sexta-feira, 23 de agosto de 2019

Museu de Arte Sacra faz 8 anos


O nosso Museu de Arte Sacra completa hoje, dia 23 de Agosto, 8 anos.

Ao longo deste tempo passaram pelo Museu cerca de 33.000 visitantes, oriundos de todo o Mundo.

Queremos continuar a nossa missão. 

Continuamos com a sua presença e o seu apoio.



quinta-feira, 22 de agosto de 2019

Campanha: Adota um Azulejo

Em virtude de não haver disponíveis, em número suficiente, Azulejos para completar os 4 Painéis da nossa Igreja Matriz de Grândola, lançámos uma Campanha, para que cada pessoa, que o desejar, possa contribuir para a aquisição de 1 ou mais Azulejos, nos quais será inscrito, no verso, o nome de todos aqueles que contribuírem e que assim o desejem. Os Azulejos são feitos num Atelier especializado e este projecto permitirá à nossa Igreja voltar a ter uma unidade azulejar, que de momento, não tem.

Segue em anexo uma fotografia e uma descrição, feita pelo Técnico que tem acompanhado o Projecto: Dr. Fernando Duarte.

Reorganização do revestimento azulejar da nave da Igreja de Nossa Senhora da Assunção – Matriz de Grândola – Substituição de réplicas.

Introdução

Na sequência das intervenções de conservação e restauro realizadas sobre o património integrado e móvel, que constitui o acervo histórico-artístico da Igreja Matriz de Grândola, pretende-se se proceder à reorganização de parte do revestimento azulejar da nave da Igreja.

Verificam-se quatro entrepanos, dois do lado do Evangelho, entre o vão da antiga Capela Baptismal e a Capela de Nossa Senhora do Rosário, e desta e o altar Senhor Jesus do Bom Despacho; e os outros dois, na parede oposta, do lado da Epístola, entre a Capela de S. Miguel e a Capela de Santo António, e desta e o altar de Nossa Senhora do Carmo, que apresentam os revestimentos azulejares constituídos por azulejos industriais recentes, com pouca qualidade técnica e pictórica, que contrastam e se desarticulam com os do restante revestimento padronal do séc. XVII, nos restantes paramentos da nave.

Foi solicitado às várias Direcções Regionais de Cultura a eventual cedência de azulejos que permitissem repor a originalidade do conjunto, com peças similares existentes em depósito. Sucede que não foi possível realizar este trabalho, devido à inexistência de azulejos com os motivos pretendidos. Deste modo, pretende-se proceder à substituição destes quatro panos, pela remoção integral dos azulejos existentes, sendo substituídos por réplicas de boa qualidade, que sigam as técnicas de manufactura tradicional, quer quanto à forma, vidrado e pintura, permitindo integral e uniformizar estas áreas na globalidade do revestimento da nave.

O revestimento azulejar é constituído pela articulação de um padrão polícromo de 2x2-1, com uma variante do motivo da camélia, circunscrito pela conjugação de um friso branco e por uma barra dupla policroma, com motivos de encadeados, como se verifica através da imagem anexa.>


Para a reorganização destes quatro panos, será necessário proceder à manufacturas de aproximadamente 425 unidades, das quais 110, correspondem a azulejos de padrão; 260, a azulejos de barra e 55, a azulejos brancos.

O preço dos Azulejos é:

* Azulejos pequenos – 5 Euros

* Azulejos maiores – 10 Euros

Fábrica da Igreja paroquial da Freguesia de Grândola

NIB – 0035 0357 00009884 530 95

IBAN – PT50 0035 0357 00009884 530 95

Quem desejar recibo, para efeitos de IRS, deve enviar-nos os elementos: Nome completo, morada e nº de Contribuinte.




domingo, 28 de julho de 2019

Não se ama a Deus em abstracto


A encarnação de Jesus é um facto essencial na fé cristã e inexplicável humanamente falando. Com efeito, nós que já éramos a obra-prima de Deus, criados “à Sua imagem e semelhança”, em Jesus, que assumiu a nossa humanidade, passámos a ser filhos bem-amados de Deus. S. Paulo dirá que somos: “filhos no Filho”. Mas, não o esqueçamos, além de filhos somos também irmãos. Estas duas dimensões devem estar presentes não só na memória, mas sobretudo na vida.

No Evangelho do Bom Samaritano, que escutámos há dias, esta mensagem aparecia com toda a clareza: o Doutor da Lai, o Sacerdote e o Levita sabiam, decerto, que os Mandamentos incluíam estes dois amores (a Deus e ao próximo) e Jesus insistiu várias vezes na exigência da sua ligação: “faz o mesmo”; “vive”; “pratica”,…

Creio que é este humanismo que deve ser uma das marcas distintivas do cristão. O Papa e Santo Paulo VI dizia que a Igreja era “perita em Humanidade”, logo, nós cristãos deveríamos estar na primeira linha da defesa do ser humano, sobretudo, dos mais pequenos, frágeis, marginalizados e abandonados. Não podemos ter a pretensão de ser os únicos, mas devemos esforçar-nos por ter o Homem sempre no centro das nossas prioridades e da nossa vida e acção pastoral.

O amor a Deus torna-se real no amor ao próximo, porque, amar a Deus, ou melhor, dizer que O amamos, é muito fácil; prova-lo é bem mais difícil. A sua confirmação passa pela vivência do segundo mandamento, que Jesus diz ser “semelhante ao primeiro”. O que credibiliza a Igreja e o testemunho cristão é este amor, reflexo e confirmação de uma autêntica fé e amor a Deus. S. João di-lo com toda a clareza: “quem diz que ama a Deus que não vê e não ama o seu irmão que vê, é mentiroso”.

A espiritualidade cristã deve, por isso, se plenamente encarnada, humana, não se confundindo com uma mera abstracção da mente, fuga do quotidiano, esquecimento das ocupações. A verdadeira espiritualidade manifesta-se numa mais perfeita humanidade, testada em pessoas e situações reais e concretas. Recordo-me, a este propósito, de uma revista de expansão mundial, ter considerado, há uns anos, a Madre Teresa de Calcutá uma das pessoas mais influentes do século XX; a razão é evidente!

Creio que os tempos que vivemos, e este Papa que o Senhor nos concedeu, constituem um verdadeiro desafio a que não sejamos meros repetidores de palavras (que o vento leva), que não convencem ninguém, antes podem desiludir e afastar, levando a outras procuras e opções religiosas ou humanas. Ser Bom Samaritano pode bem ser o exemplo, que quem procura Deus espera encontrar em nós cristãos, pois, não se ama a Deus em abstracto. Se Jesus encarnou, este é o caminho que nós devemos seguir.

Pe. Manuel António Guerreiro do Rosário
in Notícias do Alentejo, 25 de Julho de 2019



O divórcio entre a Fé e a Vida


Há uns anos fiquei tocado e fui profundamente interpelado por esta frase, proferida pelo “Bom Papa” S. João XXIII, nos já longínquos anos 60. Dizia este extraordinário Pastor: que o maior escândalo dos “nossos tempos” era o divórcio entre a Fé e a Vida dos cristãos.

Ao longo dos anos tenho reflectido muitas vezes nesta frase e nas suas consequências, se, de facto, a levássemos a sério. Decerto teríamos uma Igreja bem diferente, uma Igreja como o Papa Francisco deseja, na linha do Concílio Vaticano II, o grande “Sinal” de Deus para os nossos dias:


- Uma Igreja que viva a alegria da Fé, que anuncie Cristo e não a si própria, e que tenha no Homem real, concreto e histórico, o caminho a seguir;

- Uma Igreja-comunhão, de irmãos, marcada pela corresponsabilidade e participação, mais próxima e acolhedora, demarcando-se definitivamente da estrutura piramidal, pré-conciliar, que poderia, hoje, tornar a Igreja uma mera “peça de Museu”;

- Uma Igreja empenhada na evangelização, em chegar. Ao caso da nossa Diocese, às 97, 96, 95, 94 “ovelhas” que estão fora do redil, e menos preocupada com questões menores e superficiais;

- Uma Igreja que não tem medo dos que “estão fora da Igreja”, antes olha para eles como pessoas a quem Deus ama e que se devem também sentir desejados nas nossas Paróquias, Serviços e Movimentos, particularmente, os que se encontram nas periferias humanas e existenciais;

- Uma Igreja misericordiosa, capaz de ser “um Hospital de Campanha”, num Mundo cheio de sofrimento e carente de sentido e de Deus;

- Uma Igreja menos preocupada em julgar farisaicamente, com base na objectividade, esquecendo a pessoa, a sua intenção e finalidade, e as circunstâncias que a rodeiam;

- Uma Igreja na qual o pastor é um servidor, que procura amar e entregar-se generosa e abnegadamente, àqueles que lhes estão confiados, recusando assumir o papel de funcionário, carreirista, que só atende ao horário previamente estabelecido;

- Uma Igreja mais empenhada em chegar aos jovens, não só com uma nova linguagem, mas, sobretudo, com uma nova forma de estar na vida e testemunhar o Evangelho;

Termino com outra frase do grande Papa e Santo Paulo VI: “o nosso Mundo tem mais necessidade de testemunhas do que de mestres, e só aceita os mestres se eles, antes, forem testemunhas”.

Manuel do Rosário
in Notícias do Alentejo, 11 de Julho de 2019



domingo, 21 de julho de 2019

O ovo ou a galinha?


o ouvir as diversas tentativas de leitura e explicação das possíveis causas da altíssima taxa de abstenção nas eleições europeias, veio-me à memória a célebre frase: quem vem primeiro, o ovo ou a galinha?

A verdade é que nenhuma das explicações me convenceu cabalmente, e não há dúvidas de que a abstenção foi o partido mais votado e com maioria absoluta. Escolher não escolher só enfraquece a democracia, a qual, apesar de todas as suas imperfeições, continua a ser o sistema que trata os cidadãos por igual, pois não há votos de qualidade. A cada pessoa corresponde exatamente a mesma responsabilidade de edificar a res publica.

É, por isso, fundamental investir numa cultura que favoreça o sentido crítico, que ajude a refletir sobre os erros, para evitar que os mesmos se voltem a repetir.

Nesta linha, uma das práticas que mais aprecio na fé cristã é o exame de consciência. Este permite-nos mergulhar dentro de nós mesmos, perceber os nossos erros e mudar, sem procurar justificações, que só servem de consolo, mas que não se traduzem em alteração alguma.

É o que acontece ao doente que, ao não assumir a doença e a necessidade de se tratar, vê a sua situação agravar-se dia após dia.

A desvalorização deste direito/dever em alguns países contrasta com a realidade da sua ausência numa percentagem significativa da população mundial. Na verdade, a maior democracia é a Índia, mas o mais populoso país é a China. Pensemos também nas várias ditaduras que prepotentemente não permitem que os cidadãos tenham todos a mesma dignidade e o direito de exercer a cidadania.

Se é verdade que a democracia não se esgota no ato de votar e supõe outras formas criativas de intervir e melhorar a sua qualidade (papa João Paulo II), não votar é demitirmo-nos das nossas responsabilidades coletivas.

A democracia constrói-se com a participação dos cidadãos. 

Votemos! Não permitamos que minorias ideológicas e extremistas preencham o vazio deixado pela abstenção.


Pe. Manuel António Guerreiro do Rosário
in Diário do Alentejo, 12 de Julho de 2019



Prudência e Perseverança


dias, ao pensar nas oscilações atmosféricas e no conjunto das transformações que estão a afectar e a desequilibrar o meio ambiente e a natureza em geral, veio-me à memória uma palavra, que é uma das quatro virtudes cardeais, logo, das mais importantes, já desde Aristóteles (pelo menos): refiro-me à Prudência.

Prudência não é sinónimo de passividade, pois esta pode gerar a indiferença, criando em nós uma espécie de segurança que nos torna quase inócuos a qualquer tipo de afirmação, o que é negativo, porque nos retira energia, e anestesia em relação às diversas realidades do Mundo em que nos integramos.

A ausência da Prudência leva a que facilmente caiamos em afirmações às quais faltam, muitas vezes, consistência e até conteúdo científico, e podem gerar alarmismo. Como estamos no tempo das Redes Sociais, estas multiplicam num ápice este tipo de informações e afirmações (já não lhes chamo sequer Fake News).A Prudência, pelo contrário, considerada uma virtude maior pelos clássicos, é capaz de gerar em nós uma sã inquietação, que nos vai modelando e pode impedir de cairmos em atitudes extremistas, nas quais é tão fácil "escorregar", dando-nos inclusivamente uma capacidade de encarar o futuro com um olhar confiante e até profético.

Ligada à Prudência uma outra virtude chamada Perseverança, que bem poderia ser o seu complemento, pois, num contexto marcado pelo imediatismo, é fácil reagir como os foguetes: depressa o belos e chamam a atenção, mas também rapidamente desaparecem. O imediatismo pode ainda conduzir-nos à perda de memória, à indiferença, quase ingratidão, em relação a Deus e aos outros, pois, só interessa o momento, a solução tipo self service, descartável que se usa e deita fora, passando, quase sem reflexão ao episódio seguinte. A perseverança, pelo contrário, faz-nos mais reflexivos e a sua continuidade.

Estas duas virtudes serão para muitos, contra-corrente, mas a verdade é que é preciso, cada vez mais, exercer o discernimento nesta Sociedade, aprendendo a educar-nos e a usar com sagacidade o sentido crítico. A globalização, com efeito, tende a esbater as diferenças e a normalizar-nos, como se fizéssemos parte duma linha de montagem, retirando-nos as nossas especificidades e ameaçando tomar-nos episódicos, inconsistentes, acríticos. É isso que muitos querem e para isso trabalham Precisamos de estar atentos, sobretudo os mais jovens, pois, são aqueles que, sem se aperceberem, são facilmente manipuláveis por gente que vive e vende esta norma de vida: Vale tudo. Esta é uma postura falaciosa, embora aparente ser rebelde e inconformista. É preciso não esquecer que a aparência é uma das 3 tentações, juntamente com o Ter o Poder.


Vale pena remar contra a maré, quando esta não é autêntica, mas antes é comandada e conduzida por objectivos duvidosos e pré-definidos!


in Ecos de Grândola, nº 326, 12 de Junho de 2019



Festas em Honra de Nossa Senhora da Penha 2019 - devoção, emoção e forte adesão dos grandolenses



Decorreram entre os dias 04 e 31 de maio de 2019 as tradicionais Festas em Honra de Nossa Senhora da Penha, em Grândola.

Num mês tradicionalmente dedicado às festas em honra da padroeira de Grândola, a edição de 2019 não desiludiu, tendo sido marcada pela forte adesão da comunidade em geral. A grande preocupação da organização (Paróquia) é, obviamente, em cada ano, favorecer os momentos de contacto entre a imagem de Nossa Senhora da Penha com a população da freguesia de Grândola e Santa Margarida da Serra. Para tal, a imagem é trazida desde a Ermida, na Serra da Penha, até à vila, em cortejo automóvel sendo esse momento que marca o início das. Nesse sentido, a Paróquia tem feito, na figura do Padre Manuel António Rosário, um enorme esforço para que a imagem possa visitar o maior número possível de bairros e aldeias da freguesia, onde é recebida com grande entusiasmo pela população local, havendo ainda, lugar, por vezes, a Eucaristia.

Além dos momentos de oração e de cortejo, estas Festas também incluem espetáculos musicais em todos os fins-de­-semana de Maio, e em que se privilegia as actuações de grupos/músicos locais – canto coral, cante alentejano, grupos de violas da Paróquia, folclore, música popular, etc. Uma nota para a noite de fados que trouxe novamente a Grândola dois grandes nomes do Fado, os músicos Custódio Castelo (Guitarra Portuguesa) e Carlos Leitão (Viola) e contou com diversos talentosos fadistas, num salão de festas (do Restaurante «A Chaminé») que esgotou completamente a lotação.

Caminhadas, corridas solidárias e os tradicionais pontos altos das Festas (a Procissão das Velas e a Procissão das Rosas ou, ainda, o regresso da imagem à Ermida - o «dia em que se sobe à Penha» - no último domingo de maio são excelentes exemplos dos diversos momentos previstos no Programa e que, à ajuda de muitas pessoas, foram possíveis. Finalmente, o encerramento das festas decorreu com o concerto com o consagrado tenor português, Carlos Guilherme, a soprano Hélia Castro e o músico Jaime Branco (Órgão e Harmónio), num concerto na Igreja Matriz de Grândola, com lotação esgotada.

Estas festas mobilizaram a participação de muito público local e visitante, movimentos da paróquia e associações diversas e contaram com o apoio de inúmeros paroquianos, particulares, do Município e da Junta de Freguesia, associações locais, os Bombeiros Mistos de Grândola, a SMFOG, a GNR e a Proteção Civil, empresários locais e comerciantes que se envolveram e apoiaram a Paróquia, para que as Festas decorressem da melhor forma possível, o que se veio a verificar.

Nesse sentido, a Organização das Festas em Honra de Nossa Senhora da Penha agradece a todas as pessoas que, de forma mais ou menos direta, participaram, apoiaram e possibilitaram a concretização da edição de 2019.

Que nossa Senhora da Penha os abençoe a todos!

Paróquia de Nossa Senhora
da Assunção - Grândola