quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

Santo Estevão, um modelo para a nova evangelização

Durante o ângelus, Bento XVI recordou o primeiro mártir cristão
 

CIDADE DO VATICANO, 26 de Dezembro de 2012 (Zenit.org) - Às 12 horas de hoje, o Papa Bento XVI apareceu na janela do seu escritório no Palácio Apostólico Vaticano para rezar o ângelus com os fiéis e peregrinos reunidos na Praça de São Pedro. Publicamos aqui as palavras do Papa no início da oração mariana.
 

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Queridos irmãos e irmãs,
a cada ano, no dia depois do Natal do Senhor, a liturgia nos faz celebrar a festa de Santo Estêvão, diácono e primeiro mártir. O livro dos Actos dos Apóstolos apresenta-o como um homem cheio de fé e do Espírito Santo (cf. At 6,8-10; 7,55); nele se cumpriu plenamente a promessa de Jesus relatada pelo texto do Evangelho de hoje, isto é, que os crentes, chamados a dar testemunho em circunstâncias difíceis e perigosas não serão abandonados e indefesos: o Espírito de Deus vai falar neles (cf. Mt 10, 20). O diácono Estêvão, de fato, trabalhou, falou e morreu animado pelo Espírito Santo, testemunhando o amor de Cristo até o sacrifício extremo. O primeiro mártir é descrito, no seu sofrimento, como perfeita imitação de Cristo, cuja paixão se repete até nos detalhes. A vida de Santo Estêvão é inteiramente moldada por Deus, conformada com Cristo; no momento final da morte, de joelhos, ele retoma a oração de Jesus na cruz, confiando no Senhor (cf. At 7, 59) e perdoando os seus inimigos: "Senhor, não lhes leve em conta este pecado” (v. 60). Cheio do Espírito Santo, enquanto os seus olhos estão quase fechando, ele fixa o olhar em “Jesus que estava à direita de Deus” (v. 55), Senhor de tudo e que atrai todos a Si.
 

No dia de Santo Estêvão, também nós somos chamados a fixar o olhar no Filho de Deus, que no clima alegre do Natal contemplamos o mistério da sua encarnação. Com o Baptismo e a Confirmação, com o dom precioso da fé nutrida pelos sacramentos da Igreja, especialmente pela Eucaristia, Jesus Cristo ligou-nos a Si e quis continuar em nós, com a acção do Espírito Santo, a sua obra de salvação, que resgata, valoriza, eleva e conduz à realização. Deixar-se atrair por Cristo, como fez Santo Estêvão, significa abrir a própria vida à luz que a atrai, a orienta e a faz seguir pelo caminho do bem, o caminho da humanidade segundo o plano de amor de Deus.
 

Finalmente, santo Estêvão é um modelo para todos aqueles que querem colocar-se ao serviço da nova evangelização. Ele mostra que a novidade do anúncio não consiste principalmente no uso de métodos ou técnicas originais, que certamente têm a sua importância, mas no estar cheios do Espírito Santo e deixar-se guiar por Ele. A novidade do anúncio está na profundidade da imersão no mistério de Cristo, da assimilação da sua palavra e da sua presença na Eucaristia, de tal forma que Jesus vivo, possa falar e agir no seu enviado. Em essência, o evangelizador torna-se capaz de levar Cristo aos outros de forma eficaz quando vive de Cristo, quando a novidade do Evangelho se manifesta na sua própria vida. Peçamos a Virgem Maria, para que a Igreja, neste Ano da fé, veja aumentar o número dos homens e mulheres que, como Santo Estêvão, saibam dar um testemunho convicto e corajoso do Senhor Jesus.
 

[Depois da oração do ângelus, o Santo Padre saudou os fiéis em várias línguas. Em português disse:]
Com afecto, saúdo também os peregrinos de língua portuguesa, desejando que esta vinda a Roma encha de paz e alegria natalícia os vossos corações, com uma viva adesão a Cristo como fez Santo Estêvão: Confiai no seu poder, deixai agir a sua graça! De coração vos agradeço e abençoo. "A verdade, de fato, surgiu! Deus nasceu!"
 

(Tradução Thácio Siqueira)

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A verdade germinou! Deus nasceu!

Durante a mensagem de Natal "Urbi et Orbi", Bento XVI reza pela paz em todo o mundo, especialmente na Terra Santa e na Síria
 

CIDADE DO VATICANO, 26 de Dezembro de 2012 (Zenit.org) - Publicamos a seguir a Mensagem de natal Urbi et Orbi do Papa Bento XVI, pronunciada no pórtico central da Basílica Vaticana ontem, ao meio dia.
 

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"Veritas de terra orta est!" - "Da terra germinará a verdade!" (Sl 85,12).
 

Queridos irmãos e irmãs de Roma e de todo o mundo, um Feliz Natal para todos vocês e para as suas famílias!
 

Expresso os meus votos de Natal, neste Ano da fé, com estas palavras, tiradas de um Salmo: “Da terra germina a verdade”. No texto do Salmo, na verdade, o encontramos no futuro: “Da terra germinará a verdade”: é um anúncio, uma promessa, acompanhada de outras expressões, que no conjunto soam assim: “Amor e Verdade se encontram, / Justiça e Paz se abraçam; / da terra germinará a Verdade, / e a Justiça se inclinará do céu. / O próprio Senhor dará a felicidade, / e nossa terra dará seu fruto. / A Justiça caminhará à sua frente, / e com seus passos traçará um caminho" (Sl 85,11-14).
 

Hoje esta palavra profética foi cumprida! Em Jesus, nascido em Belém da Virgem Maria, verdadeiramente o amor e a verdade se encontraram, a justiça e a paz se beijaram; mas a verdade brotou da terra e a justiça surgiu do céu. Santo Agostinho explica com clara concisão: "O que é a verdade? O Filho de Deus. O que é a terra? A carne. Pergunte-se de onde Cristo nasceu, e veja por que a verdade surgiu da terra [...] a verdade nasceu da Virgem Maria" (Em in Ps. 84, 13). E em um discurso sobre o Natal, afirma: "Com esta festa que acontece todos os anos celebramos portanto o dia em que se cumpriu a profecia: “A verdade surgiu da terra e a justiça surgiu do céu”. A Verdade que é no sentido do Pai surgiu da terra para que estivesse também no seio de uma mãe. A Verdade que rege o mundo inteiro surgiu da terra para que fosse sustentada pelas mãos de uma mulher [...] A Verdade que o céu não é grande o suficiente para conter surgiu da terra para ser deitada numa manjedoura. Com que vantagem um Deus tão sublime se fez tão humilde? Com certeza que com nenhuma vantagem para si, mas com grande vantagem para nós, se acreditamos” (Sermões, 185, 1).
 

"Se nós acreditamos". Eis o poder da fé! Deus fez tudo, fez o impossível: ele se fez carne. A sua onipotência de amor realizou o que vai além da humana compreensão: o infinito se fez criança, entrou na humanidade. No entanto, esse mesmo Deus não pode entrar no meu coração se eu não abrir a porta. Porta fidei! A porta da fé! Podemos ficar assustados, diante dessa nossa onipotência ao contrário. Este poder do homem de fechar-se para Deus pode assustar-nos. Mas eis a realidade que supera este pensamento tenebroso, a esperança que vence o medo: a verdade germinou! Deus nasceu! “A terra produziu o seu fruto” (Sl 67,7). Sim, existe uma terra boa, uma terra saudável, livre de todo egoísmo e de todo encerramento. Há no mundo uma terra que Deus preparou para vir e habitar entre nós. Uma morada para a sua presença no mundo. Esta terra existe, e também hoje, em 2012, desta terra germinou a verdade! Por isso há esperança no mundo, uma esperança fidedigna,  até mesmo nas situações e momentos mais difíceis. A verdade germinou trazendo amor, justiça e paz.
 

Sim, que a paz germine na população da Síria, profundamente ferida e dividida por um conflito que nem mesmo poupa os inocentes e mata vítimas inocentes. Mais uma vez apelo para que cesse o derramamento de sangue, se facilite as ajudas para os refugiados e prófugos e, por meio do diálogo, se consiga uma solução política ao conflito.
 

A paz germine na Terra onde nasceu o Redentor, e Ele presenteie para israelenses e palestinos a coragem de pôr fim a muitos anos de lutas e de divisões, e de empreender com decisão o caminho da negociação.
 

Nos Países do Norte da África, que atravessam uma profunda transição em busca de um novo futuro - particularmente no Egipto, terra amada e abençoada pela infância de Jesus - os cidadãos construam juntos uma sociedade baseada na justiça, no respeito da liberdade e da dignidade de cada pessoa.
 

A paz germine no vasto Continente Asiático.
 

Que o menino Jesus olhe com bons olhos para os muitos povos que habitam aquelas terras e, especialmente, aqueles que acreditam nele. O Rei da Paz dirija o seu olha aos novos Dirigentes da República Popular Chinesa pela grandíssima responsabilidade que lhes espera. Desejo que eles valorizem a contribuição das religiões, no respeito de cada um, de tal forma que possam contribuir na construção de uma sociedade solidária, para o benefício daquele nobre Povo e do mundo inteiro.
 

Que o Natal de Cristo favoreça a volta da paz no Mali e da concórdia na Nigéria, onde hediondos ataques terroristas continuam a matar vítimas, especialmente Cristãos. Que o Redentor leve ajuda e conforto aos prófugos do Leste da República Democrática do Congo e dê paz à Quénia, onde os ataques terroristas atingiram a população civil e os lugares de culto.
 

Que o menino Jesus abençoe os muitos fiéis que O celebram na América Latina. Aumente as suas virtudes humanas e cristãs, apoie todos aqueles que são forçados a emigrar das suas famílias e da sua terra, ajude os governantes no compromisso pelo desenvolvimento e na luta contra o crime.
 

Queridos irmãos e irmãs! Amor e verdade, justiça e paz se encontram, encarnaram-se no homem nascido em Belém de Maria. Aquele homem é o Filho de Deus, é Deus que apareceu na história. O seu nascimento é um rebento de vida nova para toda a humanidade. Que toda a terra se torne uma boa terra, que acolhe e produz o amor, a verdade, a justiça e a paz. Feliz Natal para todos!
 

[Depois o Santo Padre dirigiu as saudações de Natal em 65 idiomas. Em português, disse:]
Feliz Natal para todos! O nascimento do Menino Jesus ilumine de alegria e paz vossos lares e Nações!
 

(Tradução Thácio Siqueira)

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"Que a santa curiosidade dos pastores de Belém também nos toque"

Homilia da noite de natal: Bento XVI reza pela paz no Oriente Médio
 

Por Luca Marcolivio
 

ROMA, 26 de Dezembro de 2012 (Zenit.org) - O esplendor de Deus pode nos assustar, mas a realidade de um Deus que se torna bebê e "se confia às nossas mãos" para que "ousemos amá-lo" continua a nos comover. Com estas palavras, o papa Bento XVI abriu a homilia da missa da véspera de natal na basílica vaticana.
 

Assim como Maria e José procuraram abrigo para dar à luz o filho e não encontraram, também pode ser que o nosso coração se veja muitas vezes despreparado para receber a Deus. "Temos tempo e espaço para ele? Não será que rejeitamos nós também o próprio Deus?", perguntou o Santo Padre.
 

A resposta é paradoxal: "Quanto mais rápido nos movemos, quanto mais eficazes são as ferramentas que nos ajudam a economizar tempo, menos tempo temos à nossa disposição" para dedicar a Deus. E mesmo quando Ele "parece bater à porta do nosso pensamento", tendemos a afastá-lo.
 

Estamos "cheios de nós mesmos", disse o papa, a ponto de não deixar espaço para Nosso Senhor. "Queremos nós mesmos, queremos as coisas que podemos tocar, a felicidade experimentável, o sucesso dos nossos projectos pessoais e das nossas intenções".
 

Da mesma forma, não há espaço em nossas vidas "para o outro, para as crianças, para os pobres, para os estranhos". A nossa oração deve nos deixar "alertas para captar a sua presença", para que "em nossos corações surja um espaço para ele" e "possamos reconhecê-lo naqueles por trás de quem ele se apresenta para nós: nas crianças, nos que sofrem, nos abandonados, nos marginalizados e nos pobres deste mundo".
 

Bento XVI destacou ainda outro aspecto importante das leituras de natal: o hino de louvor cantado pelos anjos, que entoam "Glória a Deus nas alturas e paz na terra aos homens por ele amados".
 

A alegria dos anjos no céu indica que Deus é "luz pura", é "o bem por excelência", e, por esta alegria, "todos queremos ser tocados". "Deus é bom. Ele é o poder supremo, acima de todos os poderes. Este fato deve nos levar a desfrutar desta noite, juntamente com os anjos e com os pastores".
 

Se não se der glória a Deus, se Ele for "esquecido e até mesmo negado," será negada também a paz. Permanecem hoje, no entanto, correntes de pensamento que consideram as religiões, especialmente as monoteístas, como portadoras de "intolerância" e de "violência".
 

É verdade que, ao longo da história, vimos "deturpações do sagrado" e "mau uso da religião", o que ocorre "quando um homem acredita que deve assumir ele mesmo a causa de Deus, tornando Deus sua propriedade privada".
 

A rejeição de Deus, porém, levou a resultados ainda piores, não só contra a paz, mas contra a própria dignidade do homem. "Somente se a luz de Deus brilhar no homem e sobre o homem, somente se cada homem foi querido, conhecido e amado por Deus, só então, por mais miserável que seja a sua situação, a sua dignidade será inviolável", disse o papa.
 

É graças à encarnação de Deus no Menino de Belém que, ao longo dos séculos, houve sempre "novas forças de reconciliação e de bondade. Na escuridão do pecado e da violência, esta fé trouxe um raio luminoso de paz e de bondade que continua a brilhar".
 

A oração do papa pediu também o presente da paz: "Que, em vez de armas para a guerra, haja auxílios para quem sofre. Iluminai as pessoas que acreditam que têm de exercer a violência em vosso nome, para que aprendam a entender o absurdo da violência e a reconhecerem a vossa face verdadeira".
 

Quando os anjos se retiraram de Belém, os pastores exortaram uns aos outros a irem até lá. "Vamos a Belém", dizem eles. Na versão latina, o verbo é trans-eamus: um "ultrapassar", explicou o papa, "com que saímos dos nossos hábitos de pensamento e de vida e ultrapassamos o mundo puramente material para chegar ao essencial, rumo àquele Deus, que, por sua vez, veio até aqui, rumo a nós".
 

Belém faz parte da nossa oração não somente como o lugar de nascimento de Nosso Senhor, mas também para que naquela terra "os israelenses e os palestinos possam viver na paz do único Deus e na liberdade". A mesma oração se volta ainda a países como o Líbano, a Síria e o Iraque, para que os cristãos naquelas nações "conservem o lar" e, com os muçulmanos, convivam "na paz de Deus".
 

Os pastores "se apressaram", disse o Santo Padre. Uma solicitude motivada pela "santa curiosidade e pela santa alegria", que hoje, talvez, "ocorre muito raramente", porque Deus não faz mais parte das "realidades urgentes".
 

Apesar de tudo, ele é "a realidade mais importante" e devemos orar "para que a santa curiosidade e a santa alegria dos pastores toquem também a nós", concluiu Bento XVI.


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Natal: Bispos apelam à solidariedade

Mensagem da Conferência Episcopal Portuguesa destaca «clima social» marcado pela crise e valoriza papel das famílias

Fátima, Santarém, 11 dez 2012 (Ecclesia) – A Conferência Episcopal Portuguesa (CEP) lançou hoje em Fátima um apelo à partilha com os mais pobres, numa mensagem de Natal em que deixam votos de “solidariedade e de esperança”.
 
“Que os gestos de entreajuda, solidariedade e partilha se multipliquem. A autêntica alegria das Boas Festas está na dádiva altruísta e generosa”, refere o documento, apresentado após uma reunião do Conselho Permanente da CEP.
 
Os prelados admitem que o “presente clima social não sugere muito ‘Boas Festas’”, dado que “escasseiam empregos e bens materiais”, propondo que “a tradicional troca de prendas seja aproveitada para escolher ofertas que sejam ajuda para quem precisa”.
 
“É urgente estreitar os laços da família e dos vários círculos de relações e solidariedades; é fundamental comunicarmos com Deus, que em Jesus se torna o mais próximo dos nossos próximos”, pode ler-se na mensagem publicada pela Agência ECCLESIA.
 
O texto destaca o papel das famílias, frisando que “em tempos de crise, mais essencial se torna a solidariedade familiar, o acolhimento e ajuda aos membros que passam por maiores dificuldades”.
 
Os responsáveis da CEP evocam o recente Sínodo dos Bispos (7-28 de Outubro, Vaticano), cujos participantes pediram um “lugar privilegiado aos pobres” nas comunidades católicas.

“Só quem oferece Natal aos outros pode ter Natal para si”, refere a nota do Conselho Permanente.
 
A mensagem convida a superar “confortos e rotinas egoístas” para colocar os outros no centro das “atenções e serviços”, lembrando em particular “pessoas que vivem sozinhas, a doentes, crianças ou idosos”.
 
“Haverá Boas Festas se soubermos presentear tempo, carinho e ofertas”, indica a CEP, que lembra o papel das obras de serviço social e desafia os católicos a aderir “mais de alma e coração à pessoa de Jesus”.
 
Os bispos falam do Natal como “uma especial festa da família”: “Tudo o que possamos fazer para reforçar os laços familiares será humanamente louvável e agradável a Deus, que Se fez da nossa família pelo seu nascimento, nosso irmão universal”.
 
A mensagem da CEP conclui-se com votos de “santo Natal” a todos, independentemente de culturas, ideologias e credos.
 
O Conselho Permanente é um órgão delegado da assembleia dos bispos católicos em Portugal, com funções de preparar os seus trabalhos e dar seguimento às suas resoluções, reunindo ordinariamente todos os meses.
 
O organismo é actualmente constituído por D. José Policarpo, cardeal-patriarca de Lisboa (presidente da CEP); D. Manuel Clemente (vice-presidente), bispo do Porto; D. Jorge Ortiga (vogal), arcebispo de Braga; D. António Marto (vogal), bispo de Leiria-Fátima; D. Gilberto Canavarro Reis (vogal), bispo de Setúbal; D. António Francisco dos Santos (vogal), bispo de Aveiro; D. Manuel Quintas (vogal), bispo do Algarve; padre Manuel Morujão (secretário).
 
OC

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Portugal: «Laicismo, secularização e relativismo» estão a ganhar terreno à «fé em Deus», diz porta-voz do episcopado

Padre Manuel Morujão comentou resultados dos Censos 2011; 81% da população residente com 15 ou mais anos declara-se católica
 
Lisboa, 22 Nov 2012 (Ecclesia) – O “laicismo, secularização e relativismo têm conquistado terreno à vivência da fé em Deus” e ao “cultivo de valores que marcam bem a fronteira entre o bem e o mal”, considera o porta-voz do episcopado católico português.
 
Convidado hoje pela Agência ECCLESIA a comentar os resultados dos Censos 2011 relativos à religião, em que 81% da população residente com 15 ou mais anos se declara católica, o padre Manuel Morujão diz que estava à espera de um número mais baixo, “devido aos ventos que têm soprado em direcção contrária ao rumo da nave da Igreja”.
 
O sacerdote nota na entrevista escrita que Portugal continua a ser, “sem dúvida”, um país maioritariamente católico, mas sublinha que aquele indicador revela “a quantidade” das pessoas que expressam a sua adesão ao catolicismo “e não propriamente a sua qualidade”.
 
“Estar fisicamente presente num ato de culto é certamente mais significativo que, segundo as convicções pessoais, declarar-se católico”, refere ao pronunciar-se sobre a diferença entre os Censos e os dados do último recenseamento da prática dominical realizado simultâneamente no continente, em 2001, que apontava para cerca de dois milhões de “praticantes” e um milhão de “comungantes”.
 
“Penso que este desnível se verifica em todas as instituições. Por exemplo, há pessoas que se declaram convictamente benfiquistas, sportinguistas ou portistas e não são sócios, não pagam quotas, nem vão aos estádios. Diria o mesmo sobre os partidos, sindicatos e múltiplas outras associações. Claro que as acções de evangelização devem promover a coerência prática entre acre1,ditar e praticar”, observa.
 
O também secretário da Conferência Episcopal Portuguesa classifica de “interessante” o facto de “a segunda maior força religiosa em Portugal” ser constituída por “crentes sem religião” (6,8%).
 
O responsável explica a diminuição em quatro pontos percentuais de católicos relativamente ao penúltimo Censos, realizado em 2001, com “a erosão que sobretudo as famílias têm sofrido”: “Hoje os pais têm significativa dificuldade em transmitir os seus valores aos filhos, a todos os níveis, particularmente os valores da fé e prática religiosa”.
 
O padre Manuel Morujão salienta que os responsáveis católicos têm vindo a analisar os resultados do estudo “sobre as ‘atitudes e representações da sociedade portuguesa face à Igreja’”, promovido pelo episcopado e realizado pela Universidade Católica em 2011.
 
O inquérito, cujos resultados foram anunciados em Abril e Novembro, respectivamente para Portugal continental e ilhas, “foi um grande investimento que importa rentabilizar”, frisa o porta-voz, que destaca a “prática coincidência” dos dados com os números apurados pelo Instituto Nacional de Estatística.
 
De acordo com os resultados do Censos, 0,8% dos inquiridos dizem-se protestantes, 0,6% são ortodoxos e 1,8% declaram uma pertença cristã diferente das anteriores.
 
A religião muçulmana recolhe 0,3% das respostas, a judaica 0,03% e outras não cristãs ascendem aos 0,3%, enquanto que a percentagem da população com 15 ou mais anos que não respondeu é de 8,2%.
 
RJM

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Bento XVI: origens históricas do Natal


Para compreender melhor o significado do Natal do Senhor, gostaria de acenar brevemente à origem histórica desta solenidade.
 
O ano litúrgico da Igreja, de facto, não se desenvolveu inicialmente partindo do nascimento de Cristo, mas da fé na ressurreição. Por isso, a festa mais antiga do Cristianismo não é o Natal, mas a Páscoa: a ressurreição de Cristo funda a fé cristã, está na base do anúncio do Evangelho e faz nascer a Igreja. Por isso, ser cristão significa viver de maneira pascal, fazendo-se envolver pelo dinamismo que se originou no Baptismo e que leva a morrer para o pecado e a viver com Deus (cf Rm 6,4).

A primeira pessoa a afirmar com clareza que Jesus nasceu no dia 25 de Dezembro foi Hipólito de Roma, no seu comentário ao livro do profeta Daniel, escrito cerca de 204. Este exegeta nota, depois, que nesse dia se celebrava a Dedicação do Templo de Jerusalém, instituída por Judas Macabeu no ano 164 antes de Cristo. A coincidência de datas significaria, então, que com Jesus, aparecido como luz de Deus na noite, se realiza verdadeiramente a consagração do templo, o Advento de Deus nesta terra.
 
No Cristianismo, a festa do Natal assumiu uma forma definida no séc. IV, quando tomou o lugar da festa romana do “Sol invictus”, o sol invencível, colocando assim em evidência que o nascimento de Cristo é a vitória da verdadeira luz sobre as trevas do mal e do pecado.

Todavia, a particular e intensa atmosfera espiritual que rodeia o Natal desenvolveu-se na Idade Média graças a São Francisco de Assis, profundamente enamorado pelo homem Jesus, o Deus-Connosco. O seu primeiro biógrafo, Tomás de Celano, conta que São Francisco “acima de todas as outras solenidades, celebrava com inefável carinho o Natal do Menino Jesus, chamando festa das festas ao dia em que Deus, feito pequena criança, tinha surgido de um seio humano” (Fonti Francescane, n. 199, p. 492).
 
Desta devoção particular ao mistério da encarnação teve origem a famosa celebração do Natal em Grécio (1223, ndr). Ela foi provavelmente inspirada pela peregrinação de São Francisco à Terra Santa e pelo presépio de Santa Maria Maior, em Roma. O que animava o pequeno pobre de Assis era o desejo de experimentar de forma concreta, viva e actual a humilde grandeza do evento do nascimento do Menino Jesus e comunicar essa alegria a todos.
 
Na primeira biografia, Tomás de Celano fala da noite do presépio de Grécio de modo vivo e tocante, oferecendo um contributo decisivo para a difusão da tradição natalícia mais bela, a do presépio. A noite de Grécio, de facto, voltou a dar ao Cristianismo a intensidade e a beleza da festa do Natal, educando o Povo de Deus a colher a sua mensagem mais autêntica, o seu calor particular, e a amar e adorar a humanidade de Cristo.
 
Esta aproximação particular ao Natal ofereceu à fé cristã uma nova dimensão. A Páscoa tinha centrado a atenção sobre o poder de Deus que vence a morte, inaugura a vida nova e ensina a espera no mundo que virá. Com São Francisco e o seu presépio, eram colocados em evidência o amor indefeso de Deus, a sua humildade e benignidade, que na Incarnação do Verbo se manifesta aos homens para ensinar um novo modo de viver e de amar.
 
Cidade do Vaticano, 23 de Dezembro de 2009
Bento XVI

Natal: Bento XVI pede «coragem na defesa da verdade da fé»

Papa presidiu no Vaticano à oração do Angelus num dia dedicado a Santo Estêvão, considerado o «primeiro mártir» da Igreja Católica

Cidade do Vaticano, 26 Dez 2012 (Ecclesia) – Bento XVI pediu hoje aos católicos que façam do tempo de Natal uma oportunidade para crescerem enquanto testemunhas da esperança de Cristo, num mundo repleto de dificuldades.

“Em concreto, o evangelizador deve ser capaz de levar Cristo aos outros de maneira eficaz, quando vive de Cristo, quando a novidade do Evangelho se manifesta na sua própria vida”, referiu o Papa, durante a oração do Angelus, que contou com a presença de milhares de peregrinos, na Praça de São Pedro.

Num dia em que a liturgia recorda a memória de Santo Estêvão, Bento XVI destacou o exemplo do “diácono e primeiro mártir” da Igreja Católica, “descrito, no seu sofrimento, como imitação perfeita de Cristo” e que viveu uma “vida inteiramente plasmada de Deus”.

“Seguir o caminho de Cristo, como fez Santo Estevão, significa abrir a própria vida a uma luz que orienta e faz percorrer a via do bem, a via de uma humanidade segundo o desígnio do amor de Deus”, salientou.

Nas saudações dirigidas aos fiéis de diversas nacionalidades, presentes no Vaticano, o Papa apelou à “coragem na defesa da verdade da fé em público, com caridade e constância” e salientou a necessidade de “vencer medos e inércias”.

Aos peregrinos portugueses, Bento XVI desejou “paz e alegria natalícia” e exortou a “uma viva adesão a Cristo, como fez Santo Estêvão”.

“Confiai no seu poder, deixai agir a sua graça! De coração vos agradeço e abençoo”, acrescentou.

JCP


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