sábado, 9 de fevereiro de 2013

O Papa Bento XVI é um grande teólogo, um dos maiores

Gerhard Ludwig Müller, prefeito da Doutrina da Fé
"Sofremos um secularismo pelo que o homem perdeu o rumo da vida"

José Manuel Vidal, 31 de Janeiro de 2013 às 13:50


José Manuel Vidal).- Gerhard Ludwig Müller, prefeito da Doutrina da Fé, o dicastério mais importante da Cúria romana, impõe pela sua estatura e seduz pela sua proximidade e amabilidade. Esteve em Madrid para participar na festa de São Tomás da Universidade São Dâmaso e, antes de pronunciar a sua conferência, atendeu durante uns minutos à RD e à 13TV.

Num bom espanhol, o arcebispo alemão respondeu a umas poucas perguntas. Outras, muitas, ficaram-se pelo tinteiro. Assegura que Bento XVI é "um dos maiores teólogos" de todos os tempos, denuncia o "secularismo" e diz que a Espanha "necessita teólogos jovens".

Que significado tem o pensamento de Bento XVI para a cultura ocidental no momento histórico no qual nos encontramos?


O Papa Bento XVI é um grande teólogo, um dos maiores. É o grande teólogo de hoje para os homens do nosso tempo, e também para o futuro, porque o Papa, como teólogo e filósofo, conhece toda a história da teologia, da filosofia, da cultura que temos no Ocidente; e isto parece-me muito importante para as perguntas existenciais que temos hoje sobre a paz, a liberdade religiosa, a justiça social... Para todos os valores e os princípios da ética individual, mas também da ética social, a qual necessitamos tanto.

Também é um grande teólogo da relação do homem com Deus, que é o fundamento da existência humana, e que é muito importante neste mundo no qual sofremos um secularismo pelo que o homem perdeu o rumo da vida e do desenvolvimento da personalidade humana. Por isso é fundamental sublinhar esta relação que temos com Deus, nosso criador e salvador.

Pode fazer-nos uma breve síntese da sua conferência da abertura da Jornada de São Tomás, que versa sobre a liturgia?


O primeiro volume das obras do Santo Padre é sobre a liturgia, e foi assim por própria decisão do Papa, porque ele disse que a liturgia é a fé realizada, vivida. Quer dizer, que a fé não é só uma teoria sobre Deus, um conjunto de ideias ou pensamentos. A relação com Deus é a vida da Igreja que se realiza primariamente na liturgia. Mas a liturgia não está isolada, mas sim está unida ao martírio e à diaconia. São as três dimensões da vida da Igreja, das que a liturgia é o núcleo da existência do cristiano.

Monsenhor, como se vê desde a Congregação para a Doutrina da Fé a situação da fé em Espanha?


Em Espanha temos boas faculdades e universidades de Teologia, mas necessitamos também jovens teólogos que se comprometam totalmente com os homens de hoje, e com a relação entre fé e razão. A intelectualidade da fé é muito importante, não só para a Igreja, mas sim para toda a sociedade (de Espanha e da Europa), para um bom desenvolvimento e um bom futuro.




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sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

O Vaticano doa 100.000 euros para restaurar o tecto da basílica da natividade em Belém

Basílica do Natividade em Belém. EFE
Reunião Al-Maliki e Balestrero

Encerraram um projecto de acordo

Redacção, 31 de Janeiro de 2013 às 16:49

O Vaticano doará 100.000 euros para a restauração da Basílica da Natividade em Belém, segundo se anunciou durante a Comissão Bilateral Permanente de Trabalho entre a Santa Sé e a Organização para a Libertação da Palestina (OLP), celebrada em Ramallah.

O encontro oficial, que teve lugar no Ministério das Relações Exteriores palestiniano, foi presidida pelo ministro de Exteriores palestiniano, Riad Al-Malki e pelo subsecretário para as Relações com os Estados, o arcebispo Ettore Balestrero.

Segundo informa o Vaticano, "as partes tiveram um intercâmbio de visões sobre o projecto de acordo em exame, em particular sobre o preâmbulo e sobre o capítulo 1 do tal acordo".

Além disso, a nota indica que "os colóquios realizaram-se numa atmosfera aberta e cordial, expressão das boas relações existentes entre a Santa Sé e o Estado da Palestina" e acrescenta que "as delegações expressaram o desejo de que as negociações se acelerem e alcancem uma rápida conclusão" e acordaram que "um grupo técnico conjunto dará seguimento".


Por outro lado, assinala que a Comissão Bilateral Permanente de Trabalho entre a Santa Sé e o Estado de Israel conseguiu "avanços significativos" nas negociações concernentes ao Acordo Fundamental relativo a matérias económicas e fiscais, durante uma reunião plenária que mantiveram esta terça-feira em Jerusalém, segundo informaram num comunicado conjunto.

O encontro que teve lugar no Ministério dos Assuntos Exteriores de Israel foi presidido pelo subsecretário para as Relações com os Estados, o arcebispo Ettore Balestrero, e pelo vice-ministro de Assuntos Exteriores de Israel, Danny Ayalon, M.K.

Segundo indicaram, "as negociações desenvolveram-se numa atmosfera aberta, amistosa e construtiva" e a comissão assegura que se conseguiram "avanços significativos" e que se "espera uma rápida conclusão do acordo". As partes decidiram os passos seguintes para a conclusão do acordo, e celebrarão a próxima reunião plenária em Junho de 2013 no Vaticano.

(Rd/Ep)


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Carolina, acidentada e deprimida, mudou quando viu a Virgem e sonhou com Jesus

Convalescente no hospital, depois de uma operação

O choque no automóvel estragou a sua perna. Perdeu o trabalho e sentia-se uma carga para os seus, muito limitada. A depressão a acossava. Uma visita muito especial a transformou.

Actualizado 31 Janeiro 2013

Carlos Ramos / Sem. Fides / ReL

Um lamentável acidente em automóvel quase custa a vida a Carolina Toro. Na sua mente ainda ficaram sequelas daquele 19 de Outubro de 2007, quando ficou à beira da morte num acidente no Anel Periférico que circunda a cidade de Tegucigalpa e Comayagüela, nas Honduras.

“Porquê a mim?", perguntou-se Carolina. Recorda as palavras do doutor que a atendia que friamente lhe disse que “não voltaria a andar”, que a sua perna não se poderia recuperar.

“Foi um momento muito duro na minha vida, realmente não acreditava o que estava vivendo. Uma semana depois do acidente fizeram-me uma cirurgia. Nessa cirurgia puseram-me nove parafusos, uma placa, isto para saber se no futuro podia voltar a andar”, acrescenta Carolina.

Depressão e desemprego
A depressão apareceu de imediato. Carolina, uma mulher jovem e alegre, de bom trato, profissional publicitária, que disfrutava da vida, via-se agora limitadíssima e desanimada.

Ficou sem emprego. “Eu queria ajudar economicamente a minha família, mas ao ver-me com bengala e muletas fechavam-se-me as portas”. Contava com o sustento dos seus pais, incondicional. “Sempre estiveram comigo”, assinala.

Oração e ajuda
Entre tanto vazio e perguntas sem respostas encontrou suporte espiritual no seu grupo de oração. Na Bíblia encontrava mensagens que incrementavam os seus ânimos.

Além disso, ao pouco de pôr-se a orar a sério, Carolina afirma que "o Senhor mandou um anjo, a minha tia Lícida García, que um dia chegou a minha casa e disse-me: “eu quero-te ajudar”.

Depois de dois longos anos com complicações na sua perna, voltou novamente a ser avaliada por um médico. “A minha tia levou-me ao hospital. O doutor disse que necessitava outras cirurgias”. Apesar das novas operações, o joelho continuava desviado.

“Emocionalmente não me sentia bem, eu sentia que todas as pessoas me olhavam e me rejeitavam, mas pela Graça de Deus pude andar novamente”.

Uma Mulher branca de faces rosadas
Tudo mudou à raiz de uma experiência muito especial que Carolina viveu na cama do hospital, depois de uma das cirurgias.

Despertou desesperada, porque temia voltar a viver o passado: horas na cama e dolorosos processos de recuperação.

“Abri os meus olhos e vi uma Mulher branca com as suas faces rosaditas, que me ficou olhando fixamente e me disse: filha, não te preocupes, de agora em diante deixa tudo nas minhas mãos. Essa mulher era a Virgem Maria, que sempre esteve ao meu lado”, assegura Carolina ao Semanário Fides.

Depois desse encontro, recorda que dormiu novamente. “Vi Jesus nos meus sonhos. Ele estendeu-me a mão e levantou-me. E desde esse dia a minha vida mudou e todo o passado se apagou.”

Uma vida nova
Desde esse dia, depois dessas visões, Carolina voltou a sorrir e voltaram-lhe as forças para viver. Um tempo depois encontrou trabalho e a sua família está feliz de vê-la recuperada.
“Quero dizer às pessoas que quando se passam por momentos duros onde se vê que tudo custa a subir, que sempre se chegará lá acima com a fé posta em Deus", propõe Carolina.

"A mim disseram-me que não voltaria a andar e graças a Deus aqui estou, servindo-o a ele. Digo-lhe que confiem em Deus, que o amém, que o louvem. E que confiem na mãe Maria que sempre intercede por nós”.


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Ver, julgar e agir


É frequente ouvir dizer que "isto está mal", "aquilo também"... "não há nada a fazer", "está tudo perdido", etc, etc, etc.

Este tipo de comentários enferma de uma mentalidade que me parece nada trazer de positivo, na medida em que apenas se limita a ler a realidade, a preto e branco, no geral, partindo de um prisma discutível de negatividade, e a julgar, se tal for o caso. Mas, e depois? Fica-se apenas por aí? Que propostas de mudança para melhor? Que gestos e que compromissos que tragam algo de diferente e de melhor são apresentados?

Se o silêncio e a apatia não são positivos porque manifestam desinteresse e abrem a porta à alienação e à fuga da realidade também não é menos nociva a discussão superficial e estéril, porque dela não surgem igualmente consequências que envolvam os seus autores. Razão tem o povo ao dizer que "os extremos se tocam".

Há ainda uma expressão que se utiliza no nosso país, na gíria futebolística, mas que aqui também tem aplicação: "ser treinador de bancada". É fácil exercer esta profissão e dar sentenças sobre tudo e todos, mas, o que resulta daqui? Nada! Palavras, apenas palavras e às vezes demagogia. Na Igreja existe um Movimento, embora neste momento tão tenha a expressão que já teve noutros períodos, chamado: "Acção Católica'. Um dos seus principais lemas resumia-se em três verbos: Ver, Julgar e Agir. Apesar da clareza deste tripé, penso não ser fácil realizar o que nele se preconiza. Senão vejamos. O Ver parece simples, o julgar já pressupõe ter instrumentos para efectuar esta operação, quanto ao agir, é ainda mais complexo, pois para agir é necessário abandonar o torpor, o comodismo, o "dolce fare niente", e empenhar-se em fazer algo de diferente e de melhor, e melhorar aquilo que a visão e o juízo descobriram.

Ao olhar para a realidade do nosso país e para os comentários da lista dos infindáveis "profetas" que se limitam a ver e a julgar, apenas sob determinada perspectiva, apetecia-me dizer tantas vezes: mas o que é que você propõe e está disposto/a fazer?

É claro que ao dizer isto me estou a comprometer eu próprio em fazer algo, caso contrário, poderei cometer o mesmo erro que é objecto da minha crítica. Assumo esse risco e espero poder dar o meu contributo para inverter este ciclo vicioso do Ver e Julgar, sem Agir.

Este lema, apesar de ter sido pensado num contexto cristão e proposto a cristãos, que não desejem ser meros ouvintes, mas actores comprometidos na história deste mundo, pode, sem dúvida, ser entendido e seguido mesmo por quem não seja cristão, ou mesmo crente, desde que esteja disposto a fazer alguma coisa para que mude algo daquilo que julgamos não estar bem.

Foi com este mesmo espírito que Baden Powell, fundador do Escutismo, desafiou os escuteiros a não caírem no imobilismo e na demagogia mas a procurarem: "deixar este mundo um pouco melhor do que o encontraram". Porque não aceitamos também nós este desafio para o novo ano que iniciámos há pouco? Tanta coisa mudaria!

Caros leitores, para vós e para mim deixo este apelo, na certeza de que se o acolhermos poderemos deixar a nossa marca positiva "a nossa pegada ética e existencial" no mundo em que vivemos. Coragem. O presente e o futuro esperam isso de nós e os mais novos merecem-no.
Pe. Manuel António Guerreiro do Rosário
in Ecos de Grândola, nº 250, 08 de Fevereiro de 2013

Se a religião impõe o silêncio

A repressão continua em muitos países

Roma, 07 de Fevereiro de 2013

O recente julgamento e condenação de Saeed Abedini no Irão, despertou mais uma vez a atenção da opinião pública sobre a falta de liberdade religiosa nos países com maioria muçulmana.

Abedini, nascido no Irão, mas naturalizado americano, no momento da prisão estava visitando o seu país natal. O homem, que foi muçulmano, se converteu ao cristianismo. Nos anos passados instituiu algumas igrejas no Irão, mas depois da sua prisão voltou a trabalhar num orfanato.

No passado 27 de Janeiro Abedini foi condenado a oito anos de prisão por um juiz do Tribunal Revolucionário, que afirmou que o seu compromisso de estabelecer igrejas ameaçaria a segurança nacional no Irão (cfr. World Watch Monitor, 29 de Janeiro).

"Temos sérias dúvidas sobre a clareza e sobre a transparência do processo ao Sr. Abedini", disse o novo secretário de Estado americano, John Kerry, consultado sobre o assunto durante a sua audiência no Senado (cfr. Christian Post, 30 de Janeiro).

"Junto com o governo dos EUA, eu condeno a contínua violação do direito universal à liberdade religiosa por parte do Irão e chamo a atenção das autoridades de Teerão, para respeitar os direitos humanos do Sr. Abedini e libertá-lo”, acrescentou Kerry.

No passado 21 de Novembro, o Pew Forum on Religion and Public Life publicou um dossier sobre as leis contra a blasfémia, a apostasia e a difamação da religião.

O documento relata alguns casos recentes, entre os quais a da adolescente de 14 anos paquistanesa presa com a acusação de ter tirado páginas do Alcorão.
Se por um lado muitas violações envolvem países islâmicos, os muçulmanos não são os únicos a restringir a liberdade religiosa. Um exemplo é aquele da acusação de blasfémia de um homem por algumas alusões satíricas à Igreja Ortodoxa, publicadas online.

Sanções
De acordo com o estudo da Pew, em 2011, quase metade (47%) dos países e territórios ao redor do mundo têm leis e políticas que punem a blasfémia, a apostasia ou a difamação da religião.

Dos 198 países pesquisados, 32 (16%) esperam leis anti-blasfémia, 20 (10%) têm leis que penalizam a apostasia e 87 (44%) têm leis contra a difamação da religião, entre as quais está incluída a incitação ao ódio contra os membros de outras religiões.

Um estudo anterior do Pew Forum sobre este assunto descobriu que as restrições à liberdade religiosa são muitas vezes vigentes em vários países com severas restrições governamentais à religião ou a altos níveis de hostilidade social incluindo a religião.

Leis anti-blasfémia são particularmente difundidas no Oriente Médio e no Norte da África, enquanto que estão completamente ausentes na Europa e nas Américas.

Por outro lado, as leis contra a difamação da religião, são mais comuns na Europa, onde estão previstas em 36 países de 45. O estudo destaca, no entanto, que muitas dessas leis estão relacionadas a sanções contra o incitamento ao ódio, ao invés da difamação em si.

As últimas notícias e resultados do estudo Pew Forum confirmam as preocupações manifestadas em um livro publicado no final de 2011, por Paul Marshall e Nina Shea. In Silenced: How Apostasy and Blasphemy Codes are Choking Freedom Worldwide ((Silenciados: como as leis contra a a apostasia e a blasfémia estão sufocando a liberdade no mundo), publicado pela Oxford Press, os autores examinam seja os países de maioria muçulmana que as nações ocidentais, como tentativas de introduzir restrições à blasfémia por meio das Nações Unidas.

Extremistas
Com relação aos países muçulmanos, Marshall e Shea observam que as restrições são usadas para colocar um freio na liberdade de intelectuais, escritores, dissidentes e activistas pelos direitos humanos. As liberdades políticas e académicas são frequentemente limitadas.

Os autores, além do mais, afirmam que as restrições incentivam uma fechada ortodoxia religiosa e favorecem a posição dos extremistas que usam estas leis para intimidar aqueles que procuram a reconciliação entre os países islâmicos e o resto do mundo.

Muitas vezes, as leis são muito gerais e os tribunais não são obrigados a seguir definições precisas. Por exemplo, na Malásia é ilegal publicar "fatos controversos que possam debilitar a fé dos muçulmanos".

No Paquistão as leis anti-blasfémia proíbem todo ato que seja uma ofensa "por meio de imputações, insinuações ou referências, directa ou indiretamente”.

Além das restrições legais, um dos capítulos do livro lança um olhar sobre os actos de violência realizados por extremistas. "Se por um lado as estruturas legais dos discursos religiosos são perigosos, um problema mais abrangente e, de muitas maneiras, mais profundo, é a violência e as ameaças contra aqueles que são acusados de insultar o Islã”, observam os autores.

A ameaça de tal violência pode levar à auto-censura. Um caso como esse aconteceu em 2009, quanto a Yale University Press se recusou a publicar uma imagem das caricaturas dinamarquesas que acendeu uma polémica em todo o mundo, embora o livro tinha sido promovido como o estudo mais profundo sobre as mesmas caricaturas.

O que está em jogo é o enfraquecimento da liberdade fundamental da religião e da expressão, conclui o livro, que também lança um apelo aos políticos para uma melhor compreensão do papel da religião na política e a qualquer pessoa para defender com mais vigor a liberdade religiosa. Uma chamada hoje mais do que actual.


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Uma Europa a ser completada: unidade política e valores comuns

Roma: 33º Congresso Bachelet, promovido pela Acção Católica Italiana

Roma, 07 de Fevereiro de 2013

“Olhar para a Europa e vislumbrar a sua riqueza e o seu potencial, sem esconder os seus limites e cansaços, sempre na certeza de que, sem a Europa, seria difícil nos enxergarmos no contexto político, económico e social de hoje”. Esta é a proposta do 33º Congresso Bachelet, "Uma Europa a ser completada: unidade política e valores comuns", evento cultural tradicional da presidência nacional da Acção Católica Italiana e do Instituto Vittorio Bachelet, voltado ao estudo dos problemas sociais e políticos do continente e realizado anualmente em homenagem ao presidente morto pelas Brigadas Vermelhas, em 12 de Fevereiro de 1980. O evento acontece em Roma nesta sexta-feira e no sábado.

Como observador atento do que ocorria no rescaldo da II Guerra Mundial em solo europeu, Vittorio Bachelet escreveu em 1953: "A Europa não é fácil de construir e há quem já acuse de lerdo o processo de unificação europeia. Mas a unificação democrática, com base na discussão e na colaboração, não pode não ser lenta: esta é a única maneira de se identificar o bem comum, que é o bem verdadeiro para todos".

Sessenta anos mais tarde, aquela intuição política ainda permanece. O caminho percorrido foi longo: o número de países membros, as áreas de intervenção europeia, as fronteiras derrubadas, os direitos protegidos. E é longo ainda o caminho a ser trilhado: a complementação da unidade política e a construção da unidade na diversidade entre os povos e as culturas.

No último ano, a Europa foi protagonista do acontecer público, mostrando a sua presença em muitas das decisões dos países da União, agindo como interlocutora principal na solução da crise. Esta exposição mostrou que hoje é impensável agir em âmbito apenas nacional para domar os mercados e salvar a democracia, mas, ao mesmo tempo, trouxe de volta à tona o antieuropeísmo que ainda rasteja em alguns governos e mesmo em cidadãos europeus. A crise financeira, aliás, foi transformada muitas vezes numa crise social e de confiança nas instituições europeias. O continente se vê numa situação de transição, que pede, de todos, sabedoria e visão, para que o progresso alcançado não se perca no horizonte.

Participam no 33º Congresso Bachelet: Gian Candido De Martin, presidente do Conselho Científico do Instituto Vittorio Bachelet; Lucio Caracciolo, diretor da Limes; Ugo De Siervo, presidente emérito do Tribunal Constitucional italiano; Leonardo Becchetti, da Universidade Tor Vergata; Fabio Mazzocchio, da Universidade de Palermo; dom Domenico Sigalini, assistente geral da Acção Católica Italiana; Lorenzo Caselli, da Universidade de Génova; Filippo Andreatta, da Universidade de Bolonha; Francesco Malgeri, da Universidade La Sapienza; dom Pero Sudar, bispo auxiliar de Sarajevo; Ilaria Vellani, diretora do Instituto Vittorio Bachelet; e Franco Miano, presidente da Acção Católica Italiana.


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Beato Pio IX

O papa da cruz, defensor de Maria e José


Roma, 07 de Fevereiro de 2013


Giovanni Maria Mastai-Ferretti, o nono filho dos condes Girolamo Mastai e Caterina Solazzi, nasceu em 13 de maio de 1792 em Senigallia, Marca de Ancona, Itália. A epilepsia interrompeu seus estudos durante alguns anos, até que, em 1815, depois de uma peregrinação a Loreto, a doença desapareceu. Antes disso, já que o pai sonhava em vê-lo na Guarda Nobre do papa, Giovanni tinha apresentado o pedido de aceitação, que foi negado precisamente por causa da doença. Ele não se importou. Afinal, o que realmente queria era ser sacerdote, e, livre da epilepsia, pôde seguir a carreira eclesiástica e ser ordenado em 1819.

Oficiou a primeira missa na igreja de Santa Ana, perto de um centro para jovens sem lar, onde realizaria um fecundo trabalho apostólico até 1823. O papa Pio VII o enviou depois para uma delicada missão: ser auditor do delegado apostólico no Chile e no Peru. Sua acção apostólica se polarizava na caridade para com os pobres e nas sucessivas tarefas pastorais que foi recebendo. Foi cónego de Santa Maria em Via Lata, dirigiu o grande hospital San Michele, foi arcebispo de Spoleto, cardeal presbítero titular da igreja dos Santos Pedro e Marcelino, entre outras responsabilidades. Grande diplomata e estrategista, fez com que milhares de desertores do exército australiano depusessem as armas e, ao se entregarem, obtivessem indulto.

Foi eleito pontífice em 16 de Junho de 1846. Era o sucessor de Gregório XVI. Foi chamado de papa da cruz, e não à toa: seu longo pontificado de 32 anos transcorreu por uma época histórica muito difícil. Lutas entre facções políticas desencadearam ataques e saques às igrejas italianas. A República Romana, proclamada por Giuseppe Mazzini, Carlo Armellini e Aurelio Saffi, foi a pique com a intervenção das tropas francesas. E o papa, que teve que se refugiar em Gaeta, pôde voltar enfim para a cidade de Roma. Tinha sido acolhido com esperança, graças ao seu carácter aberto, mas se negou a claudicar perante as exigências do poder laico. Em paralelo, também se opôs frontalmente à maçonaria.

Em 1845, proclamou o dogma da Imaculada Conceição, fato histórico eclesial de grande relevância. Em 1864, promulgou a encíclica Quanta Cura. O anexo Sillabus, que faz parte dela, é uma listagem de ensinamentos proibidos, com que a Igreja condenava os erros do momento, assim como conceitos liberais e iluministas. Entre as causas dos males que afligiam a Igreja e a sociedade da época, o clarividente pontífice apontou o ateísmo e o cientificismo do século XVII, postulados pela maçonaria e exaltados pela Revolução Francesa. Atacado pelos maçons, permaneceu incólume na defensa da verdade proclamada por Cristo e continuou impulsionando a unidade da Igreja.

Designou São José como padroeiro de toda a Igreja, deu grande importância à espiritualidade popular, reconheceu as aparições de Maria em Salette e em Lourdes, convocou o Concílio Vaticano I (1869-70), e, dentro dele, promulgou o dogma da infalibilidade papal.

Em 1870, quando Roma foi tomada por facções piemontesas, recluiu-se no Vaticano. Mas nada podia acabar com a Igreja, e foi isto o que ele gritou aos quatro ventos: “Nada é mais forte do que a Igreja. A Igreja é mais forte que o próprio céu, pois tem a palavra de Jesus: o céu e a terra passarão, mas as minhas palavras não passarão”.

Seu amor sem reservas pela Igreja, a prática da caridade, a fidelidade ao sacerdócio e a protecção dos missionários foram as paixões deste grande pontífice. De quebra, tinha um senso de humor extraordinário. Quando a anestesia de uma operação não foi suficientemente efectiva, por exemplo, ele não se queixou. Mas, no final, enquanto agradecia ao médico, não deixou de lhe dizer: “Você é um astrónomo formidável. Me fez ver mais estrelas do que o director do observatório com o telescópio”. Simples e aberto, recebeu grande carinho das pessoas. Morreu em 7 de Fevereiro de 1878.

O beato José Baldo sintetizou sua vida asseverando: “A história dirá que todo o mundo manteve os olhos cravados em Pio IX. Dirá que ele teve a força do leão e a doçura, a ternura e a suavidade de uma mãe”.

Sua causa de beatificação foi longa e complexa, desde que Pio X a iniciou em 11 de Fevereiro de 1907. Em 7 de Dezembro de 1954, Pio XII voltou a se ocupar do processo. Paulo VI deu-lhe importante impulso e, em 1986, a causa se encerrou com o milagre da cura inexplicável de uma religiosa. Finalmente, João Paulo II o beatificou em 3 de Setembro de 2000.


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