terça-feira, 30 de abril de 2013

Festival Terras sem Sombra em Grândola


No Tempo dos Trovadores
Marc Mauillon, grande senhor da música medieval,
estreia obras de Machaut


A igreja matriz de Grândola recebe, a 4 de Maio, pelas 21h30, um momento alto da 9.ª edição do Terras sem Sombra. O ciclo de concertos de 2013, que vai até meados de Julho, centra-se na polifonia, fenómeno que atingiu a plena maturidade durante o séc. XIV, em França, com Guillaume de Machaut. A obra deste notável compositor e poeta constitui o fio condutor para uma estreia prometedora, com Marc Mauillon, um dos mais famosos barítonos da actualidade, acompanhado por músicos de excepção, como a violetista Vivabiancaluna Biffi, o alaudista Michaël Grébil e o flautista Pierre Hamon. Ouvir-se-á, pela primeira vez em Portugal, um repertório de incomparável beleza.

Guillaume de Machaut, que viveu entre 1300 e 1377, foi o grande responsável pela definição das bases rítmicas da composição polifónica e o primeiro compositor a adquirir verdadeira consciência da importância do livro para a transmissão e a difusão do seu trabalho, que chegou até nós graças a inúmeros manuscritos por ele redigidos. Em Grândola, o Festival apresenta, com membros de Le Poème Harmonique, um concerto dedicado às suas canções trovadorescas, que misturam o Sagrado e o Profano, um fenómeno característico da Ars Nova, tirando partido da poesia musicada. 

Regressa-se, assim, entre cavaleiros e damas, ao ambiente das cortes dos finais da Idade Média, um tema muito adequado a Grândola. Esta localidade, famosa pelos recursos cinegéticos, foi escolhida por D. Jorge, duque de Coimbra e mestre das Ordens de Santiago e Avis, para instalar, ao redor de 1500, um dos seus paços, ponto de apoio para a caça grossa, actividade tradicional no quotidiano da nobreza. Essa mansão senhorial tornar-se-ia, aliás, um foco fundamental para o desenvolvimento de Grândola, que veio a ser elevada a vila e sede de concelho, em 1544, por iniciativa de D. Jorge. 

Desaparecido o palácio do mestre de Santiago, permanece outro monumento por ele mandado reconstruir, a igreja matriz, uma referência do património local, que tem vindo a ser alvo de recuperação por parte da paróquia. À semelhança dos outros espaços visitados pelo Terras sem Sombra, possui brilhantes condições acústicas para a interacção dos instrumentos medievais com a voz humana. Isto faz dela uma atmosfera ideal quando se trata da execução de peças da tradição trovadoresca, realçando a aura da luzida corte que acompanhava o duque-mestre.

Intérpretes excepcionais para um repertório único

Premiado na categoria de Révélations das Victoires de la Musique 2010, Marc Mauillon é uma das vozes mais importantes da actualidade. O Barroco representa um dos seus campos privilegiados (King Arthur, com o Concert Spirituel; Adónis, de Venus and Adonis, em Caen, Luxembourg, Lille, Grenoble, Nantes e Angers; Monteverdi e Gabrieli com o Teatro La Fenice, de Veneza), tal como a música antiga (gravações de Machaut e colaboração em diversos programas de Jordi Savall), mas interpretou também repertórios recentes (Les Contes d'Hofmann, com os Musiciens du Louvre, de Marc Minkowski).

Vivabiancaluna Biffi tem colaborado com algumas das mais destacadas formações de música antiga: Alla Francesca; Salon des Musiques; Hesperion XXI; Les Flamboyants; Ensemble Peregrina. Integrou projectos pioneiros, como L’Amoureus Tourment, Le Remede de Fortune e Mon Chant Vous Envoy, com Pierre Hamon e Marc e Angélique Mauillon; e Si come al Canto, com Catalina Vicens, Els Janssen, Susanne Ansorg e Marc Mauillon. Tem gravado inúmeros discos para editoras como Eloquentia, Raumklang, Empreinte Digital, K617 e Aeon.

Compositor, multi-instrumentista e cantor, Michaël Grébil dança sobre um estreito fio entre diferentes universos sonoros e poéticos. Há longos anos que colabora com agrupamentos de renome internacional, mormente Hesperion XXI. Tem igualmente realizado recitais a solo em que dá a conhecer as suas pesquisas sobre a prática instrumental medieval e como ela pode ser entendida, hoje em dia, com grande modernidade. Foi esta modernidade, aliás, que o conduziu a terrenos ainda mais escarpados, explorando timbres estratos e dinâmicas através da música electroacústica. 

A inclinação para a pesquisa constante dos sons levou Pierre Hamon, discípulo de Hariprasad Chaurasia, ao universo da música medieval. Após ter participado com Les Arts Florissants e o ensemble Gilles Binchois no renascimento na música antiga, tornou-se um colaborador privilegiado e fiel de Jordi Savall, tocando e gravando ao seu lado em diferentes partes do mundo. Co-dirigiu, com Brigitte Lesne, o ensemble Alla Franscesca. A partir de 2007, consagrou-se, com Marc Mauillon e Vivabiancaluna Biffi, a projectos em torno do músico-poeta Machaut, alvo de concertos e gravações que mereceram o aplauso da crítica internacional.

O Festival abraça a gestão sustentável do montado

O montado de sobro e de azinho constitui o sistema florestal dominante em Portugal. Apesar da sua vasta expressão e do seu estatuto de protecção, encontra-se ameaçado, devido não só a alterações climáticas e problemas sanitários, mas também, e principalmente, a más práticas de gestão. No decurso da actividade agrícola ou florestal, mesmo quando isso não se torna perceptível a curto prazo, existem impactos para a conservação da natureza. Importa garantir que o balanço penda para estes, optando por uma gestão sustentável dos recursos e por uma postura activa na conservação da natureza e da biodiversidade.

É este o contexto para a acção que o Terras sem Sombra na Herdade das Barradas da Serra, na manhã de 5, pelas 10h30, com músicos, espectadores, escolas do concelho e voluntários. O programa incidirá nos bons exemplos de gestão do montado, assentes em três temáticas: a regeneração natural da mata (identificação de árvores jovens, sinalização e protecção; reconhecimento das classes de idade no montado); a conservação do solo, da água e do sistema radicular dos sobreiros (controlar matos sem revirar o solo; protecção do solo na área da projecção da copa do sobreiro); e a promoção da biodiversidade (aproveitamento de materiais existentes para a construção de refúgios e esconderijos da fauna selvagem; sinalização com vista à preservação de sebes/arbustos naturais para abrigo e nidificação; construção de pontos de água). A iniciativa conta com a colaboração do Instituto de Conservação da Natureza e da Biodiversidade, do agrupamento de escolas e do município locais.



Curso Geral de Catequistas


segunda-feira, 22 de abril de 2013

Via Sacra para a Penha


Encontra-se em fase de conclusão a Via Sacra na estrada de acesso à Capela de Nossa Senhora da Penha, na serra de Grândola.

A sua inauguração está agendada para o sábado, dia 04 de Maio de 2013.

Para esse efeito realizar-se-á uma caminhada a pé até à capela de Nossa Senhora da Penha onde decorrerá a missa vespertina.

A caminhada terá início na igreja matriz de Grândola, pelas 16:00 horas, estando agendado inicio da inauguração da Via Sacra, no início da estrada para a capela, pelas 16:30 horas.

Participe neste momento que nos irá permitir inaugurar um projecto à muito sonhado e que agora foi possível concretizar graças à colaboração de várias entidades e pessoas.

A feitura das bases e a colocação das estações foi assumida pela Câmara Municipal, que muito agradecemos. As estações foram feitas pelo Jaime Anselmo, do Lousal e as pedras foram oferecidas pelo irmão do José Carlos Cardoso. 

A todos agradecemos. Só trabalhando em conjunto e procurando responder às necessidades da nossa comunidade, podemos ir construindo estes e outros projectos.



domingo, 21 de abril de 2013

Encontro Arciprestal de Doentes e Idosos



A Festa da Penha

Nossa Senhora da Penha
Padroeira desta terra,
Tem a sua capelinha
Lá no alto daquela serra

Nossa Senhora da Penha
Ó minha rica Santinha,
Pra rezar no teu altar
Temos de subir à capelinha

Mas tu desces todos os anos
Cá abaixo à nossa terra,
Ó minha rica Santinha
O Teu povo te venera

A fé em ti é tanta,
Que há promessas e procissão
O teu povo te adora
Com amor e devoção

Quando eu era criança
Agora me estou a lembrar.
Fui à Penha com a minha avó,
Para uma promessa pagar.

A promessa que pagámos
Foi um enorme folar,
Que ela levou à cabeça,
Numa cesta com rendinhas a enfeitar.

Depois era leiloado
Para mais quem queria dar
O dinheiro que se arranjava
Revertia pró seu altar

Seguia-se o picnic,
Havia festa de arrombar,
Os rapazes e raparigas
Faziam rodas, a dançar e a cantar.

As Pontes! O ponto de encontro,
Para à casa regressar,
Acompanhados pela música
Que nos vinha a acompanhar.

A nossa festa da Penha
Que continua presente,
Dá saudades recordá-la
Era assim antigamente.

Erlinda Correia