sábado, 23 de maio de 2015

Pároco de Grândola recebe galardão como dador de sangue


Integrada nas festividades do seu 36º aniversário a Associação de Dadores Benévolos de Sangue de Grândola realizou, no dia 23 de Maio de 2015, uma Sessão Solene de entrega do Galardão das 60 dádivas (medalha dourada), no Cine Granadeiro.

O Padre Manuel António Guerreiro do Rosário, foi um dos que recebeu o Galardão das 60 dádivas (medalha dourada).

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sexta-feira, 8 de maio de 2015

O Valor Inestimável da Vida Humana


Nem sempre é fácil encontrar temas apelativos sobre os quais escrever, sobretudo, quando a vida é preenchida de múltiplas tarefas, díspares, e sempre exigentes e empenhativas. Depois de alguns tempos de reflexão, e certamente motivado pelas recentes e consecutivas tragédias no Mediterrâneo, resolvi escrever algumas palavras sobre a vida humana e o seu valor inestimável, pois, para além de outras questões subjacentes, sobre as quais vale a pena também reflectir, creio que o que está em causa é o valor da vida humana e de cada vida.

Porque não acredito no destino, penso que muitos dos males deste Mundo poderiam ser vencidos, se não existisse tanta indiferença e desconsideração para com a pessoa humana, e se, quem de direito, procurasse, de facto, defender a vida humana e cada vida, porque ninguém pode predizer o futuro e imaginar o que se perde quando desaparece um ser humano. Quantos sonhos desfeitos? Quantos líderes potenciais? Quantos cientistas prematuramente desaparecidos? Quantos músicos que não chegaram a compor? No fundo, quantas pessoas iguais a nós não tiveram oportunidade de deixar a sua "pegada existencial" neste Mundo?

Muitos deles, como justamente afirmou o Papa Francisco, apenas procuravam a felicidade, um futuro melhor; com menos guerras, fomes, injustiças, para si e para as suas famílias. E tudo poderia ter sido diferente! Às vezes e infelizmente parece que só quando acontece uma catástrofe é que se desperta e se tomam decisões, que, porém, já não podem trazer à vida os que partiram.

Os valores sobre os quais foi edificado o Projecto Europeu não foram meramente materialistas, embora o possam inicialmente parecer. A Comunidade do Carvão e do Aço e a sua sucessora Comunidade Económica Europeia foram idealizadas por homens inspirados por valores profundamente humanistas e cristãos, e consolidaram-se no meio, certamente, de erros, falhas e desilusões. Para que este objectivo se tivesse imposto não foram certamente alheias as duas Grandes Guerras, o Holocausto e um sem número de conflitos de menor escala, que ajudaram a Europa a ir traçando o seu caminho e a fazer opções. Talvez, por isso, se torna hoje necessário mergulhar na nossa memória colectiva e combater uma espécie de amnésia e de insensibilidade tendencialmente generalizadas, que pairam sobre a Europa, e nos pretendem fazer esquecer que cada vida é única e irrepetível, e o direito à vida o primeiro e o fundamental dos direitos humanos. A passividade e o permissivismo podem ser a antecâmara de um crepúsculo civilizacional, de consequências imprevisíveis.

Não foi fácil, como já referi, mas a consubstanciação dos Direitos Humanos em Declarações um pouco por todo o Mundo, deve muito ao génio europeu profundamente marcado pelo Cristianismo, que há 2000 anos proclamou a igualdade essencial de todos os seres humanos e a fraternidade universal numa Casa Comum, que é este Planeta onde habitamos.

Neste tempo em que vivemos e olhando para os conflitos que marcam o nosso quotidiano, penso que temos despertar da letargia, insensibilidade e indiferença em que tantas vezes mergulhamos ou deixamos que nos mergulhem, e pensar que há tanto para fazer e tanto que cada um de nós pode fazer, se não quisermos tornar-nos noutros Pilatos. É tempo de perceber que também está nas nossas mãos fazer deste Mundo um Mundo melhor, onde todos os seres humanos, independentemente da sua cor, raça, ou religião, sejam tratados de igual forma, com a dignidade que lhes é inerente e que deve ser respeitada, defendida e promovida.

Se o Mediterrâneo é o "Mare Nostrum",quem o tenta atravessar não nos pode ser estranho, indiferente, ou, pior, encarado como um potencial inimigo.

É tempo de agir!

Pe. Manuel António Guerreiro do Rosário
in Ecos de Grândola, nº 277, 08 de Maio de 2015