terça-feira, 9 de outubro de 2018
domingo, 30 de setembro de 2018
Peregrinação ao Santuário de Fátima
27 de Outubro
de 2018
Programa
06:00 horas – Concentração junto à Câmara Municipal e partida
07:30 horas – Paragem
09:30 horas – Via
Sacra em Fátima
11:00 horas – Eucaristia
na Capela de Santo Estêvão
12:00 horas – Visita
a Aljustrel e às Casas dos Pastorinhos
13:00 horas – Almoço
partilhado no Santuário
14:00 horas –
Participação no Rosário (C. das Aparições).Oferta de flores
14:30 horas – Divisão em grupos e visitas organizadas. Tempo livre.
16:00 horas – Partida para Grândola
17:00 horas –
Paragem. Visita a um Monumento.
20:00 horas – Chegada a Grândola.
segunda-feira, 24 de setembro de 2018
Depois de casa arrombada…
Creio não ser necessário
completar esta frase, sobejamente conhecida e aplicável à práxis portuguesa,
numa variedade de situações.
Nós portugueses somos peritos
na arte de improvisar, o que é um valor, mas, em tantas ocasiões, falta-nos a
capacidade de programar, a médio e a longo prazo e, frequentemente, só tomamos
decisões sob pressão, só reagimos depois das catástrofes, e nem sempre
aprendemos, pois voltamos depois a cometer os mesmos erros, como se fôssemos
acometidos de uma espécie de amnésia. Por outro lado, quando nos aplicamos a
encontrar soluções, alternativas, respostas, somos tão ou mais capazes do que
os outros.
Não é fácil, nem é meu
objectivo, encontrar a “poção milagrosa” que ajude a mudar de paradigma, mas
talvez nos faça bem começar a cultivar a virtude da perseverança, a semear a da
programação, a não cair na tentação do imediatismo, a não optar sempre pelo
“mais barato”, a não seguir o “chico- espertismo” de querer ludibriar o
“sistema”.
Os sucessos que, em variadíssimas
áreas, têm vindo a marcar o quotidiano da nossa portugalidade, são sinal de uma
certa genialidade, que necessita, contudo, de ser mais estruturada, de acreditar
mais em si e nas suas capacidades, evitando os excessos dos dois Bs (best..e
bes), porque os extremos tocam-se. Associar um certo toque de genialidade a
muito trabalho, esforço e abnegação, de que somos capazes, pode ajudar a
inverter um certo “círculo vicioso”, que quase parece ser o “nosso fado”.
Faz-nos ainda falta, uma boa dose de positividade (realista) e de iniciativa,
que nos catapultem, nos retirem do torpor, e nos comprometam na mudança.
Como português, com muito
orgulho, aprendi a gostar ainda mais de ser luso, nos três anos que vivi em
Itália, e acredito que é possível inverter um certo modo de ser português,
porque, como diz a canção: “sempre foi
assim, dizem sempre que foi assim, sempre foi assim, mas pode ser diferente”.
Falo agora como cristão,
que acredita que a fé também dá à nossa vida um contributo de esperança e de confiança,
e nos torna mais resilientes diante das dificuldades, pois, como dizia o
Filósofo Soren Kierkegaard: “para os
cristãos todas as derrotas se podem tornar vitórias”. Acredito ainda que a
fé nos ajuda a tomar consciência das nossas limitações, mas também das nossas
forças e potencialidades, e faz-nos descobrir o quanto Deus pode fazer em nós e
por nós, e aquilo que nós animados pela fé e pela esperança, somos capazes de
fazer, se não nos fecharmos na ilusão da auto-suficiência, ou no pessimismo e
no complexo de inferioridade, que anestesiam e fragilizam.
in Ecos de Grândola, nº 317, 14 de Setembro de 2018
sábado, 15 de setembro de 2018
Igreja incarnada e "aggiornata"
m 1959, em Roma, na Basílica de S. Paulo Extra-Muros, o Papa e Santo João XXIII anunciava, aos católicos e também aos "homens e mulheres de boa vontade", expressão pela primeira
vez incluída na Encíclica "Pacem in Terris", a convocação do Concílio Ecuménico Vaticano
II.
Oxalá fôssemos capazes de seguir os ensinamentos e exemplos do atual Papa Francisco, verdadeira fonte inspiradora para tantos homens e mulheres, mesmo não-cristãos.
Entre 1962 e 1965,
reuniu-se a maior
assembleia de bispos
de sempre, assessorada por uma plêiade de teólogos, clérigos e leigos, com a presença de representantes de igrejas cristãs
e de religiões não-cristãs. A Igreja procurava deste
modo renovar-se interiormente e abrir-se ao Mundo, para lhe anunciar
a boa nova de Jesus. Durante estes anos produziram-se, e estão disponíveis em
todas
as línguas, um manancial
de documentos fundamentais, que continuam, infelizmente, a ser desconhecidos para muitos católicos.
Os documentos são de três tipos:
constituições (os mais
importantes): Lumen Gentium (sobre a Igreja), Dei Verbum
(Revelação Divina), Sacrosanctum Concilium (liturgia) e Gaudium et Spes (Igreja no mundo contemporâneo); decretos e declarações. Os decretos e as declarações versam temáticas transversais, de âmbito intra-eclesial, e também ecuménico, inter-religioso e de diálogo com o Mundo.
Para dar seguimento ao concílio, temos tido papas extraordinários, cada um providencial para o seu tempo.
Oxalá fôssemos capazes
de seguir os ensinamentos e
exemplos do atual Papa Francisco, verdadeira fonte inspiradora para tantos homens e mulheres, mesmo não-cristãos.
O concílio continua
a desafiar a Igreja a incarnar-se num Mundo
em mudança, no qual ela deve ser: "sal, luz e fermento".
Concluo, por isso, com uma das mais belas páginas da Gaudium et Spes: "As alegrias e as esperanças, as tristezas e as angústias
dos homens de hoje, sobretudo dos pobres e de todos aqueles que sofrem,
são também as alegrias
e as esperanças, as tristezas
e as angústias dos discípulos
de Cristo; e não há realidade
alguma verdadeiramente humana que não encontre eco no seu coração"(n.º 1).
Pe. Manuel António Guerreiro do Rosário
in Diário do Alentejo, 14 de Setembro de 2018
domingo, 9 de setembro de 2018
Eu só sei que nada sei
Esta
frase do Filósofo Sócrates é, decerto
sobejamente conhecida, mas talvez precisemos de a meditar, interiorizar, e assumir mais, no seu conteúdo e consequências.
Na
verdade, além da grande sabedoria
que ela encerra, traz
consigo um convite à humildade, pois
nos leva a reconhecer o pouco
que sabemos, comparado
com aquilo que desconhecemos e, por isso mesmo, deveríamos ser mais parcos nos comentários que tantas vezes fazemos, arvorados
em sabedores do que, de facto,
não sabemos. A ignorância esconde-se muitas vezes, disfarçada com várias máscaras
e é, como nos diz o povo, na sua profunda sabedoria, "muito atrevida".
Um
dos assuntos sobre o qual muitos se acham no direito de opinar "com autoridade", é sobre as questões de Religião.
Neste campo tenho testemunhado situações deveras
espantosas e, nem sempre é fácil ajudar os nossos interlocutores a perceberem que é preciso repensar posturas,
e aprofundar mais certos assuntos. Não podemos saber tudo e a ignorância é humana, por isso, reconhecê-la é um acto de inteligência.
A
humildade, que, na boca de Santa Teresa de Ávila (mística espanhola
do Século XVI e reformadora dos/as
Carmelitas), se identifica com a verdade, é um bom antídoto contra o orgulho e
a soberba, bem plasmadas numa, também
popular expressão: "cá
a mim em humildade ninguém
me bate". O Filósofo Sócrates era um grande sábio, e, por isso mesmo, consciente das suas limitações. Com a sua dialéctica
procurava desmontar os falsos argumentos dos Sofistas e de outros
pseudo-sábios, que proliferavam no mundo Grego. Creio que esta lucidez nos é também necessária hoje, até porque,
com os meios de que dispomos, ("Dr.Google" e outros), corremos o risco
de passar a desvalorizar aqueles que, de facto, são os detentores da sabedoria, e é tão fácil
incorrer em inverdades, meias verdades e Fake News, como se diz hoje.
Perante tal catadupa de informações, falta
tantas vezes
a capacidade crítica
de questionar e o tempo
para assimilar, e
assim vai crescendo, como diz Zygmunt Bauman, o "pensamento líquido", de que tanto fala o Papa Francisco, ao caracterizar as nossas sociedades hodiernas.
A humildade, que é a verdade, é a virtude que, de facto, nos faz avançar
e crescer, porque nos revela
exactamente o que somos, no que temos de bom e de menos bom e, só assim,
é possível amadurecer, mudar, melhorar.
in Ecos de Grândola, nº 316, 10 de Agosto de 2018
quarta-feira, 5 de setembro de 2018
terça-feira, 7 de agosto de 2018
A humildade é a verdade
anta Teresa de Ávila (mística espanhola do Século XVI e doutora
da Igreja) afirmou que "a humildade é a verdade".
Penso muitas vezes no sentido desta afirmação que para quem
é cristão faz todo o sentido, pois a fé ajuda-nos a ser realistas, a tomar consciência
dos nossos pecados, ignorâncias e limitações, e essa é a verdade da condição humana.
A consciência do que somos pode ser o ponto de partida para a mudança não apenas
do agir, mas, sobretudo, do ser.
Creio que esta é uma das lições de vida que podemos tirar
do Evangelho. Em Cristo encontramos o que Santa Teresa descobriu, e de como a soberba
e o orgulho são uma ilusão, nos afastam da verdade, criando uma sensação de segurança
e de saber, que não são reais e que, com o tempo, acabarão por desmoronar.
É claro que haverá sempre quem nos apoie e conforte, mesmo
quando estamos errados, mas quem assim age não nos ajuda, uma vez que, entre a realidade
e a "nossa realidade", pode não haver coincidência.
Sobre esta mesma temática, afirmou há uns anos o Papa Bento
XVI que hoje se corria o risco de confundir "o bem e o mal, com o sentir-me
bem ou mal".
Chamamos a isto subjectivismo, que é diferente de subjectividade
(um valor dos nossos tempos), e nos projecta no pântano do egocentrismo, da insensibilidade
e da auto-suficiência.
Ter a pretensão de que somos omniscientes e que podemos falar
sobre tudo, com autoridade, é ilusão e falácia. Talvez nos possa também ajudar a
célebre frase do Filósofo Sócrates: "eu só sei que nada sei". De facto,
quanto mais estudamos. mais vamos tomando consciência do que não sabemos, e de que
só podemos, por isso. ser humildes.
É seguindo o caminho da humildade que seremos capazes de
refazer percursos e relações, em quaisquer âmbitos da nossa vida, de nos redescobrirmos,
renovarmos e rumarmos em direcção à utopia. “Errar é humano”, já diziam os romanos,
por isso, a humildade é também um sinal de realismo, de inteligência e de verdade.
Pe. Manuel António Guerreiro do Rosário
in Diário do Alentejo, 03 de Agosto de 2018
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