terça-feira, 5 de outubro de 2021

Caminhar na Verdade


ste tema, fonte quase inesgotável, com algumas nuances, já mereceu  anteriores reflexões minhas, nas páginas do “Diário do Alentejo”. Hoje, porém, centrar-me-ei na relação entre Ser e Parecer, partindo da análise de dois textos dos Evangelhos.

Durante a Quaresma, lê-se um episódio intitulado: “As tentações de Jesus” (Mt 4,1-11; Mc 1,12-13; Lc 4,1-13), que são também as nossas, e uma delas chama-se: Parecer. Em S. João, há um outro trecho curioso: o encontro de Jesus com Natanael. No desenrolar do diálogo entre ambos, Jesus afirma: “Aqui está um verdadeiro israelita, no qual não existe fingimento” (Jo 1,47).

A mensagem de ambos os textos acaba por ser complementar: o primeiro diz-nos que há uma tentação que bate à nossa porta – a aparência; o segundo, afirma que a sua superação passa pela transparência e verdade.

À partida deveria haver coincidência entre Ser e Parecer; mas nem sempre isso sucede, e é frequente a conflitualidade, para além dos casos do foro psiquiátrico, que merecem uma abordagem específica.

Como cristão penso que a fé, na medida em que nos torna mais conscientes das nossas imperfeições e pecados, nos convida a ser humildes, simples, coerentes. Para que isso se torne realidade, é preciso viver em permanente estado de conversão, assumindo a condição de pecador, e não procurando justificar-se.

A conversão é, pois, convite à coerência, e, para ser eficaz, deve começar por dentro. A “Bíblia” utiliza, aliás, uma expressão muito bela: “mudança do coração”, a qual, em sentido bíblico, é sinal da identidade mais profunda da pessoa, da sua consciência. Com efeito, enquanto as mudanças exteriores, por serem superficiais, plásticas e transitórias, não criam raízes, as interiores, pelo contrário, geram comunhão entre o que somos e revelamos; tornam-nos mais naturais, livres e despretensiosos; e libertam-nos de temores, incertezas e oscilações comportamentais.

Este processo dá muito mais trabalho, é para toda a vida, mas vale a pena.

Pe. Manuel António Guerreiro do Rosário
in Diário do Alentejo, 30 de Abril de 2021


O valor da vida humana



omo homem defendo a inviolabilidade 
e a intangibilidade da vida  humana, desde o nascimento até à morte natural; mas, como cristão, acredito que a vida também é sagrada: é dom de Deus; por isso, a ninguém é lícito tirá-la a outrem.

O direito à vida está igualmente consignado na Declaração Universal dos
Direitos do Homem, da ONU (1948), subscrita pela maior parte dos Estados.

O preâmbulo da Declaração manifesta uma fé profunda nos Direitos Humanos, “ideal comum a atingir por todos os povos e todas as nações”. Na verdade: “o desconhecimento e o desprezo dos direitos do homem conduziram a atos de barbárie que revoltam a consciência da Humanidade”. Daí a importância de garantir, através da sua implementação: “o advento de um mundo em que os seres humanos sejam livres de falar e de crer, libertos do terror e da miséria”.

Se olharmos, contudo, para o nosso mundo, perceberemos facilmente o abismo existente entre a magnanimidade do texto e a crua realidade.

Sem a pretensão de esgotar a lista interminável de atentados à vida, nem me perder em juízos de valor sobre os seus responsáveis, enuncio apenas alguns factos: milhões de refugiados em campos de acolhimento, ou em êxodo rumo ao norte, em busca de uma vida melhor; populações exangues por intermináveis conflitos armados; milhares de mortos todos os dias pela fome; multidões incontáveis privadas de água potável, de condições de higiene, de cuidados de saúde; milhões de crianças sem escola nem família; listas infindáveis de mulheres vítimas de violências, violações e tráfico; idosos abandonados e marginalizados; pessoas com deficiência que, em alguns países, já não são bem vindas, pois, pelo aborto seletivo ou pela eutanásia, caminhou-se no sentido da “seleção” da raça!

A constatação desta dolorosa realidade não deve, porém, gerar conformismo, nem indiferença; pelo contrário, é antes desafio a empenharmo-nos em prol da vida e dignidade humanas, pois, todas as vidas importam!

Pe. Manuel António Guerreiro do Rosário
in Diário do Alentejo, 26 de Março de 2021


A pandemia e as nossas fragilidades


Humanidade do século XXI 
está a escrever um dos seus piores capítulos, fruto da pandemia que se abateu sobre nós, e inundou o nosso quotidiano de incertezas, medos, provações e expectativas.

Pela sua omnipresença no universo informativo, é fácil concluir que ela fez emergir e agravou significativamente contradições e desigualdades do nosso mundo, e dos mundos que nele subsistem, pois, apesar das ondas de choque deste ‘tsunami’ atingirem todas as latitudes e longitudes, são sem dúvida os mais frágeis, pequenos e pobres, quem mais sofre. Infelizmente, são também estes que, na hora em que surgem as primeiras respostas, correm o risco de perder o comboio, por falta de recursos para a adquisição das vacinas e demais tratamentos, e de púlpitos onde a sua voz se faça ouvir.

Há, porém, sinais positivos que gostaria de assinalar:
1.º A mobilização, sem precedentes, de pessoas e recursos, num esforço ciclópico de investigação científica, sinal de que, para problemas globais, exigem-se e são possíveis, respostas globais;
2.º O alívio da pressão sobre o planeta azul, que parece ter voltado a respirar plenamente, depois de décadas de ofegante e voraz poluição, conduzida por uma ânsia descontrolada de ter e dominar;
3.º A generalização de gestos de profunda humanidade e solidariedade, bem reveladores daquilo que o ser humano é capaz, se, exercendo firmemente o discernimento, não se render ao mal.

A pandemia parece ter criado em nós uma maior consciência de interdependência: somos uma só família humana, que habita a mesma e única casa comum. Ela pode também constituir uma autêntica oportunidade para abandonarmos egoísmos, individualismos e nacionalismos, que só contribuem para abrir feridas, agudizar conflitos e empurrar a Humanidade para uma espécie de “terceira guerra mundial, aos pedaços”, como diz o Papa Francisco.

Há razões para continuar a acreditar no Homem, e na sua capacidade de se superar e de construir um amanhã melhor!

Pe. Manuel António Guerreiro do Rosário
in Diário do Alentejo, 05 de Fevereiro de 2021


quinta-feira, 19 de agosto de 2021

Igreja: manutenção ou evangelização?


Ao celebrar o Dia de S. João Maria Vianney, o Santo Cura d´Ars, recordei com saudade uma sua biografia que li há anos e que calou bem fundo dentro de mim. Como foi possível que um só homem transformasse uma minúscula e desconhecida aldeia francesa, num local de peregrinação de multidões e de conversão para tantos?

Não é por acaso que a Igreja no-lo apresenta como modelo e padroeiro dos Sacerdotes. Este extraordinário pastor viveu como sua a mensagem de Jesus, onde Ele afirma que o bom pastor é aquele que: “deixa as 99 ovelhas no aprisco para ir procurar a que se transviou” (cf. Lc 15, 3-7).

A este propósito, dizia há anos o meu amigo Reinaldo Ferreira, (infelizmente já falecido): “no Alentejo (em Beja, entenda-se) sucede o contrário. Temos mais de 90 “ovelhas” (93, 94, 95, 96) fora do redil e só as outras (poucas) dentro”. E que fazemos? Vamos procurá-las? Acomodamo-nos e deixamo-las tranquilas?

O testemunho extraordinário de S. João Maria Vianney, lembra-nos que a evangelização é a missão essencial da Igreja, de cada comunidade cristã e de cada cristão, a começar pelos pastores. Se a nossa pastoral não for verdadeiramente evangelizadora, mas nos limitarmos a manter os poucos fiéis, que futuro terá a Igreja?

Segundo os dados preliminares dos Censos 2021, o Alentejo foi das regiões do país que mais população perdeu, uma zona já de si envelhecida, na qual a taxa de natalidade é das mais baixas de Portugal e da Europa, com os mais jovens a não encontrarem aqui incentivos para se fixarem e constituírem família. Creio que temos de nos sentar e analisar com preocupação estes dados.

A Jornada Mundial da Juventude de 2023 pode constituir uma excelente ocasião para apostarmos decididamente nos jovens e numa pastoral que lhes dê lugar e na qual eles possam ser verdadeiros protagonistas.

O Biénio Vocacional assumido pelas três Dioceses da Província Eclesiástica de Évora (Évora, Beja e Algarve), pode igualmente ser ocasião para uma viragem nas opções vocacionais que têm sido feitas. Não nos esqueçamos das palavras do Evangelho: “pelos frutos se conhece a árvore” (cf. Mt 7, 15-20).

Para além da Juventude e das Vocações, penso que a Pastoral geral, numa Diocese com as características de Beja, não pode ser descontextualizada, aculturada, carente de vigor evangélico e de horizontes, sob pena de, com o passar do tempo, ficarmos com mais lugares vagos nos bancos nas nossas Igrejas.

A autêntica pastoral deve, pois, supor o conhecimento da realidade e da especificidade de cada região e das suas populações, para poder encontrar e propor novos caminhos de anúncio do Evangelho, como força renovadora e transformadora. A Encarnação e a Inculturação são regras essenciais da Pastoral.

No caso do Alentejo é preciso dedicar gente, tempo e recursos à procura de respostas que nos ajudem a compreender o porquê do afastamento de tanta gente da Igreja, pois nem sempre foi assim. Basta conhecer um pouco da nossa História, olhar para o nosso Património e para as nossas Tradições, para se perceber que o Evangelho já penetrou profundamente as raízes do povo alentejano e é preciso não fazer tábua rasa desse facto. Não confundamos Evangelização Ad Gentes com Nova Evangelização!

Voltando ao tema do último artigo que escrevi, sobre a conversão, creio ser oportuno afirmar que a verdadeira conversão exige a mudança dos corações e só depois das estruturas. Como dirá Jesus: “vinho novo em odres novos…” (cf. Mt 9, 14-17). Se não nos convertermos, de facto, e não nos tornarmos verdadeiros discípulos de Cristo, renovados e conduzidos pelo Espírito Santo, dificilmente seremos agentes de uma pastoral missionária e evangelizadora.

Pe. Manuel António Guerreiro do Rosário

segunda-feira, 9 de agosto de 2021

Beja: Bispo nomeia coordenador dos trabalhos diocesanos para o Sínodo dos Bispos 2023

 Padre Manuel António Guerreiro do Rosário assume missão

Beja, 09 ago 2021 (Ecclesia) – O bispo de Beja, D. João Marcos, nomeou o padre Manuel António Guerreiro do Rosário como coordenador dos trabalhos diocesanos para o Sínodo dos Bispos de 2023, convocado pelo Papa Francisco.

O sacerdote, membro do Conselho Presbiteral e do Colégio dos Consultores da diocese alentejana, é docente do Instituto Superior de Teologia de Évora.

A abertura do percurso do Sínodo de 2023 acontece no Vaticano, sob a presidência do Papa, nos próximos dias 9 e 10 de outubro, e em cada diocese católica, a 17 de outubro, sob a presidência do respetivo bispo.

Estas celebrações dão início à “fase consultiva” da 16ª assembleia geral do Sínodo dos Bispos, a partir de um documento preparatório, um questionário e um vademécum com propostas de consulta em cada diocese.

O Vaticano determina que cada bispo nomeia um responsável ou uma equipa diocesana para a consulta sinodal; cada Conferência Episcopal deve fazer o mesmo.

OC











segunda-feira, 26 de abril de 2021

Festa da Penha 2021

(Grândola: 01 a 30 de Maio)

Dia 01
(sábado)

15h – Saída da Capela da Penha. Percurso habitual – Av. António Inácio da Cruz. Quartel dos Bombeiros Mistos de Grândola. Igreja Matriz;

18h – Eucaristia na Igreja Matriz;

21.30h – Procissão das Velas: percurso habitual - cortejo automóvel;

Dia 02 (Domingo)

10.30h – Igreja Matriz: Momento Musical – Grupo de Violas;

Dia 06 (quinta-feira)

16h – Visita da Imagem de Nossa Senhora da Penha: Santa Casa da Misericórdia. Bairro das Piscinas e ruas próximas;

Dia 08 (sábado)

15h – Visita da Imagem de Nossa Senhora da Penha: Canal Caveira. Bairro do Arneiro;

Dia 09 (Domingo)

10.30h – Igreja Matriz: Momento Musical – Grupo Coral e Etnográfico de Grândola;

Dia 13 (quinta-feira)

21.30h – Procissão das Velas: Bairro de S. João – cortejo automóvel;

Dia 15 (sábado)

14h – Visita da Imagem de Nossa Senhora da Penha: Bairro da Esperança. Bairro da Liberdade. Bairro das Amoreiras. Bairro da Tirana. Bairro do Isaías. Bairro da Paragem Nova;

19h – Igreja Matriz: Momento Musical – Grupo Musical Falta Um;

Dia 16 (Domingo)

15h – Visita da Imagem de Nossa Senhora da Penha: Água Derramada – Eucaristia. Silha do Pascoal;

Dia 19 (quarta-feira)

17h - Aldeia do Futuro. Aldeia da Justa. Bairro Novo dos Cadoços. Cadoços;

Dia 22 (sábado)

14h – Visita da Imagem de Nossa Senhora da Penha: Aldeia do Pico. Brejinho de Água. Muda e Vale da Cobra;

19h – Igreja Matriz: Momento Musical – Tenor Carlos Guilherme e Jaime Branco (Órgão);

Dia 29 (sábado)

16h – Procissão das Rosas (segundo o percurso habitual). 18h – Eucaristia na Igreja Matriz;

Dia 30 (Domingo)

11h – Eucaristia transmitida pela TVI. Final da Festa.

 

CONVIDAMOS A QUEM DESEJAR, QUE DECORE AS CASAS E AS RUAS POR ONDE A PROCISSÃO PASSARÁ, EVITANDO AGLOMERAÇÕES E SEGUINDO AS NORMAS DE SEGURANÇA.