terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

Bento XVI completa as audiências com todos os bispos do mundo

Em menos de oito anos de pontificado

Esta semana encontrou-se com os prelados italianos

Redacção, 29 de Janeiro de 2013 às 19:05

Bento XVI completou nestes sete anos de Pontificado as visitas 'ad limina' de todos os bispos do mundo à Sede Apostólica com o encontro estes dias com os bispos italianos.

O Prefeito da Congregação para os Bispos, o cardeal Marc Ouellet, assegurou que "através do encontro do bispo com o Papa reforça-se a unidade e a colegialidade entre os bispos e o sucessor de Pedro".

Nesta linha, Ouellet apontou numa entrevista à Rádio Vaticana recolhida pela Europa Press, que "quando um bispo chega a Roma, traz consigo as alegrias, esperanças e sofrimentos da sua Igreja" pelo que ao partilhar "cada bispo sente-se sustentado pelo Papa e os bispos para desenvolver a sua missão a favor da justiça e da paz".

Além disso, apontou que os frutos das visitas 'ad limina' são "sobretudo espirituais, porque vindo a Roma cada bispo confirma a profissão da própria fé sobre a tumba de São Pedro" e acrescentou que "no encontro pessoal com os bispos, o Papa mostra-se pai de todos e indica a via para reencontrar os fundamentos da pessoa, da família, da tutela da vida e do sentido autêntico da liberdade".

Por outra parte, o purpurado remarcou que "a liberdade de professar a própria fé foi introduzida no mundo pelo cristianismo" e evocou o 17º centenário do Edicto de Constantino com o qual o imperador concedeu a liberdade de culto.

Nesta linha, Ouellet destacou que esta liberdade "pertence à pessoa e que é o fundamento de toda a liberdade" e acrescentou que "este direito deve ser reconhecido pelos ordenamentos civis de cada nação e que compete também às comunidades religiosas que devem poder organizar-se e desenvolver as suas actividades culturais, educativas e assistenciais segundo o seu próprio credo". Nesta linha, concluiu que "a liberdade religiosa deve ser reconhecida e promovida para todos, como o Santo Padre ensina".

(Rd/Ep)


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Chegam os funerais verdes, a ecologia mortuária ou um «reavivar» de velhas ideias gnósticas

Iniciativas «eco-friendly»: esquecem a dignidade do momento


Para Introvigne, tenta-se também eliminar a recordação da pessoa, quer dizer, o seu nome, já que a memória dos mortos perpetuaria este mal que foi a sua vida fora do ciclo da natureza.

Actualizado 29 Janeiro 2013

Sara Martín / ReL


Eco-sepulturas. Cemitérios ecológicos. Funerais verdes. Chega a nova moda: o ecologismo até às últimas — literalmente — consequências. Também começam a ver-se os ataúdes de cartão, considerados como não contaminantes e «de baixo impacto ambiental».

Uma moda que, levada ao extremo, resta a devida importância ao facto que nesse momento se recorda e que pode inclusive faltar a devida dignidade do defunto. Por exemplo, com propostas como a da associação sueca «Promise», que advoga pelo enterramento nu no solo, para que o corpo humano se converta num fertilizante útil. Até onde pode chegar a moda dos funerais verdes e a influência do New Age?

«Voltar» ao ciclo da natureza
De acordo com esta associação, sempre se seguiram três caminhos para o enterro dos seres queridos: permitir que volte a ser terra, que apodreça ou que se queime. Segundo a bióloga Susan Wiigh-Masak, só as duas últimas possibilidades se cumprem sempre. Wiigh-Masak idealizou uma técnica concebida para eliminar a água e congelar posteriormente o corpo, de modo que o organismo biológico se converta assim num fertilizante natural. Uma das últimas propostas que vem demonstrar a perda de dignidade que a sociedade outorga, cada vez mais, ao facto de enterrar os seres queridos.

Segundo Massimo Introvigne, intelectual e sociólogo italiano, director do Centro de Estudos Sobre as Novas Religiões o CESNUR, tudo isto pertence a um conceito da ecologia profunda que, na realidade, «difunde a ideia de que, uma vez morto, cada um volte a ser parte da natureza. A identidade do homem, que havia sobressaído por um tempo como se fosse uma ondulação do grande mar panteístico que é a natureza, deve voltar a submergir-se neste mar, perdendo a sua identidade própria».

Para Introvigne, tenta-se também eliminar a recordação da pessoa, quer dizer, o seu nome, já que a memória dos mortos perpetuaria este mal que foi a sua vida fora do ciclo da natureza.

Ecologismo mortuário
Introvigne concedeu há algum tempo uma entrevista sobre este tema ao diário Il Sussidiario, na qual assegurava que por detrás da moda do ecologismo mortuário se esconde o que se chama uma ecologia profunda: «Uma larga tradição de ataque contra um bastião do cristianismo, quer dizer, a diferença deontológica, que nos diz que o homem é a única criatura que Deus amou por si mesmo; os demais, as árvores, os campos e os animais, foram queridos por Deus em função do homem», explica.

Quer dizer, é o homem o ser superior que domina a natureza? Não exactamente, pontualiza o sociólogo italiano. «Por suposto, existe uma ecologia aceitável, como diz frequentemente Bento XVI, e também uma ecologia cristã, porque o homem está chamado a administrar todas as demais criaturas que Deus quis para o homem mesmo. Não é um déspota ou mestre absoluto, mas sim que tem a responsabilidade da criação».

A diferença entre a ecologia cristã e o ecologismo profundo
Existe uma teologia cristã do meio ambiente: a ecologia é algo bom em si mesmo, mas o ecologismo é «um desvio». Em particular, a ecologia profunda — idealizada pelo filósofo norueguês Arne Naess —, que nega que exista una diferença ou uma dignidade mais alta ou um valor superior do homem em relação ao resto da criação. E é aqui onde encaixam as ideias das eco-sepulturas. Na negação de que há uma diferença ontológica entre o homem criado à imagem de Deus, e as demais criaturas.

O intelectual dá o exemplo mais próximo que tem: «Eu vivo em Turim, e ali o nosso governo de centro-esquerda deu a possibilidade de ser simplesmente esquecido numa grande fossa comum onde se perde a identidade, e inclusive o nome. Na realidade, a Administração, mais do que encorajar esta iniciativa, a recebeu de um associacionismo radicalmente ateu, que se opôs inclusive a que fossem projectados os nomes dos defuntos. Não aceitaram isso sequer», lamenta Introvigne.

E tudo isto, porquê?
Porque é necessário voltar a ser parte da natureza, explica: «Trata-se basicamente da velha ideia gnóstica que sustem que o afirmar-se no próprio eu é um mal a que a morte põe afortunadamente, remédio. Recordar o morto perpetuaria este mal. Como sucede frequentemente, o panteísmo — de que este ecologismo profundo não é mais que a sua última encarnação —, combina-se com o gnosticismo. Quer dizer, a ideia de que o surgimento no universo de uma forte identidade como a do homem não é um bem, mas sim um mal», adverte.

No fundo, como conclui Introvigne, é tudo um reavivar de velhas ideias gnósticas.


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segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

Pessoas submetidas ao Reiki mostraram sintomas de actividade demoníaca em grau de opressão

Gareth Leyshon, capelão da Glamorgan University (Gales)
 



Actualizado 29 Janeiro 2013

P. J. Ginés / ReL


O padre Gareth Leyshon (www.drgareth.info) combina uma amplitude de visão especial para examinar assuntos ligados ao Reiki, “as energias espirituais” ou a “Nova Era”. Por um lado, é cientista: doutor em Física. Por outro, é sacerdote católico da diocese de Cardiff, Gales. Como assessor espiritual da Renovação Carismática Católica na diocese não é alheio à exploração do sobrenatural. E como capelão da Universidade de Glamorgan conhece as inquietudes dos jovens em busca espiritual.

Tudo isso o levou a analisar as terapias de cura “Reiki” e a concluir que, independentemente de que pareçam curar ou não, são incompatíveis com a fé cristã.

Canalizar e sintonizar o ki


Ainda que haja uma infinidade de mestres e grupos de Reiki, todos coincidem nuns elementos básicos:

- O Reiki consiste em manipular ou canalizar uma “energia espiritual” chamada ki (chi, na China; prana, na Índia) para lograr sanar ou curar.

- Os praticantes de Reiki, aqueles que canalizam esta energia, devem ser iniciados por outros praticantes de nível mais elevado num ritual de “harmonização” ou “sintonização” que usa símbolos (objectos, técnicas) secretos.

Como doutor em Física, o padre Leyshon comenta: “na linguagem da Ciência, energia tem um significado preciso: pode ser medida e convertida de uma forma a outra”.

Mas no seu Crítica Católica à Arte Curativa do Reiki, Leyshon vai directamente ao pastoral, pensando nos cristãos que se sentem atraídos pelo Reiki. “Não vou tentar identificar a realidade ontológica do ki”, afirma, porque a ciência necessitará de uma análise séria e empírica para dar uma conclusão, para saber se cura ou não cura e porquê. Mas as possibilidades são claras:

  1. Se o ki não existe, se não há evidência da sua existência, qualquer intento de manipulá-lo é uma superstição, “um pecado segundo o artigo 2111 do Catecismo da Igreja Católica”.
  2. Se se encontrasse evidência de que há propriedades curativas no corpo humano que a medicina ocidental desconhece, e se chamasse a isso “ki” e se pudesse manipular, seria uma propriedade física, como outras da ciência, sem maiores problemas morais. Mas isto não se estabeleceu, e os praticantes de Reiki não falam do ki como algo físico, mas sim espiritual. Inclusive quando dizem que é algo “natural” não querem dizer que seja só físico, porque nas filosofias orientais não há clara distinção entre o natural e o sobrenatural.
  3. Há quem diz que o ki e a sua manipulação, o Reiki, é algo espiritual, não físico, e que vem de Deus; mas o padre Leyshon considera que não se pode provar que venha de Deus, que poderia vir de fontes demoníacas, e que já tão só arriscar-se a uma manipulação assim sem a segurança que dá a Revelação já é pecado de “tentar a Deus”. E mais, existindo no cristianismo os sacramentos, os sacramentais e a oração pelos enfermos.

    “Em nenhum sítio a Escritura ensina-nos a canalizar energia como faz o Reiki e supor que Deus nos assistirá de uma forma que Ele não revelou que seja vontade sua é um pecado de tentar a Deus”, escreve o capelão da universidade galesa.
  4. Inclusive se o ki não tivesse que ver com actividade demoníaca mas sim com um poder psíquico especial, o Catecismo o proíbe no seu ponto 2117, porque consistiria em “domesticar poderes ocultos para coloca-los ao próprio serviço e ter um poder sobrenatural sobre outros, ainda que seja para restaurar a sua saúde” (segundo descreve o Catecismo).

De todas as formas, o padre Leyshon recorda que a imensa maioria de praticantes de Reiki admite que o que fazem é canalizar até os seus clientes/pacientes uma “energia espiritual que vem de mais além deles mesmos”, não crêem que seja uma habilidade psíquica própria.

Rituais de enlace? Isso é idolatria


Ainda mais: para ser praticante de Reiki há que passar por um ritual de iniciação. Há autores, como Diane Stein no seu livro “Essential Reiki”, que asseguram que nos níveis elevados de Reiki se “invocam” mestres espirituais, “guias”, seres não visíveis mas que conduzem o praticante. Evidentemente, isto é invocação de espíritos, algo proibido pelo cristianismo, haja ou não espíritos ou demónios que respondam ou não à chamada.

Mas inclusive no primeiro nível do Reiki, o facto de que seja necessário um ritual para “sintonizar-se” ou “entrar em harmonia” demonstra que não se trata de uma simples terapia. Usar rituais para “enlaçar” (que dizer, “religião”, do latim “religar”) é uma actividade religiosa, e uma actividade religiosa sem o Deus cristão é paganismo ou idolatria, incompatível com o cristianismo.

O que dizem os exorcistas

Além da teoria, como assessor da Renovação Carismática e estudioso da temática, o padre Leyshon tem evidências pelo trabalho de exorcistas diocesanos e equipas de oração de libertação de que pessoas submetidas a um “toque curativo”, que era Reiki ainda que às vezes não se dissesse ao paciente, logo mostraram sintomas de actividade demoníaca em grau de “opressão”.

O sacerdote cita sobre isto os casos do manual Deliverance from Evil Spirits, de Francis MacNutt, e Deliverance from Evil Spirits, de Scanlan & Corner; todos eles autores católicos com experiência no tema. Leyshon insiste em que esta abertura ao demoníaco “é uma vulnerabilidade, não uma certeza, para aqueles que se expõe desta forma”.

O enfoque pastoral

Ainda que como doutor em física o padre Leyshon poderia tentar dizer simplesmente aos seus paroquianos ou aos rapazes da universidade que “segundo a Ciência não há evidência alguma de que exista essa energia ki”, nem sempre será a resposta pastoral mais eficaz.

“Os pastores podem prescindir do tema de se o Reiki funciona ou não e de qual é o seu mecanismo, simplesmente insistindo em que os cristãos estão comprometidos a não procurar nenhuma fonte espiritual que não seja o Deus Trino e Uno, que não revelou que o Reiki seja uma forma de administrar o Seu Poder”.

Menos proibir e mais curar

“Opor-se ao Reiki pode ser uma oportunidade para evangelizar: há que por menos enfaso no proibido e mais no verdadeiro poder curador de Cristo, a que se pode aceder com os sacramentos, através dos mecanismos de cuidado pastoral da comunidade e mediante ministérios de oração de cura explicitamente cristãs”, propõe.

Também recomenda a confissão sacramental para reparar o contacto com o Reiki, inclusive se por ignorância não houve pecado formal. Propõe que “o confessor deve estar pronto para orar por libertação de influências espirituais opressivas – algo que pode fazer-se de forma inaudível - usando as directivas actuais do Vaticano, se há evidências de ‘obsessão’, frequentemente em forma de uma tentação recorrente numa área particular” (remete-se para o Cânone 1172 do código de 1983, “interpretado à luz da carta de Doutrina da Fé de 1985 Inde ab aliquot annis). Casos mais complexos que esses, recorda, “estão reservados ao exorcista diocesano”.

A missa e o dinheiro

Na missa, abundam as leituras sobre adorar só a Deus, ou sobre o poder curador de Cristo: estas são ocasiões para falar contra o uso do Reiki, comenta Leyshon.


E o sacerdote coloca um ponto mais inquietante que o demoníaco: o dinheiro! Se um paroquiano está realizando práticas de Reiki e outras terapias “curadoras” para ganhar a vida ou arredondando receitas da sua farmácia, loja de flores ou de perfumes… Pode-lhe oferecer a comunidade cristã apoio económico ou laboral que lhe facilite abandonar essa linha de negócio, que em época de crise pode ser crucial?

Quanto ao trato com as autoridades civis, considera que a melhor estratégia é conseguir que estas obriguem a etiquetar o Reiki em publicidade e folhetos como uma “prática espiritual”, não uma terapia.

E aos cristãos, insistir: não devem acudir a nenhum poder espiritual que não seja Jesus Cristo o Salvador, Deus Pai bom e o Espírito Santo, a Santa Trindade.


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O Papa, consternado pela morte de 231 jovens no incêndio de uma discoteca no Brasil

Uma família transporta o féretro de um dos falecidos
"Confia a Deus, Pai de misericórdia, os falecidos"

Oferece "o valor e o consolo da esperança cristã para todos os afectados pela tragédia"

Redacção, 28 de Janeiro de 2013 às 16:23

O secretário de Estado do Vaticano, o cardeal Tarcisio Bertone, enviou um telegrama em nome do Papa Bento XVI ao arcebispo de Santa Maria (Brasil), monsenhor Hélio Adelar Rubert, no qual transmite os seus pêsames às famílias das vítimas do incêndio numa discoteca do Brasil na qual morreram pelo menos 231 jovens.

"O Sumo Pontífice, consternado pela trágica morte de centenas de jovens (...), pede-lhe que transmita às famílias das vítimas o seu mais sentido pêsame e a sua participação na dor de todos quantos os choram", reza a missiva.

Além disso, Bento XVI "confia a Deus, Pai de misericórdia, os falecidos e roga-lhe conforto e restabelecimento para os feridos e o valor e o consolo da esperança cristã para todos os afectados pela tragédia". Finalmente, envia a sua bênção apostólica "a quantos sofrem e a quantos lhes prestam ajuda".

Texto do telegrama

"CONSTERNADO PELA TRAGICA MORTE DE CENTENAS DE JOVENS NUM INCENDIO EM SANTA MARIA, O SUMO PONTIFICE PEDE A SUA EXCELENCIA TRANSMITIR AS FAMILIAS DAS VITIMAS SUAS CONDOLENCIAS E SUA PARTICIPACAO NA DOR DE TODOS OS ENLUTADOS. AO MESMO TEMPO QUE CONFIA OS FALECIDOS A DEUS PAI DE MISERICORDIA, O SANTO PADRE ROGA AO CEU O CONSOLO E RESTABELECIMENTO PARA OS FERIDOS, O VALOR E A CONSOLACAO DA ESPERANCA CRISTA PARA TODOS OS AFLIGIDOS PELA TRAGEDIA, E ENVIA A QUANTOS SOFREM E OS QUE OS ASSISTEM, UMA PROPICIADORA BENCAO APOSTOLICA".

Brasil enterra os mortos

O Brasil enterra esta segunda-feira os mortos do fatal incêndio numa discoteca em Santa Maria, no sul do país, depois de um velório colectivo de várias das 231 vítimas, a maioria jovens universitários.

O país amanheceu consternado pela tragédia, que deixou também 116 feridos, mais de 80 graves. A presidente Dilma Rousseff, que no domingo interrompeu a sua participação na cimeira Celac-UE no Chile para reunir-se com as famílias das vítimas, decretou três dias de luto nacional.

As comemorações em Brasília pelo início da conta regressiva de 500 dias da Copa do Mundo de 2014 que terá o país como sede foram canceladas pelas autoridades locais e a FIFA.

Como sede do Mundial-2014 e dos Jogos Olímpicos de 2016 no Rio de Janeiro, o Brasil encontra-se debaixo da lupa das organizações desportivas internacionais, entre cujas prioridades se encontra a segurança dos maiores eventos desportivos do mundo.

O fogo iniciou-se na madrugada do domingo na discoteca Kiss da cidade universitária de Santa Maria, no estado de Rio Grande do Sul, com um fogo artificial lançado por um integrante da banda musical "Gurizada Fandangueira", que tocava no local, segundo os bombeiros.

Pelo menos no início, a porta de saída foi bloqueada pelos agentes de segurança que pretendiam que as pessoas pagassem a sua entrada antes de sair, segundo sobreviventes.

No meio de uma nuvem negra de fumo tóxico, o pânico apoderou-se de centenas de pessoas que se pisotearam umas às outras e que viveram "um filme de terror", disse à AFP Kelly Rebello da Silva, uma estudante de química de 21 anos que sobreviveu.

A autorização dos bombeiros que a discoteca necessita para funcionar estava caducada desde Agosto, indicaram as autoridades. Mas a discoteca disse num comunicado que "tudo estava em regra" e que o ocorrido foi "uma fatalidade".

Um velório colectivo para 24 pessoas teve lugar na madrugada da segunda-feira no centro desportivo municipal para onde foram trasladados dezenas de cadáveres.

No final da madrugada, um silêncio perturbador sobrevoava o ginásio. O corpo de Luis Dias Oliveira descansava sobre uma base de madeira. Os seus familiares, resignados e com os olhos inchados e vermelhos, colocaram em cima do ataúde uma bandeira do Rio Grande do Sul e uma foto na que aparece de perfil, com rostro sério.

Numa das dezenas de urnas alinhadas uma ao lado da outra, rodeadas por cadeiras de plástico branco ocupadas por amigos e familiares, estavam as cinzas de Joao Carlos Barellos da Silva, que dirigia uma página na internet que cobria as festas da discoteca Kiss.

Da Silva foi achado morto na casa de banho do local. Umas 180 pessoas morreram nos lavabos, asfixiadas no meio de um tumulto provocado pelo pânico, procurando infrutuosamente a porta de saída, disse o capitão da polícia militar Edi Paulo Garcia.

"Foi um filho maravilhoso. Isto é muito difícil, era o meu único filho, o criei praticamente só porque o seu pai faleceu quando tinha 8 anos. Tive que reconhecê-lo entre essa quantidade de corpos (...) Esta é uma dor que não tem comparação", disse à AFP a sua mãe, Gelsa Ina Barcelos.

O balanço oficial de mortos foi revisto em baixa, de 233 para 231, porque alguns corpos foram "identificados duas vezes", explicaram as autoridades.

Mais de 80 feridos graves continuavam hospitalizados em Santa Maria e em Porto Alegre, capital de Rio Grande do Sul, muitos lutando pelas suas vidas, explicou na segunda-feira o ministro da Saúde, Alexandre Padilha.

A entrada da discoteca estava cerrada esta segunda-feira e era vigiada por dois polícias à espera da chegada de especialistas que realizarão uma perícia no local, constatou a AFP.

Os habitantes da cidade universitária, com uma população de umas 260.000 pessoas, colocaram oferendas florais em frente à discoteca, onde havia também montanhas de escombros dos muros derrubados à martelada pelos resgatadores para tentar salvar mais gente.

"É muito triste, perdi 13, 14 companheiros de turma. Dos amigos, um. Todo o mundo sabia dessa festa na discoteca", disse à AFP Felipe, de 22 anos, que com um grupo de amigos passou a segunda-feira em frente à discoteca a caminho de Uruguaiana, na fronteira com o Uruguai, onde o seu amigo ia ser enterrado.

Este é o segundo pior incêndio na história do Brasil, depois do sinistro que deixou 503 mortos num circo em Nitéroi, junto ao Rio de Janeiro, em 1961. (RD/Agencias)


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Gerhard Müller: "A contraposição da liturgia pré e pós-conciliar é um instrumento ideológico"

Müller e Rouco, na São Dâmaso
O Prefeito da Doutrina da Fé, na festa de São Tomás da Universidade São Dâmaso

"Frente a conservadores e progressistas, necessitamos uma interpretação integral da reforma litúrgica"

José Manuel Vidal, 28 de Janeiro de 2013 às 17:59

(José Manuel Vidal).- Não é cardeal (todavia), mas dirige a mais importante congregação vaticana. O prefeito da Doutrina da Fé, Gerhard Ludwig Müller celebrou a solene festa de São Tomás na Universidade São Dâmaso de Madrid com uma brilhante conferência sobre "a liturgia no pensamento teológico de Joseph Ratzinger". E deixou claro, que, neste como em outros muitos âmbitos, a Igreja aposta pela continuidade. Porque "a contraposição da liturgia pré e pós-conciliar é um instrumento ideológico".

Expectativa no salão de actos do seminário conciliar de Madrid, abarrotado de professores, seminaristas e alguns laicos. Todos querem ver e escutar o "guardião da ortodoxia", o arcebispo alemão que é capaz de conjugar a sua amizade com Gustavo Gutiérrez, o pai da Teologia da Libertação, e a defesa da sã doutrina.

De facto, o prelado alemão começou a sua intervenção saudando os "amigos da verdade e da sã doutrina". E rodeado de amigos estava. Na mesa presidencial, o reitor da Universidade, Javier Prades, e o cardeal de Madrid, Rouco Varela. Na primeira fila, os bispos auxiliares, Herráez, Franco e Camino, junto a vigários, professores e seminaristas de uma Universidade, na qual o próprio Müller partilhou aulas como professor convidado, há alguns anos.

Por isso, o cardeal de Madrid deu-lhe as boas-vindas ao "muito conhecido e muito querido prefeito da Doutrina da Fé a esta casa da qual foi professor convidado". De seguida, Javier Prades fez um esboço biográfico rápido do percurso vital e teológico do arcebispo curial e sublinhou que, como dizia são Tomás, "a Igreja necessita seguir tendo mestres".

Um Prefeito da Fé, ministrante

Müller é um prestigiado teólogo, mas, ao escutá-lo, entende-se tudo o que diz. Tal como o Papa Ratzinger, tem essa qualidade dos grandes teólogos alemãs (ao menos de alguns) de fazer exequível e simples o teologicamente complicado. Daí que, para explicar a sua aproximação à liturgia de Bento XVI, começasse pela teologia do ministrante e a sua experiência vital de "servir ao altar" e de ter "a Igreja como pátria espiritual".

Recordou que "o ressurgimento da renovação da liturgia" coincidiram com a sua juventude, numa região alemã, como a de Maguncia, berço de Romano Guardini, "o mestre da renovação litúrgica ou da renovação da Igreja através da liturgia". E como fosse pouco, Müller nasceu à sombra de outra grande personagem, o bispo Von Ketteler, "um lutador valente e competente comprometido com a justiça social".

Daí a sua síntese vital e doutrinal quanto à liturgia. "A liturgia não é um jogo com os sentimentos religiosos das costas ao mundo, mas sim preparação para serviço ao mundo na unidade interna de amor a Deus e amor ao próximo".

Uma reforma da liturgia entendida, pois, como continuidade. Porque "a contraposição da teologia e liturgia pré-conciliares e pós-conciliares é contrária à experiência pessoal na vida da Igreja e demonstra ser cada vez mais um instrumento ideológico com o qual se quer romper a unidade da Igreja na continuidade da sua tradição e mediação histórica da revelação".

Tampouco oferece problemas ao prefeito da Doutrina da Fé o facto de casar na eucaristia o sacrifício com o banquete. "O carácter sacrificial da eucaristia não depende da orientação da celebração nem se opõe à sua concepção como banquete".

Porque, em resumidas contas, "frente a conservadores e progressistas, necessitamos uma interpretação integral e autêntica da renovação litúrgica". Porque, "a renovação da nossa capacidade litúrgica depende da renovação da nossa capacidade de dar razão aos homens e mulheres de hoje do Logos da esperança que habita em nós", concluiu monsenhor Müller.

Declarações à Cope

O prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé -- que tem como missão não só defender a fé mas também promove-la --, monsenhor Gerhard Ludwig Müller, pediu "coragem" aos católicos espanhóis frente à secularização e assegurou que a Igreja sabe "muito melhor" que os políticos "da linha do laicismo" o que necessitam os homens.

"Não podemos perder a coragem de anunciar o Evangelho hoje porque nós sabemos muito melhor que todos estes políticos da linha do laicismo, desta ideologia ateísta, nós sabemos muito melhor o necessário para todos os homens", afirmou numa entrevista à COPE recolhida pela Europa Press.

Neste sentido, sublinhou que a mentalidade "secularizada" não pode dar uma resposta adequada aos sofrimentos dos homens, aos seus problemas existenciais, ao que há depois da morte, nem à forma de construir uma sociedade baseada nos valores da "justiça social e a dignidade humana".

Além disso, monsenhor Müller indicou que as polémicas sobre a Igreja são "inúteis" e que há que concentrar-se não no "superficial" mas sim "nas grandes perguntas existenciais dos homens que vivem hoje no mundo". Mesmo assim, destacou que é necessário "um anúncio de esperança" e que a Igreja dá esperança a todos os homens. Porque a fé católica "não é um irracionalismo" pois "existe uma ligação entre razão e fé".

Assim, explicou que, "para apresentar o Evangelho como força que dá vida, é necessário sublinhar a intelectualidade, a racionalidade da fé" mas também "expressar a direcção da razão dos homens até à fé, até o encontro com Deus".

No marco desta "intelectualidade", monsenhor Müller destacou que as universidades são "absolutamente importantes" e recordou que são "fundações da Igreja" na história do cristianismo europeu. Além disso, remarcou que, quer sejam universidades do Estado ou da Igreja, sempre se trata da "mesma essência".

Neste sentido, referiu-se ao "alto intelectual" que é o Papa Bento XVI a quem definiu também como "uma pessoa muito humilde, muito simples e muito culta" que além demais se encontra "muito bem de saúde". "O Papa tem a capacidade de dirigir a Igreja no bom rumo até uma nova cultura da humanidade, porque a humanização e a evangelização são quase duas mãos com um só corpo", precisou.


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domingo, 3 de fevereiro de 2013

O amor tem a sua verdade

As palavras do Papa Bento XVI durante o Angelus

CIDADE DO VATICANO, Domingo, 3 Fevereiro 2013

Publicamos a seguir as palavras do Papa, hoje, às 12hs, durante a oração do Angelus na Praça de São Pedro.

***

[Antes do Angelus]

Queridos irmãos e irmãs!
O Evangelho de hoje - retirado do quarto capítulo de São Lucas - é a continuação daquele do domingo passado. Estamos ainda na sinagoga de Nazaré, a cidade onde Jesus cresceu e onde todos o conhecem e à sua família. Agora, depois de um período de ausência, Ele voltou diferente: durante a liturgia do sábado lê uma profecia de Isaías sobre o Messias e anuncia o seu cumprimento, dando a entender que aquela palavra se refere à Ele, que Isaías falou dele. Este fato chocou os nazarenos: por um lado, “todos estavam maravilhados das palavras cheias de graça que saiam da sua boca” (Lc 4:22); São Marcos relata que muitos diziam: “De onde lhe vêm estas coisas? E que sabedoria é essa que lhe foi dada?" (6,2). Por outro lado, no entanto, os  seus vizinhos o conhecem muito bem: é um como nós – dizem -. A sua pretensão só pode ser uma presunção (cf. A infância de Jesus, 11). "Não é este o filho de José?" (Lc 4, 22), como se dissesse: um carpinteiro de Nazaré, que aspirações pode ter?

E é conhecendo isso, que confirma o provérbio “nenhum profeta é bem recebido na sua pátria”, que Jesus dirige às pessoas, na sinagoga, palavras que soam como provocação. Cita dois milagres realizados por grandes profetas Elias e Eliseu em favor de pessoas não israelitas, para demonstrar que às vezes existe mais fé fora de Israel. Nesse ponto, a reacção foi unânime: todos se levantam e o expulsam, e até tentam jogá-lo no precipício, mas Ele, com calma soberana, passa pelo meio das pessoas furiosas e vai embora. Neste ponto surge a pergunta: por que que Jesus quis provocar esta ruptura? A princípio as pessoas estava admiradas por ele, e talvez poderia ter conseguido certo consenso... Mas, o ponto está justamente aqui: Jesus não veio para procurar o consenso dos homens, mas – como dirá no final à Pilatos – para “dar testemunho da verdade” (Jo 18, 37). O verdadeiro profeta só obedece a Deus, e se coloca à serviço da verdade, pronto para pagar pessoalmente. É verdade que Jesus é o profeta do amor, mas o amor tem a sua verdade. Na verdade, amor e verdade são dois nomes da mesma realidade, dois nomes de Deus. Na liturgia de hoje ecoam também estas palavras de São Paulo: “A caridade... não se ensoberbece, não se enche de orgulho, não é desrespeitosa, não busca seus próprios interesses, não fica com raiva, não leva em conta o mal sofrido, não se alegra com a injustiça, mas regozija-se com a verdade "(1 Cor 13,4-6). Crer em Deus significa renunciar aos próprios prejuízos e acolher o rosto concreto no qual Ele se revelou: o homem Jesus de Nazaré. E esta via leva também a reconhecê-lo e a servi-lo nos outros.

Nisto é iluminador a atitude de Maria. Quem melhor do que ela teve a familiaridade com a humanidade de Jesus? Mas nunca se chocou como os moradores de Nazaré. Ela guardava no seu coração o mistério e soube acolhê-lo sempre mais e sempre de novo, no caminho da fé, até a noite da Cruz e à plena luz da Ressurreição. Que Maria também nos ajude a percorrer com fidelidade e alegria este caminho.


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Papa: "Que a recordação do Holocausto represente uma advertência constante para não repetir os erros do passado"