sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

Verdade e coerência de fé e de vida

Mensagem do Bispo de Beja para a Quaresma de 2013


1. Valores do mundo e do Evangelho
A crise económica e financeira que o mundo atravessa e atingiu Portugal de modo a obrigar-nos a pedir ajuda externa, sem a qual muitos dos nossos serviços públicos e muitas famílias ficariam sem recursos para funcionar e sobreviver, veio acordar-nos da ilusão em que assentávamos o nosso relativo bem estar. Agora fala-se, escreve-se, discute-se, protesta-se, fazem-se greves, criticam-se governos e políticos anteriores e presentes, mas dá a impressão que ainda poucos se deram conta das ilusões sobre as quais baseiam os seus protestos. Todos querem voltar ao mesmo estilo e nível de vida, construindo sobre isso os seus projectos de felicidade.
 
Jesus Cristo, a sua vida e mensagem, continuadas na missão da Igreja, alerta-nos para outras prioridades, que, por vezes, se contrapõem aos nossos habituais desejos. Ao jovem rico que lhe pergunta que deve fazer para alcançar a vida eterna, para além do cumprimento dos mandamentos da lei, que ele já seguia fielmente, Jesus responde: «Se queres ser perfeito, vai, vende o que tens, dá o dinheiro aos pobres e terás um tesouro no Céu; depois, vem e segue-me» (Mt 19,21).
 
Esta radicalidade de espírito e de estilo de vida é pedida a todos os discípulos de Cristo. Os bens deste mundo são para administrar e nunca podem constituir um fim em si mesmos, como se fossem a finalidade da nossa vida, o nosso Deus.
 
A vida cristã e sobretudo esta fase do ano de oração da Igreja, chamada Quaresma, vem acordar-nos para os valores e atitudes fundamentais do Evangelho, procurando compreendê-los com toda a verdade e, com coerência, conformando a nossa vida com eles, para sermos autênticos discípulos de Jesus Cristo, cuja paixão, morte e ressurreição celebramos na Páscoa.

2. Aprofundamento do ser cristão
Ninguém opta por um estilo de vida sem sentido, sem convicção de que é possível e atraente. Cristo não quis e não quer escravos, mas pessoas livres, entusiastas, convencidas e alegres, apesar do caminho proposto ser exigente. Por isso também hoje precisamos de conhecer melhor a pessoa de Jesus, o seu testemunho de vida e a sua mensagem. Não podemos ser cristãos frios ou mornos, apenas por tradição. Temos de formar a nossa fé, conhecer as razões da nossa esperança e viver de acordo com elas.
 
Este ano da fé proclamado pelo Papa Bento XVI e o tempo da Quaresma são propícios para este aprofundamento. Na diocese de Beja estamos a celebrar um Sínodo, ou seja, um tempo de consciencialização da nossa fé cristã e corresponsabilização na vida e missão da Igreja. Para isso foram elaborados subsídios de reflexão em grupo, com alguns textos do Evangelho e do Concílio Vaticano II. Nesta primeira fase do Sínodo olharemos para a Igreja que somos e queremos ser e sobre os modos e meios de construção dessa Igreja, livre, leve e alegre, para que seja fermento de comunhão e de vida fraterna no mundo em que vivemos. Por isso é importante que nos serviços, movimentos e paróquias formemos grupos de reflexão, a fim de darmos o nosso contributo para a realização comunitária do nosso ser cristão.

3. Fé, caridade e partilha fraterna

Mas a vida cristã não é apenas conhecimento, reflexão, saber. A fé impele para a vontade de conformar a vida com aquele em quem acreditamos, Jesus Cristo, que nos diz: se me tendes amor, cumpri os meus mandamentos... Amai-vos uns aos outros como eu vos amei (Jo 15, 12).
 
Na sua mensagem para a Quaresma deste ano, o Papa Bento XVI afirma que crer na caridade suscita caridade. Contemplando o amor que Deus nos tem, manifestado na vida de Jesus Cristo, somos impelidos a responder com amor, querendo e fazendo o bem a quem Ele ama. Este é um processo sempre a caminho, nunca concluído. O cristão é uma pessoa conquistada pelo amor de Cristo e, movido por este amor, sempre aberto ao amor do próximo. A caridade é, pois, a vida da fé, afirma o Papa, que nos conforma cada vez mais a Cristo, de modo a podermos exclamar como S. Paulo: já não sou eu que vivo, mas Cristo (e os que Ele ama e quer salvar) que vive em mim (cf Gl 2, 20).
 
A fé e a caridade são dois dons de Deus e duas atitudes que se entrelaçam na vida do cristão, cuja origem está em Deus e cuja meta também o é, envolvendo aqueles com quem vivemos, de modo a olhá-los e tratá-los com os olhos e o coração de Cristo. Exemplo forte desta verdade e atitude foi a Madre Teresa de Calcutá.
 
Esta atitude leva-nos a uma profunda e verdadeira comunhão e partilha de valores e de bens materiais e espirituais com o nosso próximo. Daí que ninguém que acredita em Deus e ama Jesus Cristo pode ficar indiferente a quem sofre. Por isso na Quaresma os cristãos são mais sensíveis à partilha e solidariedade com quem mais precisa. A Quaresma, com as indicações que dá tradicionalmente para a vida cristã, convida-nos precisamente a alimentar a fé com uma escuta mais atenta e prolongada da Palavra de Deus e a participação nos Sacramentos e, ao mesmo tempo, a crescer na caridade, no amor a Deus e ao próximo, nomeadamente através do jejum, da penitência e da esmola, diz o Papa na sua Mensagem.
 
Neste tempo de Quaresma é habitual fazer-se um ofertório especial para a Caritas diocesana e nacional, no terceiro domingo e também uma renúncia em benefício de algumas intenções indicadas pelas dioceses. Na Quaresma de 2012 a diocese de Beja orientou o resultado dessa renúncia e partilha para duas finalidades: metade para o fundo diocesano de emergência social e outra metade para a diocese de Quelimane, em Moçambique, agradecendo a colaboração do Padre Erbério, que esteve na Amareleja. Até 5 de Fevereiro foram entregues na Cúria diocesana 16.297,33 €.
 
Este ano queremos orientar o produto da renúncia para três finalidades, mantendo-se uma delas, ou seja, um terço para o fundo de emergência social através da Caritas diocesana; outro terço para os pobres das missões dos Vicentinos em Moçambique, confrades dos religiosos a paroquiar no concelho de Santiago do Cacém e a animar as missões populares na diocese; e o último terço para ajudar o Carmelo de Beja, agora com 10 irmãs, algumas provenientes do Quénia.
 
Olhemos para os nossos irmãos mais pobres e aprendamos a descobrir neles o rosto de Cristo, que disse, sempre que fizerdes o bem a um dos mais pequeninos é a mim que o fazeis. Assim teremos um encontro mais intenso e profundo com Cristo e os nossos irmãos mais carenciados, dando-nos oportunidade de crescer na fé e na capacidade de amar, pois é dando que se recebe.
 
Desejo a todos continuação de uma Santa Quaresma em clima sinodal.

† António Vitalino, Bispo de Beja


Mensagens, videntes, fenómenos extraordinários? Estes são os critérios para distinguir os erros





quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

De judeu ortodoxo a judeu messiânico, logo evangélico e agora católico por Teresa de Ávila e Stein





Menos palavras e mais acção


difusão da palavra e das palavras atingiu nos nossos dias uma projecção universal nunca antes vista, devido mass media e às novas aos grandes redes sociais. Em contraposição, e infelizmente, o valor da palavra foi-se esvaindo e é cada vez mais residual.

É espantosa a facilidade com que se lêem os factos, se julga, se condena e se absolve na praça pública; é incrível a multiplicação dos “treinadores de bancada”, a profusão de pseudo videntes, autênticos mestres da alquimia, de sentença inquestionável e infalível. O cortejo podia continuar …

Não sei se é pela especial devoção que tenho a S. Tomé, o incrédulo discípulo de Cristo, que, perante os cenários tão surrealistas que nos pretendem “vender”, me interrogo: e depois das palavras, o que fica? Quais as consequências? O que vai mudar e melhorar?

O também discípulo de Cristo, Tiago, dizia convictamente: “uma fé sem obras é morta, é nula”. Parafraseando esta afirmação apetece-me dizer: palavras sem obras, sem compromissos, sem contributos para mudar o que está errado, valem muito pouco, quase nada.

Sei que, ao fazer esta afirmação, eu próprio serei incoerente, se não procurar seguir um caminho diferente e fazer algo pelos outros, pela Sociedade. Creio que, nesta hora de dificuldade, de crise, de provação para tantas pessoas e famílias em Portugal e por esse Mundo fora, são-nos pedidas, a todos nós, mais provas, obras, e menos verborreia.

Termino, por isso, com as palavras de dois grandes homens. O primeiro, alentejano e português, natural de Montemor-o-Novo, é conhecido como S. João de Deus, e o Mundo inteiro confirma a grandeza da sua obra: “Fazei o bem, irmãos” foi o seu lema. O outro, Baden Powell (BP) é inglês, fundou o Escutismo e deixou-nos uma frase lapidar para seguirmos: “procuremos deixar este mundo um pouco melhor do que o encontrámos”.

“Palavras, leva-as o vento”. Por isso, caríssimos leitores, para mim e para vós, aqui fica mais um desafio.

Pe. Manuel António Guerreiro do Rosário 

A religiosa «twitter» já tem milhares de seguidores... Diz como há que evangelizar na rede





quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

Aleteia, o agregador mundial de webs católicas, firma aliança com o Google para revolucionar a rede

Fundado por Jesús Colina

Alguns chamam-no uma "santa aliança" entre Aleteia e Google, um acordo de colaboração entre os dois gigantes do ciberespaço que favorecerá os portais católicos.

Actualizado 30 Janeiro 2013

ReL / Vatican Insider


O Aleteia é um agregador mundial de portais católicos fundado há ano e meio pelo jornalista espanhol Jesús Colina, fundador, por sua vez, da agência de notícias católicas Zenit, e seu director até 2011.

O Aleteia é um espaço que engloba as webs católicas e apresenta-se como a «rede católica mundial para partilhar recursos sobre a fé com aqueles que buscam a verdade». Um projecto potente que tem a sua sede em Roma, muito próximo do Vaticano, e que acaba de estabelecer uma aliança com o gigante das buscas em linha Google.

O desafio do Google
Para Luca Giuratrabocchetta, presidente do Google em Itália: «A colaboração com o Aleteia representa um enorme desafio: facilitar o acesso a uma quantidade muito elevada de informação e favorecer a interacção entre uma quantidade enorme de utilizadores no mundo com absoluta eficiência, confiabilidade e segurança. Desde o primeiro encontro com o Aleteia gostámos de empreender este percurso juntos, pondo ao serviço da rede a experiência e a tecnologia da Enterprise (tanto na modalidade “Search” como na “Cloud”) que é parte do ADN do Google».

A colaboração entre o Aleteia e o Google Enterprise materializa-se sobretudo na adopção, por parte do Aleteia, da tecnologia do Google Search Appliance, um motor de busca interno destinado à valorização dos conteúdos publicados pelos partners do Aleteia na galáxia católica da rede.

Através do que em jargão internauta se chama “web listening”, a rede oferece a possibilidade de analisar as tendências mais importantes (“trending topics”), os argumentos mais importantes das discussões na linha relevantes para a Igreja.

... E oferecerá publicidade
Graças ao acordo com o Google, o Aleteia poderá ajudar a rentabilizar a publicidade dos portais católicos com o projecto AdEthic, um sistema para publicar publicidade especial nos sítios que tratem argumentos católicos.

A rede também lançou a primeira app para telefones inteligentes e tablets, dedicada ao Ano da Fé e que se chama “Porta Fidei”. Esta app oferecerá uma cobertura em tempo real dos factos mais importantes e dos discursos de Bento XVI e da Igreja no mundo durante o ano.

Uma comunidade internauta católica em crescimento
Além disso o Aleteia adopta a plataforma cloud do Google App Engine, para responder às exigências de uma comunidade em crescimento, que potencialmente reúne mais de um bilião de pessoas de todo o continente.

O Google App Engine é a plataforma de hosting e desenvolvimento de aplicações do Google, que permite a criação de aplicações web de um tráfico elevado sem ter que gerir a infra-estrutura graças ao uso da mesma tecnologia que fornece de velocidade e fiabilidade as webs do Google. O Google App Engine favorecerá a máxima escalabilidade global da plataforma, garantindo um nível de segurança de conectividade (Service Level Agreement) igual a 99,95%.

Foi sobre o Google App Engine que a Scube NewMedia, Google Enterprise Premium Partner, desenvolveu a aplicação de framework APE, usada para criar uma plataforma inovadora para gerir e publicar os conteúdos do Aleteia.org. APE tornou possível a integração dos serviços e das tecnologias web-based, habilitando o controlo centralizado do portal desde qualquer dispositivo e optimizando a consulta dos utilizadores desde qualquer parte do mundo.

A Scube NewMedia apoiou o Aleteia na criação e desenvolvimento do projecto tecnológico, formando plataformas e soluções para integrar os serviços Cloud e do Google. Além de ter contribuído à sinergia entre as diferentes tecnologias, a Scube NewMedia pôs à disposição do Aleteia as suas competências e a sua grande experiência como Cloud Solutions Provider.

No dia de hoje, centenas de partners provenientes da network do Aleteia e de todo o mundo católico pediram o poder usar os serviços de advertising do Aleteia, que prevê poder estar em pleno rendimento no próximo mês de Março, depois de um tempo de provas com o Aleteia.


in

Da Moscovo comunista ao Vaticano, umas quantas histórias da Madre Teresa de Calcutá