quinta-feira, 29 de dezembro de 2016

Prosseguir pelas sendas da Misericórdia


Terminou o Ano da Misericórdia, convocado pelo Papa Francisco, mas não termina o apelo, o mandato a que sejamos pessoas cada vez mais misericordiosas, porque é assim que Deus faz connosco. Este ano foi, com efeito, demasiado rico e significativo para não deixar a sua marca na Igreja e nos seus membros, mas também neste    Mundo que é o nosso, e no qual, nós cristãos não devemos desistir de dar o nosso humilde contributo, não como quem manda e quer impor, mas antes como quem serve e quer partilhar o que tem de melhor para o bem de todos.

Este ano teve, entre muitos méritos, o de nos chamar a atenção para aquilo que, de facto, é importante, central, na mensagem de Jesus e que, por isso, é preciso descobrir, partilhar e anunciar. Deus é Pai e n'Ele a misericórdia prevalece sobre o juízo. Se esta convicção é clara para nós hoje, e o Papa Francisco fez questão de o afirmar sem margem para dúvidas, talvez não o tenha sido sempre ao longo dos tempos, pelo que, importa recuperar a sua centralidade no anúncio cristão. Boa Nova é isso mesmo: boa notícia, e Jesus é essa boa notícia que urge levar ao Mundo e a toda a Humanidade, para que, na liberdade e sem limitações nem pressões de qualquer ordem, cada um possa decidir-se e fazer o seu caminho, tomar as suas opções e ser respeitado.

Uma das grandes vantagens no grande comunicador que é o Papa é que ele não se limita a dizer, não se reduz à palavra, nem se escuda na importância da sua missão, mas a sua vida é um autêntico testemunho de coerência entre fé e vida, anúncio e existência. Todos temos, por isso, de aprender com ele, sobretudo, os sacerdotes e consagrados, para que a nossa vida seja uma luz que confirme e atraia todos aqueles que, andando insatisfeitos com a sua existência, procuram dar um sentido novo às suas vidas.

O Papa terminou ainda este Ano da Misericórdia deixando-nos mais um documento: a Carta Apostólica Misericordia et Misera, com a qual convida a Igreja a continuar a ser a "Casa da Misericórdia", na qual todos se possam sentir acolhidos, sem discriminações, e convidados a traduzir na vida, em gestos concretos, a misericórdia que há-de mudar a nossa vida e este Mundo, se acreditarmos na sua força e nos comprometermos na transformação dos corações e das estruturas. Mais um dos sinais interpeladores deste Papa foi o anúncio da institucionalização de um dia dedicado aos pobres, no Domingo XXXIII do Tempo Comum, uma semana antes de terminar o Ano Litúrgico, no Domingo de Cristo Rei.

Este Papa não se cansa, pois, de nos deixar interpelações com as suas palavras e com as suas atitudes, para que não nos habituemos a ser cristãos, não nos instalemos nas seguranças dos nossos gabinetes, esquecendo a realidade dos que sofrem, mas, antes e pelo contrário, vivamos constantemente inquietos perante um Deus que gosta de nos surpreender, desinstalar e convidar a confiarmos mais n'Ele e uns nos outros, e menos nas coisas e, particularmente, no dinheiro, que o Papa considera mesmo o "pior inimigo da Igreja". Como diz Jesus no Evangelho: "quem tem ouvidos para ouvir, ouça".

Que estas palavras fortes e interpelativas não caiam em saco roto, mas antes sejam entendidas, assumidas e dêem fruto na vida dos cristãos, sobretudo, naqueles que têm especiais responsabilidades e que, por isso mesmo, não devem cair na tentação do funcionalismo pardo e repetitivo, que mata a alegria, a espontaneidade e a beleza da vida cristã.


in Ecos de Grândola, nº 296, 09 de Dezembro de 2016


sábado, 19 de novembro de 2016

12h para o Senhor: Exposição do Santíssimo Sacramento


25 e 26 de Novembro de 2016

21:00 horas - Celebração e Oração Comunitária. Importância da Oração.

22:00 horas – Pelas crianças, adolescentes e jovens.

23:00 horas – Pelos idosos e pelos doentes.

00:00 horas – Pela conversão e santificação da Comunidade Cristã.

01:00 horas – Pelas vocações e pela santificação dos sacerdotes.

02:00 horas - Por todos os que não têm fé e estão afastados do Senhor.

03:00 horas – Pelas Famílias e Pessoas desavindas, divididas e sem paz.

04:00 horas – Pelo descanso eterno de todos os que nos deixaram.

05:00 horas - Por todos os que sofrem física, psicológica e espiritualmente.

06:00 horas - Pela unidade dos cristãos e dos crentes.

07:00 horas - Pela paz e entendimento entre os povos e nações.

08:00 horas – Celebração da Eucaristia e fim da Oração.



sexta-feira, 11 de novembro de 2016

Peregrinação a Fátima



Ainda o Sol não nascera quando mais de duzentas pessoas abalaram de Grândola, em cinco autocarros, no dia 23 de Outubro de 2016.

Era mais uma Peregrinação Paroquial de Grândola ao San­tuário de Fátima.

Apesar de um dia bastante nu
blado, a chuva só marcou pre­sença na viagem e à chegada ao Santuário de Fátima, mas quan­do se iniciou a recitação do Ro­sário na Capelinha das Apari­ções, já a chuva terminara, per­mitindo que a participação na Eucaristia que se seguiu, no Santuário de Fátima, fosse intensa, com a participação não só da Pe­regrinação da Paróquia de Grân­dola e outras nacionais, mas também de inúmeras peregrina­ções internacionais.


Após o almoço partilhado e algum tempo livre, realizou-se a Via Sacra em Valinhos.

O dia terminou com a visita às Casas dos Pastorinhos em Aljus­trel e posterior regresso a Grân­dola, de uma Peregrinação que incluiu uma forte participação de crianças e jovens dos escutei­ros e da catequese.

in Ecos de Grândola, nº 295, 11 de Novembro de 2016


Humildade e Gratidão

 
Estas duas palavras, proferidas pelo Eng. António Guterres aquando da sua eleição como Se­cretário-geral da Organização das Nações Unidas, são hoje o tema deste artigo, talvez porque elas constituam para mim um desafio permanente e uma luz a iluminar e confirmar o meu caminho.

Quando penso em humildade, imediatamente me vêem à mente as palavras de Santa Teresa de Ávila: a humildade é a verdade. De facto, a humildade é a virtude que nos ajuda, com realismo, a olhar­mos para nós, para os outros e pa­ra tudo o que nos envolve. É a par­tir dela que eu me encontro com a verdade daquilo que sou, com as minhas qualidades e defeitos, vir­tudes e pecados, e me disponho a deixar-me ajudar, para me tornar melhor todos os dias. Como cris­tão, sei que tenho em Cristo o ver­dadeiro modelo a seguir pois, Je­sus, ao assumir a condição huma­na, deu-nos o primeiro exemplo de humildade, que confirmou depois com a sua crucificação e morte.

Como o Eng. António Guterres nunca escondeu a sua condição de cristão e católico, decerto, que na sua forma de entender e viver a humildade pesou significativa­mente esta perspectiva de vida, tão querida a quem se dispõe a se­guir Cristo.

Esta virtude não é, infelizmente na minha opinião, estimada e promovida nos nossos dias, pelo menos em certos ambientes, e tal­vez o devesse ser, pois contribuiria decisivamente para combater o egocentrismo, o orgulho e a so­berba, que são uma espécie de ce­gueira, e, como diriam os gregos, ajudaria a formar pessoas de vir­tude, capazes de pensar nos ou­tros e de os servir, sem interessei­rismos, nem clientelas. A ausência de humildade pode, ainda, provo­car entre outras doenças o raquitismo ético a imaturidade, o imo­bilismo, a insensibilidade e a indi­ferença.

Quanto à gratidão, creio tam­bém ser uma virtude necessária, sobretudo, numa sociedade do imediato, do oportunismo e da amnésia. A ausência de gratidão pode provocar também indivi­dualismo, dureza de coração, e um sem número de manifestações de desumanidade.

É minha convicção profunda que, numa sociedade de múltiplas relações e interdependências, o natural é cultivarmos a gratidão, a começar pela nossa família, por tanta coisa de que lhe somos de­vedores, e esta atitude deverá acompanhar-nos ao longo da nossa vida. A gratidão humaniza­-nos, faz-nos sentir mais irmãos uns dos outros, mais próximos, mais simples, menos auto-sufi­cientes, dispondo-nos a dar e a re­ceber, e a sentir que também rece­bemos quando damos, mesmo que o façamos desinteressada­mente.

Duma forma simples e clara, sem plásticas, nem superficialida­des, temos na nossa frente um au­têntico projecto de vida, para quem aspira a fazer algo por este mundo em que vivemos, duma forma concreta, sabendo que um grande caminho começa com pe­quenos mas decididos passos.

Foi desta forma serena, mas convicta e comprometida, que o Eng. António Guterres, no serviço aos refugiados, foi construindo um projecto de liderança credível, que lhe permitiu conquistar, con­tra Adamastores e Golias, lobbys e agendas, até os mais imprová­veis apoios, e ser eleito da forma clara e arrasadora na Assembleia Geral da ONU.

Por tudo isto, devemos sentir um são orgulho por ele, por ser português e por ser o homem que é, não deixando, porém, de acolher o desafio que a sua eleição também significa: trilhar o cami­nho da humildade e da gratidão.

in Ecos de Grândola, nº 295, 11 de Novembro de 2016

sábado, 29 de outubro de 2016

Somos 'Publicação Periódica Online'


Desde 06 de Outubro de 2016, o portal da internet da Paróquia de Grândola, é um órgão de comunicação social, mais precisamente uma 'Publicação Periódica Online', registada na Entidade Reguladora para a Comunicação Social, com o número 126904.

Com a seguinte Ficha Técnica:

Director
Pe. Manuel António Guerreiro do Rosário
Director Adjunto
Pe. José Manuel Valente Bravo
Editor
José Francisco Ferreira Cardoso
Proprietário
Fábrica de Igreja Paroquial da Freguesia de Grândola
NIPC 501448799
Telefone 269 442 234 Fax 269 442 234
Email: paroquia.grandola@gmail.com
Contactos
Residência Paroquial, Praça Marquês de Pombal, 51
7570-139 GRÂNDOLA
Telefone/fax: 269 442 234
Email: paroquia.grandola@gmail.com
Redacção
Praça Marquês de Pombal, 51
7570-139 GRÂNDOLA
Telefone/fax: 269 442 234
Email: geral@paroquiadegrandola.pt

E o seguinte Estatuto Editorial:
  1. O “Paróquia de Grândola” é propriedade da Fábrica da Igreja Paroquial da Freguesia de Grândola.
  2. O “Paróquia de Grândola”, através dos seus sectores ‘Vida Paroquial’, ‘Paróquia em Movimento’ e ‘Igreja em Movimento’ é um jornal diário online, de inspiração cristã.
  3. O “Paróquia de Grândola” propugnará pelos valores da Justiça e da Paz, defenderá a Verdade e os valores inerentes à dignidade da Pessoa Humana, de acordo com os grandes princípios da Doutrina Social da Igreja.
  4. O “Paróquia de Grândola” é independente de quaisquer forças económicas, ideológicas e políticas.
  5. O “Paróquia de Grândola” também será um espaço para a voz dos leitores, desde que identificados e respeitando o Estatuto Editorial por que nos regemos.
  6. O “Paróquia de Grândola” é dirigido pelo seu director, director-adjunto e editor, auxiliados por uma equipa redactorial.
  7. O “Paróquia de Grândola” assume o compromisso de “respeitar os princípios deontológicos da Imprensa e a ética profissional, de modo a não abusar da boa-fé dos leitores, encobrindo ou deturpando a informação.


sexta-feira, 14 de outubro de 2016

Recuperar valores e virtudes


Todos os dias nos chegam notícias, como referia no meu último artigo daquilo que é menos bom ou mesmo mau, na sociedade portuguesa e no nosso Planeta Azul. Perante esta constatação, não raro, ouvimos expressões do género: "faltam valores"; "para onde é que nós vamos?"; "urge recuperar a ética", ou outras similares.

Como homem e como cristão, não tenho dificuldade em subscrever o que acima se afirma, embora me pareça que, tantas vezes, lhe falta consistência, concretização e consequências e, como é sabido e diz o provérbio: "palavras, leva-as o vento".

Uma verdadeira mudança exige o esforço transversal do Estado, das instituições, dos corpos intermédios, das famílias, do cidadão comum, pois é fácil deitar as culpas "aos outros", "à sociedade", "ao sistema", e depois, nada muda. Como diz Jesus no Evangelho, o problema é que nós vemos mais facilmente o argueiro no olho do outro, do que a trave que se ergue à nossa frente. Se eu parto do princípio que o problema não é meu, mas dos outros, tudo permanecerá inalterável, porque, "os outros" somos todos nós na relação interpessoal.

Creio que nos faria muito bem, se todos e cada um de nós tivéssemos a humildade de nos reconhecermos frágeis, agentes, responsáveis do mal que acontece e não apenas vítimas, porque a vitimização não leva a lado nenhum. Nada mudará enquanto nós não mudarmos, sem esperar pelos "outros".

No inicio de um novo Ano Escolar, seria interessante que a comunidade educativa, com todos os seus agentes, compreendesse a necessidade de se envolver em projectos, sem complexos, de transmissão de valores aos mais novos, pois, onde não se semeia, não se espere que cresça e que haja frutos.

Também me parece que há valores e princípios que não devem ser negociáveis e, por isso, não podem depender dos ventos políticos de quem governa, de maiorias que se vão alternando consoante as legislaturas, sob pena de estarmos a construir sobre a areia, e a não dar consistência aos projectos, nomeadamente, das novas gerações. Se todos nós somos sensíveis e nos sentimos inseguros perante a novidade, sobretudo se ela é constantemente mutável; o que não acontecerá com os mais novos? Como é óbvio eles são quem mais necessita de ajuda e orientação, para poderem fazer as escolhas certas. Nós, adultos, devemos fazer como o agricultor que trabalha a terra e pacientemente, mas com dedicação e competência, espera que ela venha a produzir. Ajudemos os mais novos a crescer e não nos limitemos depois a criticar os seus comportamentos, quando eles chocam com os nossos, ou afazer como Pilatos, quando surgem as dificuldades e os problemas.

Penso que, como diria Jesus, "nem só de pão vive o homem", ou seja, não necessitamos apenas de bens materiais para nos sentirmos felizes, mas há outras razões e dimensões que fazem parte da condição humana e que também precisam de resposta Para nós cristãos, as pessoas não valem pelo que têm mas, sobretudo, pelo que são, pois, nós é que somos Importantes para Deus e foi por amor dos homens que Jesus, para nós cristãos o Filho de Deus, se fez homem.

Vale a pena optar por aquilo que permanece e nos permite construir com solidez e não nos limitarmos à precariedade, ao provisório, ao volúvel. Porque não tentar?
 


in Ecos de Grândola, nº 294, 14 de Outubro de 2016


domingo, 9 de outubro de 2016

Peregrinação da Paróquia de Grândola ao Santuário de Fátima


Peregrinação da Paróquia de Grândola 
23 DE OUTUBRO DE 2016 
Santuário de Fátima



No dia 23 de Outubro, irá realizar-se a Peregrinação da nossa Paróquia ao Santuário de Fátima.


PROGRAMA DA PEREGRINAÇÃO



6h - Partida junto à Câmara Municipal. Paragem no caminho.
10h – Recitação do Rosário na Capelinha. Entrega de um ramo de flores a Nossa Senhora.
11h – Participação na Eucaristia no Santuário de Fátima
13h - Almoço partilhado num dos Parques do Santuário.
14h – Tempo livre no Santuário.
15.30h – Via Sacra nos Valinhos. Visita às Casas dos Pastorinhos em Aljustrel.
17h – Partida para Grândola.
18.30h - Paragem no caminho para lanche ajantarado.
20.30h - Chegada a Grândola.
 

sexta-feira, 9 de setembro de 2016

Boas notícias e más notícias


Quando nos anos 90 me encontrava em Itália a estudar, recordo-me que a minha atenção foi desperta para uma música, de um grupo musical chamado GenRosso, grupo internacional de mensagem cristã, na qual se fazia uma crítica pertinente e acutilante à comunicação social que só transmitia notícias negativas, "a crónica negra", como se mais nada existisse, ou fosse digno de ser noticiado.

Imagino que não deve ser tarefa fácil elaborar permanentemente notícias interessantes e apelativas, mas talvez valha a pena tentar diversificar as temáticas, de modo a incluir também aquilo que o grupo atrás mencionado chamava "a crónica branca", ou seja, aquilo que de bom, de positivo e até extraordinário, vai acontecendo neste vasto, rico e complexo Mundo que é o nosso.

De facto, com tanta notícia negativa que diariamente nos entra pela casa dentro, se não formos capazes de equilibrar os pratos da balança, ficamos seriamente limitados no nosso capital de esperança, pois parece não haver motivos para estarmos alegres e felizes neste Mundo, que apesar de todo o mal que nele existe, nos oferece também milhentas razões para acharmos que vale a pena viver e trabalhar nesta Casa Comum, tentando semear boas notícias, para que algo vá mudando, de facto, e não apenas plástica e superficialmente.

É verdade que as redes sociais e os novos canais de comunicação vieram democratizar o acesso à informação e criar alternativas às notícias que outrora dependiam quase exclusivamente dos grandes mass media; o que é um bem. A dificuldade que se nos coloca é que, perante o aumento exponencial de "material" informativo, se toma manifesta a nossa incapacidade de "digerir" tanta informação e de exercermos eficazmente a nossa capacidade de discernimento.

Como cristão, lembro aquilo que já muitas vezes tenho afirmado nas páginas do "Ecos": acredito nas pessoas, no que elas são capazes de construir, e na mudança de mentalidades e atitudes que podem acontecer e nos transformar em pessoas renovadas e melhores. Para Deus não há casos perdidos, nem pessoas totalmente irrecuperáveis; o arrependimento e a conversão são sempre possíveis. Creio que quem quiser aprofundar a mensagem de Jesus, nela irá encontrar razões para a esperança, para a alegria, para a paz e verdadeira comunhão entre pessoas.

Conheço imensos casos e na Página que a Paróquia de Grândola tem na Internet e nos meios complementares nela incluídos, procuramos transmitir testemunhos vivos disto mesmo, mostrando os pequenos e grandes milagres que todos os dias acontecem e que, apesar de não serem notícia na grande comunicação social, o são na de menor dimensão e, qual grão de mostarda, vão dando frutos e abrindo sulcos de vida, em vidas tantas vezes cansadas e desesperadas por não encontrarem respostas às suas inquietações profundas.

Tenho-o referido várias vezes e não me canso de o afirmar: o bem embora faça menos barulho, é superior e está mais disseminado do que o mal, e todos os dias acontecem coisas boas, maravilhosas que, se lhes fosse dada a devida importância, contribuiriam decisivamente para vivermos todos melhor, com mais qualidade devida, menos doenças, nomeadamente depressões e doenças do foro psicológico e psiquiátrico.

Que o período das férias ajude a despertar a nossa consciência para a necessidade de irmos semeando alternativas, que nos ajudem a despertar para o bem, para o bom e para o belo. Nesta missão todos somos responsáveis, cada um nos seus âmbitos...

in Ecos de Grândola, nº 293, 09 de Setembro de 2016


quarta-feira, 31 de agosto de 2016

Visitantes do Museu de Arte Sacra de Grândola


Inaugurado em Agosto de 2011 o Museu de Arte Sacra de Grândola tem registado ao longo dos anos um número contínuo de visitas:

Agosto de 2011 (inauguração) a Agosto de 2012 – 5.591 visitantes

Agosto de 2012 a Agosto de 2013 – 4.721 visitantes

Agosto de 2013 a Agosto de 2014 – 3.758 visitantes

Agosto de 2014 a Agosto de 2015 – 4.018 visitantes

Agosto de 2015 a Agosto de 2016 – 3.391 visitantes

TOTAL – 21.479 visitantes


sexta-feira, 12 de agosto de 2016

Religião e Humanismo


O fundamentalismo, venha ele donde vier, é um dos grandes perigos dos tempos modernos, porque facilmente e sem escrúpulos, subverte prioridades, secundarizando o essencial e sobrevalorizando o acessório; e o essencial são as pessoas: é o HOMEM.

Qualquer cristão que procure imitar Cristo perceberá que, para Ele, as pessoas, sobretudo os mais fragilizados e pobres, foram sempre a Sua prioridade; e, por isso, em sua defesa se comprometeu, ultrapassando preconceitos e preceitos humanos, pretensamente religiosos, na linha do que já antes haviam feito os grandes Profetas do Antigo Testamento. Estes, recorde-se, conscientes da sua missão de consciência crítica no meio do Povo de Israel, não se cansavam de criticar e condenar a religião pseudo-transcendente, que abandonando os caminhos da justiça e da misericórdia, se fixava em rituais superficiais e desumanizadores.

O Cristianismo, pois, para ser fiel a Cristo, deve ser um verdadeiro humanismo, aberto à transcendência (dirá o Papa Bento XVI) ou não será Cristianismo. Quem quiser conhecer Cristo e seguir o caminho que Ele nos propõe, de verdade, não tem alternativa ao humanismo, ao amor e serviço ao próximo, pois o amor a Deus confirma-se, prova-se no amor ao irmão. S. Tiago e S. João são concordes em afirmar isto mesmo ao dizerem que uma fé autêntica se vive e manifesta na complementaridade entre o amor a Deus e o amor ao próximo.

Este apelo é acolhido e vivido, sem margem para dúvidas, de forma extraordinária e desassombrada pelo nosso Papa Francisco, que constantemente nos incomoda e interpela, desafiando-nos a prosseguir, sem hesitação nem temor, por este caminho, que é afinal o caminho das obras de misericórdia.

Neste Ano Jubilar da Misericórdia, correndo o risco de repetir o que outros já disseram, não resisto em lembrar aos nossos leitores quais são as Obras de Misericórdia, este rico património secular, belo e desafiante programa de vida, que a Igreja propõe a quem quer dar sentido e conteúdo à sua existência, mesmo não sendo cristão ou católico. Qualquer homem ou mulher de "boa vontade" compreenderá a sua verdade, grandeza e beleza:

Obras de Misericórdia Corporais
1 - Dar de comer a quem tem fome;
2 - Dar de beber a quem tem sede;
3 - Vestir os nus;
4 - Visitar os doentes;
5 - Visitar os presos;
6 - Acolher os peregrinos;
7 - Enterrar os mortos.

Obras de Misericórdia Espirituais
1 – Dar bom conselho;
2 - Corrigir os que erram;
3 - Ensinar os ignorantes;
4 - Suportar com paciência as fraquezas do próximo;
5 - Consolar os aflitos;
6 - Perdoar os que nos ofenderam;
7 - Rezar pelos vivos e pelos mortos.

Há tanto bem a fazer e tanta gente carente, lá longe ou ao nosso lado; basta querer e agir!


Pe. Manuel António Guerreiro do Rosário
in Ecos de Grândola, nº 292, 12 de Agosto de 2016





segunda-feira, 1 de agosto de 2016

Em nome de Deus! Mas que Deus?


ão entendo e estou em profundo desacordo com uma certa retórica que coloca Deus quase exclusivamente como juiz, como polícia, que vigia, que pune, que faz sofrer o Homem.

Esta postura pode ter origem em diferentes âmbitos religiosos ou filosóficos, mesmo no Cristianismo, o que considero ser um erro colossal, e o resultado, quiçá, de um sincretismo, que projeta sentimentos e atitudes humanas em Deus, uma espécie de teomorfismo, que não tem qualquer suporte no Evangelho.

Como cristão acredito, com S. Paulo, que Jesus “é a imagem visível de Deus invisível” e, por isso, ao olhar para Ele e para a sua mensagem, descubro com admiração e encanto a magnanimidade de um autêntico e extraordinário humanismo, aberto à transcendência, e que pretende preencher e dar sentido à vida do Homem, este ser criado à imagem e semelhança de Deus, dirá o Livro dos Génesis, e desafiado em Cristo a tornar-se filho de Deus, dirá S. Paulo.

Jesus revela-nos e eu vou descobrindo este Deus Pai, que ama, que admoesta por amor, e que está sempre disposto a acolher aqueles que se afastam do redil, porque o seu amor é infinitamente misericordioso e o seu perdão um permanente Hoje, com efeitos retroativos.

Este Deus é incompatível com o mal, embora nem sempre seja fácil responder a todas as situações com que nos deparamos no nosso quotidiano; só sei e acredito e tenho disso a experiência, que Ele não se pode divertir fazendo-nos sofrer. Não, esse não é o Deus que Jesus veio revelar. Mas haverá outro Deus para além deste? Não creio, embora respeite, obviamente, quem pensa de forma diferente.

Neste Ano da Misericórdia, é deste Deus que nós, cristãos, somos chamados a dar testemunho, para que, quem quiser fazer a experiência, comprove como isto é verdade, e como o Seu amor pode transformar quem O encontra ou se deixa encontrar por Ele. Se não somos capazes de o transmitir a culpa é nossa, não d´Ele, e, por isso, mudemos!

Como diria o Papa João Paulo II: não tenham medo!


Pe. Manuel António Guerreiro do Rosário
in Diário do Alentejo, nº 1788, 29 de Julho de 2016


Dia de São Pedro em Melides



Dia 29 de Junho de 2016, celebrámos a Santa Missa e a Procissão do nosso Padroeiro, o S. Pedro. Obrigado a todos quantos colaboraram connosco e que vieram participar na Celebração da Missa e da Procissão unindo-se a nós. Obrigado à Banda SMOF, pois, graças à sua preciosa ajuda quase tocámos o Céu! Graças a Deus foram momentos de grande profundidade e oração. Cantámos e louvámos o Senhor!



in Ecos de Grândola, nº 291, 08 de Julho de 2016


Portugal: Riquezas e Desafios, Breves Notas de Reflexão


Um observador menos atento ficará, decerto, estupefacto perante tantas e tão grandes riquezas e potencialidades do nosso país, apesar das suas pequenas dimensões territoriais. Pensemos, por exemplo, no clima, na gastronomia, na música, no património, para citar apenas alguns sectores.

O reconhecimento das nossas potencialidades, porém, não nos deve iludir, ao ponto de nos considerarmos os melhores, ostentando um exagerado orgulho, que, por não ser realista, nos não leva a lado nenhum, a não ser a desilusões. Se olharmos, por exemplo, para a nossa secular história, não podemos cair na ilusão da grandeza do passado, quando "demos novos mundos ao Mundo", permanecendo acorrentados a ele e inadaptados a um Mundo em constante devir. Por outro lado, a falta de memória e o nivelamento “por baixo", reduzindo-nos à banalidade e superficialidade, também não me parece uma opção correcta.

Em linguagem cristã eu diria que nos faz falta uma dose razoável de humildade, que mais não é do que a verdade, pois nos ajuda a perceber as coisas boas e extraordinárias que possuímos, mas, ao mesmo tempo, não cria falsas ilusões daquilo que não somos. Há, pois, palavras que necessitamos de cultivar mais e de as transformar em projectos realistas: criatividade, inovação, honestidade, perseverança, competência, sacrifício.

Há, contudo, muito a fazer em diversos sectores que têm sido uma espécie de "parente pobre" das nossas políticas, independentemente dos Governos e da sua cor partidária. Pensemos, por exemplo, nos portugueses espalhados pelos quatro cantos do Mundo: não mereceriam muito mais apoio da mãe pátria? E o nosso património histórico e artístico, e a nossa língua, não nos dá a impressão de serem um capital pouco valorizado, quando poderiam ser um vector de afirmação nacional e de salutar orgulho?

E já agora, muitos dos nossos leitores saberão que nas comunidades portuguesas espalhadas por esse Mundo fora, uma das instituições de referência é a Igreja. Pergunto-­me, muitas vezes, até que ponto este facto é conhecido e valorizado pelos nossos políticos?

Um outro dado significativo tem a ver com a influência de Portugal no Mundo. Em muitas regiões do Globo onde fomos pioneiros, entre os traços característicos e distintivos da presença portuguesa, a fé cristã e católica ocupa um lugar incontornável. Por Roma, onde estudei durante vários anos, encontrei, para grande alegria minha, muitos e extraordinários exemplos de quanto acabo de afirmar, nomeadamente entre os povos do Continente Asiático. E a verdade é que em Itália cresci na alegria e no gosto de ser português, ao descobrir, no meio de muitos erros e lacunas, o génio, a audácia e o universalismo dos nossos antepassados. Há aqui, parece-me, um mar de potencialidades inexploradas, para além das questões económicas. Neste campo também me interrogo se as novas gerações conhecem suficientemente a nossa história e cultura humanista. Um dos perigos da globalização é, aliás, a perda das especificidades e identidades, embora seja evidente que fazemos todos parte desta "Aldeia Global".

A consciência do que fomos, creio ser essencial para vencermos as batalhas, naturalmente diversas, dos tempos que vivemos hoje, pois, quem não tem memória não tem futuro, ou mais facilmente será formatado por ideologias e projectos estranhos à portugalidade.

As vezes apetece-me dizer como o Maestro Lopes Graça: Acordai!!


Pe. Manuel António Guerreiro do Rosário
in Ecos de Grândola, nº 291, 08 de Julho de 2016


domingo, 24 de julho de 2016

Apresentação da Tese de Mestrado do Pe. José Manuel Valente Bravo


Caros/as amigos/as


É com muito gosto que as Paróquias de Grândola, Melides e Carvalhal vos convidam a participar na apresentação da Tese de Mestrado que o Pe. José Manuel Valente Bravo defendeu na

Faculdade de Teologia da Universidade Católica Portuguesa, e que agora é publicada em livro.

A apresentação terá lugar no Salão anexo à Igreja Matriz de Grândola, no dia 06 de Agosto, sábado, depois da Eucaristia das 18h.

Contamos com a Vossa presença.



terça-feira, 19 de julho de 2016

Proteger a Vida Humana, Missão Prioritária


Volto de novo a um tema que julgo de particular actualidade e premência: a vida humana, tão banalizada e vilipendiada nos tempos que correm.

Todos os dias são inúmeras e diversificadas as notícias que nos falam de atentados, mais ou menos graves, contra a vida humana, e às vezes fico com a sensação que, de tanto ouvirmos falar, se corre o risco de nos tornarmos indiferentes e imunes a todas estas manifestações, como se de coisas normais e naturais se tratasse. Já cheguei a pensar senão teremos de criar e apoiar novas instituições de defesa da vida e dignidade do ser humano, pois os animais parecem merecer cada vez mais a atenção, defesa e promoção dos seus direitos, vertidos em legislação. O Papa Francisco na Encíclica Laudato Si di-lo, com clareza e veemência: a verdadeira ecologia é aquela que integra também o homem entre as suas preocupações centrais.

Uma situação que me choca é o drama dos refugiados, pois parece que já nos habituámos a viver com ele, esquecendo que estão em causa pessoas como nós, e a verdade é que, se a sua situação não é fácil de resolver, este facto depõe contra uma certa mentalidade em crescendo na Europa, que quer fazer esquecer a verdadeira alma humanista da Europa, tecida com os contributos das culturas grega, latina e judaico-cristã, os quais tomaram este continente referência em todo o mundo.

São ainda imensos os atentados à vida humana, nas diferentes fases do seu crescimento e desenvolvimento, que nos fazem pensar no "baixo preço" atribuído à vida humana, ao ponto de se tirar a vida a outro semelhante por qualquer motivo banal e, além do mais, tem-se a impressão que o "crime compensa" e que só "o mal" é notícia. Estou firmemente convencido que o Bem é mais forte do que o Mal e que devemos combater sempre e cada vez mais, com as armas da paz e da reconciliação, as únicas a partir das quais se constrói solidamente e com futuro.

Não me parece também positivo que as notícias que preenchem o nosso tempo sejam, sobretudo, notícias negativas, quando estou firmemente convencido que há tantas coisas extraordinárias a crescer, sem nós nos apercebermos, e tanto bem a germinar e a frutificar no seio de tantas pessoas, instituições, e numa grande multiplicidade de iniciativas que, mesmo sem barulho, vão tomando mais bela a face deste mundo, "Casa Comum", em que habitamos.

Já o tenho afirmado em múltiplas ocasiões, sou um espírito positivo e optimista, por natureza e por convicção enquanto cristão, e acredito que temos de voltar a colocar o ser humano no centro das nossas preocupações, sem esquecer que tudo será vão e incompleto se continuarmos por este caminho de banalização e desvalorização da vida humana. A vida, cada vida e todas as vidas, têm valor, são únicas e irrepetíveis, e são amadas por Deus, independentemente da latitude ou longitude onde elas tenham visto a luz do dia.

Pe. Manuel António Guerreiro do Rosário
in Ecos de Grândola, nº 290, 10 de Junho de 2016