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quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013
quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013
sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013
terça-feira, 29 de janeiro de 2013
sábado, 26 de janeiro de 2013
sexta-feira, 25 de janeiro de 2013
quarta-feira, 23 de janeiro de 2013
Jimmy Ríos, baterista de Ketama, Bosé ou Sabina, ao converter-se: «Senhor, apanhaste-me!»
«És um crente renegado», disse a Javier Krahe
Foi evangélico, poli-toxicodependente, perdeu num só dia a sua futura mulher e os dois filhos que vinham... «Toquei fundo. E quem está aí para salvar-te?».
Actualizado 20 Janeiro 2013
Carmelo López-Arias / ReL
Fora de câmara, antes de começar a entrevista, o seu protagonista rezou: "Para encomendá-la a Deus, que não seja eu mas sim Ele em mim, que o que possa dizer possa tocar corações".
Não é bom que Deus esteja só, o programa de Gonçalo Altozano em Intereconomía TV, começou e terminou este sábado a toque de bateria. No comando do instrumento, Jimmy Ríos (Nova York, 1958), toda uma história pessoal vibrando a cada golpe da baquete: nasceu numa família católica não praticante ("baptismo e primeira comunhão, até aí, não há mais"), em Porto Rico ingressou num grupo juvenil evangélico ("hippies, sentia-me muito bem"), dois anos depois entrou num circo como palhaço e como mimo, e desembarcou em Espanha.
Quando tocou no fundo, quem estava aí para ajudá-lo?
Gostou e ficou, mas começou outro inferno: as drogas. "Todas as que me puseram à frente", admite, desde uma faixa a um charro. "Tornas-te poli-toxicodependente, e ainda que o desejes, isso é já para toda a vida. Então tocas no fundo e quem está aí para salvar-te? Jesus Cristo", como foi no seu caso.
Mas o seu tocar fundo adquiriu uma dimensão ainda mais dramática: "Tive uma namorada que ficou grávida de gémeos e por causas naturais morreu no mesmo dia em que nos deram a casa em que íamos viver depois de casarmos. Foi-se-me a vida: o meu futuro, o amor da minha vida e dois filhos. Toquei fundo, muito fundo, mas muito... À beira da morte em duas ocasiões... A quem recorres então? A Jesus Cristo".
O encontro
O curioso é que, nesse trance, passei a ser evangélico (ainda que "longe do Senhor"), fui a uma igreja católica. Ali, Jimmy conheceu uma rapariga que cantava na missa e o convidou a ir no domingo seguinte e, inopinadamente para ela, foi: "Fiquei no último banco, porque para mim, evangélico, as igrejas eram... brrr... Com todas essas imagens".
E então ela o convidou a ir a um grupo de oração da Renovação Carismática Católica. Foi, e ainda que no princípio tenha ficado à porta, sentado, no final algo o comoveu profundamente: "De repente olhei para o tecto e disse: Senhor, apanhaste-me, daqui não saio!".
Permaneceu vinculado à Renovação Carismática, "uma corrente dentro da Igreja católica onde se move o Espírito Santo" e onde ele sentiu uma imperativa chamada especial: "O Senhor pôs no meu coração um desejo: vem a Mim, já!".
Cuidado com as letras...
Ele obedeceu, e isso não o impediu de fazer uma brilhante carreira no âmbito da música, onde foi baterista com Ketama, Miguel Bosé, Joaquín Sabina ou Javier Krahe. "Há que ter cuidado com o músico com quem tocas, porque se as letras chocam com a tua fé", afirma. Quando isso ocorre, ele o discute com o artista. Como no caso do seu grande amigo Krahe, a quem disse um dia em confiança: "Tu não és ateu. Tu és um crente renegado".
Doí-lhe que no seu âmbito profissional se critique muitas vezes a Igreja. Ele segue o seu caminho e os anima "a crer em Deus e procurar na Bíblia (e em algum outro livro de algum santo) as respostas às perguntas que tem no seu coração".
Graças por tudo e em todo o momento
E diz mais, e o diz quem acabava de contar as circunstâncias nas que se lhe foi a vida: "Há que dar graças a Deus por tudo e em todo o momento". Para isso reza e ora, uma distinção entre duas actividades que gosta de fazer e que deixou clara para o telespectador: "Rezar é repetindo, como no rosário. Orar é falar com Deus para contar-lhe o que se passa".
Jimmy Ríos recomenda que a Igreja apoie economicamente a "artistas cristãos que toquem bem, a boas bandas, com boas canções", porque "evangelizam com a música". Gostaria de ver vento e harpa nos templos, e confessa a sua debilidade pelo órgão: "E se é numa igreja, perco-me, e se cheira a incenso, melhor".
Jimmy sorteia a crise económica dando classes, e segue enviando currículos, confiando sempre na mão que dirige tudo. "Senhor, isto é para Ti", afirma ao fechar o envelope e dirigir-se à entrevista de trabalho: "Eu já semeei".
Como o fiz este sábado, tocando corações segundo havia prometido. Com mão de artista.
Foi evangélico, poli-toxicodependente, perdeu num só dia a sua futura mulher e os dois filhos que vinham... «Toquei fundo. E quem está aí para salvar-te?».
Actualizado 20 Janeiro 2013
Carmelo López-Arias / ReL
Fora de câmara, antes de começar a entrevista, o seu protagonista rezou: "Para encomendá-la a Deus, que não seja eu mas sim Ele em mim, que o que possa dizer possa tocar corações".
Não é bom que Deus esteja só, o programa de Gonçalo Altozano em Intereconomía TV, começou e terminou este sábado a toque de bateria. No comando do instrumento, Jimmy Ríos (Nova York, 1958), toda uma história pessoal vibrando a cada golpe da baquete: nasceu numa família católica não praticante ("baptismo e primeira comunhão, até aí, não há mais"), em Porto Rico ingressou num grupo juvenil evangélico ("hippies, sentia-me muito bem"), dois anos depois entrou num circo como palhaço e como mimo, e desembarcou em Espanha.
Quando tocou no fundo, quem estava aí para ajudá-lo?
Gostou e ficou, mas começou outro inferno: as drogas. "Todas as que me puseram à frente", admite, desde uma faixa a um charro. "Tornas-te poli-toxicodependente, e ainda que o desejes, isso é já para toda a vida. Então tocas no fundo e quem está aí para salvar-te? Jesus Cristo", como foi no seu caso.
Mas o seu tocar fundo adquiriu uma dimensão ainda mais dramática: "Tive uma namorada que ficou grávida de gémeos e por causas naturais morreu no mesmo dia em que nos deram a casa em que íamos viver depois de casarmos. Foi-se-me a vida: o meu futuro, o amor da minha vida e dois filhos. Toquei fundo, muito fundo, mas muito... À beira da morte em duas ocasiões... A quem recorres então? A Jesus Cristo".
O encontro
O curioso é que, nesse trance, passei a ser evangélico (ainda que "longe do Senhor"), fui a uma igreja católica. Ali, Jimmy conheceu uma rapariga que cantava na missa e o convidou a ir no domingo seguinte e, inopinadamente para ela, foi: "Fiquei no último banco, porque para mim, evangélico, as igrejas eram... brrr... Com todas essas imagens".
E então ela o convidou a ir a um grupo de oração da Renovação Carismática Católica. Foi, e ainda que no princípio tenha ficado à porta, sentado, no final algo o comoveu profundamente: "De repente olhei para o tecto e disse: Senhor, apanhaste-me, daqui não saio!".
Permaneceu vinculado à Renovação Carismática, "uma corrente dentro da Igreja católica onde se move o Espírito Santo" e onde ele sentiu uma imperativa chamada especial: "O Senhor pôs no meu coração um desejo: vem a Mim, já!".
Cuidado com as letras...
Ele obedeceu, e isso não o impediu de fazer uma brilhante carreira no âmbito da música, onde foi baterista com Ketama, Miguel Bosé, Joaquín Sabina ou Javier Krahe. "Há que ter cuidado com o músico com quem tocas, porque se as letras chocam com a tua fé", afirma. Quando isso ocorre, ele o discute com o artista. Como no caso do seu grande amigo Krahe, a quem disse um dia em confiança: "Tu não és ateu. Tu és um crente renegado".
Doí-lhe que no seu âmbito profissional se critique muitas vezes a Igreja. Ele segue o seu caminho e os anima "a crer em Deus e procurar na Bíblia (e em algum outro livro de algum santo) as respostas às perguntas que tem no seu coração".
Graças por tudo e em todo o momento
E diz mais, e o diz quem acabava de contar as circunstâncias nas que se lhe foi a vida: "Há que dar graças a Deus por tudo e em todo o momento". Para isso reza e ora, uma distinção entre duas actividades que gosta de fazer e que deixou clara para o telespectador: "Rezar é repetindo, como no rosário. Orar é falar com Deus para contar-lhe o que se passa".
Jimmy Ríos recomenda que a Igreja apoie economicamente a "artistas cristãos que toquem bem, a boas bandas, com boas canções", porque "evangelizam com a música". Gostaria de ver vento e harpa nos templos, e confessa a sua debilidade pelo órgão: "E se é numa igreja, perco-me, e se cheira a incenso, melhor".
Jimmy sorteia a crise económica dando classes, e segue enviando currículos, confiando sempre na mão que dirige tudo. "Senhor, isto é para Ti", afirma ao fechar o envelope e dirigir-se à entrevista de trabalho: "Eu já semeei".
Como o fiz este sábado, tocando corações segundo havia prometido. Com mão de artista.
in
sábado, 19 de janeiro de 2013
sexta-feira, 18 de janeiro de 2013
O líder republicano agnóstico que retornou á «maravilhosa fé cristã»
Actualizado 4 Agosto 2012
Forum Libertas
Jordi Carbonell i de Ballester (Barcelona, 1924) é um velho lutador pela democracia. Este político e filólogo catalão participou em iniciativas da oposição antifranquista, como a Assembleia da Catalunha, e impulsionou o movimento de Nacionalists d’Esquerra. Desde 1996 até Julho de 2004 foi presidente da Esquerra Republicana de Catalunya.
Licenciado em filologia românica pela Universidade de Barcelona, foi professor de língua catalã nos Estudos Universitários Catalãs e na Universidade Autónoma de Barcelona, de onde o expulsaram em 1972 por razões políticas. Foi catedrático da Universidade de Cagliari (Cerdeña) e leitor de catalão na Universidade de Liverpool. Membro fundador da Sociedade Catalã de Estudos Históricos, filial do Instituto de Estudos Catalãs, dirigiu a Grande Enciclopédia Catalã de 1965 a 1971.
A sua conversão ao catolicismo
No número de Junho de 2012 a Folha Informativa da paróquia a que assiste cada domingo para ir à Missa – Monestir de Sant Pere de les Puel·les – dedicou-lhe uma entrevista na que o líder catalanista explicava a sua conversão e os motivos do seu regresso à fé.
“O meu regresso à fé produziu-se no ano 2006 com motivo da morte de minha esposa Hortensia. Até então sempre me havia manifestado agnóstico, além de respeitoso: fui amigo do padre Abat Aureli M. Escarré e tenho uma excelente relação com os monges de Montserrat”, explica Carbonell que acrescenta: “Vivi sessenta anos de matrimónio com a minha mulher e a queria profundamente. A morte de Hortensia foi um golpe muito duro para mim; não me podia resignar a perdê-la. Pensar que depois da morte se havia acabado tudo era incompreensível para mim e esta necessidade de crer na perdurabilidade depois da morte fez com que voltasse a Deus e à maravilhosa fé cristã. Nesta conversão intervieram o monge Josep Massot i Muntaner amigo pessoal desde há muitos anos, e o padre Marcel Capellades, que me aproximou ao Deus do Amor”.
Questionado sobre o facto da sua participação na Eucaristia em Sant Pere o político responde “Ouvi dizer ao meu irmão Josep Maria que, nos meus tempos de agnóstico, sempre havia rezado pelo meu regresso à fé, que em Sant Pere celebravam umas missas de grande nível. Então um dia, falando com Ricard Pedrals, companheiro de faculdade e amigo meu desde há muitos anos, comentou-me que ele ia cada domingo. E desde 17 de Dezembro de 2006 fui cada domingo com ele e a sua mulher”.
Finalmente, Carbonell não dúvida em afirmar que agora se manifesta “como um cristão convencido e firme na minha fé”, um cristão “que crê na Igreja do amor e da esperança, e cada dia rezo a Deus, ao Deus do amor, com lágrimas nos olhos”.
Forum Libertas
Jordi Carbonell i de Ballester (Barcelona, 1924) é um velho lutador pela democracia. Este político e filólogo catalão participou em iniciativas da oposição antifranquista, como a Assembleia da Catalunha, e impulsionou o movimento de Nacionalists d’Esquerra. Desde 1996 até Julho de 2004 foi presidente da Esquerra Republicana de Catalunya.
Licenciado em filologia românica pela Universidade de Barcelona, foi professor de língua catalã nos Estudos Universitários Catalãs e na Universidade Autónoma de Barcelona, de onde o expulsaram em 1972 por razões políticas. Foi catedrático da Universidade de Cagliari (Cerdeña) e leitor de catalão na Universidade de Liverpool. Membro fundador da Sociedade Catalã de Estudos Históricos, filial do Instituto de Estudos Catalãs, dirigiu a Grande Enciclopédia Catalã de 1965 a 1971.
A sua conversão ao catolicismo
No número de Junho de 2012 a Folha Informativa da paróquia a que assiste cada domingo para ir à Missa – Monestir de Sant Pere de les Puel·les – dedicou-lhe uma entrevista na que o líder catalanista explicava a sua conversão e os motivos do seu regresso à fé.
“O meu regresso à fé produziu-se no ano 2006 com motivo da morte de minha esposa Hortensia. Até então sempre me havia manifestado agnóstico, além de respeitoso: fui amigo do padre Abat Aureli M. Escarré e tenho uma excelente relação com os monges de Montserrat”, explica Carbonell que acrescenta: “Vivi sessenta anos de matrimónio com a minha mulher e a queria profundamente. A morte de Hortensia foi um golpe muito duro para mim; não me podia resignar a perdê-la. Pensar que depois da morte se havia acabado tudo era incompreensível para mim e esta necessidade de crer na perdurabilidade depois da morte fez com que voltasse a Deus e à maravilhosa fé cristã. Nesta conversão intervieram o monge Josep Massot i Muntaner amigo pessoal desde há muitos anos, e o padre Marcel Capellades, que me aproximou ao Deus do Amor”.
Questionado sobre o facto da sua participação na Eucaristia em Sant Pere o político responde “Ouvi dizer ao meu irmão Josep Maria que, nos meus tempos de agnóstico, sempre havia rezado pelo meu regresso à fé, que em Sant Pere celebravam umas missas de grande nível. Então um dia, falando com Ricard Pedrals, companheiro de faculdade e amigo meu desde há muitos anos, comentou-me que ele ia cada domingo. E desde 17 de Dezembro de 2006 fui cada domingo com ele e a sua mulher”.
Finalmente, Carbonell não dúvida em afirmar que agora se manifesta “como um cristão convencido e firme na minha fé”, um cristão “que crê na Igreja do amor e da esperança, e cada dia rezo a Deus, ao Deus do amor, com lágrimas nos olhos”.
in
segunda-feira, 14 de janeiro de 2013
Era filha e neta de Testemunhas de Jeová e teve que desaprender as suas crenças para ser católica
Mary Kochan
As Testemunhas não acreditam que Jesus seja Deus, mas sim pensam que é um anjo e não deve ser adorado. Mas se o Povo de Deus é a Noiva de Cristo... Não é lógico que o cante, o louve e o adore? Esta ideia arrastou a Mary para o cristianismo.
Actualizado 14 Janeiro 2013
ReL / Primera Luz
Mary Kochan era filha e neta de Testemunhas de Jeová, uma testemunha de terceira geração. O foi durante os primeiros 38 anos da sua vida, até que os deixou em 1993. Entrou na Igreja católica três anos depois.
Não foi um processo fácil, explica, mas sim “penetrante”. Posteriormente, como editora em diversas publicações católicas e também na sua paróquia de Santa Teresa em Douglasville, EUA, pode contar várias vezes a sua viagem espiritual.
Quando Cristo não é Deus, mas sim um anjo
“As Testemunhas de Jeová não acreditam na Trindade, assim que tampouco acreditam na divindade de Cristo”, explica.
“Eles acreditam que Jesus era o arcanjo Miguel antes de vir à terra e que depois de ter sido ressuscitado voltou a ser o arcanjo Miguel — mas com o nome "Jesus". Acreditam que Jesus morreu (ainda que não numa cruz) para salvar a humanidade do pecado e a morte como meio de expiar a desobediência de Adão. Dou-me conta que isto é raro — para não mencionar todo o problema ontológico de que primeiro seja um anjo, logo humano e logo, outra vez um anjo — mas o trago à mente porque quero fazer notar que eu então tinha a ideia de que podia chamar-me cristã e crer que Jesus havia morto por mim, tudo isso sem chegar a conceber Jesus como Deus”.
Por isso, pensar em Jesus como “verdadeiro homem e verdadeiro Deus” foi para Mary Kochan um despertar, uma revelação.
Quem é Jesus na realidade?
“Em 1993, depois de um longo e penetrante período de disrupção na minha vida, em busca da paz e o poder transformador do que dá testemunho o Novo Testamento, teve um encontro com Cristo. Eu não sabia que Ele era a Deidade, mas sabia que Ele não era o que os Testemunhas de Jeová diziam que era. Soube então que devia deixar a religião na qual cresci, a única que havia conhecido toda a vida. Teria que deixar atrás toda a relação estabelecida durante a minha vida adulta. Decidida, fui a uma igreja”.
“Para mim era algo aterrador. Tinham-me ensinado que as igrejas estavam cheias de demónios. Os Testemunhas de Jeová não entram nem no parque de estacionamento de uma igreja. Mas essa visita a uma igreja pôs-me no caminho para aprender a verdade sobre Jesus. Rapidamente dei-me conta que os cristãos adoravam Jesus”, recorda Mary.
Nos Testemunhas de Jeová, a ela lhe haviam ensinado que só se deve adorar a Deus, chamado “Jeová”, o Pai de Jesus. Para eles, os católicos, protestantes e ortodoxos se equivocam ao proclamar que Jesus Cristo e o Espírito Santo também são Deus.
Ela já havia deixado as Testemunhas mas, em que crer agora?
Leitura distorcida da Bíblia
“Fui muito cautelosa para evitar que me enganasse outra vez. Sem dúvida sabia que devia abrir a minha mente ao testemunho e aos argumentos apresentados pelos cristãos ao meu redor para endereçar a forma distorcida de ler as Escrituras que havia aprendido em primeiro lugar”.
Um cristão comentou numa reunião com ex Testemunhas de Jeová: “Só tens que crer o contrário de tudo o que aprendeste. Não acreditavas na Trindade e agora crês. Não acreditavas na divindade de Cristo e agora, crês. Não acreditavas na alma imortal e agora crês. Não acreditavas no ir para o céu e agora crês. Não acreditavas no Natal e agora crês. Vês que fácil? É tudo ao contrário”.
“Eu amava Jesus mas não sabia o que fazer com a adoração que os cristãos lhe professavam. Como se podia explicar semelhante fenómeno se Ele não era Deus?”
O Pai, o Filho... e a Noiva!
“Encontrei consolo apegando-me à imagem bíblica da Igreja como noiva de Cristo. Depois de tudo que coisa mais natural que uma noiva preste atenção ao seu noivo? Por suposto, os cristãos cantam a Jesus! Os estranhos são os Testemunhas de Jeová — como uma noiva que ignorava o seu noivo para concentrar todo o seu afecto no sogro”.
“Entretanto participava na oração cristã e adorava o melhor que me permitia o meu limitado entendimento. Também fazia perguntas e estudava... e estudava e estudava. Finalmente comecei a ler os Actos dos Apóstolos, os pais da Igreja inicial.
Começou a aclarar-se na minha mente que este ensinamento — que Jesus era Divino, Deus Encarnado — havia sido realmente o ensinamento cristão desde o mesmo princípio e era o testemunho apostólico”.
Amor assombroso
“Só ficava um problema por resolver: se Jesus era Deus, então este homem na Cruz era Deus. E isso significava que Deus havia morrido. Significava que Deus havia morrido... por mim”.
“Pelos séculos dos séculos nunca haverá nada mais assombroso, nada mais sublime, nada que se possa propor a uma alma humana que impressione sobre ela tanta humildade”. E Mary cita um hino: “Pode haver um amor tão assombroso, que Tu meu Deus morresses para salvar-me?”
“Assim saiu o sol na minha vida”, conclui.
As Testemunhas não acreditam que Jesus seja Deus, mas sim pensam que é um anjo e não deve ser adorado. Mas se o Povo de Deus é a Noiva de Cristo... Não é lógico que o cante, o louve e o adore? Esta ideia arrastou a Mary para o cristianismo.
Actualizado 14 Janeiro 2013
ReL / Primera Luz
Mary Kochan era filha e neta de Testemunhas de Jeová, uma testemunha de terceira geração. O foi durante os primeiros 38 anos da sua vida, até que os deixou em 1993. Entrou na Igreja católica três anos depois.
Não foi um processo fácil, explica, mas sim “penetrante”. Posteriormente, como editora em diversas publicações católicas e também na sua paróquia de Santa Teresa em Douglasville, EUA, pode contar várias vezes a sua viagem espiritual.
Quando Cristo não é Deus, mas sim um anjo
“As Testemunhas de Jeová não acreditam na Trindade, assim que tampouco acreditam na divindade de Cristo”, explica.
“Eles acreditam que Jesus era o arcanjo Miguel antes de vir à terra e que depois de ter sido ressuscitado voltou a ser o arcanjo Miguel — mas com o nome "Jesus". Acreditam que Jesus morreu (ainda que não numa cruz) para salvar a humanidade do pecado e a morte como meio de expiar a desobediência de Adão. Dou-me conta que isto é raro — para não mencionar todo o problema ontológico de que primeiro seja um anjo, logo humano e logo, outra vez um anjo — mas o trago à mente porque quero fazer notar que eu então tinha a ideia de que podia chamar-me cristã e crer que Jesus havia morto por mim, tudo isso sem chegar a conceber Jesus como Deus”.
Por isso, pensar em Jesus como “verdadeiro homem e verdadeiro Deus” foi para Mary Kochan um despertar, uma revelação.
Quem é Jesus na realidade?
“Em 1993, depois de um longo e penetrante período de disrupção na minha vida, em busca da paz e o poder transformador do que dá testemunho o Novo Testamento, teve um encontro com Cristo. Eu não sabia que Ele era a Deidade, mas sabia que Ele não era o que os Testemunhas de Jeová diziam que era. Soube então que devia deixar a religião na qual cresci, a única que havia conhecido toda a vida. Teria que deixar atrás toda a relação estabelecida durante a minha vida adulta. Decidida, fui a uma igreja”.
“Para mim era algo aterrador. Tinham-me ensinado que as igrejas estavam cheias de demónios. Os Testemunhas de Jeová não entram nem no parque de estacionamento de uma igreja. Mas essa visita a uma igreja pôs-me no caminho para aprender a verdade sobre Jesus. Rapidamente dei-me conta que os cristãos adoravam Jesus”, recorda Mary.
Nos Testemunhas de Jeová, a ela lhe haviam ensinado que só se deve adorar a Deus, chamado “Jeová”, o Pai de Jesus. Para eles, os católicos, protestantes e ortodoxos se equivocam ao proclamar que Jesus Cristo e o Espírito Santo também são Deus.
Ela já havia deixado as Testemunhas mas, em que crer agora?
Leitura distorcida da Bíblia
“Fui muito cautelosa para evitar que me enganasse outra vez. Sem dúvida sabia que devia abrir a minha mente ao testemunho e aos argumentos apresentados pelos cristãos ao meu redor para endereçar a forma distorcida de ler as Escrituras que havia aprendido em primeiro lugar”.
Um cristão comentou numa reunião com ex Testemunhas de Jeová: “Só tens que crer o contrário de tudo o que aprendeste. Não acreditavas na Trindade e agora crês. Não acreditavas na divindade de Cristo e agora, crês. Não acreditavas na alma imortal e agora crês. Não acreditavas no ir para o céu e agora crês. Não acreditavas no Natal e agora crês. Vês que fácil? É tudo ao contrário”.
“Eu amava Jesus mas não sabia o que fazer com a adoração que os cristãos lhe professavam. Como se podia explicar semelhante fenómeno se Ele não era Deus?”
O Pai, o Filho... e a Noiva!
“Encontrei consolo apegando-me à imagem bíblica da Igreja como noiva de Cristo. Depois de tudo que coisa mais natural que uma noiva preste atenção ao seu noivo? Por suposto, os cristãos cantam a Jesus! Os estranhos são os Testemunhas de Jeová — como uma noiva que ignorava o seu noivo para concentrar todo o seu afecto no sogro”.
“Entretanto participava na oração cristã e adorava o melhor que me permitia o meu limitado entendimento. Também fazia perguntas e estudava... e estudava e estudava. Finalmente comecei a ler os Actos dos Apóstolos, os pais da Igreja inicial.
Começou a aclarar-se na minha mente que este ensinamento — que Jesus era Divino, Deus Encarnado — havia sido realmente o ensinamento cristão desde o mesmo princípio e era o testemunho apostólico”.
Amor assombroso
“Só ficava um problema por resolver: se Jesus era Deus, então este homem na Cruz era Deus. E isso significava que Deus havia morrido. Significava que Deus havia morrido... por mim”.
“Pelos séculos dos séculos nunca haverá nada mais assombroso, nada mais sublime, nada que se possa propor a uma alma humana que impressione sobre ela tanta humildade”. E Mary cita um hino: “Pode haver um amor tão assombroso, que Tu meu Deus morresses para salvar-me?”
“Assim saiu o sol na minha vida”, conclui.
in
domingo, 13 de janeiro de 2013
A fé alegre de Tolkien, Chesterton e Campbell
Congresso em São Paulo
Joseph Pearce destaca o catolicismo dos criadores de «O Senhor dos Anéis», o Padre Brown e «The Georgiad».
Actualizado 1 Março 2012
Pablo J. Ginés / La Razón
Muitos assistentes destacaram a influência de Chesterton, convertido ao catolicismo, na conversão de C. S. Lewis, o autor de Crónicas de Narnia, a sua afinidade com os hobbits do sempre católico J. R. R. Tolkien, famoso por O Senhor dos Anéis e a sua proximidade ao poeta Roy Campbell, um autor que se baptizou católico em Espanha, nas vésperas da Guerra Civil, e que ocultou na sua casa de Toledo os manuscritos originais de São João da Cruz quando mataram os seus amigos, os carmelitas da cidade. O mundo anglo-saxão o recorda pelas suas sátiras em The Georgiad.
"Tolkien, Chesterton e Roy Campbell partilharam a sua gratidão pela vida, uma alegria de viver ligada a uma grande humildade", explica a A Razão Joseph Pearce, que escreveu biografias sobre cada um destes autores, todas elas publicadas em espanhol. "Tinham claro que o inimigo era o orgulho, e o louvor, a resposta. Expressavam um desejo de louvar a Deus na sua criação e na sua criatividade. Também os unia o seu catolicismo e um grande cepticismo há ilustração e o conceito de progresso. Optaram por três caminhos literários distintos. Chesterton era jornalista; Campbell, poeta e Tolkien encantou-se pela narrativa fantástica". Esta visão da vida justifica que o congresso encerrado na terça-feira na Universidade São Paulo CEU celebrasse actos como a mesa redonda sobre "A filosofia do humor e a cerveja".
O homem eterno
Pearce recomenda a quem queira aprofundar-se em Chesterton que leia O homem eterno, mas acrescenta que para entender este jornalista incisivo e ingenioso pode ser bom abordar o ensaio de Dale Ahlquist G.K. Chesterton. O apóstolo do Sentido Comum (Voz de Papel). Quando morreu, o seu amigo Hilaire Belloc anunciou que o seu papel na literatura dependeria do lugar da Igreja Católica, como numa era obscura: "Chesterton, Tolkien, Lewis, a Odisseia, a Ilíada... todos podem resultar inacessíveis numa época obscura, de informação instantânea, em que já não se leia, ou podem ser luz nessa obscuridade", vaticina Pearce.
Assinala que, por exemplo, o que mais envelheceu as películas de O Senhor dos Anéis é o que parecia mais moderno e menos relacionado com o escritor: os efeitos especiais. Além disso, lamenta que "em ocasiões a rainha Galadriel parece-se com uma bruxa na película, enquanto Tolkien a imaginava melhor como uma imagem da Virgem Maria".
Pearce tem além disso uma dúvida pessoal com Chesterton. Ele era um jovem inglês, violento e anticatólico, preso por condutas vandálicas, quando leu Chesterton na prisão. Aquilo mudou a sua vida e o levou ao catolicismo. Agora dá aulas de literatura na Universidade Ave Maria, na Flórida. Também Dale Ahlquist, presidente da American Chesterton Society explicava no congresso que "Chesterton trouxe-me a Igreja Católica e mudou a minha vida. Sempre passam coisas boas quando alguém começa a ler Chesterton e tem contacto com as suas ideias", assegurou Ahlquist.
Joseph Pearce destaca o catolicismo dos criadores de «O Senhor dos Anéis», o Padre Brown e «The Georgiad».
Actualizado 1 Março 2012
Pablo J. Ginés / La Razón
Muitos assistentes destacaram a influência de Chesterton, convertido ao catolicismo, na conversão de C. S. Lewis, o autor de Crónicas de Narnia, a sua afinidade com os hobbits do sempre católico J. R. R. Tolkien, famoso por O Senhor dos Anéis e a sua proximidade ao poeta Roy Campbell, um autor que se baptizou católico em Espanha, nas vésperas da Guerra Civil, e que ocultou na sua casa de Toledo os manuscritos originais de São João da Cruz quando mataram os seus amigos, os carmelitas da cidade. O mundo anglo-saxão o recorda pelas suas sátiras em The Georgiad.
"Tolkien, Chesterton e Roy Campbell partilharam a sua gratidão pela vida, uma alegria de viver ligada a uma grande humildade", explica a A Razão Joseph Pearce, que escreveu biografias sobre cada um destes autores, todas elas publicadas em espanhol. "Tinham claro que o inimigo era o orgulho, e o louvor, a resposta. Expressavam um desejo de louvar a Deus na sua criação e na sua criatividade. Também os unia o seu catolicismo e um grande cepticismo há ilustração e o conceito de progresso. Optaram por três caminhos literários distintos. Chesterton era jornalista; Campbell, poeta e Tolkien encantou-se pela narrativa fantástica". Esta visão da vida justifica que o congresso encerrado na terça-feira na Universidade São Paulo CEU celebrasse actos como a mesa redonda sobre "A filosofia do humor e a cerveja".
O homem eterno
Pearce recomenda a quem queira aprofundar-se em Chesterton que leia O homem eterno, mas acrescenta que para entender este jornalista incisivo e ingenioso pode ser bom abordar o ensaio de Dale Ahlquist G.K. Chesterton. O apóstolo do Sentido Comum (Voz de Papel). Quando morreu, o seu amigo Hilaire Belloc anunciou que o seu papel na literatura dependeria do lugar da Igreja Católica, como numa era obscura: "Chesterton, Tolkien, Lewis, a Odisseia, a Ilíada... todos podem resultar inacessíveis numa época obscura, de informação instantânea, em que já não se leia, ou podem ser luz nessa obscuridade", vaticina Pearce.
Assinala que, por exemplo, o que mais envelheceu as películas de O Senhor dos Anéis é o que parecia mais moderno e menos relacionado com o escritor: os efeitos especiais. Além disso, lamenta que "em ocasiões a rainha Galadriel parece-se com uma bruxa na película, enquanto Tolkien a imaginava melhor como uma imagem da Virgem Maria".
Pearce tem além disso uma dúvida pessoal com Chesterton. Ele era um jovem inglês, violento e anticatólico, preso por condutas vandálicas, quando leu Chesterton na prisão. Aquilo mudou a sua vida e o levou ao catolicismo. Agora dá aulas de literatura na Universidade Ave Maria, na Flórida. Também Dale Ahlquist, presidente da American Chesterton Society explicava no congresso que "Chesterton trouxe-me a Igreja Católica e mudou a minha vida. Sempre passam coisas boas quando alguém começa a ler Chesterton e tem contacto com as suas ideias", assegurou Ahlquist.
Roy Campbell: Espanha salvou a minha alma
A biografia de Pearce sobre o poeta Campbell, Roy Campbell. Espanha salvou a minha alma (em LivrosLivres) é um percurso apaixonante pelo decadente círculo literário inglês de Bloomsbury e Virginia Woolf que o autor abandonou para ir viver em Espanha. Ali, a sua esposa (que havia sido amante de Vita Sackville-West) e ele, impactados pela fé simples e alegre dos camponeses de Altea (Alicante), baptizaram-se católicos comprometeram-se com a fé até à sua morte. A sua tradução ao inglês de São João da Cruz nunca foi superada.
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quinta-feira, 10 de janeiro de 2013
David bebia, drogava-se e pagava abortos às suas noivas... até que o Santíssimo passou ao seu lado
A insistência da sua mãe o levou à missa
Um pai que o desprezava e o abandonou. Cocaína, álcool, marijuana. Bêbado na missa, só por insistência da sua mãe. Mas numa missa de Pentecostes sentiu que Deus o mudava.
Actualizado 9 Janeiro 2013
C. Ramos / Sem. Fides / ReL
Aos seus 26 anos, David Cáceres viveu muitos extremos. “O meu papá me deixou, ele vive nos Estados Unidos", explica este jovem de Tegucigalpa ao semanário hondurenho Fides.
"Cresci com uma grande frustração, porque o meu papá desde muito pequenino dizia-me: “vós não servis para nada, não vales nada na vida!”, mas eu a ele o amo muito e à minha mãe que sofreu tanto por mim, também a amo”.
Ainda que de pequeno ia à igreja e comungava e se confessava, ao crescer deixou os sacramentos e começou a relacionar-se com más companhias.
A droga e a noite
O álcool, a marijuana e a noite converteram-se nos seus hábitos. "Eu chegava a trabalhar, como normalmente dizemos aqui, com um puro de marijuana na cabeça” lamenta. “Não me importava nada”.
“Consumi cola, diluente e marijuana”, detalha. “Provava tudo o que encontrava no caminho. Conheci alguém que tinha bons veículos e sempre estava rodeado de belas mulheres e de repente eu já estava inalando cocaína. Até a cheguei a vender, ainda sendo noivo da minha actual esposa".
Pagando o aborto dos seus filhos
Em duas ocasiões ajudou a que duas jovens abortassem dos filhos que ele havia engendrado. “Eu dizia-lhes: como te vou manter? A mim hoje me dói isso. São feridas que custaram a sarar”, comenta, olhando a pequena Camila Valentina, sua filha, um pilar na sua vida actual.
“Chegou um momento em que estava submerso na toxicodependência e via que não podia sair desse mundo. A mamã sempre me convidava a assistir à missa. Encontrava-me a minha mamã sempre nas madrugadas, chorando, esperando-me e me dizia: filho, não me faças isto. Passavam os dias, meses, anos e sempre a encontrava naquele sofá”.
Pela insistência da sua mãe, começou a assistir à missa, mas bêbado. O seu corpo estava no templo, a sua mente perdida nos efeitos do álcool.
Até que chegou o momento que mudou a sua vida.
O Pentecostes que mudou tudo
“Um sábado a minha mamã me convidou para a missa. Esse dia tinha planos para ir beber com os meus amigos. Era Pentecostes. Eu não tive nenhuma atenção durante a celebração. Mas quando o padre Víctor Ruíz passou benzendo cada um dos bancos com Jesus Sacramentado, eu senti algo diferente em mim. Me sentia bastante raro".
Essa noite, desafiou a Deus.
"Essa noite não saí com os amigos e fechei-me no quarto e desafiei a Deus: Senhor, se Tu verdadeiramente existes, eu quero sentir a tua presença neste momento! E nesse momento o meu corpo começou a estremecer. Gritei pela minha mamã porque sentia medo. Fechei os meus olhos".
David entendeu que era Deus, que respondia ao seu desafio.
"Sentia o chamado de Deus. Chamei chorando pela minha esposa e disse-lhe: amor, o Senhor está connosco”, recorda.
Uma nova vida
Em poucos dias contou à sua mãe e prometeu-lhe “onde você me convide, ali estarei”. E começou a participar nos retiros do Movimento João XXIII, um movimento de evangelização nascido em Porto Rico durante o pontificado desse Papa, bastante espalhado nas Caraíbas e América Central.
David Cáceres deixou o mundo das drogas e a noite. Hoje apoia-se na Igreja, a fé, o amor da sua mãe, o suporte e ajuda da sua esposa Ivin e o carinho da sua filhita Camila, vivendo uma vida nova.
Um pai que o desprezava e o abandonou. Cocaína, álcool, marijuana. Bêbado na missa, só por insistência da sua mãe. Mas numa missa de Pentecostes sentiu que Deus o mudava.
Actualizado 9 Janeiro 2013
C. Ramos / Sem. Fides / ReL
Aos seus 26 anos, David Cáceres viveu muitos extremos. “O meu papá me deixou, ele vive nos Estados Unidos", explica este jovem de Tegucigalpa ao semanário hondurenho Fides.
"Cresci com uma grande frustração, porque o meu papá desde muito pequenino dizia-me: “vós não servis para nada, não vales nada na vida!”, mas eu a ele o amo muito e à minha mãe que sofreu tanto por mim, também a amo”.
Ainda que de pequeno ia à igreja e comungava e se confessava, ao crescer deixou os sacramentos e começou a relacionar-se com más companhias.
A droga e a noite
O álcool, a marijuana e a noite converteram-se nos seus hábitos. "Eu chegava a trabalhar, como normalmente dizemos aqui, com um puro de marijuana na cabeça” lamenta. “Não me importava nada”.
“Consumi cola, diluente e marijuana”, detalha. “Provava tudo o que encontrava no caminho. Conheci alguém que tinha bons veículos e sempre estava rodeado de belas mulheres e de repente eu já estava inalando cocaína. Até a cheguei a vender, ainda sendo noivo da minha actual esposa".
Pagando o aborto dos seus filhos
Em duas ocasiões ajudou a que duas jovens abortassem dos filhos que ele havia engendrado. “Eu dizia-lhes: como te vou manter? A mim hoje me dói isso. São feridas que custaram a sarar”, comenta, olhando a pequena Camila Valentina, sua filha, um pilar na sua vida actual.
“Chegou um momento em que estava submerso na toxicodependência e via que não podia sair desse mundo. A mamã sempre me convidava a assistir à missa. Encontrava-me a minha mamã sempre nas madrugadas, chorando, esperando-me e me dizia: filho, não me faças isto. Passavam os dias, meses, anos e sempre a encontrava naquele sofá”.
Pela insistência da sua mãe, começou a assistir à missa, mas bêbado. O seu corpo estava no templo, a sua mente perdida nos efeitos do álcool.
Até que chegou o momento que mudou a sua vida.
O Pentecostes que mudou tudo
“Um sábado a minha mamã me convidou para a missa. Esse dia tinha planos para ir beber com os meus amigos. Era Pentecostes. Eu não tive nenhuma atenção durante a celebração. Mas quando o padre Víctor Ruíz passou benzendo cada um dos bancos com Jesus Sacramentado, eu senti algo diferente em mim. Me sentia bastante raro".
Essa noite, desafiou a Deus.
"Essa noite não saí com os amigos e fechei-me no quarto e desafiei a Deus: Senhor, se Tu verdadeiramente existes, eu quero sentir a tua presença neste momento! E nesse momento o meu corpo começou a estremecer. Gritei pela minha mamã porque sentia medo. Fechei os meus olhos".
David entendeu que era Deus, que respondia ao seu desafio.
"Sentia o chamado de Deus. Chamei chorando pela minha esposa e disse-lhe: amor, o Senhor está connosco”, recorda.
Uma nova vida
Em poucos dias contou à sua mãe e prometeu-lhe “onde você me convide, ali estarei”. E começou a participar nos retiros do Movimento João XXIII, um movimento de evangelização nascido em Porto Rico durante o pontificado desse Papa, bastante espalhado nas Caraíbas e América Central.
David Cáceres deixou o mundo das drogas e a noite. Hoje apoia-se na Igreja, a fé, o amor da sua mãe, o suporte e ajuda da sua esposa Ivin e o carinho da sua filhita Camila, vivendo uma vida nova.
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quarta-feira, 9 de janeiro de 2013
Na prisão encontrei-me com Cristo, recebi a fé e pude deixar as drogas
Cadeia de Ocaña II
Levam anos na prisão, mas Jesus Cristo mudou-lhes a sua vida e recuperaram o que acreditam perdido, a verdadeira Liberdade.
Actualizado 12 Outubro 2012
Javier Lozano / ReL
“A verdade é que sou um homem de sorte e a minha sorte vai ligada a Cristo, agora o sei”. Estas palavras ditas por um preso resumem o encontro com o Senhor que se produz nas cadeias espanholas. Milhares de reclusos cumprem condenações nelas e durante este tempo puderam encontrar-se com eles mesmos e com aquele Deus a que tinham esquecido.
Voltam como o filho pródigo, como o que necessita de novo o consolo de um pai. “Não te condeno, vai e não peques mais”. Estas palavras de Jesus a Maria Madalena ressoam com força nestas pessoas que não se sentem abandonadas pela Igreja, mais bem pelo contrário, estão agradecidas por terem-nos ajudado a recuperar a sua dignidade.
Exemplo disso é o que ocorre no centro penitenciário de Ocaña II onde uns 70 presos acodem regularmente aos serviços religiosos. Mais de 10% do total. Antes que deles foram outros os que recuperaram a liberdade e agora vivem a sua fé nas paróquias. Don Eusebio López, capelão desta prisão, conta como viu mudanças em muitos reclusos depois do contacto frequente com a Eucaristia. Relata como nos anos que leva com esta missão baptizou presos, deu-lhes a sua primeira comunhão e os confirmou. Inclusive casou vários destes reclusos e baptizou os seus filhos. “Ainda que só seja por isto, já merece a pena ter-me feito sacerdote”, afirma.
“Vi-os chorar e deixar as drogas”
As missas que se celebram na capela da cadeia são realmente vivas e participadas. “Falam desde uma experiência na qual a palavra que escutam a sentem como curadora”, afirma, acrescentando também que “tenho a experiência de como Deus e o Espírito Santo falam através de pessoas que aparentemente não sabem nada. Vê-se a força do Espírito”.
O encontro com Jesus Cristo provoca estas mudanças. Antonio e Rosario, dois laicos que ajudam na pastoral penitenciária e que transmitindo umas catequeses a estes reclusos viram um “fruto abundante”. “Vi-os chorar e deixar as drogas quando a alguns deles se lhes apresentou Jesus Cristo e o amor de Deus. Agora já dormem tranquilamente”.
Os presos assim o vêem e nas suas experiências fica reflectido. Um destes reclusos de Ocaña II tem claríssimo que “já fomos condenados pela justiça humana ainda contamos com o perdão divino”. Graças às palavras do Evangelho e a Eucaristia “reencontrei a Cristo e recebi o dom da fé, a esperança e o amor e como consequência pude arrepender-me das minhas culpas”. Levando a Palavra à sua vida os reclusos católicos desta cadeia “convertemo-nos no filho pródigo que estava perdido e regressou, na ovelha perdida que o Bom Pastor saiu a procurar e, graças a Deus, encontrou”.
A catequese de um preso ao catequista
Deus escreve direito por linhas tortas e utiliza instrumentos inimagináveis para encontrar-se com as pessoas. Inclusive no facto de que seja um preso o que dá uma palavra de ânimo ao catequista que o visita para o reconfortar. É o que ocorreu nesta cadeia quando um dos voluntários da paróquia deixou de ir durante um tempo à prisão. Então chegou-lhe uma carta de um recluso com umas palavras nada esperadas. “Esta noite senti de Deus dar-te ânimo e te digo que o faças com o teu coração e decidas o que decidas com a tua vida pensa que não é tua, mas sim de Deus. Pessoalmente quero que venhas e assegures o pedaço de céu que Deus te deu e lhe possamos dar graças juntos e toda a glória a quem é o Senhor dos Senhores. DEUS AMA-TE E QUERE O MELHOR PARA A TUA VIDA!”. Estas palavras foram efectivas e anos mais tarde segue acompanhando todas as semanas os presos no seu caminho até Deus.
Os frutos da conversão
O encontro com Cristo transforma a vida do que tem esta experiência porque “onde abundou o pecado sobreabundou a graça”, como disse São Paulo. Por ele, o preso que viu perdoadas as suas culpas também tem o ímpeto de ajudar ao outro, de animá-lo a sair da obscuridade.
Este recluso de Ocaña II escreveu ao resto dos reclusos exortando-os a mudar de vida ponde-lhes como exemplo a sua vida. “O vício, as drogas, a vida desordenada e o excesso conduzem ao delito, à dor e ao nosso sofrimento e dos nossos seres queridos; conduzem a desperdiçar a nossa vida. Sei do que estou falando pois fui alcoólico e fumador empedernido de base de cocaína. Vi a dor nos olhos da minha mãe, a angústia do meu pai, a tristeza da minha esposa, a vergonha das minhas filhas…chorei de vergonha, de raiva e impotência. Conheci o fracasso e o desperdício da minha vida”.
Sem dúvida, na sua experiência afirma com convencimento que “se pode deter essa espiral de degradação. Eu, graças a Deus, o consegui, por isso sei que se pode; que tu companheiro, também podes. Faze-lo por ti, por aqueles que te amam. Deixa a droga, deixa a perca de tempo, toma a sério a tua vida porque, crê, és algo sério. Recorda que a juventude não é eterna, que a saúde perde-se e que pior ainda que morrer de sobredoses é envelhecer sem dignidade, escravo do vício, sem saúde nem amor”.
Apesar das dificuldades sim se pode. “Sei que não é fácil, eu sei o duro que é porque o fiz e te juro que vendo a alegria da minha mãe, vendo o meu pai, a minha mulher e as minhas filhas orgulhosas de mim, dou graças a Deus e, com uma serenidade da alma que acreditava ter perdido, digo a mim mesmo que valeu a pena”.
Uma experiência dirigida aos jovens
Os jovens também puderam escutar as experiências dos reclusos por ocasião da visita da Cruz da JMJ à prisão. Ali lhes explicaram as consequências dos pecados. Um deles lhes explicou como teve tudo na vida: dinheiro, um bom trabalho, uma família... “Depois quis provar coisas novas, bebidas, drogas, outros ambientes. Sem dar-me conta fui-me afastando de tudo o bom que havia conseguido” até acabar na cadeia.
Sem dúvida, “ao dar-me conta, voltei a Ele, chamei à sua porta e me abriu, Ele sempre esteve esperando-me. E que se passou? A uma velocidade incrível tudo voltou; o primeiro foi o respeito por mim mesmo e o dos demais, o resto foi mais fácil”. “A verdade é que sou um homem de sorte e a minha sorte vai ligada a Cristo, agora o sei”.
Levam anos na prisão, mas Jesus Cristo mudou-lhes a sua vida e recuperaram o que acreditam perdido, a verdadeira Liberdade.
Actualizado 12 Outubro 2012
Javier Lozano / ReL
“A verdade é que sou um homem de sorte e a minha sorte vai ligada a Cristo, agora o sei”. Estas palavras ditas por um preso resumem o encontro com o Senhor que se produz nas cadeias espanholas. Milhares de reclusos cumprem condenações nelas e durante este tempo puderam encontrar-se com eles mesmos e com aquele Deus a que tinham esquecido.
Voltam como o filho pródigo, como o que necessita de novo o consolo de um pai. “Não te condeno, vai e não peques mais”. Estas palavras de Jesus a Maria Madalena ressoam com força nestas pessoas que não se sentem abandonadas pela Igreja, mais bem pelo contrário, estão agradecidas por terem-nos ajudado a recuperar a sua dignidade.
Exemplo disso é o que ocorre no centro penitenciário de Ocaña II onde uns 70 presos acodem regularmente aos serviços religiosos. Mais de 10% do total. Antes que deles foram outros os que recuperaram a liberdade e agora vivem a sua fé nas paróquias. Don Eusebio López, capelão desta prisão, conta como viu mudanças em muitos reclusos depois do contacto frequente com a Eucaristia. Relata como nos anos que leva com esta missão baptizou presos, deu-lhes a sua primeira comunhão e os confirmou. Inclusive casou vários destes reclusos e baptizou os seus filhos. “Ainda que só seja por isto, já merece a pena ter-me feito sacerdote”, afirma.
“Vi-os chorar e deixar as drogas”
As missas que se celebram na capela da cadeia são realmente vivas e participadas. “Falam desde uma experiência na qual a palavra que escutam a sentem como curadora”, afirma, acrescentando também que “tenho a experiência de como Deus e o Espírito Santo falam através de pessoas que aparentemente não sabem nada. Vê-se a força do Espírito”.
O encontro com Jesus Cristo provoca estas mudanças. Antonio e Rosario, dois laicos que ajudam na pastoral penitenciária e que transmitindo umas catequeses a estes reclusos viram um “fruto abundante”. “Vi-os chorar e deixar as drogas quando a alguns deles se lhes apresentou Jesus Cristo e o amor de Deus. Agora já dormem tranquilamente”.
Os presos assim o vêem e nas suas experiências fica reflectido. Um destes reclusos de Ocaña II tem claríssimo que “já fomos condenados pela justiça humana ainda contamos com o perdão divino”. Graças às palavras do Evangelho e a Eucaristia “reencontrei a Cristo e recebi o dom da fé, a esperança e o amor e como consequência pude arrepender-me das minhas culpas”. Levando a Palavra à sua vida os reclusos católicos desta cadeia “convertemo-nos no filho pródigo que estava perdido e regressou, na ovelha perdida que o Bom Pastor saiu a procurar e, graças a Deus, encontrou”.
A catequese de um preso ao catequista
Deus escreve direito por linhas tortas e utiliza instrumentos inimagináveis para encontrar-se com as pessoas. Inclusive no facto de que seja um preso o que dá uma palavra de ânimo ao catequista que o visita para o reconfortar. É o que ocorreu nesta cadeia quando um dos voluntários da paróquia deixou de ir durante um tempo à prisão. Então chegou-lhe uma carta de um recluso com umas palavras nada esperadas. “Esta noite senti de Deus dar-te ânimo e te digo que o faças com o teu coração e decidas o que decidas com a tua vida pensa que não é tua, mas sim de Deus. Pessoalmente quero que venhas e assegures o pedaço de céu que Deus te deu e lhe possamos dar graças juntos e toda a glória a quem é o Senhor dos Senhores. DEUS AMA-TE E QUERE O MELHOR PARA A TUA VIDA!”. Estas palavras foram efectivas e anos mais tarde segue acompanhando todas as semanas os presos no seu caminho até Deus.
Os frutos da conversão
O encontro com Cristo transforma a vida do que tem esta experiência porque “onde abundou o pecado sobreabundou a graça”, como disse São Paulo. Por ele, o preso que viu perdoadas as suas culpas também tem o ímpeto de ajudar ao outro, de animá-lo a sair da obscuridade.
Este recluso de Ocaña II escreveu ao resto dos reclusos exortando-os a mudar de vida ponde-lhes como exemplo a sua vida. “O vício, as drogas, a vida desordenada e o excesso conduzem ao delito, à dor e ao nosso sofrimento e dos nossos seres queridos; conduzem a desperdiçar a nossa vida. Sei do que estou falando pois fui alcoólico e fumador empedernido de base de cocaína. Vi a dor nos olhos da minha mãe, a angústia do meu pai, a tristeza da minha esposa, a vergonha das minhas filhas…chorei de vergonha, de raiva e impotência. Conheci o fracasso e o desperdício da minha vida”.
Sem dúvida, na sua experiência afirma com convencimento que “se pode deter essa espiral de degradação. Eu, graças a Deus, o consegui, por isso sei que se pode; que tu companheiro, também podes. Faze-lo por ti, por aqueles que te amam. Deixa a droga, deixa a perca de tempo, toma a sério a tua vida porque, crê, és algo sério. Recorda que a juventude não é eterna, que a saúde perde-se e que pior ainda que morrer de sobredoses é envelhecer sem dignidade, escravo do vício, sem saúde nem amor”.
Apesar das dificuldades sim se pode. “Sei que não é fácil, eu sei o duro que é porque o fiz e te juro que vendo a alegria da minha mãe, vendo o meu pai, a minha mulher e as minhas filhas orgulhosas de mim, dou graças a Deus e, com uma serenidade da alma que acreditava ter perdido, digo a mim mesmo que valeu a pena”.
Uma experiência dirigida aos jovens
Os jovens também puderam escutar as experiências dos reclusos por ocasião da visita da Cruz da JMJ à prisão. Ali lhes explicaram as consequências dos pecados. Um deles lhes explicou como teve tudo na vida: dinheiro, um bom trabalho, uma família... “Depois quis provar coisas novas, bebidas, drogas, outros ambientes. Sem dar-me conta fui-me afastando de tudo o bom que havia conseguido” até acabar na cadeia.
Sem dúvida, “ao dar-me conta, voltei a Ele, chamei à sua porta e me abriu, Ele sempre esteve esperando-me. E que se passou? A uma velocidade incrível tudo voltou; o primeiro foi o respeito por mim mesmo e o dos demais, o resto foi mais fácil”. “A verdade é que sou um homem de sorte e a minha sorte vai ligada a Cristo, agora o sei”.
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terça-feira, 8 de janeiro de 2013
A minha música vem de Deus» diz Lenny Kravitz, a estrela de rock, sobre a sua obra criativa
Actuará no Rock in Rio
O seu último disco Mr.Cab Driver está cheio de constantes referências a Deus. Não esconde a sua fé: "A minha fé em Deus é a única coisa verdadeira que tenho".
Actualizado 01 Julho 2012
Luis del Real Espanyol/ReL
Dizem dele que é uma das poucas estrelas autênticas dentro do rock actual. Abrirá, junto com o grupo mexicano Maná, a edição madrilena do Rock in Rio, e dias depois actuará na primeira edição de Rocktronic em Ibiza.
No seu último disco White America, as suas canções tratavam temas relacionados com o racismo, algo que marcou a sua vida. Não em vão, Lenny Kravitz é filho de um matrimónio pouco convencional: judeu branco e católica negra, uma combinação quase excepcional na Nova Iorque dos anos 60.
Deus é o meu criador
Sem dúvida, no seu novo trabalho Mr.Cab Driver há constantes referências a Deus. «Deus é o meu criador e trato de estar o mais próximo Dele que posso. É de onde vem a minha música», afirma.
Em declarações ao diário O Mundo assinala que "a minha fé em Deus é a única coisa verdadeira que tenho na minha vida".
"Fomos atraídos aqui para amarmos a nós, ao outro e a Deus. Para mim o amor tem que ver com a relação com Deus”.
Jesus Cristo é o meu salvador
Apesar da grande quantidade de entrevistas que tem que conceder cada vez que empreende uma tournée, Kravitz não evita abordar a sua espiritualidade. Em declarações ao diário ABC salienta: “Deus é o mais importante da minha vida. E Jesus Cristo é o meu salvador. Cada dia dou graças dou graças pelas belas dinâmicas das que está feita a minha vida quotidiana”.
Mesmo assim o cantor crê que “Deus nos deu tudo o que necessitamos e nós o fodemos. Olha o mundo como está, este belo planeta. O temos destruído e temos destruído as nossas relações. Uns culpam a Deus, mas somos nós os culpados”.
Uma vida tranquila...
O vencedor de quatro prémios Grammy reconhece que “a minha vida é muito distinta do que uma pessoa projecta. Eu estou com os meus músicos e a minha família. Somos muito familiares. Eu vou a casa de amigos. Jantamos e fazemos música. Nos relaxamos com as pessoas”.
Também descreve como é um dia qualquer na sua vida: “Vivo numa caravana na praia. Abro a porta e aí estão o mar e o sol. Sinto Deus e a natureza”.
No próximo dia 23 de Agosto lança-se «Black and White America», o novo álbum do compositor nova-iorquino.
O seu último disco Mr.Cab Driver está cheio de constantes referências a Deus. Não esconde a sua fé: "A minha fé em Deus é a única coisa verdadeira que tenho".
Actualizado 01 Julho 2012
Luis del Real Espanyol/ReL
Dizem dele que é uma das poucas estrelas autênticas dentro do rock actual. Abrirá, junto com o grupo mexicano Maná, a edição madrilena do Rock in Rio, e dias depois actuará na primeira edição de Rocktronic em Ibiza.
No seu último disco White America, as suas canções tratavam temas relacionados com o racismo, algo que marcou a sua vida. Não em vão, Lenny Kravitz é filho de um matrimónio pouco convencional: judeu branco e católica negra, uma combinação quase excepcional na Nova Iorque dos anos 60.
Deus é o meu criador
Sem dúvida, no seu novo trabalho Mr.Cab Driver há constantes referências a Deus. «Deus é o meu criador e trato de estar o mais próximo Dele que posso. É de onde vem a minha música», afirma.
Em declarações ao diário O Mundo assinala que "a minha fé em Deus é a única coisa verdadeira que tenho na minha vida".
"Fomos atraídos aqui para amarmos a nós, ao outro e a Deus. Para mim o amor tem que ver com a relação com Deus”.
Jesus Cristo é o meu salvador
Apesar da grande quantidade de entrevistas que tem que conceder cada vez que empreende uma tournée, Kravitz não evita abordar a sua espiritualidade. Em declarações ao diário ABC salienta: “Deus é o mais importante da minha vida. E Jesus Cristo é o meu salvador. Cada dia dou graças dou graças pelas belas dinâmicas das que está feita a minha vida quotidiana”.
Mesmo assim o cantor crê que “Deus nos deu tudo o que necessitamos e nós o fodemos. Olha o mundo como está, este belo planeta. O temos destruído e temos destruído as nossas relações. Uns culpam a Deus, mas somos nós os culpados”.
Uma vida tranquila...
O vencedor de quatro prémios Grammy reconhece que “a minha vida é muito distinta do que uma pessoa projecta. Eu estou com os meus músicos e a minha família. Somos muito familiares. Eu vou a casa de amigos. Jantamos e fazemos música. Nos relaxamos com as pessoas”.
Também descreve como é um dia qualquer na sua vida: “Vivo numa caravana na praia. Abro a porta e aí estão o mar e o sol. Sinto Deus e a natureza”.
No próximo dia 23 de Agosto lança-se «Black and White America», o novo álbum do compositor nova-iorquino.
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quarta-feira, 12 de dezembro de 2012
Andrey Kuraev hoje é um popular evangelizador na Rússia
«Camarada, ajude-me: o meu filho, licenciado em Ateísmo Científico, quer entrar no seminário»
O contacto com os textos reais do Evangelho, a leitura de Dostoyevski e a realidade do mal levaram Andrey à fé. As pressões da KGB não o moveram do seu caminho.
Actualizado 3 Novembro 2012
Tatiana Fedótova/ReL
Andrey Kuraev nasceu em 1963 em Moscovo. Sendo criança no início dos anos 70, "eu sonhava com o comunismo", explica. "Imaginava-o como uma grande tenda cheia de jogos onde se podia escolher grátis qualquer coisa, sem dinheiro e sem que os pais dissessem que não o podiam permitir”.
Os pais de Andrey não eram crentes. Tampouco eram especialmente militantes do ateísmo. O seu pai era filósofo e trabalhava no Presidium da Academia de Ciências. A criança cresceu com um gosto pela filosofia. No colégio foi redactor de um jornal escolar chamado "O Ateu". Na hora de escolher o curso universitário, optou pela licenciatura mais ideológica de todas: Teoria e História do Ateísmo Científico.
E ali, na licenciatura de ateísmo, pela primeira vez o jovem Kuraev tomou contacto com os textos reais do Evangelho.
Muita mentira e muita incompetência
Nos livros soviéticos, com os seus comentários sobre a história do cristianismo, começou a ver que a crítica materialista não conjugava. “Rapidamente me dei conta de que nesses livros havia muita mentira, muitas conjecturas e um sem-fim da mais simples incompetência. Na minha época, nenhum dos professores conhecia hebreu nem grego, mas isso não os impedia de fazer uma crítica científica à Bíblia. Isso decepcionou-me muito”.
Dessa decepção académica veio a decepção do prático. A mesma atmosfera da sociedade socialista dos anos 80 lhe fazia olhar a Igreja. O jovem Andrey se disse: “Se vês que o teu querido Partido te mente no pequeno e no grande, quiçá tampouco tem razão no que ele mesmo proclama como a questão principal da filosofia: Existe Deus? Que prevalece, a matéria ou a razão?”
Dostoyevskiy e o diabo
Em 1981, com 18 anos, Kuraev leu “Os Irmãos Karamazov” de Dostoevskiy. Ali descobriu o demónio... e também a Cristo como Deus, Criador, Salvador e Juiz do dia final.
“Entendi que as tentações oferecidas por Satã a Cristo no deserto foram a eleição mais extrema, exacta e global. E por isso aceitei a característica do demónio, espírito de sabedoria e maldade sobre-humanas. Assim que primeiro admiti a existência do demónio. E dali, por lógica, se Cristo pode recusar as tentações, Ele também era de sabedoria sobre-humana, mas também de bondade. Soube que Cristo era Salvador, e a minha sensação de vazio interior desapareceu".
A KGB e os estudantes de ateísmo
Por essas alturas foi quando Andrey colaborou com a KGB sem sabê-lo. "A nós, os estudantes especializados em ateísmo, o director de cátedra nos disse que o Comité dos Jovens Comunistas de Moscovo estava realizando uma investigação sociológica sobre a religiosidade juvenil. Pediam-nos para fazer o trabalho de campo na forma de observação directa: visitar as igrejas moscovitas cada domingo e logo preencher os questionários. Tínhamos que indicar o nome do sacerdote, o conteúdo do seu sermão (detalhando se se dirigia especificamente à juventude, se citava só a Bíblia e Padres da Igreja ou também a imprensa e literatura contemporâneas, o que chamava ao povo, etc.). Também tínhamos que indicar, a olho, o número de paroquianos, quantos jovens havia e se reconhecíamos alguém, indicá-lo, mas sem especificar os nomes, o que já seria uma delação aberta", explicou anos depois Kuraev.
"Eu não era capaz nem de distinguir a leitura do Evangelho do sermão e quando tentei perguntar aos paroquianos, as pessoas me trataram de má vontade. Preferiam não dar nenhuma informação a um desconhecido curioso. Os sermões não me impressionaram. Neles, tal como nas minhas informações, não havia nada de política. Mas dediquei-me a falsificar os dados descaradamente. Para importunar o poder soviético, eu aumentava o número de paroquianos, sobretudo os jovens. Indiquei que os sacerdotes combinavam perfeitamente o conhecimento da patrística com a cultura clássica e contemporânea. Assim julgava que ajudava a Igreja… Passado um ano, já me dei conta que era justamente o contrário. Que para o poder o ter paroquianos jovens num templo era um sinal para ir aplicar as suas medidas de persuasão aos sacerdotes demasiado activos”.
Na classe de Incompatibilidade Ciência-Fé
Andrey decidiu baptizar-se, e o fez no templo ortodoxo mais longínquo da sua casa e da universidade, para evitar que alguém o reconhecesse e denunciasse. Se o soubessem na universidade, no curso de Ateísmo Científico!, o expulsariam e os seus pais teriam problemas. Isso o assustava. Mas na cerimónia, enquanto se benzia a água baptismal, ouviu "não com o ouvido mas sim com o coração" umas palavras: “O Senhor é a minha luz e a minha salvação, a quem temerei?”. E deixou de tremer.
Ao sair do baptismo, foi directamente à universidade, chegou à terceira aula do dia. Era um curso de “Incompatibilidade da ciência natural contemporânea e a religião”. O professor recitava com uma voz monótona a sua conversa para um grupito de estudantes. Andrey não podia controlar o seu sorriso de felicidade. Como aos enamorados, se lhe notava na cara. No final o professor não pode mais: “Kuraev, a que se deve o seu riso durante a aula?” Andrey imaginou que lhe contava a causa da sua alegria, o seu baptismo clandestino, imaginou a reacção do professor e por pouco não desatou às gargalhadas.
Quando te apanham os teus pais...
Para poder ir à igreja, dizia aos seus pais que ia à discoteca. Compreendia que a verdade lhes seria dolorosa porque sabiam melhor do que o seu filho como a sua conversão iria destroçar a sua carreira.
Os pais souberam tudo de surpresa. Um dia regressaram a casa demasiado cedo e encontraram um livrito de orações e um par de ícones de papel que Andrey não teve tempo para esconder. Houve lágrimas, explicações. O que preocupava de verdade aos pais era o futuro laboral do seu filho. Ao ver que não pretendia deixar a universidade para ir para o deserto, tranquilizaram-se. E, de facto, um par de dias depois, o seu pai lhe disse “Sabes?, ao fim de contas estou contente de que te tenhas baptizado… Agora tens nas tuas mãos a chave de toda a cultura europeia”.
Surpresas debaixo do sistema
O jovem Kuraev terminou a sua tese de fim de curso, pensando que ninguém a leria detalhadamente. Parece que se deixou levar demasiado. O seu director académico lhe chamou e lhe observou: “Em vez de uma tese de ateísmo científico isto parece um tratado carismático!” O estudante replicou: “Mas já não terei tempo para reescrevê-la, agora não posso! Com a Semana Santa…ups...!" Havia falado demasiado. Mas o professor não moveu nem uma sobrancelha: “Eu com a sua idade tinha tempo para tudo: para o diploma e para o templo!”
Passados dois anos, Andrey anunciou aos seus pais o seu desejo de ingressar no seminário ortodoxo. Mais lágrimas. Então, os pais quiseram levar o seu filho a falar com o seu mestre de literatura, alguém muito respeitado e querido por Andrey. E assim, depois de alguma conversação sem importância, a mãe lhe disse: “Sabe você?, temos um problema. Andrey quer ingressar no seminário. Que lhe pode aconselhar?”
O professor esteve um pouco pensativo.
“Que te posso dizer, Andrey?", respondeu por fim. "Que Deus te ajude a fazer aquilo com que eu sonhei toda a minha vida e não me atrevi a fazer!”
Perseguição ao seminarista e à sua família
Assim Andrey levou os seus documentos ao seminário, pedindo o ingresso. Logo que os entregou, ao seu pai lhe “pediram” para deixar o seu cargo no Presidium da Academia de Ciências. As autoridades bloquearam também o acesso do seu pai a um trabalho importante na UNESCO. E a Academia de Ciências pressionou o Ministério da Defesa para que chamassem o jovem para realizar o serviço militar para afastá-lo do seminário.
Mas aqui se deu um dos estranhos paradoxos do mundo soviético. Na URSS, os licenciados universitários automaticamente eram considerados tenentes ao entrar no Exército, e se lhes dava um cargo segundo a sua especialidade. A um licenciado em Ateísmo Científico lhe tocava ser tenente comissário político! Alguém no Exército decidiu que não queriam ter um seminarista como comissário político e ninguém o chamou para as fileiras.
A KGB e os seminaristas
Haviam passado só dois dias desde que levou os seus documentos ao seminário, quando um agente do KGB lhe fez uma visita. Primeiro tentaram dissuadi-lo do ingresso no seminário. Como não o conseguiram, uma vez dentro tentaram convertê-lo em informador. O mesmo faziam com todos os seus companheiros de curso, que nesse ano eram quase todos universitários e intelectuais. Daquela promoção saíram quatro dos actuais bispos ortodoxos. Às vezes os agentes esperavam os seminaristas descaradamente à saída, os levavam a sítios separados: num hotel próximo, no registro civil municipal, no museu do mesmo ministério...ali havia uma habitação para “trabalhar” com os monges que não saíam fora.
"No início não te pediam nada. Falavam. Domesticam-te. Faziam-te perguntas sem importância. Logo já tiravam fotos de algum companheiro do seminário perguntando-te quem era. De certeza que o sabiam, mas o importante era que tu lhes dissesses algo, qualquer tolice. Conto-o porque não estou certo de que não vá repetir-se", recorda hoje Kuraev.
"É importante que as pessoas da igreja que passaram por aquilo contem como os kagebistas trabalhavam com as pessoas e como é possível opor-se. Não se pode agora dizer que todos os sacerdotes colaboravam com o KGB. Se houve algum pecado na consciência dos hierarcas, é seu problema, Só Cristo está sem pecado. Tampouco são culpados os sacerdotes que não traíram ninguém. Se agora as pessoas voltassem as costas a esses sacerdotes, seria um triunfo póstumo da KGB".
Filósofo de prestígio e missionário popular
Hoje, o protodiácono ortodoxo Andrey Kuraev (http://kuraev.ru) é a personagem mais jovem que figura no "Dicionário de Filosofia Russa dos séculos XIX-XX". E foi o mais jovem (aos 35 anos) professor de teologia ortodoxa na história da Rússia. Ainda não se considera teólogo, mas sim um jornalista ortodoxo e missionário. É autor de vários livros e centenas de publicações de carácter divulgativo. Participa em programas de televisão e rádio. Das conversas, conferências e cursos por toda a geografia russa e o seu portal de missão ortodoxa na Internet reúne até 1.700 pessoas simultaneamente e é toda uma referência para a evangelização no país. Não está mal para um licenciado em Ateísmo Científico.
E que foi da criança que sonhava com o comunismo e a sua abundância? "Já não procuro soldaditos de chumbo. Mas respeito ao que de verdade necessito hoje, sim, o meu sonho comunista cumpriu-se". E em vez de soldaditos? "Uns presentes extraordinários: o dom da oração, do amor, sabedoria, pureza. Deus te os oferece grátis. Só tens que recolhê-los.”
O contacto com os textos reais do Evangelho, a leitura de Dostoyevski e a realidade do mal levaram Andrey à fé. As pressões da KGB não o moveram do seu caminho.
Actualizado 3 Novembro 2012
Tatiana Fedótova/ReL
Andrey Kuraev nasceu em 1963 em Moscovo. Sendo criança no início dos anos 70, "eu sonhava com o comunismo", explica. "Imaginava-o como uma grande tenda cheia de jogos onde se podia escolher grátis qualquer coisa, sem dinheiro e sem que os pais dissessem que não o podiam permitir”.
Os pais de Andrey não eram crentes. Tampouco eram especialmente militantes do ateísmo. O seu pai era filósofo e trabalhava no Presidium da Academia de Ciências. A criança cresceu com um gosto pela filosofia. No colégio foi redactor de um jornal escolar chamado "O Ateu". Na hora de escolher o curso universitário, optou pela licenciatura mais ideológica de todas: Teoria e História do Ateísmo Científico.
E ali, na licenciatura de ateísmo, pela primeira vez o jovem Kuraev tomou contacto com os textos reais do Evangelho.
Muita mentira e muita incompetência
Nos livros soviéticos, com os seus comentários sobre a história do cristianismo, começou a ver que a crítica materialista não conjugava. “Rapidamente me dei conta de que nesses livros havia muita mentira, muitas conjecturas e um sem-fim da mais simples incompetência. Na minha época, nenhum dos professores conhecia hebreu nem grego, mas isso não os impedia de fazer uma crítica científica à Bíblia. Isso decepcionou-me muito”.
Dessa decepção académica veio a decepção do prático. A mesma atmosfera da sociedade socialista dos anos 80 lhe fazia olhar a Igreja. O jovem Andrey se disse: “Se vês que o teu querido Partido te mente no pequeno e no grande, quiçá tampouco tem razão no que ele mesmo proclama como a questão principal da filosofia: Existe Deus? Que prevalece, a matéria ou a razão?”
Dostoyevskiy e o diabo
Em 1981, com 18 anos, Kuraev leu “Os Irmãos Karamazov” de Dostoevskiy. Ali descobriu o demónio... e também a Cristo como Deus, Criador, Salvador e Juiz do dia final.
“Entendi que as tentações oferecidas por Satã a Cristo no deserto foram a eleição mais extrema, exacta e global. E por isso aceitei a característica do demónio, espírito de sabedoria e maldade sobre-humanas. Assim que primeiro admiti a existência do demónio. E dali, por lógica, se Cristo pode recusar as tentações, Ele também era de sabedoria sobre-humana, mas também de bondade. Soube que Cristo era Salvador, e a minha sensação de vazio interior desapareceu".
A KGB e os estudantes de ateísmo
Por essas alturas foi quando Andrey colaborou com a KGB sem sabê-lo. "A nós, os estudantes especializados em ateísmo, o director de cátedra nos disse que o Comité dos Jovens Comunistas de Moscovo estava realizando uma investigação sociológica sobre a religiosidade juvenil. Pediam-nos para fazer o trabalho de campo na forma de observação directa: visitar as igrejas moscovitas cada domingo e logo preencher os questionários. Tínhamos que indicar o nome do sacerdote, o conteúdo do seu sermão (detalhando se se dirigia especificamente à juventude, se citava só a Bíblia e Padres da Igreja ou também a imprensa e literatura contemporâneas, o que chamava ao povo, etc.). Também tínhamos que indicar, a olho, o número de paroquianos, quantos jovens havia e se reconhecíamos alguém, indicá-lo, mas sem especificar os nomes, o que já seria uma delação aberta", explicou anos depois Kuraev.
"Eu não era capaz nem de distinguir a leitura do Evangelho do sermão e quando tentei perguntar aos paroquianos, as pessoas me trataram de má vontade. Preferiam não dar nenhuma informação a um desconhecido curioso. Os sermões não me impressionaram. Neles, tal como nas minhas informações, não havia nada de política. Mas dediquei-me a falsificar os dados descaradamente. Para importunar o poder soviético, eu aumentava o número de paroquianos, sobretudo os jovens. Indiquei que os sacerdotes combinavam perfeitamente o conhecimento da patrística com a cultura clássica e contemporânea. Assim julgava que ajudava a Igreja… Passado um ano, já me dei conta que era justamente o contrário. Que para o poder o ter paroquianos jovens num templo era um sinal para ir aplicar as suas medidas de persuasão aos sacerdotes demasiado activos”.
Na classe de Incompatibilidade Ciência-Fé
Andrey decidiu baptizar-se, e o fez no templo ortodoxo mais longínquo da sua casa e da universidade, para evitar que alguém o reconhecesse e denunciasse. Se o soubessem na universidade, no curso de Ateísmo Científico!, o expulsariam e os seus pais teriam problemas. Isso o assustava. Mas na cerimónia, enquanto se benzia a água baptismal, ouviu "não com o ouvido mas sim com o coração" umas palavras: “O Senhor é a minha luz e a minha salvação, a quem temerei?”. E deixou de tremer.
Ao sair do baptismo, foi directamente à universidade, chegou à terceira aula do dia. Era um curso de “Incompatibilidade da ciência natural contemporânea e a religião”. O professor recitava com uma voz monótona a sua conversa para um grupito de estudantes. Andrey não podia controlar o seu sorriso de felicidade. Como aos enamorados, se lhe notava na cara. No final o professor não pode mais: “Kuraev, a que se deve o seu riso durante a aula?” Andrey imaginou que lhe contava a causa da sua alegria, o seu baptismo clandestino, imaginou a reacção do professor e por pouco não desatou às gargalhadas.
Quando te apanham os teus pais...
Para poder ir à igreja, dizia aos seus pais que ia à discoteca. Compreendia que a verdade lhes seria dolorosa porque sabiam melhor do que o seu filho como a sua conversão iria destroçar a sua carreira.
Os pais souberam tudo de surpresa. Um dia regressaram a casa demasiado cedo e encontraram um livrito de orações e um par de ícones de papel que Andrey não teve tempo para esconder. Houve lágrimas, explicações. O que preocupava de verdade aos pais era o futuro laboral do seu filho. Ao ver que não pretendia deixar a universidade para ir para o deserto, tranquilizaram-se. E, de facto, um par de dias depois, o seu pai lhe disse “Sabes?, ao fim de contas estou contente de que te tenhas baptizado… Agora tens nas tuas mãos a chave de toda a cultura europeia”.
Surpresas debaixo do sistema
O jovem Kuraev terminou a sua tese de fim de curso, pensando que ninguém a leria detalhadamente. Parece que se deixou levar demasiado. O seu director académico lhe chamou e lhe observou: “Em vez de uma tese de ateísmo científico isto parece um tratado carismático!” O estudante replicou: “Mas já não terei tempo para reescrevê-la, agora não posso! Com a Semana Santa…ups...!" Havia falado demasiado. Mas o professor não moveu nem uma sobrancelha: “Eu com a sua idade tinha tempo para tudo: para o diploma e para o templo!”
Passados dois anos, Andrey anunciou aos seus pais o seu desejo de ingressar no seminário ortodoxo. Mais lágrimas. Então, os pais quiseram levar o seu filho a falar com o seu mestre de literatura, alguém muito respeitado e querido por Andrey. E assim, depois de alguma conversação sem importância, a mãe lhe disse: “Sabe você?, temos um problema. Andrey quer ingressar no seminário. Que lhe pode aconselhar?”
O professor esteve um pouco pensativo.
“Que te posso dizer, Andrey?", respondeu por fim. "Que Deus te ajude a fazer aquilo com que eu sonhei toda a minha vida e não me atrevi a fazer!”
Perseguição ao seminarista e à sua família
Assim Andrey levou os seus documentos ao seminário, pedindo o ingresso. Logo que os entregou, ao seu pai lhe “pediram” para deixar o seu cargo no Presidium da Academia de Ciências. As autoridades bloquearam também o acesso do seu pai a um trabalho importante na UNESCO. E a Academia de Ciências pressionou o Ministério da Defesa para que chamassem o jovem para realizar o serviço militar para afastá-lo do seminário.
Mas aqui se deu um dos estranhos paradoxos do mundo soviético. Na URSS, os licenciados universitários automaticamente eram considerados tenentes ao entrar no Exército, e se lhes dava um cargo segundo a sua especialidade. A um licenciado em Ateísmo Científico lhe tocava ser tenente comissário político! Alguém no Exército decidiu que não queriam ter um seminarista como comissário político e ninguém o chamou para as fileiras.
A KGB e os seminaristas
Haviam passado só dois dias desde que levou os seus documentos ao seminário, quando um agente do KGB lhe fez uma visita. Primeiro tentaram dissuadi-lo do ingresso no seminário. Como não o conseguiram, uma vez dentro tentaram convertê-lo em informador. O mesmo faziam com todos os seus companheiros de curso, que nesse ano eram quase todos universitários e intelectuais. Daquela promoção saíram quatro dos actuais bispos ortodoxos. Às vezes os agentes esperavam os seminaristas descaradamente à saída, os levavam a sítios separados: num hotel próximo, no registro civil municipal, no museu do mesmo ministério...ali havia uma habitação para “trabalhar” com os monges que não saíam fora.
"No início não te pediam nada. Falavam. Domesticam-te. Faziam-te perguntas sem importância. Logo já tiravam fotos de algum companheiro do seminário perguntando-te quem era. De certeza que o sabiam, mas o importante era que tu lhes dissesses algo, qualquer tolice. Conto-o porque não estou certo de que não vá repetir-se", recorda hoje Kuraev.
"É importante que as pessoas da igreja que passaram por aquilo contem como os kagebistas trabalhavam com as pessoas e como é possível opor-se. Não se pode agora dizer que todos os sacerdotes colaboravam com o KGB. Se houve algum pecado na consciência dos hierarcas, é seu problema, Só Cristo está sem pecado. Tampouco são culpados os sacerdotes que não traíram ninguém. Se agora as pessoas voltassem as costas a esses sacerdotes, seria um triunfo póstumo da KGB".
Filósofo de prestígio e missionário popular
Hoje, o protodiácono ortodoxo Andrey Kuraev (http://kuraev.ru) é a personagem mais jovem que figura no "Dicionário de Filosofia Russa dos séculos XIX-XX". E foi o mais jovem (aos 35 anos) professor de teologia ortodoxa na história da Rússia. Ainda não se considera teólogo, mas sim um jornalista ortodoxo e missionário. É autor de vários livros e centenas de publicações de carácter divulgativo. Participa em programas de televisão e rádio. Das conversas, conferências e cursos por toda a geografia russa e o seu portal de missão ortodoxa na Internet reúne até 1.700 pessoas simultaneamente e é toda uma referência para a evangelização no país. Não está mal para um licenciado em Ateísmo Científico.
E que foi da criança que sonhava com o comunismo e a sua abundância? "Já não procuro soldaditos de chumbo. Mas respeito ao que de verdade necessito hoje, sim, o meu sonho comunista cumpriu-se". E em vez de soldaditos? "Uns presentes extraordinários: o dom da oração, do amor, sabedoria, pureza. Deus te os oferece grátis. Só tens que recolhê-los.”
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domingo, 9 de dezembro de 2012
Acordes que todo o mundo ouviu alguma vez
Morreu Dave Brubeck, o católico que revolucionou o jazz com uma peça inolvidável: «Take five»
Em 1980 pediram-lhe que fizesse uma missa: «Não sei nada de missas», contestou. Não estava baptizado. Escrevendo os seus acordes decidiu entrar na Igreja.
Actualizado 6 Dezembro 2012
C.L. / ReL
Se você não é aficionado do jazz, quiçá não lhe soa o nome de Dave Brubeck (1920-2012), e talvez não calibre bem o que significou Take five, um tema do seu companheiro de quarteto Paul Desmond, inseparável na sua interpretação.
Mas se escuta os seus primeiros acordes encontrará uma das composições mais populares do século XX. Gravou-a The Dave Brubeck Quartet em 1959, com Dave ao piano, formando parte do álbum Time out. Com o seu compasso de 5/4 converteu-se em um dos maiores êxitos na história desse peculiar estilo, e formou parte da banda sonora de inumeráveis películas e séries de televisão.
Brubeck morreu esta quarta-feira um dia antes de cumprir os 92 anos de idade, depois de uma carreira carregada de prémios e reconhecimentos que teve o seu zénite nos anos cinquenta (o 8 de Novembro de 1954 ocupou a cobiçada capa do Time) e sessenta, até à dissolução do quarteto em 1967. Nem por isso deixou de compor e interpretar, e entre a sua herança destaca que quatro dos seus seis filhos sejam músicos.
Em 1968 Brubeck compôs um oratório à base de ensinamentos de Jesus Cristo, e em 1969 uma cantata que mesclava textos da Bíblia com palavras de Martin Luther King. Também havia feito peças de jazz natalício. Mas não estava nem sequer baptizado: "A minha mãe baptizou os meus dois irmãos como presbiterianos, mas esqueceu-se de mim", confessou.
A conversão
Isso mudou, sem dúvida, em 1980. "Realmente nunca me converti", explicou em 1996 numa entrevista concedida à Catholic News Service: "Eu não era nada, assim simplesmente entrei na Igreja católica".
Tudo tinha começado meses antes, quando Ed Murray, editor do semanário católico Our Sunday Visitor, lhe encomendou música para uma missa: "Não sei nada de missas", contestou. "Disse-lhe que não queria fazê-lo, porque não era católico". Mas Murray tinha um argumento: "É exactamente o que quero, alguém que venha de fora e o contemple com uma visão fresca". Insistiu em que não aceitaria um não por resposta... assim Brubeck disse sim.
Mas impôs a condição de que compositores e liturgistas católicos supervisionassem o seu trabalho. E quando o terminou e o mostrou... os especialistas não tocaram nem numa nota.
O trabalho da missa se chamou To Hope [Esperar], e ainda que o terminou em poucos meses, não se gravou até quinze anos depois. Mas a decisão de Brubeck de ser católico chegou enquanto a compunha. Uma noite, no período em que ele estava compondo a missa, "sonhou" uma música, algo que lhe havia ocorrido em outras composições. Em seguida pensou que era perfeita para o Pai Nosso, assim que se levantou a meio da madrugada e se pôs a escrevê-la freneticamente, antes de que se lhe apagasse de todo da memória do sonho. Foi então, confessou à CNS, quando decidiu entrar na Igreja. Murray foi, por suposto, o seu padrinho de baptismo.
As portas do inferno
Também em sonhos lhe veio a inspiração, sete anos depois, para uma peça que criou para ser tocada perante João Pablo II durante a visita do Papa Karol Wojtyla a San Francisco.
"Chamaram-me à última hora da noite e me disseram que necessitavam uma resposta no dia seguinte. Disse que não, mas pedi o texto. Tratava-se da passagem: ´Sobre esta pedra edificarei a minha Igreja, e as portas do inferno não prevaleceram contra ela´. E pensei: ´E querem nove minutos sobre esta única frase? Como faço isso?´ Fui-me para a cama, e a meio da noite sonhei que a única forma de fazê-lo é como lho havia feito Bach, com coral e fuga, repetindo uma e outra vez as palavras. Quando despertei, me disse: ´Já o tenho! Com coral e fuga!´ E criei o que é o melhor que sempre escrevi".
E lhe disse o primeiro músico de jazz que ganhou um disco de ouro ao vender, graças a Take five, um milhão de discos.
Em 1980 pediram-lhe que fizesse uma missa: «Não sei nada de missas», contestou. Não estava baptizado. Escrevendo os seus acordes decidiu entrar na Igreja.
Actualizado 6 Dezembro 2012
C.L. / ReL
Se você não é aficionado do jazz, quiçá não lhe soa o nome de Dave Brubeck (1920-2012), e talvez não calibre bem o que significou Take five, um tema do seu companheiro de quarteto Paul Desmond, inseparável na sua interpretação.
Mas se escuta os seus primeiros acordes encontrará uma das composições mais populares do século XX. Gravou-a The Dave Brubeck Quartet em 1959, com Dave ao piano, formando parte do álbum Time out. Com o seu compasso de 5/4 converteu-se em um dos maiores êxitos na história desse peculiar estilo, e formou parte da banda sonora de inumeráveis películas e séries de televisão.
Brubeck morreu esta quarta-feira um dia antes de cumprir os 92 anos de idade, depois de uma carreira carregada de prémios e reconhecimentos que teve o seu zénite nos anos cinquenta (o 8 de Novembro de 1954 ocupou a cobiçada capa do Time) e sessenta, até à dissolução do quarteto em 1967. Nem por isso deixou de compor e interpretar, e entre a sua herança destaca que quatro dos seus seis filhos sejam músicos.
Em 1968 Brubeck compôs um oratório à base de ensinamentos de Jesus Cristo, e em 1969 uma cantata que mesclava textos da Bíblia com palavras de Martin Luther King. Também havia feito peças de jazz natalício. Mas não estava nem sequer baptizado: "A minha mãe baptizou os meus dois irmãos como presbiterianos, mas esqueceu-se de mim", confessou.
A conversão
Isso mudou, sem dúvida, em 1980. "Realmente nunca me converti", explicou em 1996 numa entrevista concedida à Catholic News Service: "Eu não era nada, assim simplesmente entrei na Igreja católica".
Tudo tinha começado meses antes, quando Ed Murray, editor do semanário católico Our Sunday Visitor, lhe encomendou música para uma missa: "Não sei nada de missas", contestou. "Disse-lhe que não queria fazê-lo, porque não era católico". Mas Murray tinha um argumento: "É exactamente o que quero, alguém que venha de fora e o contemple com uma visão fresca". Insistiu em que não aceitaria um não por resposta... assim Brubeck disse sim.
Mas impôs a condição de que compositores e liturgistas católicos supervisionassem o seu trabalho. E quando o terminou e o mostrou... os especialistas não tocaram nem numa nota.
O trabalho da missa se chamou To Hope [Esperar], e ainda que o terminou em poucos meses, não se gravou até quinze anos depois. Mas a decisão de Brubeck de ser católico chegou enquanto a compunha. Uma noite, no período em que ele estava compondo a missa, "sonhou" uma música, algo que lhe havia ocorrido em outras composições. Em seguida pensou que era perfeita para o Pai Nosso, assim que se levantou a meio da madrugada e se pôs a escrevê-la freneticamente, antes de que se lhe apagasse de todo da memória do sonho. Foi então, confessou à CNS, quando decidiu entrar na Igreja. Murray foi, por suposto, o seu padrinho de baptismo.
As portas do inferno
Também em sonhos lhe veio a inspiração, sete anos depois, para uma peça que criou para ser tocada perante João Pablo II durante a visita do Papa Karol Wojtyla a San Francisco.
"Chamaram-me à última hora da noite e me disseram que necessitavam uma resposta no dia seguinte. Disse que não, mas pedi o texto. Tratava-se da passagem: ´Sobre esta pedra edificarei a minha Igreja, e as portas do inferno não prevaleceram contra ela´. E pensei: ´E querem nove minutos sobre esta única frase? Como faço isso?´ Fui-me para a cama, e a meio da noite sonhei que a única forma de fazê-lo é como lho havia feito Bach, com coral e fuga, repetindo uma e outra vez as palavras. Quando despertei, me disse: ´Já o tenho! Com coral e fuga!´ E criei o que é o melhor que sempre escrevi".
E lhe disse o primeiro músico de jazz que ganhou um disco de ouro ao vender, graças a Take five, um milhão de discos.
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sábado, 8 de dezembro de 2012
Aos 15 anos tinha queimado a Bíblia
Peter, irmão do célebre ateu Christopher Hitchens, converteu-se perante um quadro do Juízo Final
A inevitabilidade da sua morte, assim como a constatação da riqueza do cristianismo, conduziram-no a um passo decisivo.
Actualizado 6 Dezembro 2012
Sara Martín / ReL
Uma tarde de Primavera de 1967, Peter, de quinze anos, saiu para jogar no campo do seu colégio em Cambridge. Sacou a Bíblia da sua mochila e largou-lhe fogo, num acto simbólico e real de rejeição contra tudo o que, ao longo da sua infância e adolescência, a sua família lhe tinha animado a crer. Mas a Bíblia não ardeu com rapidez e frieza, como ele esperava. Só depois de soprar um bom pedaço conseguiu que o livro se inflamasse de todo, ainda que, lamenta, ficou «com algo desagradável e meio carbonizado, e todo o meu público tinha-se ido embora antes que isso sucedesse».
Esta história poderia ser quiçá uma de tantas se não fosse porque quem a conta é irmão de um dos ateus mais conhecidos e reputados das últimas décadas, Christopher Hitchens, falecido há apenas um ano e autor de livros como Deus não é bom: alegações contra a religião, É o cristianismo bom para o mundo? ou Deus não existe. O irmão de Christopher, Peter, seguiu os seus passos rapidamente como resposta ao seu ambiente familiar. «Comprometi-me com uma rebelião completa e perfeita contra tudo o que havia sido educado para crer», explica.
Um perfil completo
Essa rebelião completa de Peter incluía todas as maneiras possíveis para fazer desesperar os seus progenitores: «Comportar-me como um delinquente juvenil, utilizar uma linguagem grosseiro, zombar dos débeis (havia um rapaz em cadeira de rodas no meu ano que se converteu num vergonhoso objectivo para este impulso), insultar os mais velhos, e, finalmente, violar a Lei. Os detalhes completos seriam aborrecidos para a maioria das pessoas e desagradáveis para a minha família. Digamos que incluem algumas lutas políticas com a polícia, incursões nas drogas ilegais, uma detenção por ter uma arma ofensiva e quase matar alguém ou a mim mesmo devido à minha irresponsabilidade criminal quando conduzia uma motocicleta», resume no seu livro The rage against God: how atheism led me to faith [Raiva contra Deus: como o ateísmo me conduziu à Fé]. Num aspecto mais pessoal, Hitchens lamenta além disso que «também houve inumeráveis actos de traição menor ou maior, ingratidão, deslealdade, desonra, incumprimento de promessas e obrigações, cobardia, rancor ou egoísmo puro».
Um fracassado «Tratado de Paz» com o seu irmão Christopher
Viveu a sua juventude nos anos 70, convencido de que havia conseguido sobreviver aos «mitos paternalistas» de Deus, dos anjos e do Céu. «Tínhamos a medicina moderna, a penicilina, os motores a reacção, o Estado de Bem-estar, as Nações Unidas e a Ciência, que explicava tudo o que necessitava ser explicado», continua. A sua juventude também esteve marcada por um afastamento que parecia definitivo do seu irmão Christopher, com quem vinha tendo uma má relação desde a infância. Tanto é assim que o seu pai os obrigou a firmar um «Tratado de Paz» e o pregou na parede com uma marca vermelha. «Para minha vergonha, fui eu quem o arrancou da sua marca e apaguei a minha assinatura com ira, antes de reiniciar as hostilidades. A nossa rivalidade durou 50 anos, e a religião foi uma das suas causas posteriores», reconhece.
Reflexão sobre a morte
O seu lento regresso à fé começou na década de 80, quando já tinha 30 anos. Nesse momento, Peter era bom na profissão que tinha escolhido, o jornalismo, e podia permitir-se ao luxo de umas agradáveis férias com a sua noiva. Mas, de repente, deixou de evitar as igrejas: «Observei que nas grandes catedrais inglesas, mas também em muitas paróquias pequenas, havia mensagens inquietantes. Uma delas era a inevitabilidade da minha própria morte. O outro era o facto indubitável de que os meus antepassados não eram rudes nem ignorantes, mas sim homens e mulheres de grande habilidade e engenho, com uma genialidade que não estava bloqueada ou em contradição com a fé, mas sim que era aumentada e melhorada por ela», explica.
Um quadro fundamental
Foi uma pintura a que jogou o papel fundamental para o retorno à fé de Peter: El Juicio Final de Rogier van der Weyden, que viu em Borgonha enquanto estava de férias.
«Tinha escarnecido de que estivesse mencionada como importante no guia turístico, mas de repente me encontrei com a boca aberta, observando como as figuras nuas fogem até ás portas do Inferno». O mais importante para Peter é que essas pessoas não lhe pareciam afastadas no tempo, não eram da antiguidade, mas sim que as sentia como da sua própria geração: «Precisamente porque estavam nus, não tinham ficado presos na sua época anónima nem em nenhuma moda. Eles eram eu e as pessoas que eu conhecia», admite.
«Teve una repentina sensação forte de que a religião é uma coisa também dos nossos dias, não encarcerada debaixo de grossas capas do tempo. Van der Weyden seguia ganhando a sua quota quase quinhentos anos depois da sua morte», ironiza o escritor.
Perdendo a fé na política
Em pouco tempo redescobriu a Natividade, uma época que havia desapreciado durante anos, e se uniu a um carol service (actos organizados pelas paróquias na Grã Bretanha para cantar cânticos e ler o Evangelho nas semanas prévias ao Natal) de uma igreja numa tarde de Inverno, «tímido e ansioso por não ser visto», reconhece.
«Sabia perfeitamente que estava passando bem, ainda que não estava disposto a admiti-lo. Também sabia que estava perdendo a fé na política e a minha confiança na ambição, e tinha uma urgente necessidade de outra coisa sobre a qual construir o resto da minha vida», continua. E o passo seguinte foi, para surpresa de todos, casar-se pela Igreja.
«Recordo sem dúvida as palavras da homilia que escutei durante o nosso matrimónio na igreja de St. Bride, que me despertaram pensamentos que eu tinha esquecido durante muito tempo. Estava entrando na minha propriedade como um inglês cristão, como homem e como ser humano. Foi a primeira coisa correcta que tinha feito até então como adulto», assegura.
Utopias terrenas de poder
Durante muitos anos, Peter teve uma certa vergonha de confessar a sua fé, salvo quando se sentia num ambiente favorável: «Se trata de um efeito secundário do ataque cada vez maior sobre o cristianismo na sociedade britânica que agora já superei», explica. «Ser cristã é uma coisa. Lutar por uma causa é outra, e agora é muito mais fácil reconhecer que nos últimos tempos a religião cristã está ameaçada. Porque há tanta fúria contra a religião agora? Porque a religião é a única força fiável que se interpõe no caminho do poder dos fortes sobre os débeis. A única força fiável que restringe a mão do homem poderoso. Numa época de poder, a religião cristã se converteu no principal obstáculo para o desejo de utopias terrenas de poder absoluto», afirma com rotundidade.
Um debate que lhe fez recuperar o seu irmão
E enquanto Peter se aproximava de novo da fé e se afirmavam as suas crenças, o caminho do seu irmão Christopher era exactamente o contrário. Se tornou famoso pelos seus virulentos ataques contra a religião cristã em particular, e pela sua férrea defesa literária da não existência de Deus em geral. Ambos os irmãos chegaram inclusive a realizar debates públicos sobre a existência de Deus na televisão e na rádio. Em 2008 tiveram o seu último debate. Foi encarniçado e Peter decidiu não participar em mais nenhum. No livro The Rage Against God: How Atheism Led Me to Faith explica que, contra o que se podia esperar, precisamente foi esse debate o começo da mudança da sua relação. Algo mudou entre eles. «Os nossos pais tinham morrido e chegamos à conclusão de que não queríamos que isto se converte-se num circo ambulante habitual».
Uma semana antes já tinham estado falando sobre ele: Christopher não refutou as crenças de Peter e lhe preparou uma estupenda cena na qual recordaram a sua infância e trabalharam por deixar para trás as suas diferenças dos últimos cinquenta anos: «Surpreendeu-me ver que a luta maior da minha vida parecia ter terminado de forma inesperada, tantos anos e tantos milhares de quilómetros depois de ter começado no nosso tranquilo lar de Inglaterra», reconhece Peter. «De facto, poderiam ser certas, como sempre esperei que seriam, as palavras de T. S. Eliot, que dizem que "o final de toda a nossa exploração será chegar onde começámos e conhecer o lugar pela primeira vez"». Tanto é assim, que uma semana antes da morte de Christopher, devida ao cancro, faz um ano, Peter esteve com ele no hospital, tal e como relatou no Daily Mail.
A inevitabilidade da sua morte, assim como a constatação da riqueza do cristianismo, conduziram-no a um passo decisivo.
Actualizado 6 Dezembro 2012
Sara Martín / ReL
Uma tarde de Primavera de 1967, Peter, de quinze anos, saiu para jogar no campo do seu colégio em Cambridge. Sacou a Bíblia da sua mochila e largou-lhe fogo, num acto simbólico e real de rejeição contra tudo o que, ao longo da sua infância e adolescência, a sua família lhe tinha animado a crer. Mas a Bíblia não ardeu com rapidez e frieza, como ele esperava. Só depois de soprar um bom pedaço conseguiu que o livro se inflamasse de todo, ainda que, lamenta, ficou «com algo desagradável e meio carbonizado, e todo o meu público tinha-se ido embora antes que isso sucedesse».
Esta história poderia ser quiçá uma de tantas se não fosse porque quem a conta é irmão de um dos ateus mais conhecidos e reputados das últimas décadas, Christopher Hitchens, falecido há apenas um ano e autor de livros como Deus não é bom: alegações contra a religião, É o cristianismo bom para o mundo? ou Deus não existe. O irmão de Christopher, Peter, seguiu os seus passos rapidamente como resposta ao seu ambiente familiar. «Comprometi-me com uma rebelião completa e perfeita contra tudo o que havia sido educado para crer», explica.
Um perfil completo
Essa rebelião completa de Peter incluía todas as maneiras possíveis para fazer desesperar os seus progenitores: «Comportar-me como um delinquente juvenil, utilizar uma linguagem grosseiro, zombar dos débeis (havia um rapaz em cadeira de rodas no meu ano que se converteu num vergonhoso objectivo para este impulso), insultar os mais velhos, e, finalmente, violar a Lei. Os detalhes completos seriam aborrecidos para a maioria das pessoas e desagradáveis para a minha família. Digamos que incluem algumas lutas políticas com a polícia, incursões nas drogas ilegais, uma detenção por ter uma arma ofensiva e quase matar alguém ou a mim mesmo devido à minha irresponsabilidade criminal quando conduzia uma motocicleta», resume no seu livro The rage against God: how atheism led me to faith [Raiva contra Deus: como o ateísmo me conduziu à Fé]. Num aspecto mais pessoal, Hitchens lamenta além disso que «também houve inumeráveis actos de traição menor ou maior, ingratidão, deslealdade, desonra, incumprimento de promessas e obrigações, cobardia, rancor ou egoísmo puro».
Um fracassado «Tratado de Paz» com o seu irmão Christopher
Viveu a sua juventude nos anos 70, convencido de que havia conseguido sobreviver aos «mitos paternalistas» de Deus, dos anjos e do Céu. «Tínhamos a medicina moderna, a penicilina, os motores a reacção, o Estado de Bem-estar, as Nações Unidas e a Ciência, que explicava tudo o que necessitava ser explicado», continua. A sua juventude também esteve marcada por um afastamento que parecia definitivo do seu irmão Christopher, com quem vinha tendo uma má relação desde a infância. Tanto é assim que o seu pai os obrigou a firmar um «Tratado de Paz» e o pregou na parede com uma marca vermelha. «Para minha vergonha, fui eu quem o arrancou da sua marca e apaguei a minha assinatura com ira, antes de reiniciar as hostilidades. A nossa rivalidade durou 50 anos, e a religião foi uma das suas causas posteriores», reconhece.
Reflexão sobre a morte
O seu lento regresso à fé começou na década de 80, quando já tinha 30 anos. Nesse momento, Peter era bom na profissão que tinha escolhido, o jornalismo, e podia permitir-se ao luxo de umas agradáveis férias com a sua noiva. Mas, de repente, deixou de evitar as igrejas: «Observei que nas grandes catedrais inglesas, mas também em muitas paróquias pequenas, havia mensagens inquietantes. Uma delas era a inevitabilidade da minha própria morte. O outro era o facto indubitável de que os meus antepassados não eram rudes nem ignorantes, mas sim homens e mulheres de grande habilidade e engenho, com uma genialidade que não estava bloqueada ou em contradição com a fé, mas sim que era aumentada e melhorada por ela», explica.
Um quadro fundamental
Foi uma pintura a que jogou o papel fundamental para o retorno à fé de Peter: El Juicio Final de Rogier van der Weyden, que viu em Borgonha enquanto estava de férias.
«Tinha escarnecido de que estivesse mencionada como importante no guia turístico, mas de repente me encontrei com a boca aberta, observando como as figuras nuas fogem até ás portas do Inferno». O mais importante para Peter é que essas pessoas não lhe pareciam afastadas no tempo, não eram da antiguidade, mas sim que as sentia como da sua própria geração: «Precisamente porque estavam nus, não tinham ficado presos na sua época anónima nem em nenhuma moda. Eles eram eu e as pessoas que eu conhecia», admite.
«Teve una repentina sensação forte de que a religião é uma coisa também dos nossos dias, não encarcerada debaixo de grossas capas do tempo. Van der Weyden seguia ganhando a sua quota quase quinhentos anos depois da sua morte», ironiza o escritor.
Perdendo a fé na política
Em pouco tempo redescobriu a Natividade, uma época que havia desapreciado durante anos, e se uniu a um carol service (actos organizados pelas paróquias na Grã Bretanha para cantar cânticos e ler o Evangelho nas semanas prévias ao Natal) de uma igreja numa tarde de Inverno, «tímido e ansioso por não ser visto», reconhece.
«Sabia perfeitamente que estava passando bem, ainda que não estava disposto a admiti-lo. Também sabia que estava perdendo a fé na política e a minha confiança na ambição, e tinha uma urgente necessidade de outra coisa sobre a qual construir o resto da minha vida», continua. E o passo seguinte foi, para surpresa de todos, casar-se pela Igreja.
«Recordo sem dúvida as palavras da homilia que escutei durante o nosso matrimónio na igreja de St. Bride, que me despertaram pensamentos que eu tinha esquecido durante muito tempo. Estava entrando na minha propriedade como um inglês cristão, como homem e como ser humano. Foi a primeira coisa correcta que tinha feito até então como adulto», assegura.
Utopias terrenas de poder
Durante muitos anos, Peter teve uma certa vergonha de confessar a sua fé, salvo quando se sentia num ambiente favorável: «Se trata de um efeito secundário do ataque cada vez maior sobre o cristianismo na sociedade britânica que agora já superei», explica. «Ser cristã é uma coisa. Lutar por uma causa é outra, e agora é muito mais fácil reconhecer que nos últimos tempos a religião cristã está ameaçada. Porque há tanta fúria contra a religião agora? Porque a religião é a única força fiável que se interpõe no caminho do poder dos fortes sobre os débeis. A única força fiável que restringe a mão do homem poderoso. Numa época de poder, a religião cristã se converteu no principal obstáculo para o desejo de utopias terrenas de poder absoluto», afirma com rotundidade.
Um debate que lhe fez recuperar o seu irmão
E enquanto Peter se aproximava de novo da fé e se afirmavam as suas crenças, o caminho do seu irmão Christopher era exactamente o contrário. Se tornou famoso pelos seus virulentos ataques contra a religião cristã em particular, e pela sua férrea defesa literária da não existência de Deus em geral. Ambos os irmãos chegaram inclusive a realizar debates públicos sobre a existência de Deus na televisão e na rádio. Em 2008 tiveram o seu último debate. Foi encarniçado e Peter decidiu não participar em mais nenhum. No livro The Rage Against God: How Atheism Led Me to Faith explica que, contra o que se podia esperar, precisamente foi esse debate o começo da mudança da sua relação. Algo mudou entre eles. «Os nossos pais tinham morrido e chegamos à conclusão de que não queríamos que isto se converte-se num circo ambulante habitual».
Uma semana antes já tinham estado falando sobre ele: Christopher não refutou as crenças de Peter e lhe preparou uma estupenda cena na qual recordaram a sua infância e trabalharam por deixar para trás as suas diferenças dos últimos cinquenta anos: «Surpreendeu-me ver que a luta maior da minha vida parecia ter terminado de forma inesperada, tantos anos e tantos milhares de quilómetros depois de ter começado no nosso tranquilo lar de Inglaterra», reconhece Peter. «De facto, poderiam ser certas, como sempre esperei que seriam, as palavras de T. S. Eliot, que dizem que "o final de toda a nossa exploração será chegar onde começámos e conhecer o lugar pela primeira vez"». Tanto é assim, que uma semana antes da morte de Christopher, devida ao cancro, faz um ano, Peter esteve com ele no hospital, tal e como relatou no Daily Mail.
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