sábado, 2 de fevereiro de 2013

Musical "Os miseráveis" ressurge provocando novas emoções

Filme é indicado a oito Oscars

Felipe Bezerra
VIENA, Sexta-feira, 1 Fevereiro 2013

Vamos começar do início: é um musical. Se você não gosta de musicais porque as pessoas não falam, só cantam, mesmo assim eu ainda peço dê uma chance a esse filme. Todos os actores, com excepção de Sacha Baron Cohen, que está ele mesmo e que não tem uma performance muito impressionante cantando, surpreendem. Só o fato de os actores estarem cantando ao vivo já muda completamente o cenário, as músicas ganham uma emoção nunca vista em musicais anteriormente. Jackman tem uma extensão vocal muito boa, e consegue colocar na música algo da crise interior do personagem de uma forma muito envolvente. Anne Hathaway elevou a música tema "I dreamed a dream" a um nível que a partir desse filme vai ser difícil de não ser comparado.

Sacha Cohen, ele mesmo, não surpreende, mas não deixa de ser uma bom actor e seu personagem junto com a mulher interpretada pela actriz Helena Bonham Carter são o tom leve e colorido do filme, sem eles ninguém aguentaria o sofrimento desse filme. A versão com Liam Neelson falta a "conversão" de Jean Valjean, já nesta, Hugh Jackman leva às lágrimas.

A fotografia está impecável, o figurino pensado até o detalhe, os cenários que tem a liberdade de serem reais as vezes lembram o palco da Broadway  e às vezes crescem à grandiosidade das montanhas francesas, das lágrimas de Fantine ( que Anne Hathaway produziu de verdade)  aos dentes manchados de Jean Valjan passando pelas borboletas ao redor de Cossette (Amanda Seyfried) todos os detalhes são pensados e estão lá de propósito.

Sim, mas e a Fé?
É a misericórdia que que salva, transforma e converte as pessoas. Mais do que uma revolução política e uma "liberdade" conquistada pela força, é claramente a misericórdia e o amor que transformam as vidas das pessoas.

A revolução francesa tão exaltada no filme que custou a vida de milhares de religiosos, padres e freiras guilhotinados, simplesmente pelo fato de guardarem os votos que fizeram a Deus, trouxe mais fome e miséria para o povo, extinguiu muitas Ordens religiosas na França, acabou com o ensino religioso no país, apagou uma série de assistências prestadas aos mais necessitados pela Igreja e colocou a "razão" acima de Deus. Sim, houve a declaração dos direitos humanos a qual hoje a Igreja apoia, mas, na época, foi uma negação de Deus em vista do homem.

Neste sentido, o filme perpassa um ponto importante na vida de todo cristão: o trabalho, pelo que "a doutrina social católica não pensa que os sindicatos sejam somente o reflexo de uma estrutura «de classe» da sociedade, como não pensa que eles sejam o expoente de uma luta de classe, que inevitavelmente governe a vida social. Eles são, sim, um expoente da luta pela justiça social, pelos justos direitos dos homens do trabalho segundo as suas diversas profissões. No entanto, esta « luta » deve ser compreendida como um empenhamento normal das pessoas «em prol» do justo bem: no caso, em prol do bem que corresponde às necessidades e aos méritos dos homens do trabalho, associados segundo as suas profissões; mas não é uma luta «contra» os outros.

Se ela assume um carácter de oposição aos outros, nas questões controvertidas, isso sucede por se ter em consideração o bem que é a justiça social, e não por se visar a « luta » pela luta, ou então para eliminar o antagonista. O trabalho tem como sua característica, antes de mais nada, unir os homens entre si; e nisto consiste a sua força social: a força para construir uma comunidade. E no fim de contas, nessa comunidade devem unir-se tanto aqueles que trabalham como aqueles que dispõem dos meios de produção ou que dos mesmos são proprietários. A luz desta estrutura fundamental de todo o trabalho — à luz do fato de que, afinal, o «trabalho» e o «capital» são as componentes indispensáveis do processo de produção em todo e qualquer sistema social — a união dos homens para se assegurarem os direitos que lhes cabem, nascida das exigências do trabalho, permanece um factor construtivo de ordem social e de solidariedade, factor do qual não é possível prescindir." (Carta Encíclica Laborem Exercens, do Bem-aventurado João Paulo II, nº 20).

Até hoje a fé sofre as consequências nefastas dessa revolução que em nome da "liberdade" profanou igrejas, matou pessoas que não tinham nada contra o Estado só pelo fato de serem fiéis a Roma. Graças ao bom Deus, temos inúmeros mártires e São João Maria Vianney (tocado pelo testemunho do seu pároco que permaneceu fiel à Igreja e servia os paroquianos escondido do Estado) como fruto dessa revolução. O espectador vai conseguir ver o grande abismo de diferença entre o amor que tem poder de mudar as vidas das pessoas e a violência que pode até transformar um cenário político, mas que traz consigo consequências de morte, frustração e cisma.

Ficha Técnica

Diretor: Tom Hooper.

Elenco: Sacha Baron Cohen, Helena Bonham Carter, Anne Hathaway, Amanda Seyfried, Hugh Jackman, Russell Crowe, Eddie Redmayne, Samantha Barks, Aaron Tveit, Colm Wilkinson, Ella Hunt, George Blagden, DanielHuttlestone, Bertie Carvel, Isabelle Allen, Frances Ruffelle, Alistair Brammer, Evie Wray, Kerry Ellis, Tim Downie, Killian Donnelly, Alexander Brooks, Fra Fee, Sophie Ellis, Jean-Marc Chautems, Jonny Purchase, Lily Laight, Linzi Hateley, Scott Stevenson, Nathanjohn Carter, Dick Ward, Nancy Sullivan, Gabriel Vick, Catherine Woolston, Jaygann Ayeh, Paul Leonard, Gino Picciano, Olivia Rose Aaron, Jackie Marks, Julia Worsley, AlisonTennant, Josh Wichard, Sara Pelosi, Henry Monk, Adebayo Bolaji, Sammy Harris, Adam Nowell, Rosa O'Reilly, Stevee Davies, Robyn North, James Charlton, Alice Fearn, Kelly-Anne Gower, Iwan Lewis, Jos Slovick, Richard Dalton, Matt Harrop, Mary Cormack, Gary Bland, Adam Pearce.

Produção: Eric Fellner, Debra Hayward, Cameron Mackintosh
Roteiro: William Nicholson, baseado na obra de Victor Hugo
Fotografia: Danny Cohen
Trilha Sonora: Claude-Michel Schönberg
Duração: 157 min.
Ano: 2012
País: Reino Unido
Gênero: Musical
Cor: Colorido
Distribuidora: Paramount Pictures Brasil
Estúdio: Working Title Films / Cameron Mackintosh Ltd.
Classificação: 10 anos

Maiores informações: www.projecoesdefe.com


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Crer na caridade suscita caridade

Mensagem de Bento XVI para a Quaresma de 2013

CIDADE DO VATICANO, Sexta-feira, 1 Fevereiro 2013

Apresentamos a seguir a mensagem de Sua Santidade Bento XVI para a Quaresma de 2013.

Crer na caridade suscita caridade   

«Nós conhecemos o amor que Deus nos tem, pois cremos nele» (1 Jo 4, 16)  

Queridos irmãos e irmãs!
A celebração da Quaresma, no contexto do Ano da fé, proporciona-nos uma preciosa ocasião para meditar sobre a relação entre fé e caridade: entre o crer em Deus, no Deus de Jesus Cristo, e o amor, que é fruto da acção do Espírito Santo e nos guia por um caminho de dedicação a Deus e aos outros.

1. A fé como resposta ao amor de Deus
Na minha primeira Encíclica, deixei já alguns elementos que permitem individuar a estreita ligação entre estas duas virtudes teologais: a fé e a caridade. Partindo duma afirmação fundamental do apóstolo João: «Nós conhecemos o amor que Deus nos tem, pois cremos nele» (1 Jo 4, 16), recordava que, «no início do ser cristão, não há uma decisão ética ou uma grande ideia, mas o encontro com um acontecimento, com uma Pessoa que dá à vida um novo horizonte e, desta forma, o rumo decisivo. (...) Dado que Deus foi o primeiro a amar-nos (cf. 1 Jo 4, 10), agora o amor já não é apenas um “mandamento”, mas é a resposta ao dom do amor com que Deus vem ao nosso encontro» (Deus caritas est1). A fé constitui aquela adesão pessoal - que engloba todas as nossas faculdades - à revelação do amor gratuito e «apaixonado» que Deus tem por nós e que se manifesta plenamente em Jesus Cristo. O encontro com Deus Amor envolve não só o coração, mas também o intelecto: «O reconhecimento do Deus vivo é um caminho para o amor, e o sim da nossa vontade à d’Ele une intelecto, vontade e sentimento no acto globalizante do amor. Mas isto é um processo que permanece continuamente a caminho: o amor nunca está "concluído" e completado» (ibid., 17). Daqui deriva, para todos os cristãos e em particular para os «agentes da caridade», a necessidade da fé, daquele «encontro com Deus em Cristo que suscite neles o amor e abra o seu íntimo ao outro, de tal modo que, para eles, o amor do próximo já não seja um mandamento por assim dizer imposto de fora, mas uma consequência resultante da sua fé que se torna operativa pelo amor» (ibid., 31). O cristão é uma pessoa conquistada pelo amor de Cristo e, movido por este amor - «caritas Christi urget nos» (2 Cor 5, 14) - , está aberto de modo profundo e concreto ao amor do próximo (cf. ibid., 33). Esta atitude nasce, antes de tudo, da consciência de ser amados, perdoados e mesmo servidos pelo Senhor, que Se inclina para lavar os pés dos Apóstolos e Se oferece a Si mesmo na cruz para atrair a humanidade ao amor de Deus.

«A fé mostra-nos o Deus que entregou o seu Filho por nós e assim gera em nós a certeza vitoriosa de que isto é mesmo verdade: Deus é amor! (...) A fé, que toma consciência do amor de Deus revelado no coração trespassado de Jesus na cruz, suscita por sua vez o amor. Aquele amor divino é a luz – fundamentalmente, a única - que ilumina incessantemente um mundo às escuras e nos dá a coragem de viver e agir» (ibid., 39). Tudo isto nos faz compreender como o procedimento principal que distingue os cristãos é precisamente «o amor fundado sobre a fé e por ela plasmado» (ibid., 7).

2. A caridade como vida na fé
Toda a vida cristã consiste em responder ao amor de Deus. A primeira resposta é precisamente a fé como acolhimento, cheio de admiração e gratidão, de uma iniciativa divina inaudita que nos precede e solicita; e o «sim» da fé assinala o início de uma luminosa história de amizade com o Senhor, que enche e dá sentido pleno a toda a nossa vida. Mas Deus não se contenta com o nosso acolhimento do seu amor gratuito; não Se limita a amar-nos, mas quer atrair-nos a Si, transformar-nos de modo tão profundo que nos leve a dizer, como São Paulo: Já não sou eu que vivo, é Cristo que vive em mim (cf. Gl 2, 20).

Quando damos espaço ao amor de Deus, tornamo-nos semelhantes a Ele, participantes da sua própria caridade. Abrirmo-nos ao seu amor significa deixar que Ele viva em nós e nos leve a amar com Ele, n'Ele e como Ele; só então a nossa fé se torna verdadeiramente uma «fé que actua pelo amor» (Gl 5, 6) e Ele vem habitar em nós (cf. 1 Jo 4, 12).

A fé é conhecer a verdade e aderir a ela (cf. 1 Tm 2, 4); a caridade é «caminhar» na verdade (cf.Ef 4, 15). Pela fé, entra-se na amizade com o Senhor; pela caridade, vive-se e cultiva-se esta amizade (cf. Jo 15, 14-15). A fé faz-nos acolher o mandamento do nosso Mestre e Senhor; a caridade dá-nos a felicidade de pô-lo em prática (cf. Jo 13, 13-17). Na fé, somos gerados como filhos de Deus (cf. Jo 1, 12-13); a caridade faz-nos perseverar na filiação divina de modo concreto, produzindo o fruto do Espírito Santo (cf. Gl 5, 22). A fé faz-nos reconhecer os dons que o Deus bom e generoso nos confia; a caridade fá-los frutificar (cf. Mt 25, 14-30).

3. O entrelaçamento indissolúvel de fé e caridade
À luz de quanto foi dito, torna-se claro que nunca podemos separar e menos ainda contrapor fé e caridade. Estas duas virtudes teologais estão intimamente unidas, e seria errado ver entre elas um contraste ou uma «dialéctica». Na realidade, se, por um lado, é redutiva a posição de quem acentua de tal maneira o carácter prioritário e decisivo da fé que acaba por subestimar ou quase desprezar as obras concretas da caridade reduzindo-a a um genérico humanitarismo, por outro é igualmente redutivo defender uma exagerada supremacia da caridade e sua operatividade, pensando que as obras substituem a fé. Para uma vida espiritual sã, é necessário evitar tanto o fideísmo como o activismo moralista.

A existência cristã consiste num contínuo subir ao monte do encontro com Deus e depois voltar a descer, trazendo o amor e a força que daí derivam, para servir os nossos irmãos e irmãs com o próprio amor de Deus. Na Sagrada Escritura, vemos como o zelo dos Apóstolos pelo anúncio do Evangelho, que suscita a fé, está estreitamente ligado com a amorosa solicitude pelo serviço dos pobres (cf. At 6, 1-4). Na Igreja, devem coexistir e integrar-se contemplação e acção, de certa forma simbolizadas nas figuras evangélicas das irmãs Maria e Marta (cf. Lc 10, 38-42). A prioridade cabe sempre à relação com Deus, e a verdadeira partilha evangélica deve radicar-se na fé (cf. Catequese na Audiência geral de 25 de Abril de 2012). De facto, por vezes tende-se a circunscrever a palavra «caridade» à solidariedade ou à mera ajuda humanitária; é importante recordar, ao invés, que a maior obra de caridade é precisamente a evangelização, ou seja, o «serviço da Palavra». Não há acção mais benéfica e, por conseguinte, caritativa com o próximo do que repartir-lhe o pão da Palavra de Deus, fazê-lo participante da Boa Nova do Evangelho, introduzi-lo no relacionamento com Deus: a evangelização é a promoção mais alta e integral da pessoa humana. Como escreveu o Servo de Deus Papa Paulo VI, na Encíclica Populorum progressioo anúncio de Cristo é o primeiro e principal factor de desenvolvimento (cf. n. 16). A verdade primordial do amor de Deus por nós, vivida e anunciada, é que abre a nossa existência ao acolhimento deste amor e torna possível o desenvolvimento integral da humanidade e de cada homem (cf. Enc. Caritas in veritate8).

Essencialmente, tudo parte do Amor e tende para o Amor. O amor gratuito de Deus é-nos dado a conhecer por meio do anúncio do Evangelho. Se o acolhermos com fé, recebemos aquele primeiro e indispensável contacto com o divino que é capaz de nos fazer «enamorar do Amor», para depois habitar e crescer neste Amor e comunicá-lo com alegria aos outros.
A propósito da relação entre fé e obras de caridade, há um texto na Carta de São Paulo aos Efésios que a resume talvez do melhor modo: «É pela graça que estais salvos, por meio da fé. E isto não vem de vós; é dom de Deus; não vem das obras, para que ninguém se glorie. Porque nós fomos feitos por Ele, criados em Cristo Jesus, para vivermos na prática das boas acções que Deus de antemão preparou para nelas caminharmos» (2, 8-10). Daqui se deduz que toda a iniciativa salvífica vem de Deus, da sua graça, do seu perdão acolhido na fé; mas tal iniciativa, longe de limitar a nossa liberdade e responsabilidade, torna-as mais autênticas e orienta-as para as obras da caridade. Estas não são fruto principalmente do esforço humano, de que vangloriar-se, mas nascem da própria fé, brotam da graça que Deus oferece em abundância. Uma fé sem obras é como uma árvore sem frutos: estas duas virtudes implicam-se mutuamente. A Quaresma, com as indicações que dá tradicionalmente para a vida cristã, convida-nos precisamente a alimentar a fé com uma escuta mais atenta e prolongada da Palavra de Deus e a participação nos Sacramentos e, ao mesmo tempo, a crescer na caridade, no amor a Deus e ao próximo, nomeadamente através do jejum, da penitência e da esmola.

4. Prioridade da fé, primazia da caridade
Como todo o dom de Deus, a fé e a caridade remetem para a acção do mesmo e único Espírito Santo (cf. 1 Cor 13), aquele Espírito que em nós clama:«Abbá! – Pai!» (Gl 4, 6), e que nos faz dizer: «Jesus é Senhor!» (1 Cor 12, 3) e «Maranatha! – Vem, Senhor!» (1 Cor 16, 22; Ap 22, 20).

Enquanto dom e resposta, a fé faz-nos conhecer a verdade de Cristo como Amor encarnado e crucificado, adesão plena e perfeita à vontade do Pai e infinita misericórdia divina para com o próximo; a fé radica no coração e na mente a firme convicção de que precisamente este Amor é a única realidade vitoriosa sobre o mal e a morte. A fé convida-nos a olhar o futuro com a virtude da esperança, na expectativa confiante de que a vitória do amor de Cristo chegue à sua plenitude. Por sua vez, a caridade faz-nos entrar no amor de Deus manifestado em Cristo, faz-nos aderir de modo pessoal e existencial à doação total e sem reservas de Jesus ao Pai e aos irmãos. Infundindo em nós a caridade, o Espírito Santo torna-nos participantes da dedicação própria de Jesus: filial em relação a Deus e fraterna em relação a cada ser humano (cf. Rm 5, 5).

A relação entre estas duas virtudes é análoga à que existe entre dois sacramentos fundamentais da Igreja: o Baptismo e a Eucaristia. O Baptismo (sacramentum fidei) precede a Eucaristia (sacramentum caritatis), mas está orientado para ela, que constitui a plenitude do caminho cristão. De maneira análoga, a fé precede a caridade, mas só se revela genuína se for coroada por ela. Tudo inicia do acolhimento humilde da fé («saber-se amado por Deus»), mas deve chegar à verdade da caridade («saber amar a Deus e ao próximo»), que permanece para sempre, como coroamento de todas as virtudes (cf. 1 Cor 13, 13).

Caríssimos irmãos e irmãs, neste tempo de Quaresma, em que nos preparamos para celebrar o evento da Cruz e da Ressurreição, no qual o Amor de Deus redimiu o mundo e iluminou a história, desejo a todos vós que vivais este tempo precioso reavivando a fé em Jesus Cristo, para entrar no seu próprio circuito de amor ao Pai e a cada irmão e irmã que encontramos na nossa vida. Por isto elevo a minha oração a Deus, enquanto invoco sobre cada um e sobre cada comunidade a Bênção do Senhor!

Vaticano, 15 de Outubro de 2012

BENEDICTUS PP. XVI

© Copyright 2012 - Libreria Editrice Vaticana


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Fé e caridade não são apenas questões académicas

Na sala de imprensa do Vaticano reflexões sobre a mensagem do Papa para a Quaresma

Luca Marcolivio
ROMA, Sexta-feira, 1 Fevereiro 2013

A Mensagem de Bento XVI para esta Quaresma oferece a possibilidade de reflectir a relação entre duas virtudes teologias: a fé e a caridade. Afirmou o Cardeal Robert Sarah, nesta manhã, na sala de imprensa do Vaticano.

O documento papal encoraja a meditar a relação “entre crer em Deus – disse o purpurado- no Deus revelado por Jesus Cristo, e a caridade, que é fruto do Espírito Santo e nos impulsiona a um horizonte de profunda abertura a Deus e ao próximo”.  

Citando a experiência humanitária de um engenheiro filipino, o cardeal Sarah destacou que a fé não é apenas fonte de inspiração dos actos de caridade, mas também algo que muda “o enfoque da vida e da cultura dos mesmos beneficiários", que, graças à caridade, são ajudados a redescobrir Deus em suas vidas.

O vínculo entre fé e caridade, disse Sarah, tem duas dimensões: em primeiro lugar, "a fé verdadeira não existe sem as obras", e em segundo, "a caridade suscita a fé, e portanto é testemunho".

Além disso, no contexto do Ano da Fé e da Páscoa que se aproxima, a Mensagem do Papa para a Quaresma recorda-nos que a verdadeira fonte da caridade é "Cristo que morreu e ressuscitou por amor”.

Por esta razão, a Quaresma é um "tempo favorável para abrir os olhos dos nossos corações para os mais necessitados, partilhando com eles o nosso". Mais ainda num contexto como o europeu e mundial, marcado pela crise económica e pelo retorno de tristes realidades como a pobreza e a exploração no trabalho.

Fé e caridade, portanto, concluiu o cardeal, são "dois lados da mesma moeda, isto é, a nossa pertença a Cristo”.

Em seguida, se pronunciou monsenhor Gianpietro Dal Toso, secretário do Pontifício Conselho Cor Unum, segundo qual, os discursos sobre fé e caridade não são apenas "questões académicas", pois afectam a prática dos organismos eclesiais e da Santa Sé, mas, sobretudo, “a visão do homem", que, por sua vez, influencia os "modelos de desenvolvimento ".

Um exemplo concreto de caridade humanitária foi apresentado por Michael Thio, Presidente Geral da Confederação Internacional da Sociedade de São Vicente de Paulo. Proveniente de Singapura, Thio foi nomeado há dois anos chefe da Confederação.

"Desde nossas humildes origens há 180 anos - disse Thio - hoje estamos presentes em 148 países, com 780 mil membros, activos em 70 mil conferências, com 1,3 milhões de voluntários que atendem mais de 30 milhões de pessoas pobres”.

A Sociedade São Vicente de Paulo actua em vários âmbitos, desde o cuidado com os pobres (alimentação, vestuário, etc.), assistência em caso de catástrofes naturais, até o acolhimento de refugiados, através de projectos de educação, saúde e planejamento urbano. Entre os mais importantes dos últimos anos, o presidente destacou a reconstrução do pátio interno de uma creche em Fukushima, danificado pelo desastre nuclear em Março de 2011.

Fundamento carismático da Sociedade de São Vicente de Paulo são as três virtudes teologais. "Ao apoiar a causa dos pobres - explicou Thio - são promovidas as acções e as virtudes cristãs e nós somos apenas humildes servos que testemunham Cristo.


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Manuscritos da Biblioteca Vaticana ao alcance de um clique

Primeiros 265 documentos on-line foram digitalizados com tecnologia da NASA

Sergio Mora

ROMA, Sexta-feira, 1 Fevereiro 2013

Códigos, manuscritos e cartas, até agora acessíveis somente aos peritos creditados junto à Biblioteca Apostólica do Vaticano, poderão ser consultados por quem desejar, de qualquer parte do mundo, com um clique.

Os primeiros 256 documentos do imenso tesouro da “biblioteca dos papas” já estão on-line. Para vê-los, basta inscrever-se no site da Biblioteca Apostólica.


A Biblioteca Apostólica Vaticana, como é chamada em latim, é considerada desde a fundação como a "biblioteca do papa", já que pertence a ele directamente. É uma das mais antigas do mundo e guarda uma fabulosa colecção de textos históricos.


O projecto da digitalização dos documentos é ambicioso. De acordo com o prefeito da Biblioteca do Vaticano, dom Cesare Pasini, em entrevista à agência de notícias Ansa, todos os livros conservados na biblioteca, cerca de 80 mil, deverão ser disponibilizados na internet.


Pasini destacou ainda, em entrevista à Radio Vaticano, que a filosofia da Biblioteca Apostólica Vaticana, desde o início, foi tornar os bens da humanidade acessíveis a todos os interessados em usá-los, conhecê-los e estudá-los. O mesmo espírito de serviço determinou a digitalização dos documentos que agora está em andamento.


Entre os documentos históricos, há partituras musicais, textos cuneiformes e manuscritos gregos e judaicos. Os textos incluem obras de Homero, Platão, Sófocles, Hipócrates, manuscritos judeus dentre os mais antigos preservados até hoje e alguns dos primeiros livros italianos impressos durante o Renascimento, de acordo com informações da agência EFE. Entre as jóias está o Codex Vaticanus, um dos mais antigos manuscritos da bíblia grega de que se tem notícia.


O projecto digital começou em 2011 e utiliza a tecnologia da NASA denominada Fits (Sistema de Transporte Flexível de Imagens, na sigla em inglês), criada no começo da corrida espacial para conservar as imagens das suas missões.


O papa Nicolau V fundou a biblioteca em 1448, reunindo cerca de 350 códices gregos, latinos e hebraicos, herdados de seus antecessores. Entre eles, havia diversos manuscritos da biblioteca imperial de Constantinopla. A oficialização da fundação aconteceu com a bula Ad decorem militantis Ecclesiae (15 de Junho de 1475), do papa Sisto IV, que definiu um orçamento específico para a biblioteca e nomeou como bibliotecário Bartolomeu Platina, responsável pelo primeiro catálogo das obras ali guardadas, elaborado em 1481.


A biblioteca possuía então mais de 3.500 manuscritos, o que já fazia dela, com grande diferença, a maior do mundo ocidental. Em 1587, Sisto V contratou o arquitecto Domenico Fontana para construir um novo edifício para a biblioteca, situado no interior do Vaticano. O edifício é usado até hoje.


Os estudiosos dividem a história da biblioteca em cinco etapas:


Pré-lateranense: os inícios da biblioteca, correspondentes à primeira etapa da história da Igreja, antes de ser instalada no Palácio de Latrão. Muito poucos livros fazem parte dessa etapa.


Lateranense: livros e manuscritos passam a ser guardados no Palácio de Latrão. Esta etapa vai até o final do século XIII, durante o papado de Bonifácio VIII.


Avignon: neste período, crescem notavelmente as colecções de livros e arquivos dos papas que residiram em Avignon, entre a morte de Bonifácio VIII e o ano de 1370, quando a sede papal retorna a Roma.


Pré-Vaticana: de 1370 a 1447, a biblioteca fica dispersa, com parte das obras em Roma, Avignon e outros lugares.


Vaticana: é a etapa actual, iniciada em 1448, quando a biblioteca é transferida para o Vaticano.


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Casado, com três filhas, 20 anos de pastor anglicano e, desde hoje, sacerdote católico

Atenderá os anglo-católicos próximo de Nova Iorque

"Fui um sacerdote episcopaliano anglo-católico até que me dei conta de que não podes ser católico – anglo ou o que seja - a menos que sejas realmente um católico", escreve.

Actualizado 24 Janeiro 2013

P. J. G / ReL

John Cornelius tem 64 anos e desde este sábado 26 de Janeiro é sacerdote católico ao serviço do ordinariado anglo-católico da Cátedra de São Pedro, atendendo, em primeiro lugar, a pequena Comunidade de Saint Alban (em Henrietta, Nova Iorque), composta de antigos anglicanos que desde há menos de um ano são católicos.
Cornelius foi o seu pastor durante muitos anos, e agora o voltará a ser, e sacramentalmente, e por encargo da Igreja católica. Antes foi pastor anglicano durante 20 anos. Ele e a sua esposa Sharyl (33 anos casados) fizeram-se católicos há 2 anos, e quando se fundou o ordinariado anglo-católico na América do Norte pediram a admissão. As suas três filhas já crescidas (Virginia, Rebecca Maier e Sarah) assistiram à ordenação.

20 anos de pastoreio, 20 meses de teoria
Cornelius estudou a teologia e a disciplina católica cada sábado durante 20 meses e está entre os primeiros 30 ex-pastores anglicanos que são ordenados sacerdotes no ordinariado da Cátedra de São Pedro, que cobre os Estados Unidos e Nova Iorque.

Durante todos estes meses, os seus paroquianos anglo-católicos iam à missa católica que tiveram à mão, mas no domingo pela tarde reuniam-se com ele para cantar o ofício de vésperas típico da tradição anglicana com os seus hinos habituais.

Agora o padre Cornelius poderá celebrar com os seus paroquianos a missa católica segundo o “uso anglicano da liturgia romana”, que mantém tradições litúrgicas anglo-católicas.

Ordena-o o bispo local de Buffalo, Richard J. Malone, mas o seu superior será o Ordinário anglo-católico, Jeffrey Steenson, também casado, pai de família e antigo bispo anglicano de Rio Grande, responsável de todo o Ordinariado. Steenson não pode ordenar os seus sacerdotes porque não é bispo católico, mas sim só sacerdote católico, ainda que com permissão para empregar alguns símbolos de autoridade, como o báculo, a mitra ou o peitoral.

Espera-se que o novo sacerdote ajude nas paróquias da zona. Também se espera que a pequena comunidade anglo-católica seja missionária e atractiva para pessoas decepcionadas pelo caos doutrinal e de autoridade do anglicanismo.

John Cornelius mantém um blogue chamado Cornelius The Roman onde explica brevemente: “fui um sacerdote episcopaliano anglo-católico até que me dei conta de que não podes ser católico – anglo ou o que seja - a menos que sejas realmente um católico”.


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Até meio milhão de manifestantes em Washington pede a abolição do aborto

55 milhões de estadunidenses foram abortados desde 1973

Actualizado 26 Janeiro 2013

Pablo J. Ginés/ReL

Até meio milhão de manifestantes em Washington pediram a abolição do aborto no aniversário dos 40 anos da sentença Roe vs. Wade que liberalizou esta prática no país, legalizando assim a eliminação de 55 milhões de seres humanos na sua etapa pré-natal, “o equivalente a todas as pessoas que vivem em França ou em Itália”, como recordou o cardeal O’Malley de Boston na missa celebrada na véspera.

Trata-se da maior manifestação contra o aborto até agora nos Estados Unidos, e até um meio esquerdista como The Huffington Post fala de 400.000 participantes, ainda que sem mostrar imagens da multidão.

Missa prévia com 5 cardeais
Os actos preparatórios também foram multitudinários. Na missa na vigília na Basílica da Imaculada Conceição participaram 5 cardeais, outros 42 bispos, 400 sacerdotes, 80 diáconos, 520 seminaristas e 13.000 fiéis.


O celebrante, o cardeal O’Malley, de Boston, responsável da luta pró-vida no episcopado católico, insistiu em que “o aborto não é um mal necessário, só um mal” e profetizou que “o próximo assalto contra o Evangelho da Vida virá dos que impulsionam o suicídio assistido e a eutanásia; a sociedade que permite aos pais matar os seus filhos permitirá aos filhos matar os seus pais”.

Ao longo do dia e a noite prévios sucederam-se missas e actos de oração nos quais foram participando até 30.000 pessoas. Entre eles: um Rosário Nacional pela Vida, oração nocturna segundo o rito bizantino e adoração toda a noite.

Rally juvenil

Às 7 da manhã, 30.000 jovens católicos que tinham suportado largas horas em autocarros e talvez também em oração nocturna entraram no Verizon Center e o Maryland Comcast Center para iniciar várias horas de “rally”, uma actividade exaustiva que inclui muitos cantos, bailes, escutar com atenção testemunhos pró-vida e logo uma intensa eucaristia, que no Comcast Center presidiu o cardeal DiNardo de Houston e no Verizon Center o cardeal anfitrião, Donald Wuerl, de Washington, com o cardeal Dolan, de Nova Iorque, 16 bispos madrugadores mais e 100 sacerdotes.


De seguida chegou a Marcha propriamente dita: temperaturas gélidas e vento gelado que incluiu um pouco de neve ao acabar o exaustivo dia.


As multidões incluíam as faixas das diferentes comunidades religiosas (“Anglicans for Life”; “Lutherans for Life”), de congregações, de associações pró-vida (como a não religiosa “Secular pro-life”) e todo o tipo de slogans. Muitos bispos marcharam com os seus seminaristas ou peregrinos diocesanos.

Os assistentes são cada vez mais jovens e mais numerosos, porque os institutos e universidades, sejam católicas ou não, tendem a gerar potentes associações juvenis pró-vida que tomam esta Marcha pela Vida como uma peregrinação anual inevitável.

As primeiras imagens no YouTube são de Al-Jazeera: "são jovens, são ruidosos e estão orgulhosos", diz a jornalista.


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O Papa reclama "um futuro de justiça e paz duradouras" para o Médio Oriente

Bento XVI, com os membros da Comissão Mista Internacional para o Diálogo Teológico entre a Igreja Católica e as Igrejas Orientais Ortodoxas
Encontro com as Igrejas Orientais Ortodoxas pela unidade dos cristãos

Bento XVI presidirá esta tarde à celebração ecuménica na basílica de são Paulo extramuros de Roma


Redacção, 25 de Janeiro de 2013 às 15:19

Bento XVI mostrou a todos os fiéis do Oriente Próximo a sua "proximidade espiritual e oração" e pediu que esta terra se dirija, "através de um diálogo construtivo e de cooperação, até um futuro de justiça e paz duradouras", durante a sua audiência com os membros da Comissão Mista Internacional para o Diálogo Teológico entre a Igreja Católica e as Igrejas Orientais Ortodoxas.

Durante o encontro, Bento XVI manifestou a sua esperança para que as relações entre a Igreja Católica e as Igrejas Ortodoxas Orientais "siga desenvolvendo-se num fraternal espírito de cooperação, especialmente através do crescimento de um diálogo teológico capaz de ajudar a todos os seguidores do Senhor a crescer na comunhão e dar testemunho perante o mundo da verdade salvífica do Evangelho".

Mesmo assim, o Pontífice sublinhou que muitos dos presentes procedem de "áreas onde os cristãos, tanto como indivíduos, como as comunidades cristãs, enfrentam dolorosas provas dificuldades que são motivo de profunda preocupação para todos".



Neste sentido, apontou que "todos os cristãos necessitam trabalhar juntos numa aceitação e confiança mútuas ao serviço da causa da paz e a justiça na fidelidade ao desejo do Senhor" e propôs o exemplo dos "inumeráveis mártires e santos, que através dos séculos deram um valente testemunho de Cristo em todas as Igrejas".

A Comissão Mista Internacional para o Diálogo Teológico entre a Igreja Católica e as Igrejas Orientais Ortodoxas instituiu-se há dez anos em 2003 graças à iniciativa das autoridades eclesiais das Igrejas orientais ortodoxas e do Pontifício Conselho para a Promoção da Unidade dos Cristãos.

Tal Comissão dedicou-se esta semana "ao estudo da comunhão e a comunicação que existia entre as Igrejas nos cinco primeiros séculos da história cristã".

Esta tarde, o Papa presidirá à celebração ecuménica na basílica de são Paulo extramuros de Roma com o rezar das vésperas no último dia de la Semana de oração pela unidade dos cristãos.

(Rd/Ep)


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