terça-feira, 20 de novembro de 2012

Alister McGrath, cientista e convertido

Cada vez há mais ateus que encontraram a fé através da leitura de autores ateus que não oferecem respostas


O famoso teólogo e apologeta britânico refere-se sobretudo à obra de Richard Dawkins e Christopher Hitchens, que com respostas superficiais às grandes perguntas despertam interesse pelo espiritual.

Parece que, o fenómeno dos novos ateus se está diluindo num mundo que reclama espiritualidade e respostas. Na terra dos grandes neoateus Richard Dawkins y Christopher Hitchens, falecido em Dezembro de 2011, há pessoas que se convertem ao cristianismo despois de terem aprofundado as suas propostas feramente anti-religiosas.

É o que conta o irlandês Alister McGrath – convertido também ele – numa recente entrevista concedida ao diário italiano Avvenire. McGrath, filósofo, cientista, apologeta e prestigioso teólogo anglicano, é professor do King’s College de Londres e presidente do Oxford Centre of Christian Apologetics.

A interacção entre a teologia cristã e as ciências naturais foi um tema chave no seu trabalho investigador, como o demonstram os três volumes da sua Teologia Científica. Entre os seus numerosos livros destacam-se Teologia Cristã, Deus e a evolução e O Deus desconhecido.

Publicou recentemente dois volumes intitulados Apologetas. Como ajudar a quem está em busca e aos cépticos a encontrar a fé e Surpreendidos pelo sentido. A ciência, a fé e como dar significado às coisas.

Negavam a existência de Deus… e se encontraram com Ele
“Não há dúvida de que o desenvolvimento do novo ateísmo atraiu um renovado interesse cultural até Deus. Nas minhas conversas e debates com os novos ateus, frequentemente lhes agradeci que tenham suscitado uma nova curiosidade pela religião, por Deus e pelo sentido da vida. Por outra parte, actualmente o novo ateísmo está perdendo já o seu carácter de novidade. Repetem simples slogans que cada vez se tornam mais simplistas, não são cuidadas afirmações de síntese intelectual. Aqueles que uma vez acreditamos que o novo ateísmo oferecia boas respostas às grandes perguntas, hoje compreendem que só oferece simples frases feitas que não satisfazem os interrogantes mais profundos”, sustenta.
 
“Falei recentemente com um colega que está estudando o caso de pessoas que se converteram ao cristianismo como resultado da sua leitura dos livros do neoateu Richard Dawkins. São pessoas que leram Dawkins com a expectativa de encontrar nele sofisticadas respostas às grandes questões da vida, e sem dúvida se encontraram com algo superficial e insuficiente. Mas a sua sede de verdade os levou a continuar finalmente acharam a resposta no cristianismo”, explica o teólogo britânico.

Alister McGrath crê que Dawkins apresenta, simplesmente, um novo fundamentalismo dogmático: o do ateísmo: “De facto – assegura – o seu documental “The God Delusion” foi um golo na própria baliza monumental, porque convenceu muitos não crentes de que o ateísmo é tão intolerante como o pior que a religião pode oferecer”.

Um ateísmo passado de moda 
“Alguns analistas culturais argumentaram que o ateísmo é a religião da modernidade. Mas a chegada da pós-modernidade tirou-lhe o posto: o ateísmo agora parece um pouco passado de moda, é a herança ideológica de uma geração anterior, muito marcada pelo materialismo de origem marxista. No seu lugar, a pós-modernidade recuperou o interesse pela espiritualidade. Não tenho nem ideia de até onde nos levará esta tendência, mas certamente parece que nos afasta de um ateísmo que não é a única visão possível do mundo para uma pessoa racional e pensante. A fé em Deus nos dá motivos para examinar mais de próximo o universo, e gera uma matriz que alenta e facilita um compromisso com o mundo. Por suposto, sei que esta conclusão será debatida, e o assumo. Sigo sendo muito respeitoso com os ateus: creio que tenho muito que aprender com eles e com as preocupações que expressam. Mas eu já não compartilho da sua fé. Ou melhor, a falta dela”, sustenta.

Uma afirmação, a do respeito recíproco entre ateus e crentes, que encontra o seu melhor exemplo na interessante entrevista que Richard Dawkins realizou a McGrath – por quem reconhece o seu afecto e admiração – num dos seus documentários para a televisão britânica.

Da “arrogância intelectual” à fé
“Espiritualmente, Deus é o oxigénio da minha existência”, reconhece McGrath, que explica deste modo o seu itinerário de conversão: “Creio no Deus que se dá a conhecer através de Jesus, quer dizer, um Deus pessoal que creio que me conhece como individuo, se preocupa comigo, e me inspira a viver a minha vida com um firme propósito e uma profunda satisfação ao serviço dos demais. Isso me situa dentro dos parâmetros generosos do cristianismo. Mas nem sempre vi as coisas desta maneira. Quando eu era jovem e vivia em Belfast, Irlanda do Norte, durante a década de 1960, cheguei à ideia de que Deus era uma ilusão infantil, adequado para as pessoas maiores, os intelectualmente débeis e os fraudulentos padres e religiosos. Admito que esta era uma visão bastante arrogante, e que agora considero um tanto embaraçosa. A minha desculpa patética para esta arrogância intelectual é que muita gente sentia o mesmo por aqueles então. A minha geração recebeu a ideia de que a religião estava nas últimas e que nos aguardava um amanhecer glorioso, com o ocaso de Deus ao dobrar da esquina. Mas, depois da minha passagem pela universidade e do meu doutoramento em biologia molecular, logo me dei conta de que as minhas hipóteses da vinculação automática entre as ciências naturais e o ateísmo era bastante ingénua e desinformada. Logo, a oportunidade de falar com os cristãos sobre a sua fé me revelou que sabia relativamente pouco acerca da sua religião, a qual havia chegado a conhecer principalmente através das não muito precisas descrições dos seus principais críticos, incluindo o britânico Bertrand Russell e o filósofo social alemã Karl Marx”, recorda.

Falácias ilustradas
MacGrath sustenta que são muitas as falácias atribuídas à religião desde que a Ilustração irrompeu no panorama intelectual europeu: “Muitos filósofos expressaram severas críticas até a Ilustração. O filósofo John Gray escreveu muito sobre as suas contradições. Por exemplo: a Ilustração sustentava que quando se dá razão à religião, se põe em funcionamento uma das maiores causas de violência. As guerras de religião na Europa do século XVII – diziam os racionalistas– eram consequência directa dos diversos credos religiosos. Se se separa a fé, sustentavam, também as guerras serão algo do passado. Mas ficou demonstrado que a primeira e a segunda guerra mundial – os conflitos mais destrutivos que o mundo jamais conheceu - não tinham nada que ver com a religião, mas sim com o nacionalismo e a economia, no caso da segunda, e com o totalitarismo, não importa se de direitas ou de esquerdas”, sustenta.

“Eu acrescentei algo mais: creio que, efectivamente, a fé pode ser algo muito perigoso, mas tanto se se crê em Deus como se não se crê Nele. A fé pode inspirar alguns a fazer coisas terríveis, mas também o faz a crença de que desfazer-se da fé em Deus é necessário para a humanidade. Vi acções maravilhosas e deploráveis em ambos os lados. Teria que referir-se melhor as acções da natureza humana, não a religião”, sustenta.

Uma boa oportunidade para os cristãos
Em Apologetas, McGrath sugere aos cristãos “interactuar com as ideias da cultura actual mais do que afastar-se dela” e está convencido de que há aspectos da modernidade que representam uma oportunidade para o cristianismo. Sobretudo dois: os relatos e a imagem. Existe uma nova consciência da importância das narrações como caminho para explorar o sentido, mais úteis que os argumentos. A melhor maneira de responder às perguntas é, frequentemente, contar uma história no lugar de oferecer argumentos puramente intelectuais".

"O escritor C. S. Lewis foi um mestre nisto. Um dos motivos pelos quais os seus Crónicas de Narnia tiveram tanto êxito foi, precisamente, porque contam histórias profundamente radicadas na compreensão cristã do mundo: esta visão ressoa na experiência da realidade que tem muitas pessoas”, afirma McGrath, que está preparando para 2013 uma nova biografia do célebre escritor convertido britânico.

Utilizar mais a imagem...
“O outro aspecto importante é o da imagem. Hoje em dia se dá uma renovada importância às imagens, como, por exemplo, na publicidade na televisão. A Bíblia e a tradição cristã são ricas em imagens, que podem ser uma espécie de umbral para alguns temas chave da fé cristã. Por exemplo, em vez de falar com abstracção da noção do “cuidado” de Deus pelo homem, podemos explorar a imagem de Deus como pastor, uma imagem que pode recolher em si os diferentes elementos da visão cristã de Deus: o conceito de que Deus nos acompanha no nosso caminho da vida, que sempre está connosco, que não nos abandona, inclusive quando caminhamos pelas sombras do vale da morte”, conclui.

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Papa Bento XVI - Audiência Geral - Praça de São Pedro - Quarta-feira, 17 de Outubro de 2012


Queridos irmãos e irmãs,
 
Hoje gostaria de introduzir o novo ciclo de catequeses, que se desenvolve ao longo de todo o Ano da fé, recém-iniciado, e que interrompe — durante este período — o ciclo dedicado à escola da oração. Mediante a Carta Apostólica Porta Fidei proclamei este Ano especial, precisamente para que a Igreja renove o entusiasmo de crer em Jesus Cristo, único Salvador do mundo, reavive a alegria de percorrer o caminho que nos indicou e testemunhe de modo concreto a força transformadora da fé.
 
A celebração do cinquentenário da inauguração do Concílio Vaticano II é uma ocasião importante para voltar para Deus, a fim de aprofundar e viver com maior coragem a própria fé, para fortalecer a pertença à Igreja, «mestra em humanidade» que, através do anúncio da Palavra, da celebração dos Sacramentos e das obras de caridade, nos orienta para encontrar e conhecer Cristo, verdadeiro Deus e verdadeiro homem. Trata-se do encontro não com uma ideia, nem com um projecto de vida, mas com uma Pessoa viva que nos transforma em profundidade a nós mesmos, revelando-nos a nossa verdadeira identidade de filhos de Deus. O encontro com Cristo renova os nossos relacionamentos humanos, orientando-os no dia-a-dia para uma maior solidariedade e fraternidade, na lógica do amor. Ter fé no Senhor não é algo que interessa unicamente à nossa inteligência, ao campo do saber intelectual, mas é uma mudança que compromete a vida, a totalidade do nosso ser: sentimento, coração, inteligência, vontade, corporeidade, emoções e relacionamentos humanos. Com a fé muda verdadeiramente tudo em nós e para nós, e revela-se com clareza o nosso destino futuro, a verdade da nossa vocação no interior da história, o sentido da vida, o gosto de sermos peregrinos rumo à Pátria celeste.
 
Mas — perguntemo-nos — a fé é verdadeiramente a força transformadora da nossa vida, na minha vida? Ou então é apenas um dos elementos que fazem parte da existência, sem ser aquele determinante, que a abrange totalmente? Com as catequeses deste Ano da fé gostaríamos de percorrer um caminho para fortalecer ou reencontrar a alegria da fé, compreendendo que ela não é algo de alheio, separado da vida concreta, mas é a sua alma. A fé num Deus que é amor, e que se fez próximo do homem, encarnando e doando-se a si mesmo na cruz para nos salvar e reabrir as portas do Céu, indica de modo luminoso que a plenitude do homem consiste unicamente no amor. Hoje é necessário reiterá-lo com clareza, enquanto as transformações culturais em curso mostram com frequência tantas formas de barbárie, que passam sob o sinal de «conquistas de civilização»: a fé afirma que não há humanidade autêntica, a não ser nos lugares, nos gestos, nos tempos e nas formas como o homem é animado pelo amor que vem de Deus, se expressa como dom, se manifesta em relações ricas de amor, de compaixão, de atenção e de serviço abnegado ao próximo. Onde existe domínio, posse, exploração, mercantilização do outro por egoísmo próprio, onde há arrogância do eu, fechado em si mesmo, o homem torna-se pobre, degradado, desfigurado. A fé cristã, laboriosa na caridade e forte na esperança, não limita mas humaniza a vida, aliás, torna-a plenamente humana.
 
A fé é o acolhimento desta mensagem transformadora na nossa vida, o acolhimento da revelação de Deus, que nos faz conhecer quem Ele é, como age, quais são os seus desígnios para nós. Sem dúvida, o mistério de Deus permanece sempre além dos nossos conceitos e da nossa razão, dos nossos ritos e das nossas preces. Todavia, com a revelação é o próprio Deus quem se autocomunica, se descreve, se torna acessível. E nós tornamo-nos capazes de ouvir a sua Palavra e de receber a sua verdade. Eis, pois, a maravilha da fé: Deus, no seu amor, cria em nós — através da obra do Espírito Santo — as condições adequadas para que possamos reconhecer a sua Palavra. O próprio Deus, na sua vontade de se manifestar, de entrar em contacto connosco, de se fazer presente na nossa história, torna-nos capazes de o ouvir e acolher. São Paulo exprime-o assim, com alegria e reconhecimento: «Nós não cessamos de dar graças a Deus, porque recebestes a palavra de Deus, que de nós ouvistes, e porque a acolhestes não como palavra de homens, mas como aquilo que realmente é, palavra de Deus, que age eficazmente em vós, fiéis» (1 Ts 2, 13).
 
Deus revelou-se mediante palavras e obras em toda uma longa história de amizade com o homem, que culmina na Encarnação do Filho de Deus e no seu Mistério de Morte e Ressurreição. Deus não só se revelou na história de um povo, nem falou só por meio dos Profetas, mas atravessou o seu Céu para entrar na terra dos homens como homem, para que pudéssemos encontrá-lo e ouvi-lo. E de Jerusalém o anúncio do Evangelho da salvação propagou-se até aos confins da terra. A Igreja, nascida do lado de Cristo, tornou-se portadora de uma esperança nova e sólida: Jesus de Nazaré, crucificado e ressuscitado, Salvador do mundo, que está sentado à direita do Pai e é Juiz dos vivos e dos mortos. Este é o kerigma, o anúncio central e impetuoso da fé. Mas desde o início levantou o problema da «regra da fé», ou seja, da fidelidade dos crentes à verdade do Evangelho, na qual permanecer firmes, à verdade salvífica sobre Deus e sobre o homem, que se deve conservar e transmitir. São Paulo escreve: «Recebereis a salvação, se o mantiverdes [o Evangelho] como vo-lo anunciei. Caso contrário, em vão teríeis abraçado a fé» (1 Cor 15, 2).
 
Mas onde encontramos a fórmula essencial da fé? Onde encontramos as verdades que nos foram fielmente transmitidas e que constituem a luz para a nossa vida diária? A resposta é simples: no Credo, na Profissão de Fé, ou Símbolo da Fé, nós relacionamo-nos com o acontecimento originário da Pessoa e da História de Jesus de Nazaré; torna-se concreto quanto o Apóstolo das nações dizia aos cristãos de Corinto: «Transmiti-vos primeiramente o que eu mesmo tinha recebido: que Cristo morreu pelos nossos pecados, segundo as Escrituras; foi sepultado e ressuscitou ao terceiro dia» (1 Cor 15, 3-4).
Ainda hoje temos necessidade que o Credo seja melhor conhecido, compreendido e pregado. Sobretudo, é importante que o Credo seja, por assim dizer, «reconhecido». Com efeito, conhecer poderia ser algo simplesmente intelectual, enquanto «reconhecer» quer significar a necessidade de descobrir o vínculo profundo entre as verdades que professamos no Credo e a nossa existência quotidiana, para que estas verdades sejam deveras e concretamente — como sempre foram — luz para os passos do nosso viver, água que rega a aridez do nosso caminho, vida que vence certos desertos da vida contemporânea. No Credo insere-se a vida moral do cristão, que nele encontra o seu fundamento e a sua justificação.
 
Não é por acaso que o Beato João Paulo II quis que o Catecismo da Igreja Católica, norma segura para o ensinamento da fé e fonte certa para uma catequese renovada, se inspirasse no Credo. Tratava-se de confirmar e conservar este núcleo fulcral das verdades da fé, comunicando-o numa linguagem mais inteligível aos homens do nosso tempo, a nós. É um dever da Igreja transmitir a fé, comunicar o Evangelho, a fim de que as verdades cristãs sejam luz das novas transformações culturais, e os cristãos se tornem capazes de explicar a razão da sua esperança (cf. 1 Pd 3, 14). Hoje, vivemos numa sociedade profundamente transformada, também em relação a um passado recente, e em movimento contínuo. Os processos da secularização e de uma difundida mentalidade niilista, em que tudo é relativo, marcaram profundamente a mentalidade comum. Assim, a vida é muitas vezes levada com superficialidade, sem ideais claros nem esperanças sólidas, no contexto de vínculos sociais e familiares fluidos, provisórios. Sobretudo as novas gerações não são educadas para a busca da verdade e do sentido profundo da existência, que ultrapasse o contingente, para a estabilidade dos afectos, para a confiança. Ao contrário, o relativismo leva a não ter pontos firmes, suspeita e volubilidade provocam rupturas nos relacionamentos humanos, enquanto a vida é vivida com experiências que duram pouco, sem assunção de responsabilidade. Se o individualismo e o relativismo parecem dominar o espírito de muitos contemporâneos, não se pode dizer que os crentes permanecem totalmente imunes a estes perigos, que devemos enfrentar na transmissão da fé. A sondagem realizada em todos os Continentes, em vista da celebração doSínodo dos Bispos sobre a Nova Evangelização, evidenciou alguns: uma fé vivida de modo passivo e privado, a rejeição da educação para a fé, a ruptura entre vida e fé.
 
Muitas vezes o cristão não conhece nem sequer o núcleo central da própria fé católica, do Credo, de modo a deixar espaço a um certo sincretismo e relativismo religioso, sem clareza sobre as verdades nas quais crer e sobre a singularidade salvífica do cristianismo. Hoje não está muito distante o risco de construir, por assim dizer, uma religião personalizada. Ao contrário, temos que voltar para Deus, para o Deus de Jesus Cristo, temos que redescobrir a mensagem do Evangelho, fazê-lo entrar de modo mais profundo nas nossas consciências e na vida quotidiana.
 
Nas catequeses deste Ano da fé gostaria de oferecer uma ajuda para percorrer este caminho, para retomar e aprofundar as verdades centrais da fé sobre Deus, o homem, a Igreja e toda a realidade social e cósmica, meditando e ponderando sobre as afirmações do Credo. E gostaria que fosse clara que estes conteúdos ou verdades da fé (fides quae) se relacionam directamente com a nossa vida; exigem uma conversão da existência, que dá vida a um novo modo de crer em Deus (fides qua). Conhecer Deus, encontrá-lo, aprofundar os traços da sua Face põe em jogo a nossa vida, pois Ele entra nos dinamismos profundos do ser humano.
 
Possa o caminho que percorreremos este Ano fazer-nos crescer todos na fé e no amor a Cristo, para que aprendamos a viver, nas opções e gestos quotidianos, a vida boa e bela do Evangelho. Obrigada!

domingo, 18 de novembro de 2012

Viktor Orban: "Europa cristã não teria permitido que países inteiros se afundassem na escravidão ao crédito”

Mayor Oreja e Viktor Orban
“Espanha está muito próxima de cair nesta escravidão”

Há duas maneiras de escravizar as nações: "com a espada ou com o crédito"

Redacção, 17 de Novembro de 2012 às 13:13

(CEU).- O primeiro ministro da Hungria, Viktor Orban, vê com uma clareza cristalina que a depressão económica, em que está envolvida a Europa, não responde a uma "conjuntura", mas sim que é consequência de uma crise de ordem espiritual. Em concreto, segundo explicou na sua intervenção no XIV Congresso Católicos e Vida Pública, organizado pela Associação Católica de Propagandistas e a Fundação Universitária São Paulo CEU, o que se passa na Europa é produto do esquecimento dos valores cristãos que foram a base da sua prosperidade.

Estes valores fizeram do velho continente uma "potência económica", graças sobretudo a que o desenvolvimento naqueles tempos se fazia conforme uns princípios. Existia o crédito, sim, explicou Orban, mas inclusive este estava submetido aos "padrões" do cristianismo.

Numa Europa com estas características, numa "Europa cristã", não teriam sido possíveis, na sua opinião, os excessos que originaram as actuais dificuldades. "Uma Europa cristã teria advertido que cada euro que se pede tem de ser trabalhado. Uma Europa cristã não teria permitido que países inteiros se afundassem na escravidão ao crédito", acrescentou. Uma situação de servidão na qual "Espanha está muito próxima de cair" sentenciou Orban justamente antes de dizer que há duas maneiras de escravizar as nações: "com a espada ou com o crédito".

O discurso de Orban desembocou numa apelação a realizar políticas inspiradas nos fundamentos cristãos. Políticas, em suma, que ajudariam a "acabar com as cargas das crises" e que diferem da imposição à posterior da austeridade, algo que "provoca que os governos percam a confiança dos seus governados", o que implica o risco de "decompor" o Estado e a certeza.

Orban expôs a sua convicção de que atrás de toda a economia bem-sucedida há "algum tipo de força motriz espiritual". Citou os exemplos actuais da América Latina, Índia e China, associando-os ao cristianismo, hinduísmo e budismo, respectivamente. "Uma Europa regida conforme os valores cristãos se regeneraria", sublinhou à luz deste raciocínio.

O político Húngaro também invocou a legitimidade do poder político, que hoje se vê subjugado pela severidade das condições para a obtenção de crédito, algo que "põe em perigo la soberania" e propicia um cenário em que "os credores obrigam a tirar dinheiro aos que deveriam recebê-lo".

Orban foi apresentado pelo eurodeputado Jaime Mayor Oreja, que assinalou o relativismo como origem da crise e grande mal que deve ser combatido. "O debate na próxima década não vai ser estritamente político, entre a esquerda e a direita tradicionais. O desenlace da crises vai-nos conduzir a um debate cultural de carácter antropológico, derivado da concepção da pessoa que cada um tenha".

O exemplo da trajectória pública de Orban é, para Mayor Oreja, expressão deste confronto. A "tormenta política" desencadeada em torno da sua pessoa não responde à oposição a medidas concretas mas sim a que os "porta-vozes do relativismo não lhe perdoavam o seu valor em defesa dos valores e das raízes cristãs da Europa". "O objectivo era que não houvesse nenhum Vicktor Orban no horizonte europeu".

A XIV edição do Congresso Católicos e Vida Pública, que este ano se organiza debaixo do título "Um novo compromisso social e político. Do Concilio Vaticano II à Nova Evangelização" celebra-se na Universidade CEU São Paulo até o domingo 18 de Novembro.

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Hino do Sínodo Diocesano

Hino do Sínodo Diocesano de Beja, da autoria do Pe. António Cartageno:



sábado, 17 de novembro de 2012

Igreja/Cultura: «Átrio dos Gentios» em Portugal

Iniciativa do Vaticano para o diálogo entre crentes e não crentes começa hoje em Guimarães e procura «valor da vida» para lá da crise


Lisboa, 16 nov 2012 (Ecclesia) – Braga e Guimarães recebem entre hoje e amanhã uma nova sessão do ‘Átrio dos Gentios’, projeto do Vaticano para o diálogo entre crentes e não crentes que vai debater o “valor da vida” para lá da crise.

A posição é assumida pelo presidente do Conselho Pontifício da Cultura (CPC), organismo da Santa Sé que dinamiza esta iniciativa, para quem a crise económico-financeira que se vive em vários países, incluindo Portugal, só pode ser ultrapassada com uma renovação ética.

“Temos de criar uma atmosfera que não se limite às questões económicas nem financeiras, porque os seus problemas nasceram, em boa parte, quando se esqueceram as questões éticas, morais”, refere o cardeal Gianfranco Ravasi, em entrevista à Agência ECCLESIA.

Segundo o cardeal italiano, a escolha do tema ‘O valor da vida’ para esta sessão do átrio visa abordar “as grandes coordenadas, os grandes temas que muitas vezes não são abordados na sociedade contemporânea, que reduz tudo às questões imediatas”.

O Átrio dos Gentios é inaugurado com uma conferência de Marcelo Rebelo de Sousa, comentador e professor universitário, sobre o tema ‘Identidade e sentido da vida de um povo’, a partir das 18h00.

Pelas 21h30, o neurocirurgião João Lobo Antunes vai refletir com o cardeal Ravasi sobre ‘O valor e o sentido da vida de cada ser humano’.

No sábado, a edição portuguesa vai englobar debates sobre ‘estilo de vida e salvaguarda do universo’, desde várias perspetivas, para além de momentos culturais, com concertos, exposições e a apresentação de uma peça de teatro.

O arcebispo de Braga, diocese que acolhe o projeto, refere por sua vez que a sessão portuguesa do Átrio dos Gentios pode ajudar a “viver melhor” no país.

“É possível conviver com as diferenças” e “estabelecer pontes”, referiu à ECCLESIA D. Jorge Ortiga, para quem “a preocupação de estar com os outros é fundamental” para a Igreja Católica e a sociedade civil, no atual momento.

Para os responsáveis pela organização em Portugal do Átrio dos Gentios, o catolicismo está ativo e quer dialogar com o mundo.

“A Igreja não quis ficar à margem” das atividades das capitais europeias da cultura e juventude, que em 2012 decorrem em Guimarães e Braga, e por isso encontrou “um modo seu de marcar presença” e “de dizer ao mundo que está viva”, indica o cónego José Paulo Abreu, vigário-geral da arquidiocese minhota.

A coordenadora geral do Átrio dos Gentios em Portugal, Isabel Varanda, acentua por seu lado que o evento “não é ‘uma coisa da Igreja e dos padres’”: “a representação da Igreja como instituição e da religião, em geral, é discreta e proporcional: uns crentes, outros não crentes ou agnósticos”.

A ministra Assunção Cristas, o antigo candidato presidencial Fernando Nobre e a presidente da Federação Europeia dos Bancos Alimentares, Isabel Jonet, são alguns dos conferencistas convidados, juntando-se à coreógrafa Olga Roriz, aos escritores Vasco Graça Moura e Valter Hugo Mãe, à poetisa Ana Luísa Amaral e ao padre e poeta Tolentino Mendonça, entre outros.

O Átrio dos Gentios vai poder ser seguido com emissão vídeo online, em direto, assegurada pela Agência ECCLESIA, em parceria com o portal SAPO.

A organização adiantou que as inscrições, online e por telefone, se encontram encerradas, embora existam alguns lugares disponíveis para os workshops de Braga, no sábado.

OC

William Daniel Phillips - Um Prémio Nobel da Física assegura que crê em Deus mais «graças à Ciência do que apesar dela»

Deram-lhe o prémio em 1997 e declarou rotundamente: «Sou um cientista sério que crê seriamente em Deus».

No passado dia 5 de Novembro foi o 64º aniversário de William Daniel Phillips, físico  estadounidense e ganhador do Prémio Nobel da Física em 1997 pelo desenvolvimento de métodos para esfriar e capturar átomos por laser.

Durante muito tempo foi membro do National Institute of Standards and Technology (Instituto Nacional de Standards e Tecnologia), é professor na Universidade de Maryland e também um dos fundadores da International Society for Science & Religion (Sociedade Internacional para a Ciência e a Religião).


União entre ciência e fé
Faz anos, escreveu o seu testemunho explicando o seu pensamento sobre a existência de Deus e sobre a união entre a ciência e a fé, que pode consultar-se em aqui.

«A Ciência e a Religião não são inimigos irreconciliáveis»

«Muitos acreditam que a Ciência, oferecendo explicações, se opõe à compreensão de que o universo é uma criação amorosa de Deus», começa na sua exposição o cientista, «creem que a Ciência e a Religião são inimigos irreconciliáveis, mas não é assim».

William Phillips responde a esta pergunta através da sua experiência: «Eu sou físico. Faço investigação tradicional, publico em revistas, apresento as minhas investigações em reuniões profissionais, ensino a estudantes e investigadores pos-doutorais, tento aprender como funciona a natureza. Por outras palavras, sou um cientista comum».


Reza com regularidade...
Mas, continua, «também sou uma pessoa de fé religiosa. Assisto à igreja, canto gospel no coro, todos os domingos vou ao catecismo, rezo com regularidade, trato de ´fazer justiça, amar a misericórdia, e caminhar humildemente com o meu Deus´. Por outras palavras, sou uma pessoa comum de fé».

...e não é uma contradição com ser cientista
Para muita gente, isto pode parecer uma contradição: «Um cientista sério que crê seriamente em Deus! Mas, para muitas pessoas mais, sou uma pessoa como eles. Ainda que a maior parte da atenção dos meios de comunicação vá focada nos ateus ´estridentes´ que dizem que a religião é uma superstição tonta, ou os crentes fundamentalistas que negam a evidência clara da evolução cósmica e biológica, a maioria das pessoas que conheço não tem nenhuma dificuldade em aceitar o conhecimento cientifico e manter a fé religiosa», assegura.

Como posso crer em Deus?
Continua o Prémio Nobel: «Como físico experimental, necessito provas, experimentos reproduzíveis e uma lógica rigorosa para apoiar qualquer hipótese científica. Como pode uma pessoa assim basear-se na fé?», desafia.
Ele mesmo se coloca duas perguntas que tem que responder: Como posso crer em Deus? e Porquê creio em Deus?

«Um cientista pode crer em Deus porque esta convicção não é uma questão científica. Uma afirmação científica deve ser ´falsificável´, quer dizer, deve haver alguns resultados que, pelo menos em principio, poderiam demonstrar que a afirmação é falsa [....]. Pelo contrário, as afirmações religiosas não tem que ser necessariamente ´falsificáveis´», argumenta  William  Phillips.

«Não é necessário que tudo o afirmado seja uma afirmação científica; nem tampouco por isso as afirmações que simplesmente não são científicas passam a ser afirmações inúteis ou irracionais. A ciência não é a única maneira útil de ver a vida», raciciocina o prémio Nobel.


Porque creio em Deus?
«Como físico, observo a natureza desde um ponto de vista particular. Vejo um universo ordenado, formoso, onde quase todos os fenómenos físicos podem ser entendidos com umas poucas e simples equações matemáticas. Vejo um universo que, por ter sido construído de uma maneira ligeiramente diferente, nunca teria dado a luz as estrelas e os planetas. E não há nenhuma razão científica pela qual o universo não poderia ter sido diferente. Muitos bons cientistas concluíram com estas observações que um Deus inteligente decidiu criar o universo com esta propriedade formosa, simples e vivificante. Muitos outros grandes cientistas, sem dúvida, são ateus. Ambas as conclusões são posições de fé», responde.

Um ateu que muda de opinião
Recentemente, o filósofo e por largo tempo ateu Anthony Flew, mudou de opinião e decidiu que, sobre a base destes elementos e provas, era necessário crer em Deus: «Creio que estes argumentos são sugestivos e ajudam a sustentar a fé em Deus», comenta William Phillips, «mas não são concludentes. Eu creio em Deus porque sinto a presença de Deus na minha vida, porque posso ver a evidência da bondade de Deus no mundo, porque creio no amor e porque creio que Deus é amor».

Dúvidas sobre Deus?
Isto o faz uma melhor pessoa ou um físico melhor que outros? «Difícilmente. Conheço um montão de ateus que são melhores pessoas e melhores cientistas que eu. Estou livre de dúvidas sobre a existência de Deus? Dificilmente também. As perguntas sobre o mal no mundo, o sofrimento de crianças inocentes, a variedade do pensamento religioso e outros imponderáveis costumam deixar frequentemente no ar a questão de se estou certo, e me fazem constatar sempre a minha ignorância. Apesar de tudo isto, creio mais graças à Ciência que apesar dela», conclui o prémio Nobel.

«Como está escrito na Epístola aos Hebreus, ´a fé é a garantia dos bens que se esperam, a plena certeza das realidades que não se vêem´».
Sara Martín / ReL

José Bettencourt, novo chefe de protocolo da Secretaria de Estado

José Avelino Bettencourt
Português, mas ordenado em Ottawa
Pertence ao corpo diplomático e actualmente é conselheiro da Nunciatura


14 de Novembro de 2012 às 17:12

O papa Bento XVI nomeou o sacerdote português José Avelino Bettencourt, de 50 anos, chefe de protocolo da Secretaria de Estado ("presidência do Governo da Santa Sé"), informou hoje o Vaticano.

José Avelino Bettencourt pertence ao corpo diplomático da Santa Sé e actualmente é conselheiro da Nunciatura.

Bettencourt nasceu nas ilhas dos Açores (Portugal) em 23 de Maio de 1962. Foi ordenado sacerdote em 1993 e ordenado em Ottawa (Canadá).

É licenciado em Direito Canónico e entrou no Serviço Diplomático da Santa Sé em 1999. Prestou serviços na nunciatura apostólica da República Democrática do Congo e na secção de Relações com os Estados ("ministério dos Exteriores") da Secretaria de Estado. (RD/Agencias)