quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

Descobre a fé católica depois de 20 anos como budista e é membro laico da Ordem dos Dominicanos

Era professor de Filosofia indiana e tibetana

Paul Williams fala da sua mudança «desde a autêntica desesperação até à esperança».

Actualizado 24 Janeiro 2013

Sara Martín / ReL


Paul Williams cresceu numa família ligada à religião anglicana. Em adolescente juntou-se ao coro da paróquia — «encantava-me cantar música sacra», reconhece —, confirmou-se na década dos sessenta e levava a Sagrada Comunhão às casas. Mas depois, na sua juventude, começou a mudar, deixou o coro e não frequentou mais a paróquia: «Deixei o cabelo comprido e comecei a vestir estranho», explica.

Paul foi para a Universidade de Sussex para estudar Filosofia. Para isso então, «tal como muitos na década de 1960», tinha desenvolvido um grande interesse pela meditação e as coisas indianas. Canalizou todo esse interesse de forma particular na Filosofia indiana, e fez o doutoramento em Filosofia budista pela Universidade de Oxford. A mudança interior havia começado.

Professor e referência do Budismo
Até 1973 já tinha começado a pensar em mim mesmo como budista. Finalmente fiz-me budista formalmente segundo a tradição do Dalai Lama do budismo tibetano», continua contando. Na década de 1980, Paul começou a ensinar na Universidade de Bristol, e foi ali onde criou um centro budista. Também começou a ensinar a prática do Budismo em centros budistas.

Além do meu trabalho académico em Filosofia budista na Universidade, escrevi e dei conferências como budista tibetano. Apareci na televisão e na rádio». Williams já era conhecido pela sua posição e pela sua defesa da religião budista. Chegou a participar em diálogos públicos e privados com cristãos, incluindo com Hans Küng e Raimundo Pannikkar.

«Estava interessado na Filosofia, mas também estava interessado na meditação e o exótico Oriente. A muitos de nós parecia-nos atractivo o budismo, entre outras coisas, porque parecia muito mais racional que as demais opções, mas também muito, muito mais exótico», reconhece. Em particular, o budismo parecia-lhe «muito mais sensato» que uma religião teísta como o Cristianismo.

A existência de Deus e a reencarnação
Os budistas não crêem em Deus, explica Paul. «Não parecia haver nenhuma razão para crer em Deus, e a existência do mal convertia-se para nós num argumento positivo contra a existência de Deus. Quando dei um passo atrás e tratei de ser o mais objectivo possível, Deus parecia-me cada vez menos provável. No budismo cada um tem um imenso, sofisticado e exótico sistema de moralidade, espiritualidade e filosofia que não requer Deus em absoluto», raciocina. «De repente, todas as dificuldades que envolvem a aceitação da existência de Deus ficam de lado».

Sem dúvida, com os anos Paul desenvolveu um «mau estar crescente» com respeito à reencarnação e à doutrina do karma. «Os budistas dizem que todos renascemos um número infinito de vezes. Não se necessita de nenhum Deus para dar começo porque não existe um começo. As coisas estiveram por aí (em alguma parte) por toda a eternidade». A reencarnação nunca foi parte da ortodoxia cristã. E há boas razões para isso. É incompatível com certas doutrinas cristãs absolutamente centrais, incluindo o valor inestimável de cada pessoa de forma individual e a justiça de Deus. «Se a reencarnação é certa, sendo realistas, não temos esperança. É uma doutrina sem esperança. Como budista, dei-me conta de que não tinha nenhuma esperança», admite Paul.

«Dei-me conta de que, se o Budismo era a verdade, a menos que alcançasse a iluminação nesta vida, — que é quando o ciclo completo da reencarnação chega ao seu fim —, não tinha esperança. Cada um de nós, a pessoa que somos, perde-se para sempre. Se me reencarnava, a pessoa que sou agora nesta vida deixava de existir, porque o budismo nega explicitamente a possibilidade de renascer sendo a mesma pessoa. E isso para mim representava uma completa falta de esperança. Estava absolutamente certo de que a religião budista tinha razão? A reencarnação supunha, então, uma incompatibilidade com o valor infinito da pessoa», pergunta-se.

O cristão tem esperança
Mas o cristianismo é a religião do valor infinito da pessoa, e assim o descobriu Paul na sua viragem espiritual. A pessoa que somos ou que podemos chegar a ser não é algo acidental ou sem importância: «Cada pessoa é uma criação individual de Deus, infinitamente amada e valorizada como tal por Deus. Nisto se baseia toda a moral cristã, desde o valor da família, até o altruísmo e a abnegação dos santos. E devido a que somos infinitamente valiosos para Deus, Jesus Cristo morreu para salvar-nos a cada um de nós. Não morreu para salvar seres reencarnados. E nós somos as pessoas que somos, com a nossa história, nossa família e os nossos amigos», raciocina.

Foram estes pensamentos os que começaram a produzir uma mudança interior em Paul. Se se podia sobreviver à morte — e a fé dos cristãos que tem origem na ressurreição de Cristo baseia-se nisto —, não podia ser em termos de reencarnação, porque a reencarnação e o valor infinito da pessoa são incompatíveis. «A visão cristã da morte é de esperança e de triunfo, porque não vê a morte como um vazio, um nada. A história não terminou para as pessoas que somos, e sabemos que não nos separaremos para sempre dos nossos amigos e familiares».

A prioridade para a Igreja Católica
Foram pensamentos como estes os que, pouco a pouco, me levaram longe do Budismo. Os cristãos têm esperança e eu queria tê-la, assim que voltei a reexaminar as coisas que havia rejeitado. Convenci-me de que era racional crer em Deus, muito mais racional que não crer Nele. E ao chegar a crer em Deus, já não podia ser budista, tinha que ser teísta». Ao examinar todas as possibilidades, Paul surpreendeu-se ao dar-se conta de que a ressurreição de Jesus Cristo de entre os mortos era a explicação mais racional. «Isso é o que me fez pensar que o cristianismo era a opção mais racional de entre as religiões teístas. E, como cristão, dei a prioridade à Igreja Católica. Agora vivo em gratidão e esperança. E nunca, nunca, nem por um momento, me arrependi da minha decisão», conclui. Mais ainda, inclusive casado e com três filhos, decidiu fazer-se membro laico da Ordem dos Religiosos Dominicanos.

Paul Williams escreveu vários livros sobre o cristianismo e o budismo: The Unexpected Way (O caminho inesperado), Buddhism from a Catholic Perspective (O Budismo desde uma perspectiva católica) e uma colaboração para The Catholic Church and the World Religions (A Igreja Católica e as religiões do mundo)


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Que ninguém se sinta esquecido

Tweet de Bento XVI enviado após a catequese desta quarta-feira

CIDADE DO VATICANO, Quarta-feira, 30 Janeiro 2013

Com desejo de estar do lado dos homens e mulheres de hoje, e permanecer do lado deles com a sua palavra, toda quarta-feira, depois da Audiência Geral, o Santo Padre lança o seu tweet.

Hoje, o Papa escreveu: “Todo ser humano é amado por Deus Pai. Que ninguém se sinta esquecido, pois o nome de cada um está escrito no Coração amoroso do Senhor”.


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A falta de fé pode ferir a validade do matrimónio

Bento XVI aos membros da Rota Romana pediu para estudar o tema. A fidelidade à Igreja de um cônjuge abandonado é exemplo para toda a sociedade

ROMA, Quarta-feira, 30 Janeiro 2013

"A falta de fé pode ferir os bens do matrimónio: procriação, fidelidade conjugal e indissolubilidade”, é o ponto central da mensagem que Bento XVI dirigiu sábado passado à Rota Romana, tribunal vaticano encarregado pelos casos de nulidade matrimonial.

Em seu discurso por ocasião da inauguração do ano judiciário, na Sala Clementina, o Papa apresentou a ausência de fé como uma das principais causas, não da nulidade matrimonial, mas de ferida da mesma, ainda que não fechou totalmente a questão pois indicou que “no contexto actual, será necessário promover reflexões mais profundas”.

E disse que não devemos confundir a intenção das partes, com a fé pessoal que têm, ainda que “não seja possível separá-las totalmente”. O santo padre lembrou a realidade natural do matrimónio “como um pacto irrevogável entre homem e mulher”, enquanto que no plano teológico “assume um significado ainda mais profundo”.

Indicou que pode haver casos em que "justamente por causa da ausência de fé, o bem dos cônjuges fique danificado, ou seja, excluído do mesmo consenso”.

"Não pretendo certamente – disse o papa – sugerir uma fácil ligação entre carência de fé e nulidade da união matrimonial, mas evidenciar como tal carência possa, ainda que não necessariamente, ferir também os bens do matrimónio, desde o momento em que a referência à ordem natural querida por Deus seja inerente ao pacto conjugal”.

O pontífice disse que a rejeição da proposta divina conduz a um profundo desequilíbrio em todas as relações humanas. E também falou dos "desafios urgentes" que deve enfrentar a família dado que a cultura contemporânea tem um "elevado subjectivismo e relativismo ético e religioso”.

Além do mais lembrou que existe uma mentalidade muito generalizada que considera a liberdade do indivíduo em contradição com a capacidade do ser humano de ligar-se por toda a vida. De que a pessoa “seja ela mesma, permanecendo autónoma e entrando em contacto com o outro somente por meio das relações que podem ser interrompidas a qualquer momento”.

Bento XVI também disse que o vínculo que se toma para toda a vida depende muito da perspectiva, “fixada num plano meramente humano”, ou aberta “à luz da fé no Senhor”.

Disse que a indissolubilidade do pacto entre um homem e uma mulher "não requer, para a sacramentalidade, a fé pessoal dos noivos”, ainda que se requer como condição mínima necessária a intenção de fazer o que pede a Igreja.

E o Papa volta a indicar que “é importante não confundir o problema da intenção com o da fé pessoal dos contraentes” ainda que “não é possível separar totalmente”.

"O estar fechado para Deus ou a rejeição da dimensão sagrada da união conjugal “pode chegar a minar a validade do pacto, quando (...) se traduza numa rejeição da fidelidade ou dos outros elementos ou propriedades essenciais do matrimónio”.

Enquanto isso o Papa recordou a importância do exemplo como o de "um cônjuge abandonado ou que tenha sofrido um divórcio, e que reconhece a indissolubilidade do matrimónio, que consegue não deixar-se “implicar numa nova união... Nesse caso seu exemplo de fidelidade e de coerência cristã assume um especial valor de testemunho diante do mundo e da igreja”.

Devido à complexidade do tema, passamos o link do texto original no italiano:



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Uma atitude aparentemente débil, feita de mansidão, paciência e amor, demonstra que este é o verdadeiro modo de ser poderoso!

Palavras de Bento XVI durante a Audiência Geral de hoje pela manhã

ROMA, Quarta-feira, 30 Janeiro 2013

A Audiência Geral desta manhã ocorreu às 10h30 na Sala Paulo VI, onde o Santo Padre Bento XVI encontrou grupos de peregrinos e fieis provenientes da Itália e de toda parte do mundo. No discurso em língua italiana o Papa continuou o ciclo de catequeses dedicados ao Ano da fé. A Audiência Geral se concluiu com o canto do Pater Noster e com a Bênção Apostólica. Publicamos a seguir a tradução de ZENIT das palavras do Pontífice:

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Creio em Deus, Pai Todo-Poderoso

Queridos irmãos e irmãs,

Na catequese da quarta-feira passada, consideramos as palavras iniciais do credo: "Creio em Deus". Mas a profissão de fé especifica esta afirmação: Deus é o pai todo-poderoso, criador do céu e da terra. Gostaria que reflectíssemos agora sobre a primeira e fundamental definição de Deus que o credo nos apresenta: ele é pai.

Nem sempre é fácil falar de paternidade hoje. No ocidente, em especial, há muitos factores que podem impedir uma relação pacífica e construtiva entre pais e filhos, como as famílias desestruturadas, os compromissos de trabalho mais absorventes, as preocupações e, tantas vezes, a dificuldade para equilibrar o orçamento familiar, além da invasão distrativa da mídia na vida diária. A comunicação se torna difícil, a confiança pode ser perdida e a relação com a figura do pai pode se tornar problemática. Assim, quando não se tem modelos adequados de referência, torna-se difícil também imaginar Deus como pai. Para aqueles que tiveram a experiência de um pai muito autoritário e inflexível, ou indiferente e pouco afectuoso, ou mesmo ausente, não é fácil pensar com serenidade em Deus como pai e entregar-se a ele com confiança.

A revelação bíblica, no entanto, nos ajuda a superar essas dificuldades ao falar de um Deus que nos mostra o que significa verdadeiramente ser "pai". E é especialmente o evangelho que nos revela o rosto de Deus como um pai que ama até a doação do próprio filho para a salvação da humanidade. A referência à figura paterna ajuda a compreender um pouco do amor de Deus, mesmo que o amor divino seja infinitamente maior, mais fiel, mais total que o de qualquer homem. “Quem de vós”, pergunta Jesus aos discípulos para lhes mostrar o rosto do pai, “ao filho que lhe pedir pão, dará uma pedra? E, se pedir um peixe, lhe dará uma serpente? Se vós, pois, sendo maus, sabeis dar boas dádivas aos vossos filhos, quanto mais o vosso Pai, que está nos céus, dará coisas boas aos que lhe pedirem" (Mt 7,9-11; cf. Lc 11,11-13 ). Deus é nosso pai porque nos abençoou e escolheu antes da criação do mundo (cf. Ef 1,3-6) e fez de nós, realmente, seus filhos em Jesus (cf. 1 Jo 3,1). E, como pai, Deus acompanha com amor a nossa vida, dando-nos a sua palavra, os seus ensinamentos, a sua graça, o seu Espírito.

Ele, como revelado por Jesus, é o pai que alimenta as aves do céu sem que elas precisem plantar ou colher, e reveste de cores maravilhosas as flores do campo, com vestes mais belas que as do rei Salomão (cf. Mt 6,26-32 e Lc 12,24-28). E nós, acrescenta Jesus, valemos muito mais do que as flores e as aves do céu! E se Deus é bom o suficiente para fazer "nascer o seu sol sobre maus e bons, e vir a chuva sobre os justos e sobre os injustos" (Mt 5,45), podemos sempre, sem medo e com total confiança, confiar-nos ao seu perdão de pai quando trilhamos o caminho errado. Deus é um pai bom que acolhe e abraça o filho perdido e arrependido (cf. Lc 15,11), que dá gratuitamente a quem pede (cf. Mt 18,19; Mc 11,24; Jo 16,23) e que oferece o pão do céu e a água viva que dá a vida eterna (cf. Jo 6,32.51.58).

O filho orante do Salmo 27, cercado por inimigos, assediado pelos maus e por caluniadores, enquanto pede a ajuda do Senhor e o invoca, dá o seu testemunho cheio de fé, dizendo: "Meu pai e minha mãe me abandonaram, mas o Senhor me acolheu" (v. 10). Deus é um pai que nunca abandona os seus filhos, um pai amoroso que apoia, ajuda, acolhe, perdoa, salva, com uma fidelidade que supera imensamente a dos homens, para abrir-se uma dimensão de eternidade. "Porque o seu amor é para sempre", repete a cada verso, como em uma ladainha, o Salmo 136, percorrendo a história da salvação. O amor de Deus pai nunca falha, nunca se cansa de nós; é amor que se dá até o extremo, até o sacrifício do próprio filho. A fé nos dá esta certeza, que se torna uma rocha segura para a construção da nossa vida: nós podemos enfrentar todos os momentos de dificuldade e de perigo, a experiência do tempo escuro da crise e da dor, apoiados na certeza de que Deus não nos deixa sós e fica sempre perto, para nos salvar e nos levar à vida eterna.

É em Jesus que se mostra por inteiro o rosto benevolente do pai que está nos céus. É conhecendo Jesus que podemos conhecer o pai (cf. Jo 8,19; 14,7), e, vendo-o, vemos o pai, porque ele está no pai e o pai está nele (cf. Jo 14,9.11). Ele é a "imagem do Deus invisível", como definido pelo hino da Carta aos Colossenses, "primogénito de toda a criação... primogénito de quem ressuscitou dos mortos", "por meio do qual temos a redenção, a remissão dos pecados" e a reconciliação de todas as coisas, "tendo pacificado com o sangue da sua cruz tanto as coisas que estão na terra quanto aquelas que estão nos céus" (cf. Col1 ,13-20).

A fé em Deus pai nos pede crer no filho, sob o agir do Espírito, reconhecendo na cruz que salva a revelação final do amor divino. Deus é nosso pai ao nos dar o seu filho; Deus é nosso pai perdoando os nossos pecados e nos trazendo a alegria da vida ressuscitada; Deus é nosso pai nos dando o Espírito que nos torna filhos e nos permite chamá-lo, na verdade, "Abba, Pai!" (cf. Rm 8,15). É por isso que, ao nos ensinar a orar, Jesus nos convida a dizer "pai nosso" (Mt 6,9-13; cf. Lc 11,2-4).

A paternidade de Deus é amor infinito, ternura que se inclina sobre nós, filhos frágeis, necessitados de tudo. O Salmo 103, o grande hino de misericórdia divina, proclama: "Assim como um pai é terno para com seus filhos, o Senhor é terno para com quem o teme, porque ele sabe do que somos feitos, ele se lembra de que somos pó" (Sl 103,13-14). É justamente a nossa pequenez, a nossa frágil natureza humana, a nossa fraqueza, que se transforma em apelo à misericórdia do Senhor para que ele manifeste a sua grandeza e ternura de pai, ajudando-nos, perdoando-nos e salvando-nos.

E Deus responde ao nosso apelo enviando o seu filho, que morre e ressuscita por nós; entra em nossa fragilidade e faz o que, por si só, o homem nunca poderia fazer: ele toma sobre si o pecado do mundo, como cordeiro inocente, e nos reabre o caminho para a comunhão com Deus, tornando-nos verdadeiros filhos de Deus. É ali, no mistério pascal, que se revela em toda a sua luminosidade o rosto definitivo do pai. E é ali, na cruz gloriosa, que acontece a plena manifestação da grandeza de Deus como "Pai Todo-Poderoso".

Mas podemos perguntar: como é possível imaginar um Deus Todo-Poderoso quando olhamos para a cruz de Cristo? Como, se vemos esse poder do mal, que chega ao ponto de matar o filho de Deus? Nós esperamos uma omnipotência divina de acordo com os nossos padrões de pensamento e com os nossos desejos: um Deus todo-poderoso que resolva os problemas, que nos evite as dificuldades, que vença o adversário, que mude o curso dos acontecimentos e anule a dor. Diversos teólogos dizem que Deus não pode ser omnipotente, pois, se fosse, não haveria tanto sofrimento, tanto mal no mundo. Diante do mal e do sofrimento, para muitos, para nós, é problemático, é difícil acreditar em um Deus Pai Todo-Poderoso. Alguns procuram refúgio em ídolos, cedendo à tentação de encontrar uma resposta numa omnipotência "mágica" e nas suas promessas ilusórias.

Mas a fé no Deus Todo-Poderoso nos conduz por caminhos muito diferentes: nos leva a aprender que o pensamento de Deus é diferente do nosso, que os caminhos de Deus são diferentes dos nossos (cf. Is 55,8) e que mesmo a sua omnipotência é diferente: não é uma força automática ou arbitrária, e sim um poder caracterizado por uma liberdade amorosa e paterna. Deus, ao criar seres livres, dando-lhes liberdade, renunciou a uma parte do seu poder, permitindo o poder da nossa liberdade. Ele ama e respeita a livre resposta de amor ao seu apelo. Como pai, Deus quer que nos tornemos seus filhos e vivamos como tais em seu Filho, na comunhão, na intimidade plena com ele. A sua onipotência não se expressa na violência, não se expressa na destruição de todo poder adverso, como nós gostaríamos, mas sim no amor, na misericórdia, no perdão, na aceitação da nossa liberdade e no incansável chamado à conversão do coração, numa atitude aparentemente frágil: Deus parece frágil, se pensarmos em Jesus Cristo orando, deixando-se matar. Uma atitude aparentemente débil, feita de mansidão, paciência e amor, demonstra que este é o verdadeiro modo de ser poderoso! Este é o poder de Deus! E este poder vencerá! O sábio do livro da Sabedoria se volta para Deus dizendo: "És misericordioso para com todos porque tudo podes; fechas os olhos para os pecados dos homens, à espera do seu arrependimento. Tu amas todas as coisas que existem... És indulgente com todas as coisas porque são tuas, Senhor, que amas a vida" (11,23-24a.26).

Só os realmente poderosos podem suportar o mal e se mostrar compassivos; só os realmente poderosos podem exercitar plenamente o poder do amor. E Deus, a quem pertencem todas as coisas, porque todas as coisas foram feitas por ele, revela a sua força amando tudo e a todos, em uma espera paciente pela conversão de todos nós, os homens, que ele deseja ter como filhos. Deus espera a nossa conversão. O amor todo-poderoso de Deus não tem limites, tanto que "ele não poupou o próprio filho, mas o entregou por todos nós" (Rm 8,32). A omnipotência do amor não é a do poder do mundo, mas a do total doar, e Jesus, o filho de Deus, revela ao mundo a omnipotência verdadeira do pai dando a vida por nós, pecadores. Este é o real, autêntico e perfeito poder divino: responder ao mal não com o mal, mas com o bem; aos insultos com o perdão, ao ódio assassino com o amor que faz viver. Assim o mal é derrotado, porque o amor de Deus o lavou; assim a morte é finalmente vencida, porque é transformada no dom da vida. Deus pai ressuscita o filho: a morte, a grande inimiga (cf. 1 Cor 15,26), é privada do seu veneno (cf. 1 Cor 15,54-55), e nós, libertados do pecado, podemos viver a nossa realidade de filhos de Deus.

Quando dizemos "Creio em Deus Pai Todo-Poderoso", expressamos a nossa fé no poder do amor de Deus, que, em seu filho morto e ressuscitado, derrota o ódio, o pecado, o mal, e nos dá a vida eterna, aquela dos filhos que desejam estar para sempre na "casa do pai". Dizer "Creio em Deus Pai Todo-Poderoso", no seu poder, no seu modo de ser pai, é sempre um ato de fé, de conversão, de transformação dos nossos pensamentos, de todo o nosso afecto, de todo o nosso modo de viver.

Queridos irmãos e irmãs, peçamos ao Senhor que sustente a nossa fé, que nos ajude a encontrar a verdadeira fé e nos dê a força para anunciar o Cristo crucificado e ressuscitado e para dar testemunho dele no amor a Deus e ao próximo. Deus nos conceda receber o dom da nossa filiação para vivermos plenamente a realidade do credo, na entrega confiante ao amor do pai e à sua omnipotência misericordiosa, que é omnipotência verdadeira e salvadora.

Antes de conceder a bênção:
Dirijo-me aos jovens, aos doentes e aos recém-casados. Amanhã celebramos a memória litúrgica de São João Bosco, sacerdote e educador. Vejam nele, queridos jovens, um verdadeiro mestre de vida. Queridos doentes, aprendam com a experiência espiritual dele a confiar em todas as circunstâncias no Cristo crucificado. E vocês, queridos recém-casados, recorram à sua intercessão para viver com generoso compromisso a sua missão de esposos. Obrigado.


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A verdadeira omnipotência se expressa no amor

Durante a Audiência Geral, Bento XVI reflectiu na paternidade de Deus

Luca Marcolivio
ROMA, Quarta-feira, 30 Janeiro 2013

"Ele é o Pai" esta verdade fundamental da fé cristã foi considerada pelo Papa Bento XVI durante a Audiência Geral desta manhã. Continuando a série de catequeses dedicadas ao Ano da Fé, o Papa retomou o tema da audiência da última quarta-feira, dedicada ao Credo.
Hoje em dia, disse o Papa, é difícil até mesmo falar da paternidade humana, especialmente no Ocidente, onde "famílias desestruturadas, compromissos de trabalho mais absorventes, preocupações e muitas vezes o esforço para equilibrar o orçamento familiar, distraindo a invasão dos meios de comunicação na vida diária são alguns dos muitos factores que podem impedir uma relação pacífica e construtiva entre pais e filhos".

Com mais razão torna-se “problemático” imaginar Deus como um pai, especialmente para quem não tem “modelos adequados de referência". Quem, por exemplo, tem experimentado um pai "muito autoritário e inflexível, ou indiferente e carente de afecto, ou mesmo ausente," encontrará dificuldade ao “pensar com serenidade em Deus como Pai e abandonar-se à Ele com confiança”.

Contudo, a Bíblia, especialmente o Novo Testamento, nos fala de um Deus que é verdadeiramente Pai, em quanto que “ama até o dono do próprio Filho para a salvação da humanidade”. A paternidade de Deus, portanto, ajuda a compreender a natureza do seu amor que “permanece infinitamente maior, mais fiel, mais total do que o de qualquer homem".

Então, Deus como Pai, “acompanha com amor a nossa existência, dando-nos a sua Palavra, o seu ensinamento, a sua graça, o seu Espírito”, afirmou o Papa.

É aquele Pai que "alimenta as aves do céu sem que elas tenham que plantar e colher, e veste de cores maravilhosas as flores dos campos, com roupas mais bonitas do que as do rei Salomão (cf. Mt 6,26-32, Lc 12, 24 -28); e nós - acrescenta Jesus – valemos muito mais do que as flores e os pássaros do céu!". É aquele Pai bom que “ acolhe e abraça o filho perdido e arrependido (cf. Lc 15,11 ss), dá gratuitamente aos que o pedem (cf. Mt 18,19, Mc 11,24, Jo 16, 23) e oferece o pão do céu e a água viva que dá a vida para sempre (cf. Jo 6,32.51.58)".

Deus Pai nunca abandona os seus filhos, e nunca se cansa deles. A sua fidelidade “supera imensamente aquela dos homens, para abrir-se a dimensões de eternidade”. Por sua vez, em Jesus Cristo é revelado em toda a sua plenitude "o rosto benevolente do Pai que está nos céus": somente conhecendo a Ele - "imagem do Deus invisível" (Col 1, 15) - que podemos conhecer o Pai.

"A fé em Deus Pai pede para crer no Filho, sob a acção do Espírito, reconhecendo na Cruz que salva a revelação final do amor divino", continuou o Papa. Além do mais, Deus é Pai, “dando-nos o seu Filho", enquanto que "é dando-nos o Espírito que nos faz filhos".

Nós somos seus filhos porque "fracos" e "necessitados de tudo”. É "a nossa pequenez, a nossa natureza humana fraca, a nossa fragilidade que se torna atraente para a misericórdia do Senhor para que manifeste a sua grandeza e a ternura de um Pai, ajudando-nos, perdoando-nos e salvando-nos."

No entanto, existe um aparente paradoxo: “como é possível pensar num Deus omnipotente olhando para a Cruz de Cristo?". De acordo com alguns teólogos Deus "não pode ser omnipotente senão não poderia existir tanto sofrimento, tanta maldade no mundo."

A omnipotência de Deus, no entanto, assim como o seu pensamento, percorre caminhos “diferentes dos nossos”: ela “não se expressa como força automática ou arbitrária, mas é marcada por uma liberdade amorosa e paterna". Em outras palavras, Deus, ao criar os homens livres, “renunciou a uma parte do seu poder, deixando o poder da nossa liberdade”, explicou Bento XVI.

A sua omnipotência, portanto, "não se expressa na violência, não se expressa na destruição de todo o poder contrário como nós desejamos, mas se expressa no amor, na misericórdia, no perdão, no aceitar a nossa liberdade e no incansável apelo à conversão do coração”.

"Só quem é realmente poderoso pode suportar o mal e mostrar-se compassivo – acrescentou o Papa – . Só quem é realmente poderoso pode exercitar plenamente a força do amor”.

A omnipotência de Deus é aquela do amor, não aquela do “poder do mundo”, mas do “dom total” do Filho, sacrificado para dar a vida a “nós pecadores”.

A “verdadeira, autêntica e perfeita potência divina” significa portanto “responder ao mal não com o mal, mas com o bem, aos insultos com o perdão, ao ódio homicida com o amor que faz viver”. Só assim “o mal é realmente vencido, porque lavado pelo amor de Deus; então a morte é definitivamente derrotada, porque transformada em dom da vida”.

A expressão "Eu creio em Deus Pai Todo-Poderoso", que introduz o nosso Credo, é portanto um confiar-se ao “poder do amor de Deus, que no seu Filho morto e ressuscitado derrota o ódio, o mal, o pecado e nos abre para a vida eterna”, bem como “um ato de fé, de conversão, de transformação do nosso pensamento, de todo o nosso afecto, de todo o nosso modo de viver".


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Progressos significativos nas negociações entre Israel e a Santa Sé

O encontro de ontem em Jerusalém aconteceu num clima reflexivo e construtivo. Fixada para Junho de 2013 no Vaticano a próxima reunião plenária

ROMA, Quarta-feira, 30 Janeiro 2013

Aconteceu ontem, terça-feira, 29 de Janeiro, em Jerusalém, uma reunião entre Israel e a Santa Sé para continuar as negociações sobre questões económicas e fiscais da Igreja católica na Terra Santa, de acordo com o artigo 10, parágrafo 2 º do "Fundamental Agreement” estipulado entre os dois Estados em 1993.

De acordo com um comunicado conjunto, a Comissão bilateral permanente de trabalho “tomou nota do fato de que houve progressos significativos e deseja uma rápida conclusão do acordo”.

A reunião foi presidida pelo Sr. Daniel Ayalon, MK, Vice-Ministro das relações exteriores e por Mons. Ettore Balestrero, Sub-Secretário para as Relações com os Estados. A delegação da Santa Sé agradeceu o Vice-Ministro pela sua contribuição para as negociações e desejou-lhe sucesso em seus novos compromissos.

As negociações aconteceram num clima “reflexivo e construtivo” e as partes chegaram a acordo sobre os próximos passos e fixaram a próxima reunião plenária em Junho de 2013, no Vaticano.


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Porque escolher aula de religião católica nas escolas?

Pais e alunos da Itália são chamados a fazer suas escolhas

ROMA, Terça-feira, 29 Janeiro 2013

Apresentamos o texto do Monsenhor Raffaello Martinelli, bispo de Frascati, que resume alguns dos principais motivos para a escolha da aula de religião católica. Nos próximos dias, os pais e alunos da Itália são chamados a fazer suas próprias escolhas sobre isso.
Por que escolher aula de religião católica nas escolas?

Pelo menos sete motivos:
  1. aprofundar a especificidade, originalidade, singularidade da religião católica, através da Bíblia e das propostas específicas da escola;
  2. conhecer melhor Jesus Cristo, que veio para que "todos tenham vida e a tenham em abundância" (Jo 10,10), Aquele que  “revela o homem a si mesmo e descobre-lhe a sua vocação sublime”. (Gaudium et spes, 22).;
  3. desenvolver ainda mais a dimensão religiosa, inata e complementar às outras dimensões, de modo a desenvolver uma personalidade completa, feliz e livre;
  4. buscar respostas profundas para as questões fundamentais da existência, ao "porquê" das pessoas e do mundo;
  5. entender melhor a cultura do passado e do presente, especialmente a italiana e europeia, que há na fé cristã a matriz e a chave de leitura;
  6. haver um diálogo sereno e fundamentado com as outras religiões;
  7. usufruir, no caminho formativo, de um serviço qualificado, de uma oportunidade preciosa, oferecida pelo Estado, pela Escola e a pela Igreja Católica.

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