A superação da crise, ou das crises, não passa apenas, penso eu, pelo Estado e por quem governa, por planos ou projectos estratégicos de carácter estrutural ou conjuntural, por opções de cariz meramente económico, mas depende também de nós, simples cidadãos, na medida em que formos capazes de dar à luz novos projectos, ou de conferirmos renovado vigor aos que já existem, e nem sempre foram devidamente valorizados. São, por isso, necessárias iniciativas que invertam a lógica pessimista, que teima em não nos abandonar, gestos ousados, concretos, continuados, de partilha e solidariedade, para além dos ciclos eleitorais e das estratégias de poder, independentemente do espaço reservado nas primeiras páginas dos principais mass media.

O nosso ADN de povo e nação tem-se caracterizado, ao longo dos séculos, pela capacidade, quase genial, de fazer das fraquezas forças e de encontrar soluções audazes para problemas que pareciam de solução impossível. Porque não reconhecemos isso e procuramos, de novo em nós, a força, as capacidades e caminhos de esperança e de superação? O nosso ADN, que eu saiba, não se alterou, e se “ontem” os nossos antepassados foram capazes de partir, contra ventos e marés, e os “velhos do Restelo”, porque não seremos nós hoje capazes de vencer e transformar os “Cabos das Tormentas” em “Cabos da Boa Esperança”?

Está nas nossas mãos superar o fatalismo e o pessimismo que paralisam, os proteccionismos e  dependências que infantilizam. Fomos e somos capazes de vencer. Basta querer!

Pe. Manuel António Guerreiro do Rosário
in Diário do Alentejo, n.º 1566, 27 de Abril de 2012

quinta-feira, 26 de abril de 2012

O Sobreiro - Árvore símbolo nacional


Salvaguarda da Biodiversidade do Alentejo  

Funcionando, ao mesmo tempo, como causa e como efeito de um novo capítulo na vida artística, cultural e religiosa do Alentejo, o Festival Terras sem Sombra tem, na sua génese, uma reunião de sinergias, pouco vulgar entre nós, que permite muitas formas de ver e, principalmente, de sentir o seu território – um espaço onde marcam presença idiossincrasias e patrimónios diversos, mas complementares.
 
Tanto a multiplicidade como a pluralidade de perspectivas são, de resto, esteios fundamentais de uma proposta que, independentemente de se haver tornado já um dos rostos mais conhecidos da região, não existe só por si, nem se centra exclusivamente no universo da Ars Sacra. Pelo contrário, abre-se a causas relevantes para a sociedade actual, onde o voluntariado possa despertar pequenos gestos que ajudem a “marcar a diferença”. Possuidor de um formidável conjunto de recursos biodiversos, o nosso país enfrenta neste momento grandes responsabilidades, a nível global, para conservá-los e valorizá-los adequadamente, tarefa – nunca é demais lembrá-lo – que assume a maior relevância no Alentejo, um dos territórios com mais altos índices de preservação do Sul da Europa, mas onde a desertificação do interior rural e a concentração de habitantes e actividades no litoral levantam grandes desafios.

Ao abrigo de um protocolo de cooperação com o Instituto de Conservação da Natureza e da Biodiversidade (Ministério da Agricultura, do Mar, do Ambiente e do Ordenamento do Território), os municípios e outras instituições presentes no terreno, o FTSS promove, no dia seguinte a cada concerto, acções-piloto para a salvaguarda da biodiversidade. Estas iniciativas permitem que voluntários de origens ou perfis muito diversos – músicos, espectadores, staff, membros das comunidades locais, etc. – colaborem, ombro com ombro, em actividades úteis à conservação da natureza, actividades simples, mas que encerram toda uma mensagem dirigida aos decisores e à opinião pública.

Data: Dia 06 de Maio de 2012
Hora: 10:30 horas
Local: Herdade das Barradas da Serra
Colaboração:
  • Instituto de Conservação da Natureza e da Biodiversidade (Parque Natural do Vale do Guadiana)
  • Herdade das Barradas da Serra
Apoio: Câmara Municipal de Grândola

O SOBREIRO - ÁRVORE SÍMBOLO NACIONAL
 
Em Grândola, a acção de biodiversidade decorrerá na Herdade das Barradas da Serra, com actividades associadas ao Sobreiro, enquanto árvore símbolo nacional, e Montado de sobro, enquanto habitat-refúgio da biodiversidade lusitana. A recente aprovação no Parlamento do projecto de resolução para tornar o Sobreiro árvore nacional é o mote para as actividades desenvolvidas. A acção deverá ser iniciada por uma breve conversa sobre o sobreiro, a sua singularidade e representatividade em Portugal, que inclua várias personalidades, sendo presença necessária uma das duas associações que lançaram a petição pública – Árvores de Portugal e Transumância e Natureza. A verificação das caixas-ninho que colocámos no ano anterior, a realização de actividades exploratórias da biodiversidade do montado (flora e fauna) e o apadrinhamento de novas árvores serão desenvolvidas com a participação da Escola das Ameiras.

Concerto do Festival Terras Sem Sombra em Grândola

No dia 05 de Maio de 2012, pelas 21:30 horas, a Igreja Matriz de Grândola será mais uma vez palco de um dos concertos do Festival Terras Sem Sombra:

Do Instante ao Infinito 
ARVO PÄRT, WOLFANG RIHM, SALVATORE SCIARRINO  
Direcção musical Paolo da Col 
Ensemble Odechaton


 

O Ensemble Odechaton interpretará "uma página importante da música sacra polifónica italiana”, os Responsórios místicos de Gesualdo da Venosa, juntamente com composições contemporâneas, nomeadamente de Arvo Part e Salvatore Sciarrino.

Fundado em 1998, o ensemble Odhecaton tomou o nome de Harmonice Musices Odhecaton, o primeiro livro de música impresso (Ottaviano Petrucci, Veneza, 1501). Sob a direcção de Paolo da Col, realizou uma entrée fracassante no universo da polifonia do Renascimento, alcançando o reconhecimento da crítica, traduzido em alguns dos mais prestigiosos prémios discográficos, por ter iniciado uma nova atitude interpretativa no domínio da execução polifónica. O seu repertório começou por incidir, primordialmente, em obras de compositores italianos, flamengos, espanhóis e portugueses dos séculos XV e XVI. A partir de 2008, o grupo focou igualmente a atenção na música sacra de Palestrina, Gesualdo da Venosa e Claudio Monteverdi, além de autores contemporâneos como Sciarrino, Scelsi, Pärt e Rihm. Levou também aos palcos Amfiparnaso, de Orazio Vecchi, com o actor Enrico Bonavera, numa cenografia de Lele Luzzati.

Coro da Paróquia de Grândola nas Festas de Maio

De 28 de Abril a 01 de Maio de 2012, celebram-se as Festas de Maio em Amoreiras-Gare.

Fruto do excelente trabalho que tem desenvolvido, o Coro da Paróquia de Grândola foi convidado para acompanhar a Missa Solene que se realiza no Salão do Centro Social de Amoreiras-Gare, pelas 10:00 horas do dia 01 de Maio de 2012.


quarta-feira, 18 de abril de 2012

Tributo a um Homem, Grande, Sábio e Bom

A morte de D. Manuel Falcão (21 de Fevereiro de 2012), Bispo Emérito de Beja, gerou em mim a firme convicção e obrigação de que deveria escrever algumas linhas sobre ele.

Conheci o Sr. D. Manuel na minha juventude e admirei-o logo desde a primeira hora. À medida que fui amadurecendo como homem e cristão, e depois como padre, mais passei a admirar o Homem e a Obra. A sua grande, imensa, sabedoria transversal e eclética, a sua humildade e discrição, própria dos homens grandes, a sua delicadeza com todos, sem excepção, a sua proximidade às pessoas concretas, aos problemas concretos, no Alentejo, granjearam-lhe a admiração de gente das mais diversas ideologias e perspectivas de vida.

D. Manuel foi também uma espécie de visionário da Igreja em Portugal. Alguns apelidaram-no de "pai da Sociologia Religiosa"; outros preferiram afirmar que da sua pena saíram alguns dos documentos mais emblemáticos da Conferência Episcopal Portuguesa; outros ainda não se coibiram de dizer que poderia ter sido Patriarca de Lisboa, mas veio para Beja...

Sobre um homem da estatura e da craveira do Sr. D. Manuel tudo o que se disser é pouco e assaz incompleto. No entanto, nenhuma das afirmações reconhecendo as suas imensas capacidades e extraordinárias missões prestadas ao serviço da Igreja em Portugal e no Alentejo, perturbava a sua fina sensibilidade e delicadeza, nem o levava a exaltar-se ou a alimentar o culto da personalidade. A sua fé era sólida e o amor à Igreja indiscutível.

A sua discreta simplicidade de Homem Grande, Sábio e Bom, já marcou a história da Igreja em Portugal e no Alentejo, e D. Manuel integra hoje, sem margem para dúvidas, a plêiade dos grandes Bispos do Século XX.

Pe. Manuel António Guerreiro do Rosário
in Ecos de Grândola, nº 240, 13 de Abril de 2012