domingo, 15 de abril de 2018

Francisco, o ''Pároco do mundo''



credito que cada papa é providencial para o tempo em que é eleito e estes últimos têm sido excecionais, pois, quase todos estão beatificados ou canonizados. O papa Francisco é, pois, o papa que a Igreja necessitava, para se renovar na, fidelidade ao Concílio Vaticano II e a este tempo da história. A sua ação, porém, ultrapassou as fronteiras da Igreja e catapultou-o, naturalmente, para uma liderança moral internacional.

Este grande pastor é verdadeiramente humano e, por isso, tão cristão, e creio que é a sua intensa humanidade, que se manifesta até nos seus erros, que ele assume com humildade e sem tentativas de justificação, que o aproxima das pessoas. Em muitas situações ele surpreende, pela sua proximidade e simplicidade: e pelos seus gestos. Bem lhe assenta aquele título que muito aprecio: "Pároco do mundo". 

Perante este discípulo fiel de Jesus, fico pesaroso e até desapontado com as críticas de que é alvo dentro da Igreja, sobretudo por parte de quantos se sentem incomodados, questionados no seu status quo, e com dificuldade em olhar com amor para este mundo, no qual a Igreja deve ser um "hospital de campanha". Sei que eles não representam a Igreja e são uma ínfima minoria, mas como cristãos deveriam olhar para o papa Francisco como um exemplo a seguir, pois ele é uma verdadeira fonte inspiradora para tantos homens e mulheres deste mundo, crentes ou não crentes.

Quanto às críticas que vêm de fora, mais facilmente as entendo, pois este papa é um profeta que anuncia, mas também denuncia, e incomoda, e ser profeta é por vezes ingrato e até perigoso, e Jesus é o exemplo disto mesmo. No seu coração de Pai, Francisco procura, como Jesus, estar mais próximo dos pobres, dos abandonados, dos pequenos, à semelhança do "outro" Francisco (de Assis).

Como católico, só posso dar graças a Deus pelo dom deste papa, verdadeiramente providencial. Que o seu legado permaneça e dê ainda mais frutos, para bem da Igreja e deste mundo.

Pe. Manuel António Guerreiro do Rosário
in Diário do Alentejo, 13 de Abril de 2018



segunda-feira, 26 de março de 2018

Novo Órgão de Tubos da Igreja Matriz de Grândola


A Igreja Matriz de Grândola e a nossa Comunidade humana e cristã vão ser enriquecidas a partir do dia 8 de Abril, com um Órgão de Tubos, que ficará instalado no Coro Alto da Igreja, oferta do casal amigo, Augusto e Sílvia Sousa Pinto.

Nesse dia, Domingo da Misericórdia, vulgarmente conhecido por Domingo de Pascoela, não haverá Missa às 9:30 horas e a Missa das 11:30 horas é antecipada para as 11:00 horas.

Na Eucaristia, o nosso Coro será acompanhado ao Órgão pelo Organista Jaime Branco, Professor no Conservatório Regional do Baixo Alentejo, e, no final da Eucaristia, pelas 12:00 horas, ele tocará algumas peças de Órgão, para nos permitir usufruir particularmente das sonoridades deste Órgão histórico de 5 registos, construído na Dinamarca em 1877.

Venha.

Contamos consigo




sábado, 10 de março de 2018

Quaresma versus Renovação


Para nós católicos as grandes Festas são sempre precedidas por períodos mais ou menos longos, para se combater a rotina, o ritualismo e a superficialidade das vivências, e se mergulhar verdadeiramente no espírito de cada Tempo do Ano Litúrgico. Refiro-me em especial ao Advento, que prepara o Natal, e à Quaresma, que prepara a Páscoa Neste momento encontramo-nos em plena Quaresma, um tempo cujas raízes mergulham na experiência sofredora e libertadora do Êxodo, um acontecimento estruturante da vida e identidade do Povo Judeu, e que marca a sua saída do Egipto, onde era escravo, em direcção à Terra Prometida, terra da liberdade.

Na tradição cristã a Quaresma é um tempo que convida à introspecção, à sobriedade, à maior proximidade com Deus, para que a relação com o próximo possa renovar-se e assentar em bases mais sólidas, e traduzir-se em verdadeira fraternidade, radicada na nossa comum filiação divina (somos filhos Deus, em Cristo).

Um dos méritos deste tempo pode residir no desafio que ele nos coloca, a nós que vivemos por vezes escravos do Tempo e condicionados pelo stress, que nos acelera e fragiliza, a que façamos a experiência do silêncio, da paragem, da oração e da partilha fraterna, em beneficio do próximo mais necessitado. A correcta vivência destes meios, pode mesmo proporcionar-nos uma preciosa ajuda no nosso crescimento pessoal, dando densidade à nossa vida, e fazendo-nos centrar naquilo que, verdadeiramente, é essencial e que com frequência nos escapa, devido ao ritmo frenético e até alucinante da vida hodierna.

Para além da dimensão, obviamente, religiosa deste tempo, creio que os seus beneficias se poderão fazer sentir no todo da nossa vida, uma vez que em nós não há dimensões estanques e, por isso, o bem que fazemos a uma das dimensões da nossa vida reflectir­-se-á naturalmente em todas as outras. Penso que não é despiciendo até fazer esta analogia com uma campanha turística que dizia: “Vá para fora cá dentro".Com efeito, mesmo na nossa casa, no nosso trabalho, onde quer que estejamos podemos mergulhar no espírito quaresmal e descobrir e discernir o essencial do acessório, fazer um balanço, projectos, inverter  caminhos e processos e, no fundo, enriquecermo-nos descobrindo que a partilha com o outro/próximo nos torna menos egoístas e individualistas, e perceber como aquilo, por pouco que seja, a que nós renunciamos pode significar muito, se o orientamos no sentido da ajuda para os que são mais carenciados do que nós. O nosso pouco, multiplicado por muitos outros poucos faz muito e marca a diferença.

Às vezes quando se fala da Quaresma corre-se o risco de salientar apenas os aspectos negativos e cinzentos, quando o verdadeiro espírito quaresmal é precisamente o inverso. Depois das máscaras do Carnaval, a Quaresma convida-nos à transparência Este tempo, de facto, convida-nos a estarmos atentos às tentações do TER, do PODER e do PARECER, que têm muitos rostos e muitos nomes, que batem à nossa porta, e onde é fácil tropeçar e deixarmo-nos enganar, confundindo raiz e copa, conteúdo e continente, ouro e purpurina, verdade e aparência… Faz-nos falta lembrar e meditar na célebre frase de Antoine de Saint-Exupery, no Principezinho: “o essencial é invisível aos olhos. Só se vê bem com o coração.

A Quaresma pode bem ser esta ocasião na vida de cada um de nós. Aproveitemo-la e valorizemo-la.

in Ecos de Grândola, nº 311, 09 de Marçoo de 2018