segunda-feira, 21 de julho de 2014

Obras na Igreja Matriz de Azinheira dos Barros

Com o objectivo de preparar a Igreja para as Festas que este ano decorrerão particularmente no dia 17 de Agosto, iniciaram-se neste mês de Julho algumas intervenções que passamos a discriminar: substituição de tábuas no tecto da Igreja; pintura de todo o tecto; reboco e pintura dentro e fora da Igreja; revisão dos telhados.

A Câmara Municipal, na sua carpintaria, está a trabalhar no novo guarda-vento que deverá ser instalado até ao dia 17 de Agosto. Bem haja por mais esta excepcional colaboração do nosso Município. Seguir-se-á o guarda-vento da Igreja de S. Jorge, no Lousal.



sexta-feira, 11 de julho de 2014

Papas Nossos Contemporâneos


Depois de ter escrito sobre os Papas João XXIII e João Paulo II, a propósito da sua canonização sinto-­me na obrigação de dizer também algumas palavras sobre os outros Papas nossos contemporâneos, a saber: Paulo VI, João Paulo I e, claro, Francisco.

Tal como aconteceu com João XXlll, o meu conhecimento de Paulo VI é fruto das leituras e do estudo que fui fazendo ao longo dos anos, e a verdade é que, quanto mais o conheço, mais o admiro. Este grande homem nasceu numa família de convictas tradições democráticas e, por isso, sofreu (o seu pai em particular) as agruras da ditadura de Benito Mussolini (ltália). A sua estrutura democrática trouxe-lhe a incompreensão de algumas ditaduras dentro e fora da Europa, Espanha e Portugal incluídos. A ele devemos a condução da Igreja durante o Concílio Vaticano II (1963) até 1978, período marcado por autênticas mutações da Sociedade e da Igreja, em praticamente todos os sectores. Tentar aplicar o Concílio Vaticano II, projecto difícil e complexo, valeu-lhe muitas incompreensões, sofrimentos e críticas, quer por parte de sectores vanguardistas, quer pelos ultraconservadores. A sua actuação, porém, caracterizou-se sempre por um grande equilíbrio, por uma hábil diplomacia mista de diálogo e abertura, pela firmeza das decisões, pela amplitude da sua visão, pela clareza e profundidade do seu pensamento. Os documentos saídos da sua pena são disso clara expressão. Por tudo isto e muitíssimo mais, creio que este extraordinário homem deverá ser mais estudado, direi mesmo reabilitado, em nome da verdade em que viveu, defendeu e anunciou.

De João Paulo I, infelizmente, não tenho muito para dizer, pois o seu pontificado foram apenas 33 dias. É claro que um pontificado tão breve mereceu logo dos profissionais dos mistérios e intrigas palacianas, motivo para conjecturas, gerando assim a possibilidade de venderem mais umas obras e manter em suspenso a opinião pública. Albino Luciani, de seu nome, deixou um breve legado que não permanecerá, contudo, no anonimato, na medida em que ele emergirá e permanecerá justamente como o Papa do sorriso, da simplicidade e da bondade, que encheu a Igreja de alegria e de esperança, e fez despertar alguns adormecidos "homens e mulheres de boa vontade" (João XXIII).

De Francisco, em tão pouco tempo há já tanto a dizer; e que mais surpresas ele nos fará? Para mim e para muitos, ele é uma autêntica surpresa de Deus, pois não constava nas listas dos "Papabili", é um verdadeiro "furacão" que veio confirmar o Concílio Vaticano II como bússola para o caminho que a Igreja deve trilhar decididamente, e que insiste em que, ela (Igreja) para ser credível junto dos homens e mulheres deste tempo, não precisa de estar sempre à procura de "inimigos" para se justificar nas suas posições, mas, antes pelo contrário, necessita de se envolver no meio do Mundo, qual fermento e sal, sem ter medo de se aproximar das "periferias", nem de dizer o que pensa de forma destemida, mesmo que seja contra aqueles que, como diz Jesus no Evangelho: "não entram nem deixam entrar". Já o Papa Bento XVI, aliás, quando esteve em Portugal (2010), disse, para quem o quis ouvir que: "muitos dos problemas da Igreja não estão fora, mas dentro dela." Espero e desejo que o "Efeito Francisco" continue a cumprir a sua missão de acordar, interpelar e conduzir pelos caminhos da conversão e da renovação, as pessoas, instituições e estruturas da Igreja, sobretudo, as mais cristalizadas, profissionalizadas e superficializadas…


Pe. Manuel António Guerreiro do Rosário
in Ecos de Grândola, nº 267, 11 de Julho de 2014


sábado, 5 de julho de 2014

Critérios dos homens e critérios de Deus


escobri o Papa João XXIII nas leituras que fui fazendo ao longo dos anos. Segundo critérios humanos, pela sua avançada idade, ele seria um “Papa de transição”, e afinal foi o homem da renovação e da abertura da Igreja ao Mundo, ao diálogo com crentes e não crentes. Devemos-lhe a intuição do Concílio Vaticano II (1962-1965), o mais importante acontecimento eclesial dos nossos tempos.

Sucedeu-lhe um homem extraordinário e não menos providencial, Paulo VI. Dotado de uma clarividência, de intuições proféticas, de um estilo claro e profundo, conduziu a “barca de Pedro” por entre as tormentas de um Mundo em mutação e de uma Igreja em crise de identidade, e de deserção de clero. A seguir, tivemos um brevíssimo pontificado de João Paulo I, que, com o seu sorriso e palavras, conquistou o Mundo.

Sucedeu um dos mais longos pontificados, o de João Paulo II, também ele declarado recentemente Santo. Recordo-o como o Papa da minha juventude. Assistiu à queda de duas ditaduras, e foi obreiro de “Uma Europa do Atlântico aos Urais”. Como primeiro “Papa global”, levou a mensagem de Cristo a todo o Mundo, instituiu as Jornadas Mundiais da Juventude e contribuiu para a renovação da Igreja.

Bento XVI teve a ingrata missão de suceder a um “gigante da Fé”, mas a História lhe fará justiça, pela aposta clara que fez no diálogo com cristãos e crentes de outras Religiões, com o Mundo da Cultura e da Ciência. A sua craveira intelectual permanecerá na Igreja como um precioso legado do “essencial cristão”.

Todos somos neste momento testemunhas da acção deste autêntico “furacão de Deus” que é o Papa Francisco. Sobre ele muito mais haverá a dizer, mas os dados não mentem. O “Efeito Francisco” como muitos já lhe chamam, está a despertar a Igreja, convidando-a a renovar-se, a chegar às “periferias”, para que ninguém fique excluído do amor de Deus. Para um cristão a eleição de um Papa não é um mero exercício de contabilidade, de influências ou estratégias; mas sim, um sinal claro da presença de Deus e do Seu Espírito nesta Igreja, “Santa, de pecadores” (João XXIII). Todos eles são diferentes, mas cada um foi e é a resposta de Deus para cada momento da história.


Pe. Manuel António Guerreiro do Rosário
in Diário do Alentejo, nº 1680, 04 de Julho de 2014


sábado, 14 de junho de 2014

sexta-feira, 13 de junho de 2014

João XXlll e João Paulo lI


A canonização destes dois grandes Papas, que conduziram a Igreja Católica em períodos complexos mas desafiantes, despertou em mim o desejo de escrever um pouco sobre alguns dos contributos que ambos deram à Igreja e ao Mundo.

De João XXIII recordo com muita esperança e entusiasmo a Carta Encíclica "Pacem in Terris", de 1963, onde o "bom Papa João" propunha a toda a Humanidade 4 pilares fundamentais para instaurar a verdadeira paz entre os homens, que é possível, necessária e prioritária: Justiça, Verdade, Liberdade e Amor. Cada um destes valores tem uma densidade e exigência tais, que mereceria pelo menos um artigo. É assunto a ponderar.

Recordo também como o Papa João, quis que "os homens e as mulheres de boa vontade" passassem a ser destinatários deste e de muitos outros documentos da Igreja, e de como este facto abriu as portas da Igreja a todo o Mundo, num abraço fraterno, sincero, desinteressado, e permitiu o estabelecimento de um novo tipo de relação baseado no diálogo, no respeito e na procura de consensos.

Lembro ainda o seu empenho em alargar o diálogo aos "Países da Cortina de Ferro", combatendo os preconceitos de um e outro lado, e apostando numa política eclesial de abertura e de respeito.

Eleito como Papa "de transição", pela sua idade, acabou por lançar as bases do mais importante acontecimento eclesial dos nossos tempos: O Concílio Vaticano II (1962-1965).

João Paulo II viveu sob duas ditaduras que dilaceraram a Europa, e foi capaz de contribuir para a "Queda do Muro", que permitiu o surgimento de uma nova Europa "do Atlântico aos Urais". A ele devemos uma dinâmica eclesial plena de energia e universalidade, que lhe mereceu o título de "Papa Globetrotter". As suas visitas a distintas realidades humanas e eclesiais, e as Jornadas Mundiais da Juventude, encheram o Mundo da alegria e da esperança que os jovens são portadores, e deu à Igreja uma jovialidade e frescuras que mexeu com os seus alicerces e em muito contribuiu para a sua renovação.

A sua grande devoção a Nossa Senhora e a Fátima em particular, tornou ainda mais real aquele título: "Fátima, Altar do Mundo". A devoção Mariana do Papa levou Fátima e Portugal a todos os confins da Terra. O facto de ter sido o primeiro Papa não italiano em séculos, tornou a Igreja ainda mais Católica, universal, e contribuiu para que as próprias estruturas da Igreja passassem a reflectir ainda mais esta realidade e favoreceu, sem dúvida, a escolha de um Papa, igualmente pela primeira vez em muitos séculos, não europeu: o Papa Francisco.

Não conheci João XXIII, mas recordo-o com muita admiração e devoção, e agradeço a Deus o dom que nos concedeu neste enorme Homem de Deus.

João Paulo II foi o Papa da minha juventude: entrei no Seminário no ano em que ele esteve em Portugal: 1982. Vibrei junto dele e de milhões de jovens nas Jornadas Mundiais da Juventude e visitei-o no Vaticano, experiência que guardo bem do fundo do meu coração e que me tem ajudado a manter o entusiasmo e a alegria de ser padre, há já quase 26 anos.

Diferentes e separados no tempo, amaram profundamente a Igreja e este Mundo em que vivemos, e procuraram cada um contribuir para a queda do muro da desconfiança que tantas vezes, ao longo dos tempos, levou os homens a afastarem-se da Igreja.

Aos dois estou profundamente grato.

Pe. Manuel António Guerreiro do Rosário
in Ecos de Grândola, nº 266, 13 de Junho de 2014