quarta-feira, 5 de setembro de 2018
terça-feira, 7 de agosto de 2018
A humildade é a verdade
anta Teresa de Ávila (mística espanhola do Século XVI e doutora
da Igreja) afirmou que "a humildade é a verdade".
Penso muitas vezes no sentido desta afirmação que para quem
é cristão faz todo o sentido, pois a fé ajuda-nos a ser realistas, a tomar consciência
dos nossos pecados, ignorâncias e limitações, e essa é a verdade da condição humana.
A consciência do que somos pode ser o ponto de partida para a mudança não apenas
do agir, mas, sobretudo, do ser.
Creio que esta é uma das lições de vida que podemos tirar
do Evangelho. Em Cristo encontramos o que Santa Teresa descobriu, e de como a soberba
e o orgulho são uma ilusão, nos afastam da verdade, criando uma sensação de segurança
e de saber, que não são reais e que, com o tempo, acabarão por desmoronar.
É claro que haverá sempre quem nos apoie e conforte, mesmo
quando estamos errados, mas quem assim age não nos ajuda, uma vez que, entre a realidade
e a "nossa realidade", pode não haver coincidência.
Sobre esta mesma temática, afirmou há uns anos o Papa Bento
XVI que hoje se corria o risco de confundir "o bem e o mal, com o sentir-me
bem ou mal".
Chamamos a isto subjectivismo, que é diferente de subjectividade
(um valor dos nossos tempos), e nos projecta no pântano do egocentrismo, da insensibilidade
e da auto-suficiência.
Ter a pretensão de que somos omniscientes e que podemos falar
sobre tudo, com autoridade, é ilusão e falácia. Talvez nos possa também ajudar a
célebre frase do Filósofo Sócrates: "eu só sei que nada sei". De facto,
quanto mais estudamos. mais vamos tomando consciência do que não sabemos, e de que
só podemos, por isso. ser humildes.
É seguindo o caminho da humildade que seremos capazes de
refazer percursos e relações, em quaisquer âmbitos da nossa vida, de nos redescobrirmos,
renovarmos e rumarmos em direcção à utopia. “Errar é humano”, já diziam os romanos,
por isso, a humildade é também um sinal de realismo, de inteligência e de verdade.
Pe. Manuel António Guerreiro do Rosário
in Diário do Alentejo, 03 de Agosto de 2018
quinta-feira, 19 de julho de 2018
Falta de Humanidade e Solidariedade
O drama dos refugiados, enjaulados em frágeis e superlotadas embarcações
e explorados por máfias
impiedosas, continua a bater às
nossas portas e a mexer nas nossas
consciências. Infelizmente, só
somos despertos quando há alguma tragédia, mas
apenas se esta for notícia
nos mass media. Salvo tais excepções, um silêncio cúmplice anestesia os nossos sentidos, perante
um dos
maiores problemas da actualidade.
É claro que importa perceber as causas subjacentes a estas grandes movimentações
humanas, acossadas e sem esperança nos seus locais
de origem, e que consideram que vale a pena arriscar tudo, mesmo que uma
consequência provável seja ir jazer anonimamente no fundo do Mar Mediterrâneo. A outra questão exige também resposta: como é
possível que seres humanos (desumanos) tratem outros seres humanos como
"carne para
canhão", fonte de lucro, meros objectos e não pessoas?
A Europa, por outro lado, continua a não dar uma resposta uníssona
e coordenada e, os interesses, os jogos nacionais e as estratégias políticas, sobrepõem-se à vida e dignidade humanas
e o resultado é, não
apenas o que vemos, mas, sobretudo, o que não vemos e que termina
geralmente em tragédia
silenciosa e silenciada. Impressiona também algum oportunismo, de quem,
por diferentes formas e meios, procura colher
dividendos. Quantos mais irmãos nossos
deverão ainda morrer?
Como europeu esta
é uma situação que me choca,
até porque a Europa tem sido ao longo dos séculos a "Casa" dos valores humanos, da defesa do ser humano e da sua dignidade. Se vivemos todos nesta Casa Comum e formamos uma única
Família Humana, não deixemos que os egoísmos e os individualismos ganhem
raízes nos
nossos corações, em especial, nos mais jovens. Este Continente necessita de uma forte transfusão de humanidade, para que não desfaleçam os seus ideais, para que
continuemos a
escrever a sinfonia que há séculos
estamos a compor,
e para
que os outros povos possam continuar a olhar para nós, como uma referência que vale a pena seguir.
Foi também na Europa que o Cristianismo ganhou raízes, e daqui
foi levado aos quatro cantos da Terra, um projecto para o qual nós portugueses dêmos um assinalável contributo. É preciso, por isso, ter memória, não esquecer a nossa identidade, pois, esquecê-la é hipotecar o
nosso futuro, e um futuro melhor
é possível e desejável; e agir!
in Ecos de Grândola, nº 315, 13 de Julho de 2018
sexta-feira, 6 de julho de 2018
Ecologia integral
A verdadeira ecologia obriga-nos a não nos centrarmos no que se passa apenas
"no nosso quintal”, a não desbaratarmos recursos e energias em questões de manifesto
cariz egoísta e hedonista, e a despertarmos para
os grandes dramas humanos da actualidade.
Que
respostas dar aos refugiados que batem à nossa porta, movidos pela utopia de um futuro melhor, demanda tantas vezes
silenciada nas águas do mar Mediterrâneo, mare nostrum?
E que pensar dos conflitos fraticidas que ensanguentam tantos
países e que têm na base não apenas questões internas, mas são fomentados por interesses económicos externos, pela busca do controlo das matérias-primas e pelo monopólio da venda
de armas?
E que dizer de tantos seres humanos
que deambulam pelas
nossas
ruas e praças, transformados em autênticos farrapos
humanos, pelas histórias que penosamente arrastam e que merecem
menos atenção dos passantes do que os animais que os acompanham?
Para que a ecologia não descambe em ideologia
é preciso não esquecer que, entre nós, seres humanos, e os demais
seres criados, há diferença substancial e qualitativa. Urge, pois,
diante de tanta indiferença, injustiça e desigualdade,
provocar; uma autêntica
reviravolta cultural, que coloque o Homem no centro da criação, naturalmente, com o devido respeito da natureza e dos demais seres vivos,
pois, só quem ama e defende
o ser humano poderá, na verdade,
respeitar a natureza e as outras criaturas.
A verdadeira ecologia,
insiste o papa
Francisco, deve ser integral, e integral significa humana e humanizadora.
Pe. Manuel António Guerreiro do Rosário
in Diário do Alentejo, 06 de Julho de 2018
quarta-feira, 20 de junho de 2018
Tempo de contradições e paradoxos
Deixo apenas alguns exemplos.
É um dado inquestionável que vivemos um inverno demográfico e, no entanto, faltam medidas estruturantes e transversais para enfrentar o problema. O que aparece são propostas tíbias, pontuais, de caráter local, meritório, mas insuficiente.
Do ponto de vista científico, a vida humana começa na fecundação do óvulo pelo espermatozoide e, contudo, pretendem impor-nos, com o apoio de instituições internacionais, o aborto, como uma espécie de direito e método contracetivo.
Nunca como hoje se falou de educação sexual, de prevenção, e vejam-se os números da gravidez adolescente e jovem, não só em Portugal, mas na Europa e em alguns países ocidentais.
Fala-se de liberdade, de democracia, de direitos humanos, mas os estados pretendem substituir-se à família na educação dos filhos, doutrinando-os a seu bel-prazer, sem ter em conta os valores e os direitos das mesmas.
Propaga-se aos quatro ventos que as pessoas é que são importantes e devem ocupar o centro, seja em que nível for, e, no entanto, basta estar um pouco atento para perceber que são os números e as contas que marcam o ritmo e a prioridade nas opções.
Aumentou a esperança média de vida, ganhámos capacidade de controlar a dor e aliviar o sofrimento, e agora em alguns países (inclusive o nosso) pretendem impor-nos uma agenda que nos faz crer que a solução é a eutanásia, um nome que destoa daquilo que está em causa, pois trata-se de abreviar uma vida ainda viável.
Para onde vamos não sei, só sei que por aqui não quero ir, porque, com tanta contradição e paradoxo, o futuro é imprevisível, mesmo para as mentes "luminosas" que, a partir das suas agendas, comandam estas mutações. Precisamos que nos abram, por isso, novos horizontes.
Pe. Manuel António Guerreiro do Rosário
in Diário do Alentejo, 15 de Junho de 2018
sexta-feira, 15 de junho de 2018
Viver e Morrer com Dignidade
A Sociedade Portuguesa vive momentos de intenso debate sobre a Eutanásia, questão sobre a qual gostaria de deixar, a minha opinião, enquanto cidadão e sacerdote.
Sem querer questionar as boas intenções dos defensores da Eutanásia, talvez fosse esclarecedor saber-se o que se passa, de forma objectiva, nalguns países europeus, que deram este passo, e as situações se multiplicaram, chegando até a crianças e jovens!!! Depois de se abrir a porta, difícil é fecha-la e, não esqueçamos que a morte é irreversível. Permitir a Eutanásia é abrir uma "caixa de Pandora", de consequências imprevisíveis.
Creio, contudo, que há uma confusão que importa esclarecer, entre Eutanásia, Distanásia e Ortotanásia. Esta é justamente a morte com dignidade, embora pouco se fale dela, querendo passar a dignidade para o campo da Eutanásia, quando esta consiste em abreviar uma vida que ainda é viável. À Distanásia também se chama Encarniçamento Terapêutico ou Obstinação Terapêutica, e esta, tal como a Eutanásia, fere a dignidade das pessoas e o direito a morrer com dignidade. Quanto à questão da dor, temos hoje cada vez mais meios de a aliviar, mesmo sabendo que esse processo pode abreviar a vida. A Eutanásia não tem a ver apenas com um ato ou omissão do próprio ou de outrem, mas também com uma vontade explícita, por parte do próprio ou de outrem.
Parece-me um contrasenso nesta fase da história da Humanidade, em que se têm vencido tantas batalhas na luta contra as doenças, criado melhores condições de vida, e prolongado a esperança média de vida, se queira agora voltar atrás e legitimar medidas para abreviar a vida. Faltam sim Cuidados Paliativos, bem como outras respostas integradas, que ajudem a criar condições para que todos sejam sujeitos de direitos e possam morrer com dignidade.
É legítimo perguntar: porque se quer voltar atrás? É porque os idosos já não produzem, ficam caros, são um peso para a sociedade? E então, as pessoas não são mais importantes do que as coisas?
Enquanto sacerdote tenho presidido a muitos funerais, alguns de pessoas de avançada idade e que chegaram até aí porque, além dos cuidados médicos, essenciais, foram amadas até ao fim "pelas suas famílias e pelas instituições que as acolheram, e esta é, na minha opinião, uma questão essencial: para se viver com dignidade é preciso ser-se amado e acompanhado, para que ninguém se sinta um peso e deseje, por isso mesmo, partir e descansar finalmente.
in Ecos de Grândola, nº 314, 08 de Junho de 2018
domingo, 3 de junho de 2018
Peregrinação ao Santuário de Fátima
30 de Junho de 2018
Programa
06:00 horas -
Concentração junto à Câmara Municipal
07:30 horas - Paragem
09:45 horas - Via
Sacra em Fátima
11:00 horas -
Eucaristia na Capela de Santo Estêvão
12:00 horas - Visita
a Aljustrel (Casa dos Pastorinhos)
13:00 horas - Almoço
partilhado no Santuário
14:00 horas - Participação no Rosário na Capelinha das Aparições
14:30 horas -
Divisão em grupos e visitas organizadas. Tempo livre.
17:00 horas -
Partida para Grândola
18:30 horas -
Paragem
20:30 horas -
Chegada a Grândola.
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