quinta-feira, 8 de novembro de 2012

Que diz a Igreja sobre o reiki?


A Rede Iberoamericana de Estudo das Seitas (RIES) continua com as suas colaborações no portal católico Aleteia, fazendo assessoria em torno do fenómeno da nova religiosidade e as suas diversas expressões culturais. Nesta ocasião o que questiona a pergunta “Que diz a Igreja sobre o reiki?” é Roberto Federigo, especialista argentino em seitas e membro da RIES.

Resposta global

A Igreja não apoia a prática do reiki, em primeiro lugar porque da fé cristão não faz parte a cosmovisão espiritual orientalista, e em segundo lugar por considera-la uma técnica que não pode demonstrar a sua eficiência cientificamente.

Referências

1. O reiki se apresenta como um método de cura através de energias e parte da base de que todo o existente é energia.

O reiki, criado no Japão por Mikao Usui (1865-1926), diz ser um método de cura que utiliza a “energia universal de vida” e uma cinjunção de duas energias muito poderosas. A primeira energia seria guiada por uma consciência superior que alguns chamam “Rei” (Deus) ou seu próprio “ser superior”, quer dizer, não seria produzida pelo curador mas pelo mesmo ser superior. A outra energia, a pessoal, a que moveria o ser humano, é chamada “Ki”.

Quem pratica reiki considera que tudo o existente é energia, desde o pensamento até aos elementos e nós seríamos por fim uma irradiação dessa energia. Segundo esta concepção, o “campo electromagnético” que produz a energia que nos rodeia está composto por várias capas que nos envolvem e ao longo das nossas vidas se alimentando de traumas e problemas emocionais que ficam presos nele como numa rede, produzindo bloqueios no fluxo da energia universal de vida. Esta energia supostamente essencial para a vida, e inclusivamente mais importante que o ar e a água, se estabilizaria mediante a cura reiki, que ajuda o fluxo da mesma a desbloquear os problemas energéticos que seriam os indicadores da enfermidade física.

O reiki tem cinco princípios que aparecem como um suposto guia para os “canais” (reikistas) e foram estabelecidos por Mikao Usui e outras pessoas como o Dr. Hayashi e a sra. Takata. São estes:

1 Só por hoje, não te irrites.

2 – Só por hoje, não te preocupes.

3 – Honras os teus pais, professores e anciães.

4 – Ganha a tua vida honradamente.

5 – Demonstra gratidão a todos os seres viventes.

2. O tratamento consiste na colocação das mãos sobre o corpo humano para que a energia flua, cure e inclusive faça a ligação com guias espirituais.

Ao colocar as mãos sobre o corpo do paciente, o reikista permitiria que a energia passe entre duas ou mais pessoas com o único propósito de partilhar a cura. O reiki também pode auto-aplicar-se. Perante uma zona considerada de interesse, podem-se manter as mãos sobre ela durante o tempo que se considere necessário.

Os sistemas variam de acordo com o reikista, mas maioritariamente trabalha-se numa primeira sessão chamada “limpeza dos 21 dias”, durante os quais se supõe que a energia trabalha limpando os chakras (centros de energia imensurável situados no corpo humano, segundo algumas culturas da Ásia) começando pelo chakra raiz e culminando pelo da coroa. Esta energia fluiria três vezes através dos chakras nos decurso de três semanas e depois efectuar-se-ia um “alinhamento” no qual a energia trabalharia a um nível maior.

Alguns reikistas consideram que além de curar, o reiki ajuda a ligarmo-nos com os nossos “Guias Espirituais”.

3. Baseia-se numa cosmovisão espiritual orientalista panteísta e está influenciado por diversas religiões e práticas.

Antes da chegada da filosofia budista ao Japão, existia nessas ilhas um tipo de religiosidade primitiva, similar a outras de distintos povos arcaicos, que se denominou sintoísmo no século VIII para diferenciá-la do budismo. Surgiu do culto da natureza das religiões populares. Isto reflecte-se em cerimónias que invocam os poderes misteriosos da natureza. Em 1945, o sintoísmo estatal (que acreditava ser o imperador descendente do deus Sol) perdeu o seu posto oficial e na actualidade o culto é privado.

O budismo foi fundado por Gautama (563-483 a. C.) e é uma religião filosófica, ainda que em sentido estrito é mais uma filosofia, porque Gautama negou a utilidade de qualquer divindade. Baseia as suas crenças em que o sofrimento (dukkha) é causado pelos desejos e necessita-se eliminar o desejo para eliminar o sofrimento. Isto se conseguiria mediante a finalização das sucessivas reencarnações através da óctupla caminhada e a sua culminação no nirvana (desatar) ou a libertação espiritual.

A cosmovisão espiritual orientalista (hinduísmo e budismo) é panteísta. O panteísmo é uma doutrina que ensina que Deus é a substância de todas as coisas, ou seja que “tudo é Deus” (imanência). A síntese desta doutrina aplicada às religiões orientais citadas é a crença no Atman ou alma espiritual do homem e o Brahman, Deus sem forma ou espirito do mundo. Quer dizer, que para o conceito religioso orientalista, Deus seria uma energia e nós mesmos parte, reflexo ou pedaços materiais dessa energia cósmica.

Tanto nos upanishad hinduístas como na crença vajrayāna, tântrica ou esotérica do budismo tibetano, menciona-se e crê-se na existência dos seis pontos energéticos localizados em diferentes partes do nosso corpo chamados chakras (círculos). Estes formariam parte de um corpo de energia subtil e seriam mais subtis que o corpo físico. O seu estado de equilíbrio se reflectiria na nossa saúde física e mental e a energia reiki estabilizaria esses centros energéticos.

Mikao Usui não foi alheio às influências destas religiões e práticas, e além disso foi um “monge cristão”. A utilização da técnica reiki como sistema de cura pode ter as suas origens na época em que o Japão vivia a abertura cultural e na influência das religiões orientais já citadas mais as do “novo pensamento” ocidental (entre outras) que promoveram a criação de muitos novos movimentos religiosos japoneses (shinshūkyō) já desde fins do século XIX.

4. O reiki não é uma ciência: o seu conhecimento alcança-se mediante uma certa forma de iluminação. Se apresenta como uma maneira para curar enfermidades físicas, mas o seu tratamento não é comprovável.

O conhecimento científico resume-se em três qualidades: geral, social e legal. A geral refere-se à validade da experiência, que pode repetir-se e nutrir-se de conhecimentos gerais e não individuais.

A social faz referência a que esse conhecimento pode ser comunicado de maneira que qualquer pessoa com capacidade e empenho pode aceder a ele. Esta característica distingue a ciência tal como se conhece no Ocidente dos conhecimentos que integram as doutrinas esotéricas, como o yoga ou o zen, os quais não poderiam comunicar-se através da linguagem, mas somente alcançar-se mediante uma certa forma de iluminação.

A terceira qualidade do conhecimento científico, a legal, faz referência às leis que integram as ciências e a aplicação prática das ciências que constituem a técnica. Seguramente alguns reikistas e seus “pacientes” não atribuem ao reiki o carácter de ciência, mas afirmam que cura enfermidades físicas, e desde a ciência só o podem fazer as médicas.

O reiki não é uma ciência, não é factual, não pode diagnosticar, o seu tratamento não é comprovável, não previne e não apresenta provas nem pode refutar outros resultados obtidos pela ciência. Pela sua carga orientalista, possui determinismo filosófico, já que determina que as consequências são causais (causa-consequência) e nada aconteceria por acaso.

Um ponto mais a destacar é o seu sobrenaturalismo, porque considera na sua prática a mediação de forças não pertencentes ao âmbito científico, o que o faria sair do seu campo pretendido.

5. É uma prática mágica curadora e como tal está aferrada na superstição e os seus efeitos são inexistentes.

O ser humano primitivo alcançou uma etapa em que acreditou, mediante diferentes práticas, poder apaziguar e controlar as forças da natureza através da magia ou teurgia (feitiçaria). O reiki diz administrar e dominar uma “energia universal de vida” que provém de uma consciência cósmica (a que muitos chamariam Deus) e que bem utilizada pode curar enfermidades físicas.

No estudo da mente religiosa primitiva será útil pontualizar que em ocasiões se equipara religião e magia ao não haver evidências realmente demonstradas para determinar uma dissociação entre esse conceito religioso primitivo e a mesma magia.

Se manifestou que religião e magia são mesmo, e que a dualidade magia-religião é posterior a um período mais primitivo no qual ambas práticas se achavam envolvidas. Frazer susteve que a magia seria mais antiga que a religião e alegou que aquela é um fenómeno mágico e não religioso. Assim, a religião envolve o homem num vínculo de reciprocidade desigual com a divindade, manifestação própria do feito religioso, enquanto que a magia não se detém na adoração de nenhum ser. A influência orientalista (budista) no reiki retira toda a deidade substituindo-a com essa força ou energia cósmica, essa consciência que se diz que actua mediante o reiki.

O reiki não se diferenciaria demasiado de uma prática “xamânica” ou “druídica”, exceptuando que não utiliza nenhuma medicina ou bebida alucinogénia. Assim mesmo diz não ser nem querer substituir a medicina tradicional ou alópata. A medicina alópata é a terapêutica cujos medicamentos provocam no organismo saudável fenómenos distintos dos que caracterizam as enfermidades em que são empregados e é científica porque é conhecimento verdadeiro das coisas pelos seus princípios e causas (corpo de doutrina ordenado e formado com sujeição a um método que constitui um ramo particular do saber humano).

Considerando que não é e diz tampouco querer substituir a medicina tradicional ou alópata e carecer de sustentação científica (ainda que afirme curar e considerar-se terapia alternativa) nem tampouco uma religião (apesar de que atribua os seus resultados a uma energia sobrenatural a qual alguns conheceriam como Deus ou seu próprio “ser superior”), se conclui que o reiki encaixaria então na definição de uma prática mágica curadora. O reiki diz administrar e transmitir uma suposta energia sobrenatural para um benefício, e o suposto controlo de uma força de igual natureza para diversos fins se conhece como magia.

A magia é concebida no pensamento do homem primitivo e das crianças. Encontra.se aferrada na superstição popular e ainda que seja levada à prática e acreditada por algumas pessoas, os seus efeitos são inexistentes.

6. O seu pretendido efeito curativo dista muito do conceito cristão de cura pela graça, por imposição sacramental ou pela oração.

O aproximar-se à prática do reiki induz ao abandono da adoração a Deus. A magia é superstição e esta é alheia à fé (e à ciência) desviando a crença por um caminho equivocado.

Sobre o pretendido efeito de cura do reiki, o conceito cristão de “cura pela graça divina”, por imposição sacramental ou pela oração, também dista muito da “energia universal de vida” que diz administrar o reiki de maneira individualista e confusa sobre a proveniência dessa suposta energia.

A superstição nasce da ignorância e essa ignorância também pode levar ao afastamento da “cura por poderes naturais” (medicina tradicional) podendo a pessoa utilizar o reiki não só como terapia alternativa complementar, mas como terapia única, pondo em risco (quiçá ainda mais) a sua saúde. Vários bispos da Igreja disseram que o reiki “não seria apropriado para as instituições católicas”.
Fonte: Aleteia


Jornada Henriquina



sexta-feira, 2 de novembro de 2012

Melhorar a democracia




quase um refrão repetido até à exaustão o do distanciamento entre eleitos e eleitores, ou, se quisermos, entre cidadãos e partidos políticos, o que estará na base, segundo algumas leituras, do aumento crescente da abstenção e do descrédito generalizado da política e da actividade partidária.

Talvez precisemos de nos lembrar que a actividade política e a democracia exigem a participação dos cidadãos, a qual não se resume ao voto nos actos eleitorais, mas supõe outras formas complementares e inovadoras de fazer política. As democracias, apesar de todas as suas limitações, podem ser aperfeiçoadas e é missão de todos nós, de forma individual ou organizada, darmos o nosso contributo.

Por outro lado, talvez necessitemos de uma nova geração de políticos, que, animados de um espírito novo, movidos por ideais nobres, e empenhados na defesa e construção do bem comum, se entreguem com generosidade e sentido de serviço ao bem das pessoas.

Não podemos deixar o campo da política entregue aos “profissionais” e depois ou criticamos, dizendo que é “mais do mesmo”, ou baixamos a cabeça e desinteressamo-nos, e passivamente deixamos que decidam por nós e hipotequem o nosso futuro.

No distante século XIII, S. Tomás de Aquino não tinha dúvidas em afirmar a nobreza e a crucial importância da política, pelo que a ela se deveriam dedicar “os melhores”. Como necessitaríamos hoje, em Portugal e no mundo, de meditar nestas sábias palavras!

A democracia possui virtualidades que a tornam não apenas um sistema, mas um processo que pode renovar-se, regenerar-se e repropor-se. Como diria o saudoso Papa João Paulo II, é necessário encontrar caminhos e propostas para melhorar as nossas democracias, para que elas retornem à sua essência e a essência da democracia é um regime no qual os cidadãos se sintam representados, identificados, comprometidos, e onde aqueles que governam não se esqueçam que foram eleitos para dar corpo à realização da res publica.

Padre Manuel António Guerreiro do Rosário
in Diário do Alentejo, n.º 1593, 02 de Novembro de 2012

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

Halloween: como devolver-lhe o sentido cristão?


A verdade sobre a festa que as crianças comemoram por influência anglo-saxônica

Por Nieves San Martín

MADRID, terça-feira, 30 de Outubro de 2012 (ZENIT.org) - A grande tradição da Festa de Todos os Santos remonta a séculos. A celebração da comemoração dos fiéis defuntos, no dia seguinte, é mais recente. As duas celebrações cristãs, fundidas em uma, acabaram se transformando numa festa em que hoje cabe um pouco de tudo e que, no entanto, se esqueceu das suas origens: o Halloween.

A festa de Todos os Santos já era celebrada na Igreja de Roma e foi fixada pelo papa Gregório III (731-741) no dia 1º de Novembro. Gregório IV (827-844) estendeu a festa a toda a Igreja.

O costume de recordar e rezar pelas pessoas falecidas é mais antigo do que a Igreja: ele existia também em muitas culturas pré-cristãs. Já a festa litúrgica em memória dos fiéis defuntos remonta ao dia 2 de Novembro do ano de 998, quando foi instituída por Santo Odilon, monge beneditino e quinto abade de Cluny, no sul da França. No século XIV, Roma adoptou a prática e a festa foi gradualmente se estendendo a toda a Igreja.

O nome Halloween é a deformação popular da expressão, usada na Irlanda, All Hallows' Eve, ou simplesmente Vigília de Todos os Santos. Esta antiquíssima festa chegou aos Estados Unidos com os imigrantes irlandeses e se enraizou rapidamente na nova nação. Depois de sofrer uma radical transformação, a festa fez o caminho de volta até o velho continente, graças à influência de todas as tendências do gigante norte-americano em todo o mundo. A velha Europa adoptou as abóboras iluminadas e passou a animar festas infantis que misturam Carnaval com os pedidos de doces que já eram feitos pelas crianças das tradições latinas. Aliás, quando os meus pequenos vizinhos vêm à minha casa pedir guloseimas vestidos de bruxas e diabinhos, eu os faço antes cantar uma cantiga natalina.

Em muitos países, o Dia de todos os Santos e o dia seguinte, o dos mortos, são jornadas em que a família visita o cemitério e relembra os seus entes queridos. Na Espanha, as famílias costumam fazer doces para presentear às crianças, em especial um marzipã recheado chamado “huesos de santo” [ossos de santo]. As crianças ganham doces e vão se familiarizando, com naturalidade, com a ideia de que a vida terrestre não é eterna. A outra vida é que é.

No México, onde a festa dos mortos tem origem pré-hispânica e era celebrada em outras datas, o festejo abrange actualmente tanto o dia de Todos os Santos quanto o dia dos fiéis defuntos. A data é celebrada neste mesmo formato também em outros países da América Central e do Sul, assim como em muitas comunidades hispanas dos Estados Unidos. Para os mexicanos, o Dia dos Mortos é a parte mais popular do festejo. Enquanto alguns levam flores aos cemitérios, outros dedicam a jornada à memória das pessoas próximas que já partiram, começando de madrugada a montar um altar doméstico: alguns altares são verdadeiras obras de arte. A forma mais simples de fazer esse altar é preparar em casa uma mesa coberta com um manto e expor nele fotografias da pessoa ou das pessoas falecidas, adornadas com flores e lembranças.

O que certamente o Halloween não é: uma festa ocultista, por mais que haja quem queira transformá-la nisto.


quarta-feira, 31 de outubro de 2012

Concertos de Natal 2012


Já estão definidas as datas dos Concertos de Natal de 2012, que este ano abrangem também a Paróquia de Melides:

Dia 15 de Dezembro, 21:00 horas: Concerto de Natal na Igreja do Lousal;

Dia 16 de Dezembro, 15:00 horas: Festa de Natal da Paróquia (seguida de lanche no Salão Paroquial);

Dia 20 de Dezembro, 21:00 horas: Concerto de Natal na Igreja de Melides;

Dia 22 de Dezembro, 21:00 horas: Concerto de Natal na Igreja de Azinheira dos Barros;

Dia 28 de Dezembro, 21:00 horas: Concerto de Natal na Igreja de Santa Margarida da Serra;

Dia 29 de Dezembro, 21:00 horas: Concerto da Júlia Coelho na Igreja Matriz de Grândola;

Dia 05 de Janeiro, 21:00 horas: Concerto de Natal na Igreja Matriz de Grândola.