terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

A verdadeira emoção está no encontro

A beleza do desporto consiste no relacionamento com os outros


Roma, 04 de Fevereiro de 2013


Nos últimos anos, muitos jovens são atraídos pelos chamados "desportos radicais". São actividades cheias de risco, dominadas por fortes emoções. Na maioria dos casos, também são caracterizadas por forte individualismo e por um desejo de experimentar a emoção do inesperado além de todos os limites.

Modas como esta nos fazem perceber o quanto são frágeis as novas gerações. Muitas vezes, os jovens de hoje tendem a absorver as tendências do momento sem as defesas adequadas nem a atenção devida, acabando por virar vítimas. Devemos considerar também o fato de que muitos jovens têm pais ausentes. Se não há educação de família, torna-se mais fácil ainda envolver-se em actividades de risco e jogar fora a própria vida num segundo.

De tanto se cultivar a não-cultura do risco, pensa-se que se é omnipotente. Acredita-se que é possível brincar com fogo sem se queimar. Trata-se de uma ilusão, filha de uma era dominada pelo culto ao excesso.

O que fazer para reconduzir os jovens a estradas mais seguras? O primeiro passo é, certamente, recuperar uma autêntica cultura do desporto, muito diferente daquilo que é proposto pela moda do radical.

Em um mundo dominado pelo relativismo moral, em que o bem se confunde cada vez mais com o mal, a ideia de seguir regras e comportamentos específicos pode ter um papel decisivo na educação. Nada pode contribuir mais do que o desporto para uma formação saudável da consciência dos jovens.

A melhor resposta para o caos de certas tendências extremas, onde o desejo de excesso e de risco quase não conhece fronteiras, é oferecer uma saudável cultura do limite: o apelo a regras, padrões, barreiras morais que não podem ser excedidas.

Outro elemento-chave, do ponto de vista educacional, é a cultura do compromisso. Para se conquistar um troféu, são necessárias muitas horas de suor e treino. É importante ajudar os jovens a apreciarem cada vez mais o espírito de sacrifício, transferindo-o da dimensão do desporto para a vida quotidiana.

Finalmente, outro aspecto importante da educação é a cultura do encontro com o outro. Hoje, infelizmente, os jovens estão cada vez mais presos a jogos de vídeo e a navegar pela internet. Passam dias inteiros imersos na realidade virtual, o que impede um relacionamento verdadeiro com o mundo.

O individualismo de alguns desportos radicais faz parte deste mesmo âmbito de isolamento. A adrenalina do risco é pessoal, impossível de compartilhar. Tudo acaba esgotado nos poucos segundos de uma emoção árida.

Bem diferente disso, a verdadeira cultura do desporto pode habituar os jovens ao contacto sincero e concreto com os outros. Num mundo jovem que tende à solidão, muitas vezes dominado por encontros frios e virtuais, um saudável desporto de equipe pode ajudar a construir uma cultura melhor de respeito e de amizade.


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