quinta-feira, 22 de novembro de 2018
terça-feira, 20 de novembro de 2018
Diálogo, a "arma" que vence os fundamentalismos
Os tempos que vivemos são marcados por uma mudança acelerada, de contornos imprevisíveis, mesmo a nível ambiental, e por uma globalização que entra em nossa cas a sem bater à porta e que não é possível inverter, por ser irreversível e em torrente caudalosa.
Esta constatação traz-me à memória uma frase de Santo Agostinho, um dos maiores vultos da Igreja de todos os tempos e Bispo de Hipona, no Norte de África, que depois da queda do Império Romano do Ocidente, e perante a incapacidade de parar as Invasões Bárbaras, aos que afirmam: "é o Mundo que acaba” ele responde: “não, é um Velho Mundo que acaba e é um Mundo Novo que começa”.
Apesar dos cenários que se vão traçando, a verdade é que hoje é quase impossível prever como será o Mundo dentro de alguns anos, pois as variantes podem alterar-se, as previsões traçadas simplificarem-se ou complexificarem-se, e surgirem ou manifestarem-se novos personagens, factos, circunstâncias, e acontecimentos, que podem vir a alterar o curso da História.
Perante a mudança e o desconhecido, é natural a apreensão de alguns e podem surgir atitudes mais extremistas de recusa e até hostilização da novidade. Basta olhar à nossa volta e não será difícil encontrar sinais destas atitudes.
Consciente de que não há uma única resposta e as perspectivas de olhar a realidade podem ser diferentes, gostaria de deixar claro que me limito apenas a transmitir a minha opinião, sem a pretensão de que ela seja “é resposta”; não, é uma resposta, e como tal, pode ser justamente discutível e questionável.
Penso que o medo e a insegurança perante o novo convidam-nos a um conhecimento "do outro", porque o desconhecimento gera desconfiança, preconceitos, dúvidas e a partir destes, pode construir-se um edifício cujas bases são de duvidosa consistência.
O diálogo parece-me, por isso, ser um caminho a seguir, pois é ele que nos permitirá conhecermo-nos melhor, respeitarmo-nos e procurar encontrar aquilo que nos pode unir, e a partir do qual importa construir consensos, e tentar ainda superar aquilo que nos pode separar, e que não deve, por amor à verdade, ser escamoteado ou aligeirado.
Há 50 anos, com o Concílio Vaticano II, a Igreja também enveredou por, este caminho, procurando abrir-se ao diálogo com as demais Igrejas e Confissões Cristãs, com as outras Religiões, especialmente Judaísmo e Islamismo, e com os "Homens e Mulheres de boa vontade”. Não creio que haja alternativa ao diálogo, diante de um mundo irreversivelmente em mudança, pelo que, os saudosismos, os fundamentalismos e outros "ismos", além de não resolverem nenhum dos problemas que nos afectam, podem conduzir-nos a uma espécie de gueto, isolando-nos, e fazendo-nos esquecer a essência do que é ser cristão, ou seja, ser "sal, luz e fermento" no Mundo. É fundamental estabelecer e fortalecer laços com toda a Humanidade e, fundamentalmente, com tantos homens e mulheres que lutam para tornar melhor o Mundo em que vivemos. Já o afirmei várias vezes nas páginas deste Jornal: O bem é sempre bem, venha de onde vier.
O Papa Francisco creio ser um bom exemplo vivo da postura que a Igreja deve ter e que cada um dos cristãos, sobretudo católicos, deve seguir. Imitemo-lo!
in Ecos de Grândola, nº 319, 09 de Novembro de 2018
quinta-feira, 18 de outubro de 2018
Só a Verdade liberta
Esta afirmação, que pode ser encontrada na 1ª Carta do Apóstolo
e Evangelista S. João, é de grande importância e nunca perde a sua actualidade.
Ao pensar nela, vêm-me à memória tantas situações em que se aplica.
É possível até encontrar um sem número de expressões, algumas
de cariz popular, que a confirmam e reforçam. Dou apenas alguns exemplos: "a verdade é como o azeite, vem sempre ao
de cima". "A mentira tem perna
curta", etc. Não vou alongar-me, pois, queria tão só reforçar que a sua
aplicação se pode fazer em muitos âmbitos, porque nada nem ninguém dela fica isento,
mesmo dentro da Igreja Lembro a este propósito, um Documento do Concílio Vaticano
II, sobre a Liberdade Religiosa, onde se afirma que a verdade não se impõe, ou melhor,
impõe-se pela sua própria força.
Não é fácil hoje entendermos a força e as consequências desta
afirmação, se desvalorizarmos a dimensão da objectividade nos nossos juízos, e nos
centrarmos apenas na nossa subjectividade, ou pior ainda, no nosso subjectivismo.
Aqui tudo é desculpável e justificável e, no fundo, nada muda, porque o único critério
para aferir a verdade somos nós e a nossa consciência, e esta pode enganar-se e
engana-se tantas vezes.
A verdade pode provocar dor e sofrimento, porque nos coloca
diante da realidade do que somos e nem sempre queremos aceitar, tornando-se mais
fácil procurar subterfúgios e justificações, que nada resolvem e que só contribuem
para avolumar problemas. Depois do sofrimento, o alívio, a paz, e a tranquilidade
são o sinal evidente de que este é o caminho e é por ele que devemos seguir. Este
processo supõe a disponibilidade interior para irmos formando a consciência, para
que ela seja o nosso despertador, antes, durante e depois, e nos vá conduzindo pelos
caminhos que nos ajudam a construir sobre a solidez da rocha e não sobre a insegurança
da areia (Jesus).
Só a verdade nos permite ainda criar relações sólidas, verdadeiras
e desinteressadas uns com os outros, que, por sua vez, podem gerar autênticas amizades,
e é ela que nos pode levar também à descoberta de Deus e à relação com Ele. A mentira,
pelo contrário, afasta-nos uns dos outros e de Deus, e leva-nos por caminhos aparentemente
mais fáceis, e que com o seu brilho (falso) nos podem iludir. Ela aparece ainda,
muitas vezes, mascarada de verdade: estejamos atentos.
Evitemos também o reducionismo da “nossa verdade”. Somos nós
que nos devemos conformar com ela e não o contrário, por muito que nos custe. Não
somos donos da verdade, ela é que deve ser a luz, o farol, que guia e orienta a
nossa existência.
in Ecos de Grândola, nº 318, 12 de Outubro de 2018
terça-feira, 9 de outubro de 2018
domingo, 30 de setembro de 2018
Peregrinação ao Santuário de Fátima
27 de Outubro
de 2018
Programa
06:00 horas – Concentração junto à Câmara Municipal e partida
07:30 horas – Paragem
09:30 horas – Via
Sacra em Fátima
11:00 horas – Eucaristia
na Capela de Santo Estêvão
12:00 horas – Visita
a Aljustrel e às Casas dos Pastorinhos
13:00 horas – Almoço
partilhado no Santuário
14:00 horas –
Participação no Rosário (C. das Aparições).Oferta de flores
14:30 horas – Divisão em grupos e visitas organizadas. Tempo livre.
16:00 horas – Partida para Grândola
17:00 horas –
Paragem. Visita a um Monumento.
20:00 horas – Chegada a Grândola.
segunda-feira, 24 de setembro de 2018
Depois de casa arrombada…
Creio não ser necessário
completar esta frase, sobejamente conhecida e aplicável à práxis portuguesa,
numa variedade de situações.
Nós portugueses somos peritos
na arte de improvisar, o que é um valor, mas, em tantas ocasiões, falta-nos a
capacidade de programar, a médio e a longo prazo e, frequentemente, só tomamos
decisões sob pressão, só reagimos depois das catástrofes, e nem sempre
aprendemos, pois voltamos depois a cometer os mesmos erros, como se fôssemos
acometidos de uma espécie de amnésia. Por outro lado, quando nos aplicamos a
encontrar soluções, alternativas, respostas, somos tão ou mais capazes do que
os outros.
Não é fácil, nem é meu
objectivo, encontrar a “poção milagrosa” que ajude a mudar de paradigma, mas
talvez nos faça bem começar a cultivar a virtude da perseverança, a semear a da
programação, a não cair na tentação do imediatismo, a não optar sempre pelo
“mais barato”, a não seguir o “chico- espertismo” de querer ludibriar o
“sistema”.
Os sucessos que, em variadíssimas
áreas, têm vindo a marcar o quotidiano da nossa portugalidade, são sinal de uma
certa genialidade, que necessita, contudo, de ser mais estruturada, de acreditar
mais em si e nas suas capacidades, evitando os excessos dos dois Bs (best..e
bes), porque os extremos tocam-se. Associar um certo toque de genialidade a
muito trabalho, esforço e abnegação, de que somos capazes, pode ajudar a
inverter um certo “círculo vicioso”, que quase parece ser o “nosso fado”.
Faz-nos ainda falta, uma boa dose de positividade (realista) e de iniciativa,
que nos catapultem, nos retirem do torpor, e nos comprometam na mudança.
Como português, com muito
orgulho, aprendi a gostar ainda mais de ser luso, nos três anos que vivi em
Itália, e acredito que é possível inverter um certo modo de ser português,
porque, como diz a canção: “sempre foi
assim, dizem sempre que foi assim, sempre foi assim, mas pode ser diferente”.
Falo agora como cristão,
que acredita que a fé também dá à nossa vida um contributo de esperança e de confiança,
e nos torna mais resilientes diante das dificuldades, pois, como dizia o
Filósofo Soren Kierkegaard: “para os
cristãos todas as derrotas se podem tornar vitórias”. Acredito ainda que a
fé nos ajuda a tomar consciência das nossas limitações, mas também das nossas
forças e potencialidades, e faz-nos descobrir o quanto Deus pode fazer em nós e
por nós, e aquilo que nós animados pela fé e pela esperança, somos capazes de
fazer, se não nos fecharmos na ilusão da auto-suficiência, ou no pessimismo e
no complexo de inferioridade, que anestesiam e fragilizam.
in Ecos de Grândola, nº 317, 14 de Setembro de 2018
sábado, 15 de setembro de 2018
Igreja incarnada e "aggiornata"
m 1959, em Roma, na Basílica de S. Paulo Extra-Muros, o Papa e Santo João XXIII anunciava, aos católicos e também aos "homens e mulheres de boa vontade", expressão pela primeira
vez incluída na Encíclica "Pacem in Terris", a convocação do Concílio Ecuménico Vaticano
II.
Oxalá fôssemos capazes de seguir os ensinamentos e exemplos do atual Papa Francisco, verdadeira fonte inspiradora para tantos homens e mulheres, mesmo não-cristãos.
Entre 1962 e 1965,
reuniu-se a maior
assembleia de bispos
de sempre, assessorada por uma plêiade de teólogos, clérigos e leigos, com a presença de representantes de igrejas cristãs
e de religiões não-cristãs. A Igreja procurava deste
modo renovar-se interiormente e abrir-se ao Mundo, para lhe anunciar
a boa nova de Jesus. Durante estes anos produziram-se, e estão disponíveis em
todas
as línguas, um manancial
de documentos fundamentais, que continuam, infelizmente, a ser desconhecidos para muitos católicos.
Os documentos são de três tipos:
constituições (os mais
importantes): Lumen Gentium (sobre a Igreja), Dei Verbum
(Revelação Divina), Sacrosanctum Concilium (liturgia) e Gaudium et Spes (Igreja no mundo contemporâneo); decretos e declarações. Os decretos e as declarações versam temáticas transversais, de âmbito intra-eclesial, e também ecuménico, inter-religioso e de diálogo com o Mundo.
Para dar seguimento ao concílio, temos tido papas extraordinários, cada um providencial para o seu tempo.
Oxalá fôssemos capazes
de seguir os ensinamentos e
exemplos do atual Papa Francisco, verdadeira fonte inspiradora para tantos homens e mulheres, mesmo não-cristãos.
O concílio continua
a desafiar a Igreja a incarnar-se num Mundo
em mudança, no qual ela deve ser: "sal, luz e fermento".
Concluo, por isso, com uma das mais belas páginas da Gaudium et Spes: "As alegrias e as esperanças, as tristezas e as angústias
dos homens de hoje, sobretudo dos pobres e de todos aqueles que sofrem,
são também as alegrias
e as esperanças, as tristezas
e as angústias dos discípulos
de Cristo; e não há realidade
alguma verdadeiramente humana que não encontre eco no seu coração"(n.º 1).
Pe. Manuel António Guerreiro do Rosário
in Diário do Alentejo, 14 de Setembro de 2018
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