domingo, 25 de novembro de 2012

O boi e a mula estão mencionados no Evangelho Apócrifo do Pseudomateo

A raiz de alguns extractos de "La infancia de Jesús" (Planeta)

CEU, 22 de Novembro de 2012 às 13:18

O Papa reza ante a manjedoura

 
Os textos apócrifos são uma fonte fundamental para a arte cristã

(CEU).- Em relação a alguns dos extractos do último livro de Bento XVI que se foram divulgados, a professora de História da Arte da Universidade CEU São Paulo, Sirga de la Pisa, recorda que "Os Evangelhos são breves ao narrar a realidade histórica do nascimento de Jesus, pelo que a tradição acrescenta informação que complementa desde um ponto de vista humano o momento do nascimento do Menino em Belém". 

Assim, assinala que "o boi e a mula estão mencionados no Evangelho Apócrifo do Pseudomateo, texto não considerado canónico pela Igreja, escrito no século VII por um autor desconhecido". Relaciona-o com a profecia de Isaías (1, 3) ‘o boi reconhece o seu dono e o burro a manjedoura do seu amo: mas Israel não me reconhece, e o meu povo não entende a minha voz'. Alude assim ao humilde e pobre nascimento do Filho de Deus ignorado por quase todos.

A professora de la Pisa recorda que os textos apócrifos "não pretendem ser históricos mas sim que respondem à curiosidade popular que queria conhecer a vida quotidiana da Sagrada Família em todos os seus detalhes. São portanto uma fonte fundamental para a arte cristã e de facto determinam a imagem que todos temos na nossa mente do Nascimento de Jesus de Nazaré". 

Além disso o boi e a mula segundo uma "interpretação simples e humana" dariam calor ao pobre lugar onde teve lugar o parto de Maria. "Em algumas pinturas inclusive se pode ver o bafo da respiração dos animais colocados próximo do Menino", acrescenta. 

De la Pisa assinala que "na arte posterior ao Concilio de Trento (1545-1563) tenta-se evitar os detalhes procedentes dos apócrifos por considerar-se não fidedignos ainda que a tradição continue procurando esta informação até hoje em dia". 

Além disso no caso do boi e a mula, a professora de História da Arte da Universidade CEU São Paulo recorda que o número dos magos do Oriente apresenta a mesma situação quanto à sua origem. "Os Evangelhos não mencionam quantos eram pelo que a iconografia apresenta diferentes versões até que se associa com o número de presentes que estão mencionados na Bíblia. O ouro, incenso e mirra determinam finalmente quantos magos visitaram o Menino em Belém e aludem respectivamente à realeza de Cristo, à sua divindade e à sua morte na Cruz, já que a mirra se usava para embalsamar. São exemplos da função da arte cristã que nos mostram Jesus de Nazaré, o Filho de Deus feito homem".


Os 7 passos para a evangelização integral, segundo Xavier Morlans

Expostos no Congresso da Fé da Diocese de Albacete, insistindo no anúncio explícito de Cristo e nos itinerários de reiniciação na fé.

Actualizado 24 Novembro 2012

ReL

O bispo de Albacete, Ciriaco Benavente Mateos inaugurou em 23 de Novembro o Congresso da Fé “Creio, Senhor”. Nele falou monsenhor Xavier Morlans, professor de Teologia Fundamental da Faculdade de Teologia da Catalunha e consultor do Conselho Pontifício para a Nova Evangelização.

Morlans insistiu em que “a primeira tarefa que temos neste Ano da Fé é evangelizar com o primeiro anúncio da comunidade cristã: o anúncio explícito de Jesus Cristo, que crucificado e ressuscitado, mediador da comunhão com Deus, te oferece a Salvação e a Vida em plenitude, para suscitar a abertura do coração a Ele, na pessoa que recebe o anúncio".

Morlans assinalou que o primeiro anúncio e a colocação em marcha de itinerários de reiniciação cristã são métodos para a nova evangelização. Também detalhou que “a cultura do relativismo a temos em casa, e nos está levando a abordar, em primeiro lugar, um necessário processo de auto-evangelização, porque os protagonistas da nova evangelização são os fiéis laicos acompanhados dos presbíteros”.

Os 7 elementos
Xavier Morlans explicou que são sete os elementos imprescindíveis para um processo de evangelização integral:

  1. a presença encarnada no mundo e testemunho de vida dos cristãos como algo fundamental;
  2. diálogo acolhedor com longínquos e afastados da fé, falando de Jesus com naturalidade junto com a manifestação das razões para crer;
  3. anúncio explícito de Jesus Cristo;
  4. processo da iniciação cristã que inclui a catequese sistemática e a (re)-introdução mistagógica à vida sacramental;
  5. entrada na comunidade ou renovação do sentido de pertença a ela;
  6. isso levará a formas de apostolado organizado;
  7. e como consequência de todo o anterior, a renovação da humanidade, comprometidos com os homens de boa vontade para que não cresça a maldade e a injustiça nas estruturas humanas.

O Congresso da Fé “Creio, Senhor” é organizado pela Delegação Diocesana de Apostolado Secular de Albacete e pode seguir-se em www.diocesisalbacete.org . 


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sexta-feira, 23 de novembro de 2012

1ª Mega Aula Fitness Solidária


O artista conserva e testemunha a beleza da fé


Mensagem de Bento XVI ao cardeal Ravasi, na XVII Sessão Pública das Pontifícias Academias
 
Salvatore Cernuzio


VATICANO, quinta-feira, 22 de Novembro de 2012 (ZENIT.org) - Arte e Fé, um diálogo sempre vivo e nunca interrompido: a Mensagem do Concílio aos Artistas já resumia a relação da Igreja do século XX com as artes, através da acção de Paulo VI. E o beato João Paulo II escreveu uma Carta aos Artistas no Grande Jubileu do ano 2000 para reavivar essa parceria.

"O artista é testemunha da beleza da fé", observou Bento XVI, atento a esta longa tradição, em sua mensagem para a XVII Sessão Pública das Pontifícias Academias, dirigindo-se ao cardeal Gianfranco Ravasi, presidente do Pontifício Conselho para a Cultura.


A sessão se realizou na tarde de ontem, 21, na Aula Magna de São Pio X, com o tema "Pulchritudinis fidei testis: o artista, como a Igreja, testemunha a beleza da fé", título que recorda as palavras de abertura do motu proprio com que o Santo Padre recentemente unificou a Comissão Pontifícia para os Bens Culturais da Igreja com o Dicastério da Cultura.


Com esta temática, Bento XVI explicou que a XVII Sessão Pública faz parte do Ano da Fé, cujo objectivo é "repropor a todos os fiéis o poder e a beleza da fé", grande aspiração do concílio Vaticano II.


O mesmo apelo havia animado o encontro do papa com uma grande representação de artistas na Capela Sistina, em 21 de Novembro de 2009. Na ocasião, como o próprio papa recordou, "eu lhes fiz um intenso apelo para redescobrirem a alegria da reflexão conjunta e de uma acção concorde, a fim de recolocar a beleza no centro das atenções".


"A beleza deveria voltar a se reafirmar e se manifestar em todas as formas de expressão artística, mas sem prescindir da experiência da fé. Pelo contrário, deveria olhar para ela livre e abertamente, a fim de tirar dela inspiração e conteúdo".


"A beleza da fé nunca pode ser obstáculo para a criação da beleza artística, uma vez que constitui, de certa forma, a sua alma e horizonte final".


Citando ainda a mensagem conciliar, Bento XVI recordou que "o verdadeiro artista, graças à sua sensibilidade estética particular e à sua intuição, pode captar e aceitar mais profundamente do que os outros a beleza própria da fé, e assim expressá-la e comunicá-la com a sua própria linguagem".


O artista pode ser definido, portanto, como "guardião da beleza do mundo" e, por conseguinte, como testemunha da beleza da fé. "Ele pode participar da mesma vocação e missão da Igreja, especialmente se, nas diferentes formas de arte, quiser ou for chamado a realizar obras de arte directamente relacionadas com a experiência da fé e do culto, com a acção litúrgica da Igreja".


A este respeito, o papa citou um ensaio escrito em 1931 pelo jovem padre Giovanni Battista Montini para a primeira edição da revista Arte Sacra, em que o futuro papa Paulo VI exortava quem lidasse com a arte sacra a se sentir chamado a "expressar o inefável", iniciando-se na mística, a fim de "atingir, com a experiência dos sentidos, algum reverberar, algum pulsar da Luz invisível".


Em seguida, ao tratar da figura do cristão, Montini escreveu: "Vemos também como e onde nasce a arte sacra verdadeira: do artista devoto, orante, desejoso, que vela no silêncio e na bondade, à espera do seu Pentecostes".


A mensagem de Bento XVI terminou com um convite a todos os artistas cristãos, no início do Ano da Fé, a "trilharem o caminho traçado com nitidez por Paulo VI e a garantirem que a sua carreira artística se torne um itinerário completo, em que todas as dimensões da vida humana estejam envolvidas, de modo a eficazmente testemunhar a beleza da fé em Jesus Cristo, imagem da glória de Deus que ilumina a história da humanidade".


Após as nomeações do presidente, do secretário e dos académicos da recém-criada Pontifícia Academia Latinitas, foi entregue também o Prêmio das Pontifícias Academias, dedicado neste ano às artes, em particular à pintura e à escultura.


Foram galardoados a escultora polonesa Anna Gulak e o pintor espanhol David Ribes Lopez. O jovem escultor italiano Jacopo Cardillo recebeu como sinal de apreço e incentivo do Santo Padre a Medalha do Pontificado.


(Trad.ZENIT)

quinta-feira, 22 de novembro de 2012

Ano da fé: a racionalidade da fé em Deus

Bento XVI continua suas reflexões sobre o Ano da Fé na Audiência Geral

CIDADE DO VATICANO, quarta-feira, 21 de Novembro de 2012 (ZENIT.org) - Apresentamos as palavras de Bento XVI durante a catequese realizada na tradicional Audiência Geral na sala Paulo VI, no Vaticano.

Queridos irmãos e irmãs,

Continuamos avançando neste Ano da Fé carregando no coração a esperança de redescobrir a grande alegria que existe no acto de acreditar, bem como a esperança de reencontrar o entusiasmo para comunicar a todos as verdades da fé. Verdades que não são uma simples mensagem sobre Deus, uma informação a seu respeito. Verdades que expressam o evento do encontro de Deus com os homens, encontro salvífico e libertador, que realiza as aspirações mais profundas do homem, o seu anseio de paz, fraternidade e amor.

A fé nos leva a descobrir que o encontro com Deus melhora, aperfeiçoa e eleva o que há de verdadeiro, de bom e de belo no homem. Acontece, portanto, que, enquanto Deus se revela e se deixa conhecer, o homem vem a saber quem é Deus e, conhecendo-o, descobre a si mesmo, a sua origem, seu destino, a grandeza e a dignidade da vida humana.

A fé permite um conhecimento autêntico de Deus, que envolve toda a pessoa: é um saber no sentido latino de "sàpere" [degustar], um conhecimento que dá “sabor” à vida, um novo sabor de existir, uma maneira alegre de estar no mundo. A fé se exprime no dom de si mesmo aos outros, na fraternidade que nos torna solidários, capazes de amar, vencedores da solidão que nos deixa tristes.

Esse conhecimento de Deus através da fé não é, portanto, só intelectual, mas vital.

É o conhecimento do Deus-Amor, graças ao seu próprio amor. O amor de Deus nos mostra, nos abre os olhos, nos permite conhecer toda a realidade, indo além das perspectivas estreitas do individualismo e do subjectivismo, que desorientam as consciências. O conhecimento de Deus é uma experiência de fé, que implica, ao mesmo tempo, um caminho intelectual e moral: profundamente tocados pela presença do Espírito de Jesus em nós, superamos os horizontes do nosso egoísmo e nos abrimos para os verdadeiros valores da existência.

Hoje, nesta catequese, quero focar na razoabilidade da fé em Deus.

A tradição católica, desde o início, rejeitou o assim chamado fideísmo, que é a vontade de acreditar contra a razão. Credo quia absurdum (creio porque é absurdo) não é a fórmula que interpreta a fé católica. Deus não é um absurdo: em todo caso, é um mistério. O mistério, por sua vez, não é irracional: ele é um excesso de sentido, de significado, de verdade. Se, ao olhar para o mistério, a razão vê o escuro, não é porque não haja luz no mistério, mas sim porque há luz demais. Assim como, quando os olhos de um homem se dirigem directamente para o sol, eles vêem apenas escuridão. Mas quem diria que o sol não é brilhante? Quem diria que ele não é a fonte da luz? A fé nos permite olhar para o "sol", Deus, porque é o acolhimento da sua revelação na história e, por assim dizer, recebe realmente todo o brilho do mistério de Deus, reconhecendo o grande milagre: Deus veio até o homem, se ofereceu ao seu conhecimento, condescendendo à limitação natural da razão humana (cf. Concílio Vaticano II, Constituição dogmática Dei Verbum, 13).

Ao mesmo tempo, com a sua graça, Deus ilumina a razão, lhe abre novos horizontes, imensuráveis e infinitos. A fé, por isto, é um forte incentivo para buscarmos sempre, para nunca pararmos nem nos acomodarmos na busca incansável da verdade e da realidade. É vão o preconceito de alguns pensadores modernos, que afirmam que a razão humana seria bloqueada pelos dogmas de fé. É exactamente o oposto, como os grandes mestres da tradição católica mostraram. Santo Agostinho, antes da sua conversão, procura pela verdade com grande inquietação, através de todas as filosofias disponíveis, achando todas insatisfatórias. Sua meticulosa procura racional é para ele uma pedagogia significativa para o encontro com a Verdade de Cristo. Quando ele diz "compreende para crer e crê para compreender" (Discurso 43, 9: PL 38, 258), é como se estivesse contando a sua própria experiência de vida. Intelecto e fé, diante da revelação divina, não são estranhos nem antagonistas; são, ambos, condições para compreendermos o seu significado, para recebermos a autêntica mensagem, aproximando-nos do limiar do mistério.

Santo Agostinho, junto com muitos outros autores cristãos, é testemunha de uma fé que se exercita com a razão, que pensa e convida a pensar. Neste caminho, Santo Anselmo dirá em seu Proslogion que a fé católica é fides quaerens intellectum, e que a busca da inteligência é um acto interior do acreditar. Será especialmente São Tomás de Aquino quem lidará com a razão dos filósofos, mostrando a força fecunda e nova da vitalidade racional que inunda o pensamento humano a partir dos princípios e das verdades da fé cristã.

A fé católica é razoável e tem confiança na razão humana. O concílio Vaticano I, na constituição dogmática Dei Filius, disse que a razão é capaz de conhecer com certeza a existência de Deus através da criação, e que apenas a fé tem a oportunidade de conhecer "facilmente, com certeza absoluta e sem erro "(DS 3005) as verdades sobre Deus, à luz da graça. O conhecimento da fé, ainda, não é contrário à razão. O beato papa João Paulo II, na encíclica Fides et ratio, resume: "A razão humana não é anulada nem humilhada quando presta assentimento aos conteúdos de fé, que são, em qualquer caso, alcançados por livre e consciente escolha" (número 43).

No irresistível desejo da verdade, só a relação harmoniosa entre a fé e a razão é o caminho certo que conduz a Deus e à realização de si mesmo.

Esta doutrina é facilmente reconhecível em todo o Novo Testamento. São Paulo, escrevendo aos coríntios, sustenta: "Enquanto os judeus pedem sinais e os gregos buscam a sabedoria, nós pregamos o Cristo crucificado, escândalo para os judeus e loucura para os gentios" (1 Cor 1,22-23 ).

Deus, de facto, salvou o mundo não por um acto de poder, mas através da humilhação do seu Filho único: de acordo com os padrões humanos, o modo incomum escolhido por Deus contradiz as exigências da sabedoria grega. No entanto, a cruz de Cristo tem sua razão, que São Paulo chama de logos tou staurou, a palavra da cruz (1 Co 1,18). Aqui, o termo logos indica tanto a palavra quanto a razão, e, se alude à palavra, é porque expressa verbalmente processos que a razão elabora. Paulo, assim, vê na cruz não um evento irracional, mas um facto da salvação, que tem uma racionalidade própria, reconhecível à luz da fé. Ao mesmo tempo, ele tem tanta confiança na razão humana que se maravilha de que muitos, mesmo vendo as obras realizadas por Deus, se obstinem em não acreditar nele. Diz ele em sua carta aos romanos: "Os atributos invisíveis [de Deus], ​​ou seja, o seu eterno poder e a sua natureza divina, são contemplados e compreendidos na criação do mundo através das obras das suas mãos" (1,20).

Também São Pedro exorta os cristãos da diáspora para adorarem "o Cristo Senhor em vossos corações, sempre prontos a responder a todo aquele que vos pedir razões da esperança que habita em vós" (1 Pe 3,15). Em um clima de perseguição e de forte necessidade de testemunhar a fé, os crentes são convidados a justificar a sua adesão à palavra do evangelho, a dar razão da sua esperança.

É nesse terreno, de ligação frutuosa entre o compreender e o acreditar, que está enraizada ainda a relação virtuosa entre ciência e fé. A pesquisa científica leva ao conhecimento de verdades sempre novas sobre o homem e sobre o cosmos, conforme sabemos. O verdadeiro bem da humanidade, que é acessível pela fé, abre o horizonte para a sua jornada de descoberta. Devem ser incentivadas, portanto, as pesquisas a serviço da vida, que visam erradicar a doença. Também são importantes as investigações sobre os segredos do nosso planeta e do universo, na consciência de que o homem é a coroa da criação, não com o fim de explorá-la insensatamente, mas de preservá-la e torná-la habitável.

Assim, vivida na verdade, a fé não entra em conflito com a ciência, mas coopera com ela, oferecendo critérios básicos para que ela promova o bem de todos, e lhe pede renunciar apenas às tentativas que, em oposição ao plano original de Deus, podem produzir efeitos que se voltam contra o próprio homem. Por isso mesmo, é razoável acreditar: se a ciência é uma aliada valiosa para a compreensão do plano de Deus no universo, a fé permite que o progresso científico aconteça sempre em prol do bem e da verdade do homem, permanecendo fiel a esse mesmo plano.

É por isso que é crucial para as pessoas abrir-se à fé e conhecer a Deus e o seu plano de salvação em Jesus Cristo. O evangelho inaugura um novo humanismo, uma autêntica "gramática" do homem e de toda a realidade. O Catecismo da Igreja Católica afirma: "A verdade de Deus e a sua sabedoria sustentam a ordem da criação e do governo do mundo. Deus, o único que "fez o céu e a terra" (Sl 115,15), pode dar, somente ele, o verdadeiro conhecimento de cada coisa criada na relação com ele" (número 216).

Esperamos, portanto, que o nosso compromisso na evangelização ajude a dar nova centralidade ao evangelho na vida de muitos homens e mulheres do nosso tempo. E oramos para que todos reencontrem em Cristo o sentido da vida e o fundamento da verdadeira liberdade: sem Deus, o homem se perde. Os testemunhos daqueles que vieram antes de nós e que dedicaram a vida ao evangelho o confirma para sempre. É razoável acreditar, pois o que está em jogo é a nossa existência. Vale a pena nos desgastarmos por Cristo. Só ele satisfaz os desejos de verdade e de bem enraizados na alma de cada homem: agora, no tempo que passa, e no dia sem fim da eternidade bem-aventurada.

(Após a catequese)

De coração, saúdo todos os peregrinos de língua portuguesa, com destaque para os grupos de Aracruz, Aparecida de Goiânia e Palmas, confiando as suas famílias e comunidades à Virgem Maria e pedindo-Lhe que nelas se mantenha viva a luz de Deus. Sobre vós e os vossos entes queridos, desça a minha Bênção.

(Trad.ZENIT)

terça-feira, 20 de novembro de 2012

Alister McGrath, cientista e convertido

Cada vez há mais ateus que encontraram a fé através da leitura de autores ateus que não oferecem respostas


O famoso teólogo e apologeta britânico refere-se sobretudo à obra de Richard Dawkins e Christopher Hitchens, que com respostas superficiais às grandes perguntas despertam interesse pelo espiritual.

Parece que, o fenómeno dos novos ateus se está diluindo num mundo que reclama espiritualidade e respostas. Na terra dos grandes neoateus Richard Dawkins y Christopher Hitchens, falecido em Dezembro de 2011, há pessoas que se convertem ao cristianismo despois de terem aprofundado as suas propostas feramente anti-religiosas.

É o que conta o irlandês Alister McGrath – convertido também ele – numa recente entrevista concedida ao diário italiano Avvenire. McGrath, filósofo, cientista, apologeta e prestigioso teólogo anglicano, é professor do King’s College de Londres e presidente do Oxford Centre of Christian Apologetics.

A interacção entre a teologia cristã e as ciências naturais foi um tema chave no seu trabalho investigador, como o demonstram os três volumes da sua Teologia Científica. Entre os seus numerosos livros destacam-se Teologia Cristã, Deus e a evolução e O Deus desconhecido.

Publicou recentemente dois volumes intitulados Apologetas. Como ajudar a quem está em busca e aos cépticos a encontrar a fé e Surpreendidos pelo sentido. A ciência, a fé e como dar significado às coisas.

Negavam a existência de Deus… e se encontraram com Ele
“Não há dúvida de que o desenvolvimento do novo ateísmo atraiu um renovado interesse cultural até Deus. Nas minhas conversas e debates com os novos ateus, frequentemente lhes agradeci que tenham suscitado uma nova curiosidade pela religião, por Deus e pelo sentido da vida. Por outra parte, actualmente o novo ateísmo está perdendo já o seu carácter de novidade. Repetem simples slogans que cada vez se tornam mais simplistas, não são cuidadas afirmações de síntese intelectual. Aqueles que uma vez acreditamos que o novo ateísmo oferecia boas respostas às grandes perguntas, hoje compreendem que só oferece simples frases feitas que não satisfazem os interrogantes mais profundos”, sustenta.
 
“Falei recentemente com um colega que está estudando o caso de pessoas que se converteram ao cristianismo como resultado da sua leitura dos livros do neoateu Richard Dawkins. São pessoas que leram Dawkins com a expectativa de encontrar nele sofisticadas respostas às grandes questões da vida, e sem dúvida se encontraram com algo superficial e insuficiente. Mas a sua sede de verdade os levou a continuar finalmente acharam a resposta no cristianismo”, explica o teólogo britânico.

Alister McGrath crê que Dawkins apresenta, simplesmente, um novo fundamentalismo dogmático: o do ateísmo: “De facto – assegura – o seu documental “The God Delusion” foi um golo na própria baliza monumental, porque convenceu muitos não crentes de que o ateísmo é tão intolerante como o pior que a religião pode oferecer”.

Um ateísmo passado de moda 
“Alguns analistas culturais argumentaram que o ateísmo é a religião da modernidade. Mas a chegada da pós-modernidade tirou-lhe o posto: o ateísmo agora parece um pouco passado de moda, é a herança ideológica de uma geração anterior, muito marcada pelo materialismo de origem marxista. No seu lugar, a pós-modernidade recuperou o interesse pela espiritualidade. Não tenho nem ideia de até onde nos levará esta tendência, mas certamente parece que nos afasta de um ateísmo que não é a única visão possível do mundo para uma pessoa racional e pensante. A fé em Deus nos dá motivos para examinar mais de próximo o universo, e gera uma matriz que alenta e facilita um compromisso com o mundo. Por suposto, sei que esta conclusão será debatida, e o assumo. Sigo sendo muito respeitoso com os ateus: creio que tenho muito que aprender com eles e com as preocupações que expressam. Mas eu já não compartilho da sua fé. Ou melhor, a falta dela”, sustenta.

Uma afirmação, a do respeito recíproco entre ateus e crentes, que encontra o seu melhor exemplo na interessante entrevista que Richard Dawkins realizou a McGrath – por quem reconhece o seu afecto e admiração – num dos seus documentários para a televisão britânica.

Da “arrogância intelectual” à fé
“Espiritualmente, Deus é o oxigénio da minha existência”, reconhece McGrath, que explica deste modo o seu itinerário de conversão: “Creio no Deus que se dá a conhecer através de Jesus, quer dizer, um Deus pessoal que creio que me conhece como individuo, se preocupa comigo, e me inspira a viver a minha vida com um firme propósito e uma profunda satisfação ao serviço dos demais. Isso me situa dentro dos parâmetros generosos do cristianismo. Mas nem sempre vi as coisas desta maneira. Quando eu era jovem e vivia em Belfast, Irlanda do Norte, durante a década de 1960, cheguei à ideia de que Deus era uma ilusão infantil, adequado para as pessoas maiores, os intelectualmente débeis e os fraudulentos padres e religiosos. Admito que esta era uma visão bastante arrogante, e que agora considero um tanto embaraçosa. A minha desculpa patética para esta arrogância intelectual é que muita gente sentia o mesmo por aqueles então. A minha geração recebeu a ideia de que a religião estava nas últimas e que nos aguardava um amanhecer glorioso, com o ocaso de Deus ao dobrar da esquina. Mas, depois da minha passagem pela universidade e do meu doutoramento em biologia molecular, logo me dei conta de que as minhas hipóteses da vinculação automática entre as ciências naturais e o ateísmo era bastante ingénua e desinformada. Logo, a oportunidade de falar com os cristãos sobre a sua fé me revelou que sabia relativamente pouco acerca da sua religião, a qual havia chegado a conhecer principalmente através das não muito precisas descrições dos seus principais críticos, incluindo o britânico Bertrand Russell e o filósofo social alemã Karl Marx”, recorda.

Falácias ilustradas
MacGrath sustenta que são muitas as falácias atribuídas à religião desde que a Ilustração irrompeu no panorama intelectual europeu: “Muitos filósofos expressaram severas críticas até a Ilustração. O filósofo John Gray escreveu muito sobre as suas contradições. Por exemplo: a Ilustração sustentava que quando se dá razão à religião, se põe em funcionamento uma das maiores causas de violência. As guerras de religião na Europa do século XVII – diziam os racionalistas– eram consequência directa dos diversos credos religiosos. Se se separa a fé, sustentavam, também as guerras serão algo do passado. Mas ficou demonstrado que a primeira e a segunda guerra mundial – os conflitos mais destrutivos que o mundo jamais conheceu - não tinham nada que ver com a religião, mas sim com o nacionalismo e a economia, no caso da segunda, e com o totalitarismo, não importa se de direitas ou de esquerdas”, sustenta.

“Eu acrescentei algo mais: creio que, efectivamente, a fé pode ser algo muito perigoso, mas tanto se se crê em Deus como se não se crê Nele. A fé pode inspirar alguns a fazer coisas terríveis, mas também o faz a crença de que desfazer-se da fé em Deus é necessário para a humanidade. Vi acções maravilhosas e deploráveis em ambos os lados. Teria que referir-se melhor as acções da natureza humana, não a religião”, sustenta.

Uma boa oportunidade para os cristãos
Em Apologetas, McGrath sugere aos cristãos “interactuar com as ideias da cultura actual mais do que afastar-se dela” e está convencido de que há aspectos da modernidade que representam uma oportunidade para o cristianismo. Sobretudo dois: os relatos e a imagem. Existe uma nova consciência da importância das narrações como caminho para explorar o sentido, mais úteis que os argumentos. A melhor maneira de responder às perguntas é, frequentemente, contar uma história no lugar de oferecer argumentos puramente intelectuais".

"O escritor C. S. Lewis foi um mestre nisto. Um dos motivos pelos quais os seus Crónicas de Narnia tiveram tanto êxito foi, precisamente, porque contam histórias profundamente radicadas na compreensão cristã do mundo: esta visão ressoa na experiência da realidade que tem muitas pessoas”, afirma McGrath, que está preparando para 2013 uma nova biografia do célebre escritor convertido britânico.

Utilizar mais a imagem...
“O outro aspecto importante é o da imagem. Hoje em dia se dá uma renovada importância às imagens, como, por exemplo, na publicidade na televisão. A Bíblia e a tradição cristã são ricas em imagens, que podem ser uma espécie de umbral para alguns temas chave da fé cristã. Por exemplo, em vez de falar com abstracção da noção do “cuidado” de Deus pelo homem, podemos explorar a imagem de Deus como pastor, uma imagem que pode recolher em si os diferentes elementos da visão cristã de Deus: o conceito de que Deus nos acompanha no nosso caminho da vida, que sempre está connosco, que não nos abandona, inclusive quando caminhamos pelas sombras do vale da morte”, conclui.

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Papa Bento XVI - Audiência Geral - Praça de São Pedro - Quarta-feira, 17 de Outubro de 2012


Queridos irmãos e irmãs,
 
Hoje gostaria de introduzir o novo ciclo de catequeses, que se desenvolve ao longo de todo o Ano da fé, recém-iniciado, e que interrompe — durante este período — o ciclo dedicado à escola da oração. Mediante a Carta Apostólica Porta Fidei proclamei este Ano especial, precisamente para que a Igreja renove o entusiasmo de crer em Jesus Cristo, único Salvador do mundo, reavive a alegria de percorrer o caminho que nos indicou e testemunhe de modo concreto a força transformadora da fé.
 
A celebração do cinquentenário da inauguração do Concílio Vaticano II é uma ocasião importante para voltar para Deus, a fim de aprofundar e viver com maior coragem a própria fé, para fortalecer a pertença à Igreja, «mestra em humanidade» que, através do anúncio da Palavra, da celebração dos Sacramentos e das obras de caridade, nos orienta para encontrar e conhecer Cristo, verdadeiro Deus e verdadeiro homem. Trata-se do encontro não com uma ideia, nem com um projecto de vida, mas com uma Pessoa viva que nos transforma em profundidade a nós mesmos, revelando-nos a nossa verdadeira identidade de filhos de Deus. O encontro com Cristo renova os nossos relacionamentos humanos, orientando-os no dia-a-dia para uma maior solidariedade e fraternidade, na lógica do amor. Ter fé no Senhor não é algo que interessa unicamente à nossa inteligência, ao campo do saber intelectual, mas é uma mudança que compromete a vida, a totalidade do nosso ser: sentimento, coração, inteligência, vontade, corporeidade, emoções e relacionamentos humanos. Com a fé muda verdadeiramente tudo em nós e para nós, e revela-se com clareza o nosso destino futuro, a verdade da nossa vocação no interior da história, o sentido da vida, o gosto de sermos peregrinos rumo à Pátria celeste.
 
Mas — perguntemo-nos — a fé é verdadeiramente a força transformadora da nossa vida, na minha vida? Ou então é apenas um dos elementos que fazem parte da existência, sem ser aquele determinante, que a abrange totalmente? Com as catequeses deste Ano da fé gostaríamos de percorrer um caminho para fortalecer ou reencontrar a alegria da fé, compreendendo que ela não é algo de alheio, separado da vida concreta, mas é a sua alma. A fé num Deus que é amor, e que se fez próximo do homem, encarnando e doando-se a si mesmo na cruz para nos salvar e reabrir as portas do Céu, indica de modo luminoso que a plenitude do homem consiste unicamente no amor. Hoje é necessário reiterá-lo com clareza, enquanto as transformações culturais em curso mostram com frequência tantas formas de barbárie, que passam sob o sinal de «conquistas de civilização»: a fé afirma que não há humanidade autêntica, a não ser nos lugares, nos gestos, nos tempos e nas formas como o homem é animado pelo amor que vem de Deus, se expressa como dom, se manifesta em relações ricas de amor, de compaixão, de atenção e de serviço abnegado ao próximo. Onde existe domínio, posse, exploração, mercantilização do outro por egoísmo próprio, onde há arrogância do eu, fechado em si mesmo, o homem torna-se pobre, degradado, desfigurado. A fé cristã, laboriosa na caridade e forte na esperança, não limita mas humaniza a vida, aliás, torna-a plenamente humana.
 
A fé é o acolhimento desta mensagem transformadora na nossa vida, o acolhimento da revelação de Deus, que nos faz conhecer quem Ele é, como age, quais são os seus desígnios para nós. Sem dúvida, o mistério de Deus permanece sempre além dos nossos conceitos e da nossa razão, dos nossos ritos e das nossas preces. Todavia, com a revelação é o próprio Deus quem se autocomunica, se descreve, se torna acessível. E nós tornamo-nos capazes de ouvir a sua Palavra e de receber a sua verdade. Eis, pois, a maravilha da fé: Deus, no seu amor, cria em nós — através da obra do Espírito Santo — as condições adequadas para que possamos reconhecer a sua Palavra. O próprio Deus, na sua vontade de se manifestar, de entrar em contacto connosco, de se fazer presente na nossa história, torna-nos capazes de o ouvir e acolher. São Paulo exprime-o assim, com alegria e reconhecimento: «Nós não cessamos de dar graças a Deus, porque recebestes a palavra de Deus, que de nós ouvistes, e porque a acolhestes não como palavra de homens, mas como aquilo que realmente é, palavra de Deus, que age eficazmente em vós, fiéis» (1 Ts 2, 13).
 
Deus revelou-se mediante palavras e obras em toda uma longa história de amizade com o homem, que culmina na Encarnação do Filho de Deus e no seu Mistério de Morte e Ressurreição. Deus não só se revelou na história de um povo, nem falou só por meio dos Profetas, mas atravessou o seu Céu para entrar na terra dos homens como homem, para que pudéssemos encontrá-lo e ouvi-lo. E de Jerusalém o anúncio do Evangelho da salvação propagou-se até aos confins da terra. A Igreja, nascida do lado de Cristo, tornou-se portadora de uma esperança nova e sólida: Jesus de Nazaré, crucificado e ressuscitado, Salvador do mundo, que está sentado à direita do Pai e é Juiz dos vivos e dos mortos. Este é o kerigma, o anúncio central e impetuoso da fé. Mas desde o início levantou o problema da «regra da fé», ou seja, da fidelidade dos crentes à verdade do Evangelho, na qual permanecer firmes, à verdade salvífica sobre Deus e sobre o homem, que se deve conservar e transmitir. São Paulo escreve: «Recebereis a salvação, se o mantiverdes [o Evangelho] como vo-lo anunciei. Caso contrário, em vão teríeis abraçado a fé» (1 Cor 15, 2).
 
Mas onde encontramos a fórmula essencial da fé? Onde encontramos as verdades que nos foram fielmente transmitidas e que constituem a luz para a nossa vida diária? A resposta é simples: no Credo, na Profissão de Fé, ou Símbolo da Fé, nós relacionamo-nos com o acontecimento originário da Pessoa e da História de Jesus de Nazaré; torna-se concreto quanto o Apóstolo das nações dizia aos cristãos de Corinto: «Transmiti-vos primeiramente o que eu mesmo tinha recebido: que Cristo morreu pelos nossos pecados, segundo as Escrituras; foi sepultado e ressuscitou ao terceiro dia» (1 Cor 15, 3-4).
Ainda hoje temos necessidade que o Credo seja melhor conhecido, compreendido e pregado. Sobretudo, é importante que o Credo seja, por assim dizer, «reconhecido». Com efeito, conhecer poderia ser algo simplesmente intelectual, enquanto «reconhecer» quer significar a necessidade de descobrir o vínculo profundo entre as verdades que professamos no Credo e a nossa existência quotidiana, para que estas verdades sejam deveras e concretamente — como sempre foram — luz para os passos do nosso viver, água que rega a aridez do nosso caminho, vida que vence certos desertos da vida contemporânea. No Credo insere-se a vida moral do cristão, que nele encontra o seu fundamento e a sua justificação.
 
Não é por acaso que o Beato João Paulo II quis que o Catecismo da Igreja Católica, norma segura para o ensinamento da fé e fonte certa para uma catequese renovada, se inspirasse no Credo. Tratava-se de confirmar e conservar este núcleo fulcral das verdades da fé, comunicando-o numa linguagem mais inteligível aos homens do nosso tempo, a nós. É um dever da Igreja transmitir a fé, comunicar o Evangelho, a fim de que as verdades cristãs sejam luz das novas transformações culturais, e os cristãos se tornem capazes de explicar a razão da sua esperança (cf. 1 Pd 3, 14). Hoje, vivemos numa sociedade profundamente transformada, também em relação a um passado recente, e em movimento contínuo. Os processos da secularização e de uma difundida mentalidade niilista, em que tudo é relativo, marcaram profundamente a mentalidade comum. Assim, a vida é muitas vezes levada com superficialidade, sem ideais claros nem esperanças sólidas, no contexto de vínculos sociais e familiares fluidos, provisórios. Sobretudo as novas gerações não são educadas para a busca da verdade e do sentido profundo da existência, que ultrapasse o contingente, para a estabilidade dos afectos, para a confiança. Ao contrário, o relativismo leva a não ter pontos firmes, suspeita e volubilidade provocam rupturas nos relacionamentos humanos, enquanto a vida é vivida com experiências que duram pouco, sem assunção de responsabilidade. Se o individualismo e o relativismo parecem dominar o espírito de muitos contemporâneos, não se pode dizer que os crentes permanecem totalmente imunes a estes perigos, que devemos enfrentar na transmissão da fé. A sondagem realizada em todos os Continentes, em vista da celebração doSínodo dos Bispos sobre a Nova Evangelização, evidenciou alguns: uma fé vivida de modo passivo e privado, a rejeição da educação para a fé, a ruptura entre vida e fé.
 
Muitas vezes o cristão não conhece nem sequer o núcleo central da própria fé católica, do Credo, de modo a deixar espaço a um certo sincretismo e relativismo religioso, sem clareza sobre as verdades nas quais crer e sobre a singularidade salvífica do cristianismo. Hoje não está muito distante o risco de construir, por assim dizer, uma religião personalizada. Ao contrário, temos que voltar para Deus, para o Deus de Jesus Cristo, temos que redescobrir a mensagem do Evangelho, fazê-lo entrar de modo mais profundo nas nossas consciências e na vida quotidiana.
 
Nas catequeses deste Ano da fé gostaria de oferecer uma ajuda para percorrer este caminho, para retomar e aprofundar as verdades centrais da fé sobre Deus, o homem, a Igreja e toda a realidade social e cósmica, meditando e ponderando sobre as afirmações do Credo. E gostaria que fosse clara que estes conteúdos ou verdades da fé (fides quae) se relacionam directamente com a nossa vida; exigem uma conversão da existência, que dá vida a um novo modo de crer em Deus (fides qua). Conhecer Deus, encontrá-lo, aprofundar os traços da sua Face põe em jogo a nossa vida, pois Ele entra nos dinamismos profundos do ser humano.
 
Possa o caminho que percorreremos este Ano fazer-nos crescer todos na fé e no amor a Cristo, para que aprendamos a viver, nas opções e gestos quotidianos, a vida boa e bela do Evangelho. Obrigada!